Compositores: Marcelo 100, Ica Botafogo, Vinicius Nunes, Viviane Sales, Marcio Oliveira, Cleber Raimundo
Pisa forte no terreiro, deixa o corpo saudar!
Cheiro de ervas e mistério pelo ar!
Ecoa o tambor, a caruana baixou.
Sou Zeneida de Marajó, Nilópolis me chamou!
Na força do girador, o portal se abriu
A caruana Beija-Flor no meu ninho ressurgiu!
Seu moço, escuta o que a folha diz:
Nenhum galho cai sem o invisível permitir
Na força do criador eu sou raiz…
Mistério eterno, equilíbrio a existir!
Sou do povo sacaca, herança de fé, sangue de Agotime, raiz de Daomé!
Ecoou um choro, a mata escutou; no ventre sagrado, o dom batizou
Borboletas azuis rondavam a magia, anunciando a pajerama que nascia!
Nas águas de Soure, igarapé me levou a um reino encantado e a mim revelou:
Três seres azuis, peixes no olhar… só vendo moço para acreditar!
Marcas no corpo castigo de Anhangá!
Aruê! Na energia da pajé
Aruê! Deixa o coração vibrar!
Comunidade canta em oração!
Sapucaí vira aldeia em procissão.
Mãe natureza e o sopro do vento, mestre Mundico deu o fundamento!
Norato firmou os instrumentos, três maracás em vibração e encantamento!
Não sou bruxa nem feiticeira
Sou Zeneida, de Lima pajé; de Punho cerrado, Uma guerreira mulher!
Minha mãe Nazaré, nossa doce Nazinha.
Só recebe o bem quem tem fé na rainha
Cantar é oração, na arte eu venci
O cinema eternizou, a ciência consagrou!
Se Deus me deu, os gitinhos vou preservar!
Na árvore frondosa eu vou morar!
Soprem o pó de louro no meu novo lar…
Ele é pai d ‘égua e nunca vai falhar!

