Compositores: Egildo de Nilópolis, Adilson Doutor, Valdir do Samba, Cypriano Poeta, Jucelino Leite

Beija-Flor abriu as asas na imensidão
Sopra o louro, clareando a escuridão
No terreiro da encantaria eu vou girar
Caruanas faz meu povo prosperar

Nas águas do Marajó, nasceu a luz da pagerama
Borboletas anunciaram o despertar da chama
A mata inteira festejou sua missão
Quando o Beija-Flor guardião posou no coração

Vem do Daomé a bravura ancestralDos povos da floresta o dom celestial
Folha por folha aprendeu a curar
O banzeiro e a lua ensinaram a caminhar

Vi três seres azuis surgindo da amplidão
Era o chamado da encantada dimensão
Anhanga lançou sua flecha de poder
Para Zeneida compreender o seu viver

Mestre Mundico abriu os caminhos da verdade
Revelando os segredos da ancestralidade
Maracá firmou a ponto para o além
E o encanto espantou aquilo que não faz bem

Êêê Beija-Flor ecoou o tambor da natureza
Meu Beija-Flor teu olhar é meus sonhos a voar
Sou Marajó, sou resistência, sou devoção
Nazaré e os caruanas na mesma oração

Hoje a escola-floresta é o seu altarOnde a infância aprende a sonhar
Cerâmica, cultura e preservação
Semeando o futuro na palma da mão

Se Deus me deu, vou preservar
É o legado que ficou no ar
Quando o mundo perder a direção
Sopra o pó de louro no coração

Beija-flor chegou soberana da baixada
Zeneida vive aqui, vive aqui agora eternizada
Faz sombra na árvore da posteridade
Encantando gerações
Com paz e amor e liberdade