
A Imperatriz Leopoldinense realizou na última sexta a semifinal de samba-enredo com o objetivo de avaliar novamente as obras concorrentes e definir os rumos da disputa para o Carnaval 2027. Todas as apresentações foram conduzidas pelo diretor de carnaval, André Bonatte, responsável por comandar a festa, apresentar as trilhas sonoras e anunciar os finalistas. Na abertura, o intérprete oficial Pitty de Menezes cantou o repertório da agremiação, acompanhado pelo show da escola. Em seguida, foram realizadas quatro apresentações concorrentes, com uma parceria eliminada, a de Zé Katimba e cia. A equipe do CARNAVALESCO esteve presente avaliando os sambas e, assim como na fase anterior, a parceria de Hélio Porto foi o grande destaque da noite, merecendo atenção especial para a final, que será realizada na segunda quinzena deste mês. Também vale destacar o clima amistoso entre Pitty de Menezes e os concorrentes. O intérprete interagiu com todas as parcerias e participou ativamente das apresentações, cantando as obras junto aos compositores.
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Parceria de Me Leva: O time 01, formado por Me Leva, Gabriel Coelho, Guilherme Macedo, Herval Neto, Bernardo Nobre e Thiago Meiners, foi o terceiro a se apresentar e levou uma ala musical de peso, com Igor Vianna, Igor Sorriso, Dodo Ananias e Grazzi Brasil, além de Thati Carvalho, integrante do carro de som da escola, que colaborou com a parceria na introdução do samba. Foi a única apresentação a utilizar duas mulheres na introdução, criando um contraste interessante e diferenciando-se das demais. Entre os cantores, Igor Sorriso foi quem mais imprimiu energia ao palco. Na arrancada, inclusive, desceu e foi para o meio do público para empolgar os componentes presentes. Entretanto, é necessário ressaltar a melodia extremamente acelerada imprimida à apresentação, chegando a certo exagero. Ainda assim, foi uma passagem segura da parceria de Me Leva. Entrando na letra, trata-se de um samba curto, mas que traduz o enredo de forma satisfatória. Após o refrão de cabeça, aparece logo um bis, recurso pouco recorrente no gênero samba-enredo. O trecho começa a desenvolver o tema, que aborda a feitura, à mão, da boneca Maria Júlia, a pedido do rei, dois dos pilares presentes no título da narrativa. Na sequência, ainda na primeira parte da obra, surge outro bis, novamente após poucos versos. O interessante é que o samba assume uma espécie de tom narrativo, como se alguém estivesse contando a história ao público. O recurso parece adequado, já que o enredo é construído a partir de uma narrativa repleta de elementos históricos e exige justamente esse tipo de condução. Para concluir a primeira parte, vale destacar que a sinopse e a história da boneca são bem desenvolvidas até então. No refrão do meio, está talvez o maior ápice melódico da obra, momento em que a musicalidade ganha força e apresenta um ritmo de dança bastante marcante. Na segunda parte, há uma celebração à calunga, seguida pelo encerramento com outro bis, que conduz à explosão do refrão de cabeça. Portanto, trata-se de um samba bastante peculiar: curto, completo, de rica melodia e capaz de contar a narrativa de Leandro Vieira com clareza.
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Parceria de Hélio Porto: Defendida por Tinga e Charles Silva, a parceria de Hélio Porto, Miguel Dibo, Orlando Ambrósio, Marcelo Viana e Antônio Crescente foi, sem dúvida, a melhor apresentação da noite. A passagem foi completa, desde o grito de guerra, que chamou o público, até os momentos finais do samba. Pessoas no camarote, além de alguns ritmistas e responsáveis pela bateria, também se manifestaram positivamente durante a apresentação. O grande destaque ficou para os últimos versos, que conduzem ao refrão de cabeça. Entre todas as obras apresentadas, o samba 05 foi o que mais se mostrou impactante, tanto em letra quanto em melodia. Essa característica pode pesar positivamente na avaliação interna. A primeira parte do samba faz questão de apresentar o Nordeste, elemento explicitado logo no início da sinopse. Em ordem cronológica, a obra conta a história da calunga Maria Júlia. O encerramento dessa primeira parte, com os versos “Nosso rei firma e consagra saudade / entidade musicada ao xequerê / ausência presente de gente que o olho não vê”, estabelece a ligação com o refrão do meio, que aborda o pedido do rei para a feitura da boneca e a colocação da alma de Dona Júlia em seu interior, dentro do ritual do egun. Para compreender esse trecho, destaca-se a frase “Calunga de embuia que babá mandou fazer”. Também merece atenção a potência melódica do refrão, que imprime uma dimensão maior à obra em comparação com a primeira parte. A segunda parte cita o desaparecimento da boneca até seu retorno para a realização do ritual Xambá. O momento é cantado em um BIS e, na sequência, surge novamente o refrão de cabeça. Como já mencionado, trata-se de um trecho grandioso, pensado para levantar o público, e aparentemente foi justamente nessa parte que os compositores decidiram concentrar suas principais apostas. Os versos “Catimbó catimbozeiro nos encantos da calunga / Imperatriz firma seu ponto na macumba” são de grande destaque. É um refrão totalmente afro e potente, característica que a agremiação de Ramos vem explorando como uma de suas principais forças nos últimos carnavais.
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Parceria de Josimar: Defendida por Pixulé, a apresentação do time formado por Josimar, Carlos Kind, Diego Jorge, PC do Rio, Kleber di Cesar e Robert Farrow se destacou pela sinergia com a bateria. Entre todas as obras, foi o samba mais longo em letra apresentado na noite. Dentro dessa estrutura, os compositores aproveitaram uma melodia interessante e intensa, com andamento acelerado, transmitindo uma característica que a agremiação levou para a avenida nos últimos anos. Algumas pessoas presentes na quadra também se manifestaram positivamente durante o canto da obra. Não há como deixar de citar Pixulé, cuja energia durante toda a apresentação foi fundamental para o resultado da passagem. O intérprete vive um grande momento e demonstrou isso desde o grito de guerra, quando a quadra acompanhou o “É muita habilidade, meu povo”. Entrando na letra, o refrão de cabeça apresenta logo três pilares importantes: o maracatu e o candomblé, elementos centrais do enredo, além do verso “tem macumba e maracatu segunda-feira”, que faz alusão direta ao dia do desfile da Imperatriz Leopoldinense. Dentro da narrativa de Leandro Vieira, a compreensão do enredo se desenvolve a partir dos últimos versos da primeira parte, em conexão com o refrão do meio, que aborda o ritual do egun de Dona Santa incorporando na boneca: “Traz Dona Santa de volta do Orun pro terreiro”… “No encanto do criador / Porto Rico perguntou: Dona Júlia cadê você?”. Na segunda parte, a obra conta a história do retorno da boneca a Porto Rico, passando pelo ritual de Xambá. Vale destacar a construção do último verso: “Quando o portão abrir, eparrey oyá / Que a ancestralidade venha nos guiar / A gira vai começar”. Portanto, a parceria de Josimar apresenta ótimas soluções melódicas e mantém uma relação fiel com o tema. Foi uma bela apresentação.
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