
Entre estruturas gigantes, ferragens, esculturas e horas de trabalho, o barracão transforma projetos em realidade e prepara o espetáculo da Avenida. À frente desse processo na Vila Isabel, Luiz Martins vive uma rotina intensa, mas encontra na agremiação uma extensão da própria casa. Paulista de origem e ligado ao samba desde a infância, o diretor de barracão revela que ainda tem dificuldade para dimensionar a realização de trabalhar em uma das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp
“Eu não consigo definir assim. Sou de São Paulo, então ainda tem esse fator. Já estou aqui há 15 anos, mas sou oriundo de escola de samba, nasci e cresci em escola de samba. Sempre vi a Vila Isabel como um projeto, uma escola linda. Aí cheguei ao Rio, consegui fazer parte e hoje sou diretor de barracão e faço parte dessa família que amo tanto. Às vezes, eu paro e fico pensando. Acho que também não consigo mensurar o fato de estar trabalhando no Carnaval. Além da Vila Isabel, o prazer e a paixão de trabalhar no carnaval são uma coisa inexplicável”, afirmou.
Na rotina operacional, a convivência com o diretor de carnaval, Moisés Carvalho, é apontada por Luiz como um dos pilares da gestão. Mais do que uma parceria profissional, os dois desenvolveram um vínculo que, segundo ele, ultrapassa os limites do expediente.
“O Moisés hoje faz parte da minha família. Acho que a principal diferença entre eu e ele é a sinergia que a gente criou, de ser uma família. Eu passo mais tempo hoje com o diretor de carnaval, que é o Moisés, do que com a minha família. Passo 16 horas por dia com ele. Chego em casa e ainda é a pessoa com quem mais falo, a pessoa para quem mais vou ligar, a pessoa com quem vou desabafar. Acho que a sinergia tem que ser de família. Se não, não dá certo. É um caso de família”, disse.
O dirigente também falou sobre a experiência de trabalhar ao lado da dupla Bora e Haddad, responsáveis por projetos que marcam o carnaval contemporâneo. Para ele, o momento atual representa um ciclo em que os carnavalescos ocupam posição de destaque.
“Acho que é um prazer. Hoje, no carnaval, existem esses ciclos. E acho que, no ciclo que a gente vive atualmente, eles estão na ponta. Então é um prazer. A gente aprende todo dia. Vê a assinatura deles diariamente no trabalho, na forma de pensar, na forma de produzir, na forma de defender. Acho que é um prazer e um aprendizado diariamente”, contou.
Desmontagem que também ajuda a manter a escola
Quando o espetáculo termina, as atividades na fábrica de sonhos estão longe de acabar. A desmontagem dos carros alegóricos inicia uma nova etapa, com impacto direto na manutenção financeira da agremiação durante a entressafra.
“Dá para vender. Essa é a entressafra que existe entre um carnaval e outro. A gente fica nessa desmontagem, e essa venda reverte em verba para a escola nesse momento em que não temos verba pública e não temos muito dinheiro de onde arrecadar. Esse dinheiro das vendas para outros estados, outras cidades e outros países é o que ajuda a escola nesse período. Então, a gente revende muita coisa, baixa os chassis, que são os carros alegóricos, no zero, e recomeça tudo de novo”, explicou.
Ao detalhar o principal diferencial do espaço da azul e branco, Luiz volta ao conceito que atravessa toda a sua trajetória: a união. Para ele, esse sentimento é fundamental para enfrentar a pressão e a complexidade que envolvem a construção de um desfile.
“O ponto forte eu sempre falo: no barracão da Vila, todo mundo se trata e todo mundo tem o mesmo entendimento de que aquilo é uma família. E ele precisa ter esse entendimento para funcionar. É tanta pressão, são tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que, se você não tem esse sentimento de união, não dá certo. A gente tem uma filosofia muito de família e de ser ouvido. A escola e a diretoria me dão hoje liberdade, e a gente passa essa liberdade para todos os profissionais serem ouvidos, poderem falar e terem essa liberdade”, concluiu.










