
A história de Serginho do Porto se mistura com a trajetória da Unidos da Ponte. Aos 17 anos, o intérprete chegou à escola de São João de Meriti e, 32 anos depois, está de volta para defender o samba-enredo da agremiação no Carnaval 2027. O reencontro foi marcado por emoção, principalmente diante da quadra lotada para receber novamente um dos nomes importantes da história da azul e branca. O convite para o retorno partiu do presidente Tião Pinheiro e de Gustavo Barros, gestor administrativo. Para o cantor, voltar à escola representa mais do que uma nova oportunidade profissional: é o reencontro com uma parte importante de sua própria história.
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“Depois de 32 anos a gente volta para a nossa escola. Que emoção dessa quadra lotada. Eu vim para a Unidos da Ponte com 17 anos de idade. A história da Ponte se confunde com a minha história. Isso me faz muito bem, muito bem. Eu acho que é um momento muito especial na minha vida”, afirmou o intérprete.
Elogios ao samba-enredo
De volta à escola, Serginho também terá a missão de conduzir o samba-enredo desenvolvido pelos compositores Claudio Russo, Silvio Romai, Juão Nyn, Marquinho Beija Flor, M. Borboleta, Jorginho da Flor, Herval Neto, Mateus Pranto, Gabriel Simões e Raphael Gravino para o Carnaval 2027. O intérprete revelou que ainda não havia trabalhado com uma obra encomendada, mas fez questão de elogiar a composição escolhida pela Unidos da Ponte.
“Eu não tinha trabalhado ainda, mas falo para você: é um dos melhores sambas do carnaval do grupo da Série Ouro. Vocês vão estar aqui para ouvir, o samba é muito bom!”, afirmou.
Entre os trechos da obra, o intérprete apontou o refrão final como seu favorito. A passagem, segundo Serginho, dialoga diretamente com o significado de seu retorno à escola. “É o refrão final. Porque ele ergue a Ponte para fazer revolução. E eu volto para ser revolucionário nessa escola!”, destacou.
Marquinho Beija-Flor destaca facilidade para criar samba a partir do enredo
Um dos compositores responsáveis pelo samba-enredo, Marquinho Beija-Flor, também comentou o processo de criação da obra. Para ele, a força do enredo apresentado pela Unidos da Ponte facilitou o trabalho da parceria, que já atua junta há alguns anos.
“O processo de produção do samba foi muito tranquilo. Um dos motivos que nos deu essa tranquilidade foi o enredo. Quando o compositor abraça o enredo, ele vê o enredo como uma grande proposta para que se faça um samba, fica muito mais fácil. A gente entendeu que foi um presente esse enredo. Um enredo importante, um enredo que se faz necessário nos dias de hoje”, explicou.
Marquinho destacou ainda a sintonia entre os integrantes da parceria durante o processo de composição.
“Todos os meus parceiros são muito competentes. Foi um processo de produção bem tranquilo. A gente acha que atingiu os objetivos, tanto da parceria quanto do proposto pela escola”, afirmou.
Carnavalesco pediu uma obra com a ‘cara do enredo’
Segundo Marquinho, o carnavalesco Nicolas Gonçalves deixou os compositores à vontade para desenvolver a obra, mas fez um pedido específico: que o samba fosse capaz de apresentar ao público a proposta do enredo de maneira clara e, ao mesmo tempo, tivesse momentos de irreverência.
“O carnavalesco deixou a gente bem à vontade. Ele pediu que a gente fizesse uma viagem por esse enredo. Em um processo criativo, um processo que desse a letra do samba com cara do enredo. Que as pessoas, ao ouvirem a letra do samba cantada, tivessem uma facilidade do entendimento da proposta do enredo. Ele também pediu que a gente fizesse um samba bonito, mas que, ao mesmo tempo, fosse um samba jocoso, que brincasse um pouco com algumas coisas que o enredo permitisse, sem ser vulgar. A gente acha que conseguiu trazer para a Unidos da Ponte um grande samba. Acho que é um samba que vai se posicionar muito bem dentre os sambas da Série Ouro, quiçá do Grupo Especial também”, contou.
O compositor ressaltou que a história apresentada pela escola poderá ser uma novidade para parte do público e acredita que a Unidos da Ponte terá um papel importante ao levá-la para a Avenida.
“Um enredo que vai trazer para muitas pessoas uma história nova. Eu tenho certeza que vai ser muito bem recebido. Acho até que já está sendo bem recebido”, disse.
Na avaliação de Marquinho, os refrões são os principais destaques da obra. O compositor acredita que as melodias têm força para contribuir diretamente com a evolução da escola durante o desfile.
“A parte que a gente mais curte do samba são os refrões. A gente acha os refrões muito fortes, com melodias que impulsionam muito ou podem vir a impulsionar o desfile, uma melodia valente, uma melodia vibrante”, afirmou.
Ele explicou ainda a diferença entre os dois refrões da composição. “O refrão do meio é um pouco mais alegre, um pouco mais brincalhão. E o de baixo é o enredo, com uma mensagem sendo mostrada através da letra e com uma melodia muito valente. A parceria está muito satisfeita com o samba por completo. A Unidos da Ponte está feliz e o povo do Carnaval, o povo do samba, vai ficar feliz porque essa história é uma história que precisava ser contada. Precisava ser entendida, compreendida, e eu acho que vai ser um marco a partir de agora o que a Unidos da Ponte vai fazer nesse carnaval”, destacou.









