Um ensaio de rua marcado para o mês de agosto não é comum, mas, neste caso, existe uma ocasião especial. A Mocidade Unida da Mooca repete o feito anterior e realiza um treino pelas ruas da Mooca para celebrar mais um ano de existência do bairro, e, no último domingo, a agremiação da Zona Leste executou com maestria. Para comemorar os 470 anos do bairro, a MUM partiu em um contingente de mais de mil pessoas, com todos os segmentos. Também participaram baianas, passistas, ritmistas com a bateria completa e carro de som, com a dupla Pixulé e Gui Cruz dando todo o gás. Um ensaio comemorativo, mas que deu para tirar proveito de algumas situações pensando a longo prazo na avenida, com o objetivo de corrigir e aprimorar. O percurso começou na Praça Ciro Pontes e foi até a quadra da escola, localizada na Rua Bresser. O CARNAVALESCO esteve presente para cobrir o evento e ouviu personagens que fizeram o ensaio acontecer.

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Bairro que emociona

O presidente Rafael Falanga esbanjou felicidade ao falar do acontecimento, que foi o ensaio de rua da agremiação. “É uma felicidade muito grande, primeiro, em recebê-los e, segundo, em comemorar o aniversário do bairro que a gente ama. São 470 anos de um dos bairros mais tradicionais e antigos da cidade de São Paulo. Tivemos uma presença maciça da comunidade, com mais de 1.200 pessoas, promovendo um ensaio muito feliz, leve e solto. É um samba que já foi lançado há meses e está na ponta da língua, com a bateria afiada. Todos os setores trabalharam durante esse período de forma isolada e, agora, puderam se juntar e executar todo o trabalho que vem sendo desenvolvido. É só felicidade e gratidão a todos os setores, à nossa diretoria, à direção de carnaval, à direção e à coordenação de Harmonia e ao nosso corpo técnico como um todo. Daqui para frente, é continuar esse trabalho, iniciar nossa temporada de ensaios gerais, ensaios de rua e ensaios específicos, e fazer o melhor desfile da nossa vida”.

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Presidente Rafael Falanga. Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Questionado sobre o seu sentimento pelo bairro, o presidente não escondeu a emoção e abriu o coração. “O bairro da Mooca é a nossa paixão. O mooquense é muito apaixonado pelo bairro. Ali foi um misto de sensações: o bairro, a presença da escola, a energia do primeiro ensaio e a energia da rua. A Mocidade Unida da Mooca é uma escola oriunda da rua. Começamos nossas atividades em 1985, no Largo São Rafael, atrás da igreja, com o Bloco Solta Franga, e depois, em 1987, na Rua dos Trilhos, com a fundação da Mocidade Unida da Mooca. Estar na rua, para nós, tem uma presença muito forte. É uma ancestralidade que se manifesta, e a emoção vem naturalmente. A possibilidade de estar no Grupo Especial por mais um ano, com um grande enredo, trazendo a memória do samba paulistano para o nosso desfile, também é muito significativa. São muitos bambas e muitos resgates que estão sendo propostos nesse projeto. Acho que tudo isso se mistura. Ali foram lágrimas de emoção, resultado de um conjunto de felicidades que vem acontecendo na minha vida pessoal, na minha família e na nossa escola ao longo deste carnaval”.

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De acordo com Falanga, a preparação para o Carnaval 2027 dentro do barracão vem forte. “A preparação segue a todo vapor. A escola antecipou muitas etapas, assim como já havia feito no ano passado. Nossa meta é realmente encerrar o carnaval antes de dezembro, para que não tenhamos correria no mês que antecede o desfile, principalmente porque o Carnaval será um pouco mais cedo este ano. O barracão está a todo vapor, com 53 profissionais trabalhando. As fantasias estão em ritmo acelerado e, hoje, devemos estar com cerca de 40% da produção já em fase de finalização. Nas alegorias, já estamos decorando o abre-alas, que também será uma grande surpresa, porque é um projeto incrível. A produção de fantasias também está bem encaminhada em alguns ateliês. A ideia é antecipar tudo o que pudermos para ter tranquilidade e fazer o chão funcionar nos ensaios técnicos e no desfile. E, se Deus quiser, estar na sexta-feira das campeãs”.

Facilidade maior no ensaio de rua

Elogiando a comunidade, o diretor de carnaval Wanderley Silva disse que há alguns ajustes a se fazer, mas que poderá trabalhar pelo tempo. “Essa escola nos surpreende todos os anos, mas neste ano nos surpreendeu ainda mais. Acho que esse enredo dos cardeais está mexendo com muita gente, desafiando muitas pessoas e fazendo com que todos façam as coisas por amor, para homenagear e agradecer por tudo o que eles fizeram por nós. Foi um ótimo início para agosto, um belo pontapé inicial. Naturalmente, como diretor de Carnaval, a gente identifica algumas coisas que precisam ser ajustadas. São ajustes que normalmente faríamos em janeiro, mas que agora já podemos trabalhar para os próximos ensaios”.

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Diretor de carnaval Wanderley Silva

Avaliando o fator mais positivo no ensaio de rua, o profissional enalteceu o canto dos componentes da Mooca, mas disse que o desafio para 2027 é ter um bom desempenho no quesito Evolução e alcançar a nota. “O canto da escola já responde muito bem. ‘Escola que canta ganha’ é um dos nossos jargões. Nosso grande desafio é a nota de Evolução. Essa é uma meta que o presidente nos colocou neste ano. No carnaval passado, a escola não conseguiu as notas que esperávamos nesse quesito. Se tivéssemos alcançado um resultado melhor em evolução, poderíamos até ter chegado às campeãs. Para uma escola que estava estreando no Grupo Especial, seria muito importante”.

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O diretor declarou que, em comparação com o ensaio de quadra, o treino pela rua é melhor pelos espaçamentos e pela acústica, além de a quadra da Mocidade Unida da Mooca estar ‘pequena’ devido ao grande crescimento da escola atualmente. “Ainda temos bastante coisa para evoluir, mas, para agosto, estamos muito bem. O ensaio de rua permite montar as alas da maneira como faremos no desfile. Se vamos entrar com fileiras de sete, conseguimos trabalhar com fileiras de sete. Assim, é possível estabelecer um espaçamento adequado entre as alas e dar ao componente espaço para se desenvolver e cantar. Na rua, o componente canta sem a acústica de uma quadra. Conseguimos perceber realmente se o canto está ecoando e se existe alguma melodia que precisa ser ajustada. A mesma coisa acontece com a bateria: é possível avaliar se a afinação está correta, algo que também é importante para o mestre. Os cantores conseguem se integrar mais e cantar por mais tempo”.

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Pertencimento é o que importa

O intérprete Gui Cruz também elogiou o desempenho da comunidade, participando em grande número ainda em agosto. “Primeiro ensaio de rua em agosto. Eu não sei quantas pessoas estavam aqui, mas havia um contingente muito bom. Para agosto, foi um ótimo contingente. A bateria parecia ter 300 pessoas, a ala musical é nova, temos muitas novidades na escola, uma nova proposta, um enredo fantástico e um samba que, para mim, funcionou muito bem. Ainda vamos reunir o grupo para avaliar tudo, mas colocar o samba na rua hoje, com a energia que tivemos, ao lado do Pixulé, que é um cantor fenomenal, foi muito especial. Estou muito feliz pelo primeiro ensaio e por tudo aquilo que fizemos. Achei que foi muito bom. Agora temos margem para melhorar. Fizemos um primeiro ensaio maravilhoso e vamos começar os ensaios de fato. Se Deus quiser, vamos melhorar cada vez mais, a cada mês, fazendo os ajustes necessários”.

Intérpretes Gui Cruz e Pixulé

O cantor está há muito tempo na escola, executando trabalhos desde quando a MUM desfilava na UESP. Por isso, Gui Cruz revelou o sentimento pelo bairro. “A Mooca resgata, sem dúvida nenhuma, a sua história. Falo da Mocidade Unida da Mooca e dos vários projetos que a escola está fazendo. Temos um departamento cultural muito forte este ano. O Matheus, que fazia esse trabalho, foi para o Morro para ser enredista, mas deixou um time fantástico, que está resgatando cada vez mais a história da Mooca, um bairro operário e de luta, que foi, sem dúvida nenhuma, um dos propulsores da classe operária de São Paulo e do Brasil. Então, a Mooca é isso. E a Mocidade Unida da Mooca, cada vez mais, por meio dos enredos e de tudo aquilo que leva para a avenida, está trazendo esse lado forte que o bairro tem e mostrando a importância que ele possui para a cidade de São Paulo e para tudo aquilo que foi construído ao longo da história. São Paulo tem 472 anos e o bairro da Mooca tem 470. São apenas dois anos de diferença. É um bairro que ajudou São Paulo a crescer e que representa uma parte muito importante da história da cidade”.

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Ainda falando de pertencimento, o profissional exaltou as regiões, dizendo que cada local deve enaltecer suas escolas. “Estamos aqui na Radial, muito bem localizados, debaixo do nosso viaduto. Apesar de ainda existir um processo, chegamos a ser despejados daqui dias antes do carnaval e estamos lutando para poder permanecer. É importante que as escolas de samba tenham seus espaços garantidos, porque elas são muito importantes para todos os bairros da cidade. A Mocidade Unida da Mooca é importante para a Mooca, a Terceiro Milênio é importante para o Grajaú, o Tatuapé é importante para o Tatuapé, a Nenê é importante para a Vila Matilde, a Barroca é importante para a Zona Sul e por aí vai. As escolas de samba são importantes para os seus bairros e para as suas comunidades”.

Entrosamento com ala musical e comunidade

Realizando o seu primeiro ensaio de rua pela Mocidade Unida da Mooca, o intérprete Pixulé aprovou o ensaio e revelou que o objetivo foi um ensaio para o minidesfile. “Graças a Deus, estou de volta a São Paulo. O ensaio de hoje foi um teste para o nosso mini desfile, que está próximo. Foi um ensaio técnico. Você viu a comunidade cantando e o público que acompanhava o nosso ensaio de rua também cantando o nosso samba. Temos ajustes para fazer, assim como teremos no ensaio técnico, para chegarmos ao desfile da melhor maneira possível”.

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Pixulé revelou que dividiu microfone de intérprete uma vez, mas agora, com Gui Cruz, elogiou o entrosamento. “A gente teve um entrosamento que até me surpreendeu. Acabamos nos entrosando como irmãos. A gente se comunica pelo olhar. Um olha para o outro e já sabe o que fazer. Isso é muito bacana. Eu nunca havia dividido o microfone com ninguém. A única vez que fiz isso foi em 2020, na Inocentes de Belford Roxo, e também foi muito bacana. Particularmente, não costumo dividir o microfone porque acredito que uma estrela deve brilhar. Mas, aqui na Mocidade Unida da Mooca, temos o Guilherme Cruz, o Gui Cruz, que tem uma estrela maravilhosa e uma aura fantástica. Ele soma muito, e nós nos encontramos musicalmente. Deu certo. Espero que esse trabalho continue funcionando até o carnaval”.

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Por fim, o cantor enalteceu completamente a comunidade da MUM. “Eu não tenho muito o que falar. Que comunidade! No primeiro ensaio, a escola já estava cantando e a comunidade estava abraçando o samba. E olha que foi apenas o primeiro ensaio de rua. Se o primeiro ensaio foi assim, aguardem o ensaio técnico. Como diz o meu presidente, Rafael Falanga: ‘Escola que canta ganha’. Essa é a frase”.

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De acordo com o mestre Dennys Silva, a escola estava planejando o ensaio há muito tempo. “A gente vinha planejando esse momento desde o lançamento do nosso samba. Gravamos há cerca de quatro meses e já estávamos ansiosos para começar os ensaios. Normalmente, pensamos em iniciar por volta de setembro, mas, como gravamos o samba antecipadamente, algumas mudanças foram feitas na melodia e percebemos que a comunidade já estava muito envolvida. Todo mundo já estava cantando nas festas dos pilotos, os encontros de alas já estavam acontecendo e o samba estava sendo cantado perfeitamente. Então pensamos: já antecipamos o samba e os pilotos, vamos antecipar também o ensaio de rua. Durante os últimos dois meses, fomos planejando as marcações de alas e definindo a quantidade de componentes. Os ritmistas também vêm ensaiando bastante, trabalhando os desenhos de tamborim, chocalho, agogô e cuíca. Finalmente, conseguimos chegar ao ensaio de rua. O último ensaio de bateria, na quarta-feira, funcionou como um pré-ensaio de rua. Foi muito bom e nos deu a certeza e a tranquilidade de que tudo daria certo”.

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Mestre Dennys Silva

Ensaio importante para realizar ajustes

Dennys falou da importância do ensaio para realizar os ajustes que a “Chapa Quente” precisa fazer e lembrou que ainda é agosto. “Temos muita coisa para ajustar. Ainda falta bastante tempo para o carnaval, e o ensaio foi importante justamente para avaliarmos o que funciona e o que precisa ser modificado. O principal ponto positivo foi perceber que encontramos um andamento confortável para os cantores. As bossas, apesar de algumas pequenas imperfeições, não prejudicaram em nenhum momento a melodia e não atrapalharam nenhuma frase do samba. Agora é limpar, ajustar, ensaiar bastante e trabalhar para entregar o melhor no carnaval”.

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No desfile de estreia, a bateria da MUM ousou bastante na avenida, especialmente em frente ao setor Monumental. Questionado sobre novas ousadias, o mestre se diz aberto a realizá-las. “A gente acata todas as loucuras que o presidente propõe. A Mocidade Unida da Mooca é uma escola que nasceu da ousadia. Vamos ver. A Mooca, a cada encontro, é uma surpresa e apresenta um movimento diferente. Todos os departamentos e setores são formados por gente jovem, que sempre tem uma ideia nova. Somos um time, e ninguém quer ser mais do que ninguém. Se a Sabrina ou o Jefferson me derem uma sugestão, com certeza vou comprar a ideia, desde que esteja envolvendo o enredo. Mas alguma surpresa já estamos preparando, porque tenho absoluta certeza de que todo mundo está esperando a Mocidade Unida da Mooca na Monumental novamente”.