
A rainha de bateria do Império Serrano, Quitéria Chagas, defendeu a união dos sambistas na manifestação ‘O samba não se cala’, realizada na tarde desta segunda-feira, nos Arcos da Lapa, no Centro do Rio. Em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a artista alertou para a importância da mobilização política, relacionou a história brasileira às lutas pela democracia e afirmou que o resultado de uma eleição tem consequências que vão além das urnas. Para Quitéria, a participação dos integrantes do mundo do samba é fundamental em um momento que considera decisivo para o futuro do país. A rainha de bateria também fez um alerta contra o excesso de confiança em resultados eleitorais e defendeu que os sambistas permaneçam mobilizados.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp
“É uma questão de vida ou morte. Não é uma eleição qualquer, e nunca é só uma eleição. Nós caímos muito naquela coisa de ‘já ganhou, já ganhou’, e isso nos prejudicou. Foi ruim. É importante estar todo mundo unido”, afirmou.
Quitéria também destacou a dimensão social do samba e sua relação com a realidade das famílias brasileiras. Na avaliação da artista, a cultura popular não pode ser dissociada das discussões sobre direitos, representatividade e democracia. Ela criticou o apoio a grupos políticos que, em sua avaliação, contrariam as lutas históricas da população negra.
“O samba é um manifesto social, do nosso país, da nossa alegria, das famílias brasileiras. Não apoiar a causa é um absurdo. É inadmissível”, declarou.
A rainha de bateria ainda chamou a atenção para o medo que, segundo ela, atinge pessoas preocupadas com a possibilidade de perder o emprego, a dignidade e a liberdade. Ao abordar o tema, Quitéria relacionou a mobilização à necessidade de preservar direitos e evitar retrocessos.
A artista também fez referência à violência histórica contra populações indígenas e às consequências de períodos autoritários no Brasil. Em sua fala, reforçou a importância de manter viva a memória dessas experiências para compreender os desafios enfrentados pela democracia.
Ao encerrar sua participação, Quitéria destacou que a manifestação precisa produzir efeitos para além do encontro entre sambistas. Para ela, os participantes devem sair do ato preparados para conversar com familiares e pessoas próximas, levando argumentos e mantendo aberto o espaço para o diálogo.
“O mais importante nesse encontro aqui hoje é todos nós sairmos daqui cheios de argumentos para conversar em casa. É importante sair daqui com o coração transbordando de argumentos para levar essas ideias para casa. Não sejam portas fechadas para o diálogo”, concluiu.









