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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Uma noite de muita emoção aconteceu nesta quinta-feira, na sede da Liga-SP. Após a criação do departamento de Velha-Guarda e a nomeação de alamedas em homenagem a baluartes, iniciativas realizadas na gestão anterior, a entidade amplia esse reconhecimento na atual administração do presidente Tomate, batizando novas salas com nomes de importantes personalidades do carnaval de São Paulo. Anteriormente, Seo Jammil da Tucuruvi havia sido homenageado no espaço de finanças. Agora, Dona Guga do Morro da Casa Verde, Seo Leandro de Itaquera e Seo Carlão do Peruche, também receberam a homenagem em reconhecimento à trajetória e aos feitos realizados ao longo das décadas de 1970, 1980 e 1990 em diante. As iniciativas voltadas aos baluartes do carnaval de São Paulo têm ganhado repercussão positiva entre os sambistas paulistanos. Dessa forma, a Liga-SP dá continuidade ao trabalho de valorização daqueles que contribuíram para a construção e o fortalecimento da folia na cidade. Estiveram presentes o presidente da entidade, Tomate; Solange Cruz, da Mocidade Alegre; Angelina Basílio, da Rosas de Ouro; e Rodrigo DelDuque, da Acadêmicos do Tucuruvi. A equipe do CARNAVALESCO realizou a cobertura das celebrações e conversou com as personalidades envolvidas nas homenagens.

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Gratidão acima de tudo e novos projetos

O presidente Tomate demonstrou gratidão ao falar sobre as homenagens aos baluartes que foram agraciados. “A importância para a Liga-SP e, sobretudo, para o carnaval de São Paulo é reconhecer o papel que essas pessoas tiveram e a contribuição que deram para que pudéssemos estar aqui hoje fazendo carnaval. Estamos conduzindo a Liga junto com os demais presidentes e tentando fazer sempre o melhor possível para o sambista em geral. Mas, acima de tudo, a palavra é gratidão, reconhecimento e valorização daqueles que tanto fizeram pela nossa história”, declarou.

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Diante da quantidade de baluartes que fazem parte da história do carnaval de São Paulo, o dirigente foi questionado sobre os critérios para definir quem seria homenageado e explicou. “Nós temos centenas ou até milhares de nomes que merecem homenagens. Entre eles, foram sugeridos os nomes de Dona Guga, Seu Carlão e Seu Leandro. Para esta oportunidade, os três foram aprovados em plenária, por unanimidade, por todos os presidentes presentes”, contou.

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De acordo com o mandatário, as homenagens não vão parar por aí. A ideia da Liga-SP é ampliar o reconhecimento às pessoas que tanto contribuíram para o samba. “A ideia é ampliar e estender esse reconhecimento, principalmente com a criação da Academia Paulista do Samba, que terá 52 cadeiras nomeadas em homenagem a sambistas que estão vivos, que continuam contribuindo e que poderão nos ajudar a transmitir seus ensinamentos. Esse é o principal objetivo da academia: transmitir conhecimento. Também teremos, nas paredes do nosso auditório, referências a sambistas que já não estão entre nós, mas que serão imortalizados naquele espaço. Com o passar do tempo, vamos aproveitar todas as oportunidades para fazer referências e agradecer, da forma mais singela possível, a cada uma dessas pessoas que tanto fizeram. Como mencionei anteriormente, são centenas, talvez milhares de nomes, e talvez não consigamos contemplar todos. Mas a nossa intenção é tentar, de alguma forma, fazer com que todos sejam contemplados, valorizados e, sobretudo, lembrados, deixando registrada a nossa eterna gratidão”, revelou.

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Legado gigante

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Fundador da escola de samba Leandro de Itaquera, que teve grande destaque em décadas anteriores e formou diversos sambistas, Seo Leandro não escondeu a emoção ao falar sobre ter seu nome estampado na sala. “Acho que receber uma homenagem em vida tem muito mais validade. Estou muito feliz com isso, porque realmente trabalhei muito em prol da Liga-SP para que ela chegasse ao ponto em que está. Hoje, essa homenagem faz jus ao trabalho que fiz. Estou muito feliz por isso”, celebrou.

O ex-dirigente foi exaltado em discursos do presidente Tomate e da presidente Solange Cruz. De acordo com Leandro, seu principal legado é ter contribuído para o crescimento do carnaval de São Paulo. “O legado que deixo para o carnaval é a grandeza pela qual ele está passando. Lá atrás, quando estava crescendo, ficamos quase nas proporções do Rio de Janeiro. Hoje, está aí a nossa realidade. O legado que deixo é uma folia gigantesca, grandiosa, como é São Paulo. É o carnaval da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo”, afirmou.

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Por fim, Seo Leandro exaltou a gestão do presidente Tomate. “Eu parabenizo o presidente Tomate. Lá atrás, como ele disse aqui, eu falei que ele seria o presidente da Liga. Ele está fazendo um grande trabalho e vai fazer muito mais ainda”, completou.

Cardeal de resistência

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Wagner Caetano, funcionário público de 68 anos, é um dos filhos de Seo Carlão

Wagner Caetano, funcionário público de 68 anos, é um dos filhos de Seo Carlão. O cardeal do samba também teve sua sala revelada durante a noite, e o filho falou sobre o orgulho que o pai deixou no samba. “Como sambista, fico muito orgulhoso por ele receber essa homenagem. Ele foi o último dos cardeais, dos baluartes, a estar vivo. Perdemos meu pai há dois anos, uma perda que ainda dói muito, mas que também deixou um legado muito grande para o carnaval de São Paulo, em todos os sentidos. Graças a Deus, hoje a nossa cultura é vista de outra forma. O que eles viveram no passado, parte disso eu também vivi, e é totalmente diferente do que temos atualmente. Hoje, ele recebe essa homenagem dentro da instituição que administra e dirige o carnaval da cidade de São Paulo. É muito satisfatório e gratificante”, comemorou.

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De acordo com Wagner, a maior herança que Seo Carlão deixou para o carnaval de São Paulo foi a Unidos do Peruche. Seu pai morreu dias antes do desfile de 2025, quando a Filial do Samba teve o próprio fundador como tema. “O maior legado é o Peruche. Ele foi um dos fundadores da Federação das Escolas de Samba, da UESP e da Liga-SP, através da Unidos do Peruche. No passado, principalmente na época dele, enfrentava muito mais dificuldades do que hoje. Era muito difícil colocar uma escola na rua e fazer com que a nossa cultura fosse aceita, porque ela não era vista como cultura. Ele e muitos outros sambistas do passado passaram por muitas dificuldades para que chegássemos ao momento atual. Hoje, poder ter a nossa cultura reconhecida e o sambista ter orgulho de dizer que é sambista é algo muito importante. Antigamente, nós éramos vistos como maloqueiros, vagabundos ou pessoas que não queriam trabalhar. Hoje, graças a Deus, quando alguém diz que é sambista, isso é motivo de orgulho. Você pode estar desfilando em uma escola de samba ou participando do carnaval, e a nossa cultura é reconhecida”, afirmou.

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Wagner contou o que seu pai diria diante da homenagem. “Ele diria: ‘Ainda temos muito a fazer’. Sempre foi assim. Todos eles sempre mostravam para nós que ainda tínhamos muito a fazer. Está melhorando, está melhor, mas sempre temos muito a fazer”, finalizou.

Mulher que inspira a todos

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Diego Campos, neto de Dona Guga e presidente do Morro de Casa Verde, falou sobre a homenagem à avó. “Para nós, é muito importante vê-la sendo reconhecida dessa forma, por tudo o que ela lutou pelo samba e por tudo o que fez pela cultura popular brasileira. Para a nossa família, é algo muito importante. Ela é filha do seu Zezinho do Banjo, que constantemente sofre um apagamento histórico. Então, a Liga-SP trouxe essa surpresa e resgatou toda a história construída com muito suor por ela e pelo meu bisavô. Acho isso muito importante, tanto para o carnaval quanto para a preservação da história do nosso povo preto, para que ela não seja apagada e permaneça registrada enquanto existir a Liga Independente das Escolas de Samba”, comentou.

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A fundadora foi pega de surpresa com a homenagem e se emocionou. De acordo com Diego, tudo foi planejado para que a dirigente descobrisse a homenagem apenas no momento da revelação. “Ela realmente não sabia. Quando o Tiago Bombonatti entrou em contato comigo, pediu que a homenagem fosse uma surpresa. Eu respeitei o pedido e a convidei para um jantar na Liga-SP, dizendo que os antigos presidentes estariam reunidos. Ela veio e só descobriu na hora, quando puxamos a cordinha, embora eu ache que a altura dela não tenha permitido que a puxasse. Quando viu a homenagem, ela se emocionou. Foi muito bacana”, declarou.

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A homenageada, de 82 anos, arriscou algumas palavras após a revelação. “Eu não sabia da homenagem e agradeço a todos vocês, tudo o que estão fazendo por mim, e espero estar sempre junto. Enquanto eu estiver viva, estarei no carnaval. Sou Morro da Casa Verde, estou sempre lá com meus filhos e meus netos”, disse.