A União da Ilha do Governador escolheu já na madrugada deste sábado o samba que vai embalar o desfile na Série Ouro em 2023 para buscar o retorno ao grupo de elite do carnaval. A parceria de Noca da Portela foi a grande vencedora com o refrão “Benção Dindinha” pegando entre a torcida e os componentes que acompanharam as apresentações na grande final. Formam esta parceria os compositores: Noca da Portela, Almir da Ilha, Diogo Nogueira, Ciraninho, Queiroga, Claudio Gaspar, Nilton Carvalho, Valter, Emerson Xumbrega e DG. No próximo carnaval, a União da Ilha vai apresentar o enredo “O Encontro das Águias no Templo de Momo”, que exaltará a alegria da própria Ilha, mas também homenageará sua madrinha centenária, a Portela. Em 2023, a União da Ilha será a sexta escola a pisar na Sapucaí na segunda noite de desfiles da Série Ouro. * OUÇA AQUI O SAMBA-ENREDO DA ILHA PARA O CARNAVAL 2023

Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

O compositor Cláudio Gaspar da parceria de Noca da Portela teve a felicidade de ganhar pela primeira vez na União da Ilha. “Eu estou há 10 anos tentando e hoje finalmente consegui. A nossa escola precisava de um samba como esse, eu acho que esse era o samba que a gente precisava que ganhasse. A nossa escola vai subir. Eu amo a Ilha. Acho que a presidência teve muita competência em escolher o nosso samba”.

Também vencedor na parceria, Ciraninho, com história na Portela, lembrou da infância quando a avó morava há poucos metros da quadra da União da Ilha. “É uma grande emoção ser campeão na Ilha, porque poucos sabem, mas eu fui criado, a minha vó mora a 500 metros aqui da quadra. Então eu dei os meus primeiros passos no samba, ainda em 2003, disputa do samba aqui na Ilha, ainda com o Gilsinho defendendo os meus sambas. Nem eu era campeão na Portela, e nem ele era o intérprete da Portela. Hoje a gente retorna a esse palco para ser campeão, ao lado de mestre Noca da Portela, Almir da Ilha, que são os maiores campeões das duas escolas e do meu irmão Diogo Nogueira. Obrigado por todos os parceiros que fizeram parte dessa caminhada, que não foi de hoje, mas de 20 anos de samba. Obrigado nação insulana, que o encontro das águias traga os dois carnavais para as duas escolas”.

Desta vez em voo solo, o carnavalesco Cahê Rodrigues vai para o seu terceiro carnaval seguido na escola insulana. Ele explicou um pouco de como surgiu a ideia do enredo.

“O samba campeão vem trazendo a alegria que a Ilha sempre cantou em seus carnavais. É um sentimento que fez com que essa escola se torna-se a escola da alegria. E em relação ao enredo, quem já fez Portela carrega a Portela no coração, não tem jeito. Quando eu cheguei na Ilha eu fui descobrindo aos poucos, essa ligação do insulano com a Portela, e fui pesquisar um pouco mais. Descobri muitas histórias. Essa ligação vem lá de trás e comecei a pensar em relação ao centenário da Madrinha. Isso acontece um em um milhão, uma madrinha centenária que tem tanto carinho pela sua afilhada e a sua afilhada que tem uma gratidão eterna pela sua madrinha”, explica o artista.

O carnavalesco também contou como lida com a pressão que uma escola do tamanho da União da Ilha recebe em relação a necessidade de voltar ao Grupo Especial.

“A gente sabe que independente da força da União da Ilha, da popularidade e grandiosidade, fazer carnaval nos grupos de acesso é sempre um desafio muito grande. Eu costumo dizer que a Ilha é uma escola do Especial que está na Série Ouro. A responsabilidade é sempre muito grande, mas a gente sempre trabalha pensando no título, só que não depende só da gente. Ficou provado no nosso último trabalho, a Ilha passou como um trator na Avenida, carnaval digno de Grupo Especial, e acabamos amargando o terceiro lugar, vai pelo ponto de vista de jurados, outras questões, e esse não vai ser diferente, 2023 a escola está se preparando para fazer um desfile superior ao que foi o último, para poder ser consagrada a campeã “.

Presidente Ney Filardi e diretor Dudu falam sobre desafio de retorno ao Especial

O presidente Ney Filardi contou à reportagem do site CARNAVALESCO sobre sua impressão em relação ao enredo escolhido pela União da Ilha para o próximo carnaval e os desafios que a agremiação encontrará em mais um ano no Acesso.

“É uma homenagem bastante propícia, juntou-se o útil com o agradável. Nada mais justo que a Ilha homenagear a sua madrinha em seu centenário. Acho perfeito com toda a humildade. Os desafios são muitos. A Série Ouro tem o Wallace que é um presidente que corre atrás, mas o último dia que as escolas do Grupo de Acesso receberam aporte financeiro foi antes do desfile em 2022. Precisamos olhar com mais carinho para as escolas da Série Ouro. Mas a União da Ilha vai fazer de tudo para colocar um carnaval altamente digno e competitivo na Avenida”, promete o mandatário.

O presidente também aproveitou para esclarecer sobre a saída do intérprete Ito Melodia e fez questão de ressaltar sua relação pessoal com o artista. “É bastante oportuno eu ter o prazer de falar sobre esse assunto. Em momento algum eu fiquei chateado, zangado com a saída dele, porque eu sei como amigo dele o sufoco que ele passa. Os boletos chegam na casa dele como chegam na casa de todo mundo. Então, eu estou feliz que ele progrediu. Quem sou eu para estar triste com ele, as portas vão estar sempre abertas”.

Estreando como diretor de carnaval na União da Ilha e se tornando mais um profissional cumprindo dupla jornada entre Especial e Série Ouro, Dudu Falcão, também na função na Viradouro, falou um pouco de como está sua rotina depois de aceitar o novo desafio.

“Por enquanto ainda está muito fácil porque ainda não começou os ensaios de canto, ou de rua. Mas é claro que o telefone não para, as mensagens não param, vai para um barracão, vai para o outro, mas eu estou me sentindo como na Viradouro igualmente abraçado na Ilha, está sendo prazeroso, ainda que cansativo “, explica o diretor.

Dudu acredita que seu grande desafio na Ilha é resgatar sua essência de gigante do carnaval fazendo com que os componentes acreditem no Acesso. O diretor pretende começar ensaios de rua já em novembro e imagina de 1300 a 1500 componentes no desfile.

“A primeira coisa que eu tenho que mostrar para as pessoas aqui na Ilha, é que ela de fato é uma escola gigante. Me incomoda muito olhar para o brasão da Ilha e não ver uma estrela. É um desafio muito grande, inúmeras escolas querem essa vaga. A gente precisa trabalhar muito para fazer merecer, se vai vir o título, não é uma coisa que vai estar nas nossas mãos, o que dá para fazer é trabalhar e mostrar que nós queremos esta vaga. E em relação ao samba escolhido, não pode faltar o enredo, a essência do que a gente quer homenagear e principalmente a essência da Ilha”, completou o diretor.

Marcelo Santos agora comanda sozinho os ritmistas

Agora sozinho no comando da “Baterilha”, mestre Marcelo Santos revelou que o trabalho já iniciou para o carnaval 2023. “Já estamos fazendo os nossos ensaios todas as quartas-feiras, e a galera está acreditando no projeto. Em 2022, foi um carnaval de muita aprendizagem. A gente sabe que em um carnaval competitivo, o vencedor erra muito pouco. Nós aprendemos muito com o último carnaval. Em relação ao samba campeão, tínhamos quatro grandes sambas que deram muita dor de cabeça ao presidente e aos jurados para escolher. O mais importante era que não faltasse essa alegria da União da Ilha, a União da Ilha é alegria e homenageando a nossa madrinha Portela vai ser um grande carnaval”, acredita o mestre.

Marcelo também comentou sobre a chegada do novo intérprete da União da Ilha, Igor Vianna. “O Igor Vianna é um campeão, assim como o Ito é um grande intérprete. Nestes últimos quatro anos fui mestre com o Ito como intérprete, o Ito trabalhou com meu pai, um grande cantor, e o Igor não é diferente, é um intérprete muito musical, é um cara que vem com ideia de arranjos, e até mesmo de bossa e está dando muito certo e vai vir muitas surpresas”.

Igor Vianna assume microfone principal da Ilha e tem sua primeira final

Depois de mais de 20 anos com Ito Melodia à frente do carro de som da Ilha, neste próximo carnaval a escola terá uma novidade. Igor Vianna, que no último carnaval subiu com o Império Serrano, será a principal voz da União da Ilha para o carnaval 2023. Igor falou sobre a alegria de chegar a escola insulana e sobre a responsabilidade que terá na agremiação.

“Minha primeira final, estou muito feliz, a decisão ficou pelo presidente e jurados , é um grande samba para um grande carnaval que a Ilha está preparando. Ser campeão é sempre bom, a Ilha está preparada para isso, e respeitando todas as coirmãs, a gente vai trabalhar muito para conseguir o êxito. A União da Ilha é uma escola enorme, maravilhosa, não existe quem não goste da Ilha. Escola de Aroldo, escola de Ito, que ficou 20 anos, o peso é muito grande, mas com a ajuda dos orixás a gente está conseguindo conquistar um pequeno espaço dentro do coração de todo o insulano. E vamos fazer de tudo para que eles nos abracem como a gente já abraçou a União da Ilha”, revela o cantor.

Igor ainda aproveitou para agradecer ao carinho que tem recebido em todos os lugares quando coloca o seu grito de guerra ” Nunca foi sorte, sempre foi Macumba”, e aproveitou para explicar o importante significado.

“Eu curti muito, porque meu grito de guerra é um grito de libertação, chamando a minha religião, é um grito tirando o que ficou por muito tempo preso dentro da gente. Não só na Ilha, mas em todo lugar que eu canto , quando eu dou meu grito de guerra e o povo cai para dentro é muito prazeroso se ver” .

Casal novo na Azul, Vermelha e Branca

Depois de perder os experientes Marlon Flores e Danielle Nascimento para o Império Serrano, a União da Ilha volta a apostar na experiência e trouxe Thiaguinho Mendonça e Amanda Poblete. A nova porta-bandeira da Ilha falou sobre a recepção que o casal recebeu da comunidade.

“É uma grande honra para nós poder fazer parte desse time maravilhoso que a Ilha montou para o próximo carnaval. A gente ficou muito feliz com a recepção que a gente teve, a forma que a escola vem apoiando nosso trabalho, esse contato nesse período de disputa é sempre interessante pra gente pois é assim que agente consegue criar mais laços, a gente acabou de chegar. As pessoas aqui nos abraçaram de forma incrível. E todo mundo pode ter certeza que a gente vai trabalhar muito, a gente já vem trabalhando muito para dar o nosso melhor na Avenida”, prometeu Amanda Poblete.

Já Thiaguinho falou sobre a experiência que carregam do Grupo Especial, ressaltando o aprendizado que vem recebendo na União da Ilha e falou sobre a responsabilidade que o casal de mestre-sala e porta-bandeira carrega ao representar um quesito no desfile.

“Eu desmistifico sempre essa questão de o casal ser dois para uma responsabilidade tão grande. A gente tem uma equipe. Aqui do nosso lado a gente tem a Marluce Medeiros , nossa ensaiadora, temos outros apoios, tem a galera do ateliê, tem muita gente envolvida. E a questão de experiência, foi bom os tempos que eu passei no Grupo Especial, sou muito grato por tudo que eu vivi, aprendi bastante, mas acho que estou aprendendo mais com a Ilha do que colocando experiência para fora. E, aproveitar o máximo possível de sintonia que a gente já teve em todos os momentos, resgatar essa sintonia, trabalhar e agradar os jurados. É difícil, mas não é impossível e a gente está aqui para enfrentar”, afirmou Thiaguinho.

A grande final da União da Ilha começou com a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira que dançaram ao som do samba de exaltação da escola. Baianas, passistas, musas e a bateria de mestre Marcelo Santos fizeram um show ao som de sambas históricos da Ilha como “Fatumbi”, Festa Profana”, “É hoje”, ” É Brinquedo, é brincadeira”, entre outros, e o samba de 2022 sobre Nossa Senhora Aparecida, todos na voz de Igor Vianna. As parcerias finalistas tiveram 20 minutos para se apresentar.

Como foram as parcerias finalistas:

Parceria de Noca da Portela: A primeira parceria a se apresentar trouxe o intérprete oficial da homenageada. Gilson da Portela comandou a apresentação da obra. Destaque para os dois refrões que eram as partes mais cantadas, o “Bença Dindinha” do refrão, que não se repetia, foi o que mais pegou. A torcida trouxe balões e bandeirões para dar maior imponência na parte visual.

Parceria de Ginho: A segunda parceria a se apresentar na finalíssima da Ilha trouxe Niu Souza do carro de som da Portela para puxar o samba concorrente. A volta do refrão do meio a partir do “venho de lá” se destacava como uma parte mais melódica que foi evidenciada por um arranjo das vozes de apoio. Em termos de canto, o refrão principal se destacava na quadra. Com uma torcida um pouco mais tímida que a primeira parceria, o aspecto visual se destacou pela utilização de alguma bandeiras.

Parceria de Marcelão: A terceira parceria a se apresentar na União da Ilha tinha como intérpretes Tinga e Wantuir, vozes principais de Vila e Tijuca respectivamente. Destaque para o canto da comunidade, em alguns momentos chaves do samba como na parte anterior ao refrão principal “Portela, um elo de paixão pra vida inteira…” e a galera sustentou o canto. No aspecto visual a parceria também se destacou com muitos balões e bandeiras, e também tinha um grande continente de torcida.

Parceria de Marquinhus do Banjo: A última parceria a se apresentar na noite de final na Ilha teve como voz principal o intérprete Tem-Tem Jr da Vigário Geral. “Dindinha, a benção madrinha”, foi a parte que mais conquistou a torcida. O ” é” alongado do segundo refrão de um gingado animado ao trecho e deu a oportunidade de tanto os cantores como a torcida fazer coreografia. Sem ter um contingente tão grande como a primeira e terceira apresentações, a torcida fiel trouxe bandeiras e balões e pulou durante a apresentação.

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