
A União de Maricá realizou a semifinal da sua disputa de sambas-enredo para o Carnaval 2027, com cinco obras se apresentando na quadra da vermelho e branco na última sexta-feira. O ponto alto da noite foi a apresentação do samba de Moacyr Luz, que foi o melhor da noite com alguma folga. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO sobre a passagem dos sambas finalistas.
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Parceria de Sandra Sá: Emerson Dias comandou a obra de Sandra Sá, Paulinho Mocidade, Leandro Fregonesi, Celsinho de Andrade, Felipe Pires, Sérgio Harmonia, Cristiane Janeiro e Jânio Oasis. A primeira parte descreve a sinopse com correção e padronização na linguagem. Um destaque no setor é o trecho “Cresci sonhando ser coroado em plena festa do divino, a utopia no olhar de um menino”. O refrão central “rodei as matas de Tupã e da Jurema, na pajelança aprendi o ritual, quando o mal da covardia me condena, eu viro flecha com veneno de coral” tem boa letra, com ótima semântica e uma melodia firme, sendo um ponto de rendimento forte. A segunda parte apresenta uma ligeira queda na narrativa, com versos menos inspirados. Já melodicamente, o trecho se segura bem, apesar de não ter muitas variações. O refrão “Maracanandê, Maracanandê, pisa forte Maricá, vem com sede de vencer, Maracanandê, Maracanandê, pra fazer revolução ninguém pode se render” tem muita potência e canto fácil, daqueles que pegam de imediato, e obteve um ótimo desempenho, destacando-se com alguma sobra na obra. Foi uma apresentação escorada nos refrãos, que funcionaram como alicerce do rendimento do samba. Uma boa passada, apesar da irregularidade da segunda parte da composição.
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Parceria de Jô Borges: Vandinho Pires defendeu a composição de Jô Borges, Cacau Souza, Yara Mathias, Jack Nery, Marcele Salles e Andrea Figueiredo. O refrão principal “Chamem as aldeias, os quilombos e favelas, o povo brasileiro vai tomar a Passarela, meu nome é Brasil e posso afirmar, essa utopia já nasceu em Maricá” tem um tom de clamor, mas não conseguiu puxar um canto tão forte, e a valentia do trecho foi diminuindo a cada passada. A primeira parte é muito poética, com bons versos como “da janela, a vida se arrastava feito procissão, o amargo dia a dia, doce cantoria, som de violão, cores alumiavam a enluarada festa do divino, esse contraste lhe fez escolher seu destino”, numa bonita narrativa sobre a infância do homenageado. O refrão central “O sonho de doutor, balançou na rede, de vermelho se pintou, saciou a sede, da floresta enlaçada pelas fibras do cipó, entidade grafitada por Tupi e Kaapor” é muito bem construído, com uma criação poética inspirada e uma melodia dolente, passando bem. A segunda parte começa com uma variação melódica agradável nos versos “eu seria tão melhor se andasse no seu caminho, ajudar os seus irmãos, dar estudo e carinho”. As nuances da melodia permeiam o trecho, com transições bem encaixadas e sem sobras, apresentando qualidade superior à letra, que é descritiva sem ter um ápice criativo. Uma boa apresentação, apesar da oscilação do refrão principal ao longo das passadas.
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Parceria de Moacyr Luz: Charles Silva liderou a apresentação da parceria de Moacyr Luz, Rafael Gigante, Hélio Porto, Wanderley Monteiro, Babby do Cavaco, Vinicius Ferreira, Marcelinho Moreira e Jefferson Oliveira e conduziu a apresentação mais forte da noite. A primeira parte começa em bom nível melódico nos versos “desperta pra sonhar menino, na janela do Divino, já raiou sua missão”. Outro trecho destaca o lado intelectual do antropólogo: “Atrevido pensamento, contra o aprisionamento no exílio opressor, sua arma foi o livro, permanece ainda vivo, livre em cada educador”, bem pensado. O refrão central “Ergue a Zambi um monumento, nessa praça um fazimento, coroando Rei Zumbi (Rei Zumbi), ao cortejo Quilombola, onde o samba faz escola, avenida de Darcy” lembra o Sambódromo carioca, idealização de Darcy. Principalmente pela repetição do verso “Rei Zumbi”, o trecho manteve a potência em alta, empurrado por uma envolvente melodia. A segunda parte cita um lado menos explorado da fé de Darcy nos versos “Boêmio, sedutor, é luz na cegueira, um brinde aos amigos de luta e trincheira”. No restante, a letra foge da poesia e descreve o enredo de forma mais literal, mas não compromete a obra. O refrão principal “Meu país é Maricá, utopia mãe gentil, nunca pare de lutar pra mudar esse Brasil, a vitória popular nessa pátria tão hostil, é educar um filho da mãe solo que pariu” possui uma letra com estilo de comunicação mais direto e ferino, que funciona como catalisador de um canto mais visceral, casando muito bem com a melodia e ocasionando um grande desempenho. A passagem foi a mais quente da noite, sem sinais de cansaço.
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