
A disputa de samba do Salgueiro passou por mais uma noite de eliminatórias com a 1ª etapa da Chave Branca. A quadra da vermelho e branco recebeu a apresentação de sete sambas, após a desclassificação de duas composições por descumprimento de regras, e o resultado sairá nos próximos dias. A escola vai levar para a Marquês de Sapucaí o enredo “Laroyê, Xica da Silva: A história por trás da história” e será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. As eliminatórias continuam no próximo sábado, 22 de agosto, já com o chaveamento unificado.
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Parceria de Gerson Riosampa: A parceria que abriu a noite foi a dos compositores Gerson Riosampa, Claudionor Leite, Marcelo 100, Diego Tilin, Professora Tânia e Liane Harmonia, que contaram com uma torcida pequena. O refrão principal é o ponto alto do samba. Com esse começo, “Tragam os xequerês, dobrem os atabaques // Vai ter xirê outra vez nesse terreiro”, a música se pretende puxar um ritmo enérgico. Porém, a torcida pequena não empolgou o restante da quadra. Um ponto de atenção é a levada empregada pelos intérpretes. Alguns trechos, principalmente a segunda parte, necessitam de agilidade para pronunciar cada uma das palavras, mas percebeu-se que a emissão do canto produziu difícil entendimento.
Parceria de Ian Ruas: O trio de intérpretes Grazzi Brasil, Dowglas Diniz e Vitor Cunha puxou o samba dos compositores Ian Ruas, Caio Miranda, Zé Carlos, David Carvalho, Luiz Fernando, Luana Rosa, Fabiano Mattos e Carlão. Como uma das melhores apresentações da noite, a composição tem como recurso caminhos criativos, não óbvios e literais, ao se referir ao enredo. Um exemplo é a sutileza ao citar a representação de Xica da Silva no cinema, no teatro e na televisão com “Tal qual a trama da atriz // Que encenou, de uma vida, um capítulo só”. Além disso, o refrão principal se mostrou forte com os versos “Toda mulher tem direito à própria história // Meu Salgueiro é a memória que eu voltei pra consagrar”, assim como o refrão do meio, com impacto no verso “Meu corpo foi invasão, fetiche da branquitude!”. O samba sustentou a cadência intensa sem deixar cair o rendimento. Como resultado, o samba empolgou o público, além da volumosa torcida que a parceria contava.
Parceria de Rico Teixeira: A terceira parceria a se apresentar pela Chave Branca foi a de Rico Teixeira, Luiz Mangara, Darcy Maravilha, Carlinho Japona, Professor Claudio, Ananias, Marcílio Moreno, Professora, Jota Ailton e Romero. Interpretaram o samba-enredo Clóvis PE, Neto Braz, Robson Negreiros, Carol do Império e Thayan. Em aspecto de letra, os refrões se mostraram fáceis de decorar, pela repetição marcante de “Deixa a gira girar”, no refrão do meio, e de “Laroyê”, no refrão principal. Uma das melhores sequências de versos fica com “Todas marias, passistas e baianas são rainhas soberanas, diamantes do senhor // Nunca fui santa nem tampouco realeza, mas forjei minha nobreza gargalhando aonde vou // Nessa batida conto sem meia verdade que eu morro e de saudade do Tijuco, meu amor”. Mas é perceptível que os versos que citam as atrizes Taís Araújo e Zezé Motta ficaram descasados do resto do samba.
Parceria de T’Nem: Depois do Samba 10, foi a vez da parceria 02 subir ao palco. A composição desenvolvida por T’Nem, Renato Penna, André Monteiro, Chico Lero, DJ do Salgueiro Paulinho Letra, Wilsão do Salgueiro, Marcos Padrinho, Vinicius Ramos e Calazans foi puxada pelo intérprete Leandro Santos. Um traço interessante é que o refrão principal é curto e de fácil compreensão. Um ponto positivo é a ponte para o refrão principal, que começa em “Negra escola de samba, és minha inspiração” e termina com “Incorporada, quero ver quem vai segurar!”. A apresentação não teve problema de rendimento ou dificuldade de compreensão do samba. Portanto, fez uma passagem correta pela quadra do Salgueiro.
Parceria de Xande de Pilares: Em mais uma das melhores apresentações da noite salgueirense, Charles Silva defendeu com destreza a composição de Xande de Pilares, Fred Camacho, Betinho de Pilares, Miguel Dibo, Renato Galante, Jorginho Via 13, W. Correa, Orlando Ambrosio, Jefferson Oliveira e Rafael Gigante. Narrativamente, o samba é dividido em três partes e reúne equilibradamente as características da entidade e dos fatos históricos da homenageada, como fica marcado na sinopse. O refrão principal é cativante, com trechos que exaltam a personagem conectada à escola, por exemplo, em “A dona da casa quer girar furiosa no dendê” e “A moça incorporou na Academia”. O último refrão demonstra força ao descrever características importantíssimas de Xica da Silva e faz bom uso da alcunha em “Chegou a Xica que manda”. O intérprete e o apoio conseguiram sustentar bem o ritmo e a empolgação do samba. Aparentemente com a maior torcida da Chave Branca, os torcedores chegaram com grandes leques, bandeiras e balões, o que levou o público comum a interagir com a torcida.
Parceria de Marcelo Adnet: O intérprete da Acadêmicos do Viradouro, Wander Pires, apresentou o samba de Marcelo Adnet, Gustavo Albuquerque, Babby do Cavaco, André Capá, Bruno Zullo, Igor Marinho, Pedro Ayres, Sergio Pimentel, De Lima e Fabiano Paiva. O pré-refrão “Quero ver bater de frente com a escola de Xangô” esquenta o samba para chegar ao refrão principal. Sobre o refrão principal, observa-se a evidente referência ao samba campeão de 1963 em homenagem à Xica da Silva. Além disso, o refrão mais interessante da música é o do meio, com os versos “Avisa na casa grande meu nome é Francisca” e “Arreda, moço, Xica dá o que quiser”, em referência a Jorge Ben. Completando a lista de destaques da eliminatória, a parceria de Marcelo Adnet conseguiu manter a quadra empolgada; não houve momentos de queda de rendimento.
Parceria de Gui Salgueiro: Para fechar a madrugada, os compositores Gui Salgueiro, Daniel Rozadas, Marcão Campos, Fábio Teixeira, Geraldo da Valda, Dennis Garcia, Júlio James, Marcelo Peixoto, Ricardo Henrique e Walter Monteiro contaram com o talento dos intérpretes Luana Pinheiro e Guto Intérprete. A melhor parte do samba é a primeira, cuja força se expressa com versos como “Oi, gira saia, vento sopra, gargalhada […] É Mojubá, Senhoras da Academia”. Além disso, o refrão principal é potente e fecha bem com “Sou Xica da Silva e do Salgueiro”. Infelizmente, o começo da segunda parte tem versos que os intérpretes não foram capazes de pronunciar com segurança em alguns momentos, pelo ritmo com mais nuances nessa introdução.









