
“Sonho de infância”. É assim que Daniel Silva define a sua volta ao Império Serrano, agora à frente do carro de som da escola. O cantor retorna à escola onde começou sua trajetória no carnaval, no ano em que o Império celebrará seus 80 anos. Sua história na agremiação começou ainda na infância, no Império do Futuro, onde permaneceu por três anos antes de seguir para a escola-mãe, onde fez parte do carro de som até 2004. Depois, passou por agremiações como Paraíso do Tuiuti, Império da Tijuca e Inocentes de Belford Roxo. Seu retorno foi anunciado na mesma semana do lançamento do enredo para 2027, “Seja marginal, seja herói: a revolução em sua legítima razão”. Na ocasião do evento de lançamento oficial, contou ao CARNAVALESCO que ainda tenta assimilar o momento e destacou a emoção de retornar ao lugar onde deu os primeiros passos no carnaval.
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“Foi aqui que cresci, aprendi e dei meus primeiros passos como cavaquinista, depois como cantor da escola mirim e, mais tarde, da escola-mãe. Estou muito feliz. Sei da responsabilidade e da grandeza que é estar à frente do carro de som do Império Serrano. Só tenho a agradecer à presidente Paula e a toda a diretoria por essa oportunidade. Estou até emocionado e sem palavras. O que posso garantir é que vou dar o máximo de mim, junto do departamento musical, da harmonia, do mestre de bateria e de toda a comunidade, para construir um desfile antológico do Império Serrano”, afirmou.
O Império vem se fortalecendo para o Carnaval comemorativo de 2027. Sob nova direção, tem apostado no retorno de “crias” da casa, como Daniel e o mestre Gilmar, além da aposta em um enredo que reafirma a essência histórica de luta política da agremiação. Daniel reconhece seu retorno como um momento de “grande responsabilidade” e que, mesmo sendo ‘de casa’, enxerga uma nova realidade da escola que requer adaptação.
“Mesmo já tendo passado por aqui, é uma volta, e toda volta é um recomeço. Tudo muda, a ambientação é outra, a gente precisa entender como tudo funciona novamente. Mas é um enredo maravilhoso. Tenho certeza absoluta de que vamos fazer um Carnaval fora da curva para levar o Império Serrano de volta ao campeonato”, garantiu.
O desfile que oficializa a volta tem tudo para ser marcante. Porém, Daniel compartilha os sambas que farão o coração bater mais forte na Sapucaí.
“‘Heróis da Liberdade’ tem um significado muito especial porque venho de uma família imperiana. Meu pai é cria do Império, meu tio tocava surdo na bateria e cresci ouvindo meu pai cantar esse samba enquanto tocava violão na sala de casa”, compartilhou.
Além de “Heróis da Liberdade”, sua trajetória foi marcada pelo samba de 1992. Vindo de uma família de músicos e carregando uma relação profunda com a música, Daniel explica que “Sou Império, Sou patente”, do enredo “Fala Serrinha – a Voz do Samba Sou Eu Mesmo Sim Senhor”, consolidou seu lugar na comunidade verde e branca de Madureira e que será comovente cantá-lo como intérprete oficial.
“Foi o samba que me fez virar imperiano. Muita gente não sabe, mas eu não era imperiano. Lá em casa era uma mistura: meu pai era Império, minha mãe Portela, meu irmão Mocidade e minha irmã Salgueiro. Eu era São Clemente e continuo tendo muito carinho pela escola. Mas, naquele desfile, meu pai me levou para buscar meu tio no fim da apresentação. Quando a bateria foi chegando e ouvi aquele agogô, acabou. Eu tinha nove anos, comecei a chorar, e meu pai abraçou meu tio e disse: ‘Mais um’. Desde aquele dia, o Império Serrano passou a morar no meu coração e na minha alma”, relembrou.









