Uma das histórias mais antigas do carnaval de São Paulo é entre o mestre Juca e a Águia de Ouro, um casamento, que logo vira ‘Bodas de Ouro’. São 43 carnavais juntos com a escola da Pompeia e inúmeras funções dentro da comunidade, até chegar no comando da “Batucada da Pompeia” no fim de 1992. Sempre receptivo, Juca é a cara da Pompeia, e contou sua trajetória na escola para o site CARNAVALESCO.

Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

“Cheguei na escola em 1979, comecei ensaiar para o carnaval de 1980. Sai na bateria até 88, em 89 a gente teve a felicidade de ganhar o samba, e sai na ala de compositores, 90 também na ala de compositores. Em 91 e 92 eu saí como apoio de canto, cantando com o Douglinhas na avenida. Daí em setembro de 92, eu assumi a bateria da Águia e estou até hoje. Esse aqui vai ser o meu 31ª desfile como mestre de bateria”.

Título conquistado, mas foco principal é a comunidade

Campeã do carnaval em 2020, a Águia de Ouro conseguiu o que tanto sonhou, a vitória no Grupo Especial. Antes conquistou três títulos do Grupo de Acesso I, 1998, 2009, 2018, todos com Juca na bateria. O mestre ressaltou sua principal missão frente a “Batucada da Pompeia”.

“A comunidade da Águia tem uma bateria que toca para eles. A gente não toca para jurado, diretor, para ninguém. Tocamos para a comunidade, e isso tem dado resultado”.

Projeto de formação e estilo da batucada

Mestre Juca reforçou em diversos momentos sobre a escola ser muito receptiva e contou como funciona para integrar os jovens da Zona Oeste de São Paulo, e claro, a todos interessados em participar da agremiação azul e branco.

“É o lance de ser receptivo, os moleques a gente fala que são os pivetes infernais da Pompeia, tem até um samba exaltação sobre isso. A molecada se integra, pois é um trabalho diferente com eles, não vem só para o ensaio, por exemplo hoje a molecada está com a gente desde tarde. Passam o dia na quadra, fazemos um trabalho legal”.

Criação da batucada feminina

Seguindo o ritmo da receptividade, mestre Juca trata um tema em especial no qual participou no fim dos anos 1990 e quase início dos anos 2000, que foi a criação da ‘Batucada Feminina’, a primeira do Brasil, e consequentemente do mundo.

“As mulheres sempre tiveram na bateria da Águia, desde 1999 já saíram mulheres. Tanto que montamos a primeira bateria feminina do mundo, a gente achava que era do Brasil, no fim fomos atrás e oriunda foi a primeira escola de samba do mundo. É um trabalho legal, todo mundo respeita, as meninas são respeitadas, é mais fácil de trabalhar com elas”.

Vivendo e aprendendo com a ‘Águia sempre altaneira’

Quando falamos em Águia de Ouro e Batucada da Pompeia, claramente, mestre Juca é um símbolo da comunidade. Tantos carnavais e anos com a escola, e nem por isso, fica parado em uma só ideologia, ou projeto. Ele contou para o site CARNAVALESCO que tem mudanças para 2023.

“Esse ano aqui para a gente que é da bateria da Águia de Ouro é um trabalho novo, é tudo novidade, pois a gente mudou a levada de caixa. A gente tinha uma levada de caixa desde a fundação da escola e esse ano a gente resolveu mudar, mais por causa do andamento. A gente tinha uma levada de caixa mais ralentada, na verdade, a diretoria que foi formada para o carnaval de 2023 está sendo uma diretoria muito atuante dentro da bateria, e o trabalho está fluindo normalmente. Muita gente que tinha vontade de sair na bateria da Águia de Ouro está chegando esse ano também. O trabalho está fluindo bacana, a ala musical não temos problemas, só fera cantando ali, então a gente está feliz com o que está acontecendo esse ano”.

Claro, toda bateria precisa de entrosamento com os intérpretes e na Águia de Ouro tem um trio, uma novidade para 2023 é o Chitão. Mas mestre Juca mostrou tranquilidade em relação ao entrosamento.

“São feras, o Chitão canta muito, o Serginho do Porto já era da casa, Douglinhas preciso nem falar, falar nada, está todo mundo alinhado. Estamos fazendo alguns ensaios específicos, e o trabalho está fluindo”.

‘Águia de Ouro lá vem ela reluzir’, o ritmo do lindo samba de 2005

Para fechar, fica o recado do símbolo da escola, mestre Juca resumiu o seu sentimento: “Minha vida. Aqui eu passei a minha infância, juventude, agora a minha velhice e estou aqui. Só que não vivo sem a Águia de Ouro”.

Para 2023, a Águia de Ouro cantará “Um Pedaço do Céu” e será a sexta escola a desfilar no sábado, dia 18 de fevereiro, no Sambódromo do Anhembi.