A festa dos enredos para o Carnaval 2027 mostrou que as escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro estão dispostas a transformar as apresentações de seus projetos em verdadeiros espetáculos. Entre emoção, teatralidade, dança, cenografia e recursos tecnológicos, as agremiações apostaram em diferentes caminhos para apresentar ao público as histórias que levarão à Marquês de Sapucaí. Algumas foram além da missão de explicar o enredo e entregaram momentos de forte impacto artístico, enquanto outras deixaram a sensação de que poderiam ter explorado ainda mais a riqueza de suas narrativas.

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UNIÃO DE MARICÁ: Abriu a noite na Cidade do Samba e pisou forte! Um componente representou Darcy Ribeiro, homenageado no enredo. A escola optou por contar o enredo de forma linear e didática. Ponto favorável, já que essa é a principal função do evento. Quem esperava uma extravagância de luxo e efeitos pirotécnicos viu uma escola de samba focada em mostrar que tem orgulho do enredo que levará para a Avenida em 2027. Uso muito bem feito do telão, com imagens que remetiam ao tema. Bonito o encontro do personagem Darcy com o casal Julinho e Rute. Promessa de uma estreia inesquecível no Grupo Especial do Rio de Janeiro.

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BEIJA-FLOR: O portal Caruana e Nilópolis segue aberto. A entrada de Dona Zeneida, aos 92 anos, homenageada do enredo, levou os presentes na Cidade do Samba às lágrimas. Sem dúvida, foi o momento mais emocionante da noite. Os componentes juntos no palco, cantando “Deusa da Passarela”, proporcionaram outro momento espetacular. É a família 100% Beija-Flor, a comunidade mais forte e representativa do carnaval, com Pinah e Neguinho presentes. O samba de 1998 funcionou como trilha da apresentação nilopolitana. Um grande trabalho artístico, tanto de figurino quanto de cenário. Porém, a exibição foi mais baseada na dança. Inclusive, teve o carimbó, do Pará, mas poderia explorar mais a teatralização do grande enredo para o Carnaval 2027.

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PARAÍSO DO TUIUTI: A escola de São Cristóvão caprichou no cenário da apresentação, levando grandes esculturas para o palco. Impecável! Uso muito bom do telão para explicar o enredo. A leitura do enredo é uma das mais fáceis para o desfile do ano que vem. Houve muita dança, mas poderia ter mais teatralização, aproveitando melhor a história de Tia Ciata. Acerto total fechar a apresentação com o samba-enredo oficial para 2027. Sem dúvida, a obra já desponta como uma das melhores do ano.

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VILA ISABEL: Trabalho cênico magnífico. Ficou clara a potência plástica que os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad poderão utilizar em 2027. Uso bonito da iluminação e da projeção dos integrantes no palco. Porém, houve muita dança, mas a teatralização e a oportunidade de contar o belo enredo para o desfile de 2027 foram pouco exploradas. Torto Arado oferece uma grande proposta estética e, acima de tudo, uma história densa e muito cultural. Muito bonito o intérprete Gera, no encerramento, cantando os sambas de 1989 e 1990. Sinal de que a Vila está engajada e voltada para si e para sua história de enredos e sambas políticos.

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MOCIDADE: Proposta muito atual da Estrela Guia de Padre Miguel. Defesa e orgulho do Sul. Proposta de marcar posição que cai perfeitamente no trabalho do carnavalesco Jack Vasconcelos. A escola formou o mapa invertido e trouxe bandeiras dos países latinos para o palco da Cidade do Samba. Um dos pontos altos foi a performance de uma cantora caracterizada como Gal Costa, cantando “Brasil, Mostra a Sua Cara”. Espetáculo do intérprete Evandro Malandro cantando “País Tropical” para a dança do casal Diogo e Rafaela.

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UNIDOS DA TIJUCA: Como no ano passado, mais uma vez, a escola do Borel faz uma apresentação técnica, explicativa e com emoção. A missão foi 100% cumprida: apresentou o enredo para o desfile do ano que vem. Uso muito adequado da teatralização e da dança. Um realismo fantástico. Trabalho potente, em um outro estilo, diferente de 2026, mas ainda seguro e que atende perfeitamente ao discurso que o carnaval pede atualmente. Novamente, entrou no grupo das melhores da noite.

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SALGUEIRO: Exibição espetacular da Academia do Samba. Recordar é viver, e o Salgueiro foi além. Aula técnica e com emoção, inclusive, lembrando o samba histórico de 1963. Abriu com a Xica que foi consagrada na Avenida, mostrou toda a potência da pombagira e encerrou com “sangue novo”, vitória e discurso forte e superadequado ao momento. A Xica que muitos não conhecem promete ser uma oportunidade salgueirense para fazer história na Marquês de Sapucaí. O Salgueiro deu o recado de que o sonho do décimo título não é utopia. Pelo contrário, é real. Afinal, Xica pode tudo!

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IMPERATRIZ: Deixou claro para todos que é uma das favoritas aos primeiros lugares em 2027. O estilo avassalador segue presente. Trabalho harmônico impecável. Pitty de Menezes e a ala musical foram fundamentais para o sucesso da apresentação. A cada laroyê do intérprete, a boneca respondia. Arrepiante! Dona Júlia, em uma caixa com a palavra “frágil”, arrancou suspiros do público. Ela evoluiu, dançou e fez a saudação para o pavilhão gresilense. Figurinos exuberantes. Qualidade padrão da gestão da presidente Cátia Drumond. Encerramento no nível mais alto possível, com os potentes sambas da escola de Ramos. A “macumbada de Leandro Vieira” desponta como um dos desfiles mais aguardados de 2027.

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PORTELA: Paulo Barros está em casa na Águia. A ideia do uso de IA (Inteligência Artificial) funcionou muito bem na “conversa” entre o carnavalesco e Monarco. Impactante! Ousado! Moderno! Foi Paulo Barros na veia. Em nenhum momento desrespeitoso. Pelo contrário, foi visível a emoção do artista e da esposa do homenageado, Olinda, presente no palco. A Velha-Guarda portelense cantou e emocionou. A exibição poderia abrir mais a setorização do desfile e a história que será abordada pela escola. Paulo Barros, artista que revolucionou os desfiles, não entra apenas para participar: ele mexe com todos e gera debates e mais debates. O ano de 2027 será de pura emoção!

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VIRADOURO: Tem que aturar! A atual campeã do Grupo Especial fez uma exibição brilhante. Seguiu a cartilha da nota 10 perfeita. Apresentou o enredo com muitos detalhes explicativos. Deu sinal de que o bi é muito possível. Um componente representando o griô comandou a apresentação. Fundamental a entrada de Exu, Nanã e Iroko para contextualizar a cultura de contar histórias. A rainha de bateria, Bellinha Delfim, participou ativamente, sambando em todos os sambas cantados como homenagem às outras 11 escolas do Grupo Especial. Ciça, homenageado de 2026, acompanhou tudo do palco. Lindo reconhecimento da Viradouro para todos os sambistas, que um dia vão ser baluartes, e da importância das escolas em contarem suas histórias. Todos os logos dos enredos de 2027 fecharam a exibição.

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GRANDE RIO: Linda imagem no telão na abertura. O pássaro abraçando o retorno. A escola trabalhou mais a dança do que a teatralização. Houve capricho nos figurinos. Linda entrada do casal Daniel e Taciana. A bandeira de Gana esteve presente com os componentes de Duque de Caxias. Foi possível ver a diversidade plástica que poderá ser utilizada pelo carnavalesco Antônio Gonzaga. Promessa de um banho de africanidade. O intérprete Ito Melodia cantou forte e mostrou que está totalmente adaptado ao sentimento caxiense. O histórico samba de 2022 não podia faltar no encerramento da exibição.

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MANGUEIRA: Abertura impactante da Verde e Rosa. Teve trovoada e o búfalo. Feroz e, ao mesmo tempo, protetor. Sinal da Mangueira de que representatividade não faltará no desfile do ano que vem. Trabalho cenográfico de alto gabarito, e a performance na dança também merece elogios. Poderia explorar mais a teatralização. Um dos momentos mais emocionantes da noite foi Oyá abençoando o pavilhão e entregando-o para a porta-bandeira Cintya Santos. Simbolismo espetacular! Poderosa, a rainha de bateria Evelyn Bastos surgiu e deu espetáculo no palco. A Cidade do Samba explodiu de felicidade quando o intérprete Dowglas Diniz cantou o samba de exaltação para encerrar o show da Estação Primeira.