A Mocidade Independente de Padre Miguel escolheu na noite de domingo o samba-enredo da parceria de Diego Nicolau, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Gigi da Estiva, W Correa, Leandro Budegas e Cabeça do Ajax para o Carnaval 2023. A Verde e Branco vai levar para a Sapucaí o enredo “Terra de meu Céu, Estrelas de meu Chão”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira. A ideia é trazer o legado dos artistas do Alto do Moura, discípulos do mestre Vitalino. * OUÇA AQUI O SAMBA-ENREDO CAMPEÃO

Fotos de Allan Duffes/site CARNAVALESCO

“Não só para mim, como para a minha parceria toda há um encontro de independentes. É uma vitória muito importante e estou grato por ter ganhado. É a quinta vez que ganho samba na Mocidade”, disse o compositor Diego Nicolau.

“Ganhar nessa escola representa a Zona Oeste que é Mocidade. É a paixão, é a agremiação que chama. Sou tricampeão aqui e vale muito. Amo minha parceria e juntos vamos trazer mais um título para a Mocidade. É muito difícil saber qual parte foi crucial. O samba é todo maravilhoso, é difícil ter só uma parte boa, ele é incrível em tudo”, comemorou Orlando Ambrosio.

“É a escola do meu coração, eu nunca sonhei que fosse ganhar aqui no Maracanã do Samba. É o meu segundo título na escola. O nosso samba tem uma letra muito bem resolvida com o enredo, e vai consegue retratar muito bem esse maravilhoso enredo. Uma melodia muito bonita também”, comentou Gigi da Estiva.

“É o meu tricampeonato, ganhei aqui ano passado, mas é como se fosse a primeira vez. Eu sou cria da Mocidade, para mim é uma emoção a cada ano que passa ver essa escolha. Eu estava aflito, eu estava agoniado. E quando sai o resultado a gente descarrega tudo. É uma emoção como se fosse a primeira vez. Tentamos botar poesia, fazer um samba para emocionar, a gente entendeu que o enredo não era um enredo para botar um samba alegre ‘pula-pula’, mas queríamos valorizar os artistas do Alto do Moura, e emocionar o público”, afirmou Cabeça do Ajax.

O vice presidente da Mocidade Independente de Padre Miguel, Luiz Claudio falou do desafio de fazer o desfile em 2023, para apagar os erros e o oitavo lugar que ficou bastante abaixo do que a escola projetava antes de entrar na Avenida.

“Pra gente é motivo de orgulho e de grande prazer, depois de três anos a gente retornar ao Maracanã do Samba para escolher um samba. A escola está unida, como eu falei no dia da apuração, nós erramos no Carnaval 2022, assumimos o erros, reconstruímos a Mocidade, e a escola vem forte para o título. Esse enredo vai ser um sucesso na Avenida. Falar de Alto do Moura, falar de Caruaru, vocês podem ter certeza que a Mocidade vem forte, que com certeza juntos nós somos mais fortes”.

Sobre aporte financeiro, o dirigente revelou que a escola segue buscando e tem esperança que venha de municípios com relação ao enredo.

“O prefeito de Caruaru esteve presente hoje na final do samba. Ele já sinalizou que está muito satisfeito, ele e todo o seu governo, todo o povo de Caruaru, e a gente espera também vir alguma ajuda que será muito bem vinda para a Mocidade”.

Recém chegado a Padre Miguel, o carnavalesco Marcus Ferreira revelou que o trabalho está indo a todo vapor no barracão da Mocidade.

“Já fizemos todos o protótipos de composição, de ala, a gente agora está na fase de reprodução, e alegoria sendo feitas. A Mocidade se organizou, aquilo que eu posso como profissional, orgulhar esse chão de estrelas, eu estou fazendo, está um clima muito bom no barracão entre as pessoas. A Mocidade vinha sempre conquistando as campeãs, houve um deslize esse ano, mas eles estão cientes de que são uma escola incrível, de um chão incrível, magnífica e eu só estou trabalhando com seriedade, amor, dedicação , para honrar a história da Mocidade”.

Marcus também falou sobre como esse enredo é importante para sua trajetória, e como há uma sinergia entre o profissional e a escola em termos de pensamento de trabalho.

“Esse enredo era um sonho que eu já tinha desde 2017. Eu adoro a cultura popular, eu acho que é dever do carnaval carioca revelar novas histórias, como eu fiz “Ganhadeiras” com Tarcísio, e a minha trajetória no Acesso eu já vinha namorando temas que dão essa contribuição para o real brasileiro, o Brasil que a gente quer ver, quer viver. Quando eu trouxe essa ideia para a Mocidade, esse meu casamento com a escola, de olharmos temas de brasilidade, é um casamento certo. Eu tive muita cautela depois que eu saí da Viradouro, para uma escola que eu queria defender. Porque é um casamento, a gente está muito motivado para fazer uma Mocidade como ela gosta, também com a minha cara, e esse enredo é isso. A diretoria se enxerga no projeto. A gente está trabalhando muito e espera não errar”.

Recepcionado com muito carinho pelos Independentes, o intérprete Nino do Milênio disse estar muito feliz com a chegada na Mocidade.

“É a segunda vez que canto aqui no Maracanã do samba. Quando cheguei, minha apresentação foi aqui. É uma emoção muito grande, ainda mais para mim que sempre vim para cá defender samba. Hoje estou aqui como voz oficial da escola, além de estar realizando um sonho de estar na Mocidade, também estou dando um pontapé grandioso na minha carreira. Só tenho a agradecer a agremiação pela oportunidade e a Deus. A responsabilidade de substituir o Wander é maravilhosa. Mas é preciso lembrar que Wander Pires é insubstituível. Ele é um grande ídolo que tenho, respeito ao máximo a história dele. Agora espero fazer a minha história também. A Mocidade têm uma atmosfera muito leve. Digo isso por experiência própria, juro que já tiveram escolas que me senti pesado. Aqui a comunidade é maravilhosa, mesmo sendo exigentes. A torcida ao mesmo tempo que cobra, te dão oportunidade de mostrar o seu trabalho”.

O diretor de carnaval, Marquinho Marino, falou do aprendizado após o desfile deste ano e o planejamento para o ano que vem.

“O que posso assegurar é que não vai ser igual o do último ano. Primeiro é fazer dignamente, e depois de terminar o projeto, é ter tempo para melhorar. O foco é consertar o que deu errado no carnaval passado. Temos um enredo denso, pois tem muita história e é emocional. É um enredo que toca no coração do pessoal de Caruaru. Quando fomos lá e comentamos do samba-enredo, as pessoas choravam quando a gente falava. E o samba campeão precisava trazer isso e foi o que aconteceu.Nós vamos começar os ensaios de bateria com o carro de som na próxima quinta-feira. E temos a gravação do cd e vamos ter todas as quintas o ensaio de bateria e carro de som. Aprimorar bem o canto com a comunidade, e começar os ensaios de rua em dezembro”.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo e Bruna, já conquistou os Independentes e a cada ano enche os olhos de todos com muito vigor e técnica na dança.

“Nosso balanço é super positivo. Mas a gente nunca pode levar de um ano para o outro aquilo que foi bom ou ruim. Óbvio que temos que continuar a fazer o que já estamos fazendo, porém é preciso zerar porque no ano seguinte é outra história, outra visão. Em 2023 tenho certeza que irá ser melhor do que nós outros anos. A gente sempre inova na coreografia, pois não gostamos de mesmice. Fazer a mesma coisa no ano que passou, gostamos de inovar todo ano”, disse o mestre-sala.

“Já conversamos com o carnavalesco, a fantasia está linda. Ela é incrível e virá lindamente assim como foi nos outros anos. Estamos melhorando cada vez mais para fazer um desfile encantador em 2023, assim como foi nos outros anos. Pretendemos fazer melhor ainda no próximo carnaval”, completou a porta-bandeira.

Próximo do seu décimo primeiro ano no comando da Não Existe Mais Quente, mestre Dudu revelou que vê semelhanças com enredo e a possibilidade de bossas com outro carnaval da Verde e Branca da Zona Oeste.

“Pernambucópolis teve isso também. E algumas das melhores bossas nossas a gente faz em cima desse samba, que falava daquela parte também. É um enredo que me agrada muito, e a Mocidade esse ano vai acertar no desfile”.

Dudu também falou da chegada de Nino do Milênio e sobre o carinho que recebe diariamente da comunidade e diretoria.

“Cada um tem sua característica, mas o Nino vem se superando, vem crescendo , está se soltando mais. É um talento jovem, tenho certeza que ele vai dar o melhor dele, tomara que seja aqui na Mocidade e por muitos e muitos anos. Eu fico feliz pelo reconhecimento da comunidade em relação ao meu trabalho, sou formado em casa, e jogar bola em casa é mais fácil. A comunidade me abraça, a escola em si, presidente, segmentos, isso é bom, me deixa muito grande e fico a vontade para criar paradinhas, bossas, ninguém se mete com a bateria, fico muito a vontade com isso. Indo para o décimo primeiro ano no comando da bateria, só perco para mestre André 14 anos, meu pai ficou nove. Isso é muito importante para mim, e cada ano que passa eu devo dar o meu melhor, trabalhando em cima de justificativa para manter o nosso nome”.

A festa

A Mocidade Independente de Padre Miguel fez uma apresentação antes da disputa de samba propriamente dita voltada para valorizar sua história e a coletânea de obras antológicas que possui. De alguns mais antigos como “Chuê, Chuá, as águas vão rolar” , “Vira Virou” , até os mais recentes como “Elza Deusa Soares” , “Batuque ao Caçador”. Antes disso ainda, mestre Dudu fez um verdadeiro show com a “Não Existe Mais Quente”, com paradinhas, bossas e convenções, além do já conhecido ritmo da Mocidade.

Durante os sambas históricos, aconteceu a já tradicional apresentação dos segmentos , velha-guarda, passistas, baianas e o casal de mestre-sala e porta-bandeira. A disputa de samba foi realizada com todas as três obras sendo cantadas pelo intérprete Nino do Milênio e o carro de som da Verde e Branca da Zona Oeste. As parcerias subiram ao palco e tiveram direito a ter um representante falando antes da apresentação para inflamar a torcida e continuaram no palco durante a apresentação animando o público. Entre as figuras importantes presentes na quadra , estava o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro.

Análise das apresentações na final

Parceria de Igor Leal: A parceria trouxe com sua torcida na parte visual um verdadeiro cenário com bandeirinhas de festa junina é uma grande estrela no alto. O samba mostrou boa interação com a quadra e a torcida cantou bastante alguns trechos principalmente o refrão do meio “Nois vai a luta'” que apresenta como licença poética uma variação linguística comum a certas regiões do sertão, além de seguir por uma boa linha melódica. No palco, os compositores mostraram bastante animação, interagindo muito com a torcida.

Parceria de Diego Nicolau: A segunda parceria a se apresentar no palco da finalíssima da Mocidade apostou nos balões nas cores da escola na parte visual. Neste samba, se viu mais interação de segmentos cantando a obra, velha-guarda, baianas, etc. O destaque ficou para o refrão do meio “Segue o carro de boi” em que a torcida e o público mostrava mais empolgação. Os compositores tentaram interagir em todos os lados do palco centralizado do Maracanã do Samba.

Parceria de Dudu Nobre: A última parceria a se apresentar no Maracanã do Samba teve uma grande resposta do público, torcida e segmentos que cantaram o samba desde o início. Destaque para o refrão principal “Terra de Meu Céu” que trazia o nome do enredo e fazia com que as pessoas fizessem até coreografia no “amassa com a mão”. Dudu Nobre, logo no início da apresentação, estava visivelmente emocionado, e chorava. Na parte visual, as torcidas trouxeram bandeiras e balões nas cores da escola.

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