InícioSão PauloChuva e canto forte marcam segundo ensaio técnico da Barroca Zona Sul

Chuva e canto forte marcam segundo ensaio técnico da Barroca Zona Sul

Mesmo com condições climáticas bastante adversas, verde e rosa paulistana não perdeu a gana de defender um dos sambas-enredo que sempre foram elogiados pela crítica

Por Will Ferreira e fotos de Fábio Martins

Desfilar sob chuva é sempre um temor para boa parte das escolas de samba. No último sábado, algumas agremiações tiveram que fazer ensaios técnicos em uma situação ainda mais desafiadora: com uma queda d’água bastante forte vinda do céu. Mesmo com boas chances de ter problemas em basicamente todos os quesitos, o Barroca Zona Sul se superou e teve uma bela exibição no Anhembi para defender o enredo “Nós nascemos e crescemos no meio de gente bamba. Por isso que nós somos a Faculdade do Samba. 50 anos de Barroca Zona Sul”, idealizado pelo carnavalesco Pedro Alexandre (o “Magoo”), que será o segundo a ser exibido na sexta-feira de carnaval – 09 de fevereiro. A verde e rosa terá mais um ensaio técnico, no dia 28 de janeiro, para confirmar a ótima fase da Harmonia – destaque da agremiação na apresentação deste final de semana.

Harmonia

Antes de entrar na passarela, o Barroca já tomava uma forte chuva na Concentração. O ensaio técnico começou para valer e nada de parar de cair água do céu – e assim foi até o final da apresentação. Nada, entretanto, que fizesse com que o canto da agremiação sofresse alguma modificação e/ou passasse por algum desafio. Do começo ao fim, os componentes cantaram o samba-enredo com força e não demonstraram cansaço algum ao exaltar o Jubileu de Ouro da verde e rosa. O canto, por sinal, crescia ainda mais quando a Tudo Nosso, bateria da agremiação, realizava alguma convenção.

Na visão de Angélica Barbosa, diretora de carnaval da verde e rosa, episódios anteriores fizeram com que a agremiação já estivesse acostumada a situações climáticas adversas: “Depois da chuva que enfrentamos no carnaval 2023, a chuva que pegamos hoje foi uma garoa. A escola é forte e guerreira, já vem preparada para chuvas. Todas as vezes que chove, entretanto, não nego que fica um ar de apreensão. Hoje foi tranquilo, no momento mais forte da chuva outras escolas estavam próximas de entrar na passarela. Na nossa Concentração, já estava ‘apenas’ garoando. Para todos, foi uma garoa – e isso só ajudou”, pontuou.

Samba-enredo

Se a Harmonia correspondeu, também é importante destacar a composição entoada por todos no ensaio técnico. Elogiado desde o primeiro instante, a obra caiu no gosto do universo carnavalesco paulistano – e, como não poderia deixar de ser, de todos os componentes do Barroca. O orgulho em cantar os cinquenta anos de história da instituição parecem motivar cada desfilante, tornando cada passagem da verde e rosa uma ótima experiência.

A sensação foi semelhante a de Pixulé, intérprete da escola: “A chuva é um fator positivo! Parece que dá mais garra para a escola. É uma macumba diferente quando ela aparece”, comemorou.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Cada vez mais elogiados por quem acompanha o carnaval paulistano e, em específico, quesito tão técnico, Marquinhos Costa e Lenita Magrini tiveram mais uma noite de grande desempenho no Anhembi. Mesmo com a chuva e a passarela escorregadia, ele demonstrava muito samba no pé; ela, giros bastante rápidos; e, ambos, uma simpatia inabalável – com sorrisos escancarados e movimentos mais arriscados do que muitos outros casais até mesmo em pista seca. Vestidos inteiros de verde, a reportagem notou um leve escorregão da porta-bandeira no Setor C, mas rapidamente corrigido e sem deixar qualquer tipo de sequela – pelo contrário: parece que o episódio só deu ainda mais ânimo para ambos evoluírem de maneira muito desenvolta.

Após um desafio de tal monta, ambos se sentiram muito mais preparados para qualquer condição climática adversa. Lenita deu uma declaração forte: “A gente terminou a pista corrigindo o nosso primeiro ensaio. Hoje, acho que foi o melhor dos ensaios que a gente fez. Mesmo com a chuva, com alguns deslizes aqui e ali (porque a pista, querendo ou não, é mais lisa que o normal e eu não consigo desfilar sem salto, então às vezes acontece algo), foi redondo. Saímos pensando que dá para descer a passarela mais duas vezes”, enfatizou. Marquinhos optou por fazer uma comparação com um famoso piloto brasileiro: “Estou me sentindo igual ao Rubinho Barrichello. Lembra que falavam que ele era bom na chuva? Peguei chuva com Império, Vila Maria, Barroca, Rosas… na Concentração, a Roseli [Barbosa, coordenadora de casais do Barroca] lembrou que tivemos um acidente em 2020, enquanto balizávamos. Ela pediu para eu não dançar, mas a gente tem o sapato antiderrapante e eu senti que ele estava me dando segurança. Liguei o modo pneu de chuva e fui embora. Conseguimos descer na mesma frequência que pretendemos vir na pista, a apresentação nos quatro módulos foram perfeitas… foi para tirar o peso e saber que estamos prontos para o desfile”, relembrou.

Lenita aproveitou para pontuar uma série de situações que aconteceram nos últimos dias: “Com certeza nos sentimos mais preparados! Quando nossa coordenadora pediu para não dançarmos, é difícil acreditar. Se na pista chover, a gente tem que estar preparado. Esses são os testes. Vento em ensaio específico, chuvas, sem luz em um ensaio específico no Anhembi – logo, sem enxergar nem mesmo as mãos… tudo é um preparo. Isso tudo é muito vantajoso, já que estamos aptos a ir na pista de todas as formas. Hoje mesmo eu passei na ambulância antes do ensaio. Chutei uma madeira, tirei um tampo do dedo, ela jogou álcool e pediu para eu não colocar nada no pé. Cá estou eu com o meu salto”, rememorou. Por fim, Marquinhos destacou o quanto o espírito importa para a dupla: “As adversidades fazem parte da nossa dança, e nisso entra o controle psicológico. Estamos com a concentração naquele momento, já que pode acontecer qualquer coisa: algo da fantasia, um vento, algo que caia na pista… aconteça o que acontecer, temos que estar sorrindo para não transparecer nada – já que a primeira coisa que o pessoal vê quando tem algo errado é a sua cara: se aconteceu algo e você mudou sua feição, vão perceber”, refletiu.

Comissão de frente

Do primeiro para o ensaio técnico, a escola não teve grandes mudanças no quesito. O que foi notado foi a retirada dos imensos sacos plásticos pretos da estrutura do grande tripé – que veio com a estrutura à mostra. Nele, diversos componentes fazer uma coreografia que dura mais que uma passada do samba-enredo para encenar, sobretudo, a fundação e fatos importantes da história barroquense. Vale destacar o momento em que Ednei Mariano, muito provavelmente interpretando Pé Rachado (o mais conhecido fundador da Faculdade do Samba), samba junto com alguns outros dançarinos – movimento que, durante a chuva, não é simples de ser executado; e foi feito com primor. A roupa utilizada também teve uma alteração: no segundo ensaio técnico, os componentes utilizavam roups verdes e rosas similares ao traje de operários.

Evolução

Coreografada de maneira completa (ou seja, todos os componentes de alas executam os mesmos movimentos), o Barroca também empolgou pelo quanto estava desenvolto ao ganhar o espaço da passarela. Se, ao longo do ensaio técnico, não foram notados grandes erros, é importante destacar duas situações envolvendo o recuo da bateria. Na entrada, após os ritmistas entrarem no box sem grandes estripulias em cerca de 115 segundos (tempo bastante aceitável), foi interessante notar que a agremiação ficou parada um tempo maior do que esse. Quando a Tudo Nosso estava saindo do box, a ala de passistas que ficou logo à frente até o final do ensaio técnico teve um momento de desatenção e ficou desalinhada, fazendo com que staffs alertassem com bastante energia sobre um potencial clarão – que não chegou a se configurar muito por conta da corte da bateria.

A própria Angélica destacou que o quesito teve alguns desafios no ensaio técnico: “Na nossa visão, mudou para melhor. Ainda temos que corrigir alguns espaçamentos entre alas por conta da Evolução. É a primeira vez que a escola tenta fazer uma coreografia única, com algumas poucas fazendo algo diferente. Estamos tentando encontrar um ponto de equilíbrio, já que todos ensaiam a mesma coreografia em intensidades diferentes. Temos mais dois ensaios específicos aqui no Anhembi, todos setorizados, e tentaremos aproveitar ao máximo esses ensaios para fazer uma espécie de escolinha com as alas, para que cheguemos todos juntos no mesmo ritmo”, explicou.

Outros destaques

Citada anteriormente, a corte da Tudo Nosso tinha duas pessoas: Juju Salimeni (rainha) e Raíssa Moreira (rainha mirim). Ainda sobre a bateria, mestre Fernando Negão, comandante dos ritmistas, destacou que o trabalho está próximo do que foi planejado: “Temos que arrumar alguns detalhinhos, mesmo sendo poucos. A escola, na minha opinião, foi melhor que no primeiro ensaio: foi mais aguerrida e mais forte, com mais canto. A única coisa que estragou foi o canto”, disse.

Sobre o ensaio debaixo de chuva, Fernando trouxe mais detalhes sobre como a água impacta no segmento: “Tudo fica mais difícil quando se desfila e se concentra com chuva, porque, se molha o couro, a afinação cai. E, se bater muito forte, estoura a pele. A nossa escola é bastante aguerrida e bastante forte, já estamos acostumados por conta de ensaios de rua e do desfile de 2023 com uma chuva tremenda, então pegamos a garra de toda a agremiação”, finalizou.

Uma simples pergunta sobre o quanto o guarda-chuva o atrapalha fez com que o intérprete da agremiação desabafasse: “O guarda-chuva me afeta e muito, mas negativamente. O pessoal do som parece que tem medo de estragar o microfone. Se estragou, cobra da escola, vai para cima do presidente. Deixa o Pixulé interagir com o povo, ir para galera, ir para o meio da minha comunidade ou para a arquibancada, algo que eu adoro fazer. Com o guarda-chuva eu fico preso ali, o cara do som não deixa – ele fica intimidando a gente”.

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