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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Em reta final da seleção do hino que contará a história do baluarte Monarco na Avenida em 2027, a Portela definiu as parcerias finalistas do concurso no último domingo. A escolha final será realizada na próxima sexta-feira, na quadra da Portela, em Madureira. No próximo ano, a escola abrirá a segunda-feira de Carnaval com o enredo desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros. O presidente Junior Escafura abriu as apresentações solicitando aos segmentos que se manifestassem sobre os sambas preferidos, a fim de a diretoria saber “qual samba a escola quer”. Deste modo, a escola se reorganizou para receber os torcedores: ao longo da disputa, a disposição das mesas, que tomava a maior parte da quadra e deixava o público geral distante do palco, agora toma as laterais da quadra, liberando o centro para as torcidas e sambistas em geral. Além disso, nesta fase, as parcerias puderam levar objetos cênicos para incrementar a torcida, como tiros de fumaça, papel picado, serpentina e bandeiras, presentes em todas as apresentações.

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Outro diferencial e destaque da noite, em todas as exibições: o mestre Vitinho preparou uma bossa que foi reproduzida no refrão do meio de todos os sambas apresentados, durante a quinta e a sétima passadas. Assim, esta novidade também será considerada em análise na presente fase da disputa. A seguir, confira a análise do CARNAVALESCO sobre as apresentações classificadas para a final.

Parceria de Cecilia Cruz: O samba da segunda apresentação da noite foi interpretado por Pixulé. A composição se conduz guiada pela força da lembrança, pintando uma bonita imagem de quem era o homenageado: “Tenho na lembrança a voz de um Mestre / A candura que ele veste / O filho, o avô, o poeta / Quando ouvi tanta beleza / Sublime realeza / Corri para ver quem era”. Ao relembrar a infância do baluarte, apresenta uma construção simples e eficaz, que gera nostalgia e uma melodia envolvente: “O cheiro do feijão / Balé de pipas no céu / Cavaco, rei, tempo bom / Fruta do pé, doce mel”. Outra sacada da construção lírica é o uso de um trecho de “Coração em Desalinho”, clássica composição de Monarco: “Te devo ‘afeto e carinho como retribuição’”, contrariando a ideia da composição original, que protestava contra a falta de consideração pelo “afeto e carinho” ofertado, e aqui usado a favor do homenageado. Um dos destaques líricos e melódicos é o refrão do meio: “Leva o peixe, freguesa / Bota tempero na mesa / Vem com a primeira, a roda vai começar / E a segunda é por mim / Refrão que pega é assim / Quando a pastora a voz entoar”, especialmente no verso “A segunda é por mim / Refrão que pega é assim”. Leve, cativante, a construção lírica carrega sua própria bossa, mas ganhou brilho maior embalada pelo desenho rítmico especial comandado pelo Mestre Vitinho na quinta e na sétima passadas. O refrão principal, “Minha maior alegria / É poder te exaltar / Se eu pudesse diria / Como foi bom te ouvir cantar / Se eu for falar de Monarco, se eu for falar de Monarco, se eu for falar de Monarco até posso chorar / (Laiá, laiá) / Se eu for falar da Portela não vou terminar”, teve excelente desempenho ao longo da apresentação. Na segunda passada, acompanhado pelo canto do carro de som, teve uma leve queda de energia, mas a estrofe retomou a força nos potentes versos “Se eu for falar de Monarco, se eu for falar de Monarco até posso chorar / (Laiá, laiá) / Se eu for falar da Portela não vou terminar”. Na terceira passada, o verso “O amor lhe fez compositor / E à Velha Guarda um fiel dedicado” foi menos cantado, mas novamente o refrão principal recuperou a força com um empurrãozinho dos animadores da torcida. Na quarta passada, o rendimento tomou uma força ascendente. Na sexta, houve uma leve perda de energia na estrofe “Pelas ruas da cidade / Fez seu altar à sombra da jaqueira / Regou a semente pra eternidade / Em Oswaldo Cruz, virou divindade”, sem comprometer o desempenho do refrão. A apresentação começou com um grito e resposta: “Portela!” / “Pisa forte nesse chão!”, completado com força e energia pelos presentes. Na primeira passada, os intérpretes jogaram o canto para o público, que sustentou completamente essa passada do samba, com canto constante e intenso, natural da letra na ‘ponta da língua’. O samba foi um sacode na quadra. A energia ultrapassou aqueles que demonstraram a preferência, se juntando à torcida no meio do público, e contagiou quem estava nas mesas e camarotes. Pela primeira vez na noite, o público cantou o refrão principal após o fim da exibição pelo menos umas cinco vezes, enquanto a parceria seguinte se organizava no palco. Foi um destaque da noite, com rendimento excelente.

Parceria de Wanderley Monteiro: A quarta parceria a se apresentar foi um dos pontos altos da noite. A obra da parceria de Wanderley Monteiro, defendida por Wander Pires e Wandinho, parte da exaltação ao legado de Monarco para falar também de sua permanência na alma portelense. Essa ideia de continuidade encontra sua síntese em “Eu sou a sua eterna continuação”, verso que reforça a presença eterna do baluarte na cultura do portelense. A composição traz entre seus trechos de maior força “Pra entender tem que ter um ‘a’ / De amor, e um ‘quê’ / De Madureira na alma / Tem que ter a luz / Carregar no peito Oswaldo Cruz”, que reúne destaque melódico e criativo. O trecho se mostrou ainda mais forte nesta apresentação, confirmando sua força. O verso ganhou mais brilho também com as bossas da Tabajara do Samba durante a quinta e a última passada, sendo bem recebidas pelo público. Outro destaque é a identificação que o verso “Tem que ter a luz / Carregar no peito Oswaldo Cruz” gera no portelense, transmitida através do gesto dos sambistas presentes, que bateram no peito durante a execução. O verso “Agora uma enorme saudade devora” traz uma alusão melódica e lírica ao clássico “Coração em Desalinho” e aparece de forma bem encaixada na canção, bem trabalhada pelos intérpretes, além de ser indutivo ao canto. Entretanto, na quarta passada, a estrofe apresentou leve queda de energia. A retomada da empolgação ficou a cargo do poderoso refrão principal “E por falar de amor, dos que não vão terminar / Falar de Monarco, meus olhos vão marejar / A Velha Guarda, teu sorriso na lembrança / Eu sou Portela desde os tempos de criança”, que reforça a identificação com a comunidade, especialmente no verso “Eu sou Portela desde os tempos de criança”, que cresceu ainda mais e foi gritado por toda a quadra, incluindo musas, baianas e Velha Guarda, que já cantavam bastante o samba. Além dos segmentos, a vice-presidente também cantou alguns trechos do samba. Outro ponto observado foi o verso “Raiz da inspiração / Samba em devoção”, menos cantado durante a quinta passada. Entretanto, novamente o refrão principal se encarregou de recuperar a energia da performance, retomando o desempenho de forma crescente na apresentação. Quando os cantores jogaram o canto para a torcida no início da performance, os sambistas sustentaram completamente o canto ao longo da primeira passada, com intensidade e com direito a dobradinha: o canto ainda se manteve firme na segunda passada, com a retomada das vozes principais. Na terceira, o refrão principal foi novamente jogado para o público, obtendo uma boa resposta. A apresentação teve um rendimento excelente, com muita energia do público. O samba, que já vinha desempenhando bem nas rodadas anteriores, chega à final fortalecido e ainda mais consolidado, dando um clima mais de ‘ensaio’ do que de disputa.

Parceria de Jorge do Batuke: O intérprete Zé Paulo Sierra deu voz ao samba da quinta parceria da noite. A composição de Jorge do Batuke e companhia traz uma das abordagens mais criativas e intrínsecas à identidade portelense. Também assume o formato de uma carta endereçada ao baluarte, mas não se prende a isso, indo além: Monarco funciona como fio condutor para um diálogo com a memória e para reviver a autoestima da maior campeã do carnaval. Já no início, a composição se destaca ao chamar a autoestima da comunidade em um momento em que isso se faz necessário: “Na fé, renasce bravamente o portelense / No samba, te refaço novamente”. A estrofe “Daqui, sigo escrevendo a quem me inspirou / Passado de glórias, que tanto cantou / De pai para filho, teu mundo é assim / Olinda, o amor não tem fim / É sangue que corre nas veias, louca vermelha paixão / No peito, Jacarezinho: dois pontos, exclamação!” resolve os amores e outros caminhos de Monarco de maneira objetiva, mas poética. O trecho “Passado de glórias, que tanto cantou / De pai para filho, teu mundo é assim” também teve boa resposta no canto do público ao longo da performance. Entretanto, o verso apresentou leve queda de canto na sexta passada. Um dos pontos altos está no refrão principal: “Chamei Casquinha pra versar um bom partido / Mestre Candeia para nos iluminar / Os batuqueiros de Marçal são atrevidos / Deixa a Portela passar / Alô, Paulinho! Mete a mão nessa viola / Lá vem a Águia de Paulo e Natal / Com Manacéia apresentando a Velha Guarda / Da maior campeã do carnaval”. A composição evoca o panteão da Portela, característica presente em grandes sambas da escola, que é profundamente ligada ao seu passado histórico. Os pilares da agremiação, Paulo e Natal, aparecem ao lado do ilustre mestre Marçal e de grandes parceiros compositores, como Casquinha, Candeia, Manacéia e Paulinho da Viola, que ‘presenteou’ Monarco à ala de compositores da azul e branco de Madureira. O recurso se mostrou eficaz na quadra: o refrão passou com força e foi gritado pelos componentes, especialmente nos versos “Deixa a Portela passar!” e “A maior campeã do carnaval”, cumprindo sua função de diálogo com DNA portelense. Outro destaque lírico e melódico está no refrão do meio: “A Tabajara no alvorecer / Meu povo canta: corri pra ver! / Para ver quem era a força ancestral / Te fiz poeta no meu quintal”. O trecho assume um tom aguerrido, dando o peso necessário aos versos, e teve excelente desempenho em quadra, especialmente no segundo verso, referência a um clássico da caneta de Monarco, eternizado pela Velha Guarda da Portela e que chamou o canto alto da comunidade em quase toda a performance. A bossa deu um novo impulso ao trecho, funcionando bem na maioria das passadas, exceto a quinta, que apresentou leve queda no canto, mas logo se reergueu; na sétima, foi responsável por aquecer o público novamente e propagar o canto pela quadra com mais intensidade. A performance teve um ótimo rendimento, de forma crescente. Na primeira passada, quando jogado ao público, a torcida estava menos numerosa, mas intensa: conseguiu sustentar quase toda a execução, cantando o samba ‘de cabo a rabo’. Na segunda, na retomada do canto dos intérpretes oficiais, o público se manteve firme e enérgico e conseguiu contagiar também quem estava nas mesas. Mesmo com leves quedas na energia em alguns momentos, o refrão principal e a bossa do refrão do meio foram capazes de recuperar o desempenho nas passadas e firmar a parceria como um destaque da noite.