wagner tatuape
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O próximo desfile do Carnaval de São Paulo será especial para um dos vínculos mais duradouros da cidade em relação a escolas de samba e profissionais São Paulo: em 2027, Wagner Santos completará dez anos assinando desfiles da Acadêmicos do Tatuapé. Com um título e seis retornos ao Desfile das Campeãs em nove desfiles, o relacionamento entre o carnavalesco e Escola da Emoção é muito celebrado. Para saber qual a avalição de escola e carnavalesco sobre todo o trabalho desenvolvido, o CARNAVALESCO ouviu os quatro presidentes da agremiação e o próprio Wagner Santos na Feijoada de São Jorge de 2026, que revelou “Congo Kinshasa: O Coração da África, A Herança Viva de Um Povo Que Resiste ao Tempo” como enredo da Acadêmicos do Tatuapé para 2027.

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Antes, o profissional

Ainda impactado pelo anúncio do enredo da escola para o décimo ano na agremiação, Wagner destacou, além da escola, outra apresentação histórica e o povo da agremiação: “Eu descrevo como uma parceria de sucesso. A gente tem se comunicado bem, a gente tem feito o melhor que a gente pode, a gente tem dado o melhor de si para a gente apresentar sempre um trabalho com uma proposta sempre com um diferencial. Mas carnaval é aquela coisa: sempre acabamos, de alguma forma ou de outra, caindo em alguma coisa que já foi feita. Quando se vem com uma proposta semelhante a uma que foi muito importante (o primeiro título da Tatuapé veio quando a escola falou de África), passei a lidar com uma responsabilidade muito grande, de ter que corresponder a essa expectativa da comunidade. Eu estou me preparando psicologicamente para corresponder a essa comunidade para que a gente possa fazer um grande trabalho. Estou tendo parcerias e apoio da direção da escola para que esse trabalho seja feito com excelência para o Carnaval de 2027”, destacou.

Reflexões

Erivelto Coelho, um dos presidentes da Acadêmicos da Tatuapé, começou utilizando uma característica da agremiação como um todo para falar do profissional: “O Tatuapé tem uma forma de gestão muito humana, isso é fato. Todos os profissionais que passaram pelo Tatuapé eles duraram muito tempo. E, se acontecer alguma coisa que, por algum momento, a gente teve que fazer algum tipo de mudança, é porque às vezes houve um desencontro – e, para não estragar a amizade com ninguém, é melhor interromper o ciclo. Com o Wagner é um casamento longo – talvez seja o carnavalesco que mais tempo esteve aqui no Tatuapé. É o mais antigo do Carnaval de São Paulo no Grupo Especial, não tem o que falar. É o carnavalesco, juntamente com o Jorge, que mais voltou para o Desfile das Campeãs na história do Carnaval de São Paulo. Um profissional ímpar, um profissional humilde, um cara que a gente nunca teve qualquer tipo de briga com ele aqui. Nunca, nunca, nunca. Quando a gente inicia um projeto, o Wagner chega aqui e pergunta o que a gente quer que ele faça. O enredo do Congo foi o maior exemplo: a gente trouxe toda a história, desenvolveu junto com o pessoal da embaixada e ele trouxe a parte criativa”, destacou.

O senso coletivo da azul e branca também foi relembrado pelo mandatário: “O Tatuapé tem um sistema que consegue dar um respaldo muito grande para qualquer tipo de profissional. Você vê o Celsinho, o brilhantismo que ele tem aqui. Mas olha a Ala Musical que tem por trás dele. Você pega o nosso casal de mestre-sala e porta-bandeira, todo o aparato, um monte de gente ajudando com parte técnica e academia. A gente procura dar um respaldo para que o profissional consiga render. E com o Wagner não tem sido diferente: ele entendeu desde o primeiro ano que ele chegou aqui. A Tatuapé nunca foi uma escola de patrocínios. A Tatuapé nunca foi uma escola que pudesse fazer o carnaval dos nossos sonhos e nem do dele. A gente teve um período muito complicado aqui porque, para ganhar dois títulos, nós tivemos que praticamente vender os dois rins. Esses dois títulos deixaram contas muito altas aqui, porque a gente teve que investir alto em desfiles. A escola passou a trabalhar num vermelho por quatro ou cinco anos e o Wagner sempre encarando a situação”, orgulhou-se.

erivelton tatuape

Em outro momento, Erivelto voltou a falar de tal ponto: “Não é somente o Wagner: todos os profissionais vão continuar aqui por muito tempo. Enquanto a gente estiver feliz e eles também, isso é o que importa. Você vê o Cassiano, que recentemente renovou por cinco anos. Isso é apostar no cara. Diego, Jussara, Léo Helmer… a gente acredita no profissional. A gente sabe das nossas limitações e eles têm que entender: tudo o que a gente faz aqui é procurando dar a maior e melhor condição do mundo para eles. Pode acontecer da forma esperada ou não, mas falta de carinho e respeito com todos eles nunca faltou e nunca vai faltar com nenhum profissional aqui”, prometeu.

Características pessoais e profissionais também foram pontuados pelo presidente: “É de uma humildade, ele se reinventa toda hora… você vê que a gente teve dez carnavais e nem um é igual. As pessoas falam, criticam, falam sem conhecimento, mas pegue os nove abre-alas do Wagner e vê se um lembra o outro. Os haters de plantão criticam, mas isso não nos abala. A gente tem muito pé no chão aqui para entender quem é que está nos dando frutos, quem é que está rendendo. E a gente sabe a hora que é para parar ou não. O Wagner ainda tem muita lenha para queimar. Um artista que você pega qualquer tema e ele desenvolve”, refletiu.

Outra paixão nacional também foi citada logo na sequência: “As pessoas não entendem que o carnaval é como o futebol. Não basta ter um bom elenco, ou um elenco ruim. Basta ter uma equipe comprometida, entendendo quais são as suas limitações e jogar. No Carnaval é igual: o bom carnavalesco não é aquele que faz com dinheiro ou aquele que faz sem dinheiro – é aquele que dura muito tempo no processo e no cargo. Eu tenho certeza absoluta que, no dia em que o Wagner sair daqui, ele arruma emprego meia hora depois. Por onde ele passou, as portas ficaram abertas. É um profissional que a gente não tem o que falar”, comemorou.

Por fim, Erivelto destacou a própria jornada do carnavalesco na cidade de São Paulo: “A história de um carnavalesco não se restringe só pelo resultado de Carnaval. Embora a vida do Wagner tenha isso pautado, se você olhar as escolas que ele fez ao longo da carreira, nenhuma tinha patrocínio nem tanto dinheiro. Ele pegou a Vila Maria no Grupo de Acesso, apostou na escola. Ele saiu de uma cidade para ir para a Vila Maria. Ele pegou a Tucuruvi, que há muito tempo não voltava para as Campeãs. Manteve a Vila Maria nas Campeãs em todos os anos em que ele esteve lá. A gente está falando da Vila Maria em um período de construção – e, na Tucuruvi, idem. No Tatuapé, idem. Já éramos campeões, mas sempre fomos uma escola que sempre deu fantasia e nunca teve patrocínio, embaixo do viaduto, doando três mil fantasias. Não tem milagre: ele fez o que comportava – e, graças a Deus, os resultados vieram. Alguns que a gente não esperava, outros que a gente ficou decepcionado, mas faz parte do jogo”, encerrou.

Admiração

Outro dos presidentes da Acadêmicos do Tatuapé, Eduardo Santos começou destacando o histórico profissional e a capacidade de Wagner Santos enquanto carnavalesco: “É uma benção a gente poder contar com um profissional como o Wagner Santos, que é um cara maravilhoso e que nos ajuda demais, encara todos os desafios com a mesma dignidade, com o mesmo brilho e com o mesmo talento. É um trabalhador do Carnaval e já passou por várias escolas importantes aqui do Carnaval de São Paulo, mas, para nós, é um privilégio poder contar com ele. Agora, no seu décimo ano aqui com a gente, no nono desfile, é um motivo de muita honra e de muito orgulho poder contar com um profissional desse tamanho e dessa grandeza. É um cara que nos ajuda demais, demais mesmo”, comentou.

Depois, o mandatário destacou virtudes pessoais do profissional: “Falar do Wagner, para nós, é até emocionante porque é emocionante a maneira como ele se dedica, a maneira como ele trabalha, a maneira como ele compreende as nossas necessidades. É um cara muito importante para nós, uma pessoa que, graças a Deus, está com a gente há dez anos, e, se depender da gente, vai ficar mais dez, mais vinte. A gente não consegue, hoje, imaginar o desenvolvimento de um Carnaval sem a presença dele. Além de tudo, é uma pessoa humilde, uma pessoa dedicada, uma pessoa de muito caráter”, disse.

eduardo tatuape

Por fim, Eduardo Santos destacou que Wagner é parte de uma engrenagem cheia de peças importantes na agremiação: “É uma benção para o Tatuapé poder contar com um time tão valioso, com um time que é o conjunto de todos eles, se tornando decanos no Tatuapé: Celsinho Mody, Diego, Jussara, Léo Helmer, Wagner Santos… graças a Deus, nossa escola é uma escola abençoada por poder contar com essas pessoas por todo esse tempo, fazendo a cada ano um desfile melhor do que o outro, a cada ano cumprindo o objetivo de fazer o melhor desfile da nossa vida. O Wagner é uma peça fundamental nesse sucesso. Sem dúvida nenhuma, o Tatuapé não seria o mesmo sem esses talentos todos que eu falei, mas principalmente sem o Wagner Santos”.

Sucintos

edusambista tatuape

Os outros dois presidentes da agremiação sintetizaram o quanto confiam em Wagner Santos. O primeiro deles foi Edu Sambista: “O Wagner Santos é uma pessoa muito profissional, muito responsável, e é uma pessoa que, acima de tudo, realmente vestiu a camisa do Tatuapé. Hoje, ele é um membro da família Tatuapé. Isso é o que faz a diferença, porque o trabalho, é feito não apenas profissionalmente, não por conta de um contrato – mas, sim, por amor. E, quando o amor está envolvido, em qualquer questão nessa vida, tudo acontece de uma maneira diferente. Os resultados são melhores. O Wagner Santos, hoje, é uma pessoa que nós, da diretoria do Tatuapé, não conseguimos ver a escola sem a figura dele”, destacou.

toninho tatuape

Antônio de Castro, popularmente conhecido como Toninho, foi pela mesma linha: “A resposta sobre a qualidade profissional dele está aí: são dez anos com a gente! É um profissional sensacional, bem articulado, muito respeitoso. Ele tem uma vibe muito boa de trabalho com a gente. Deu sintonia, deu liga. O que a gente espera é que sejam vinte anos com ele, porque ele é maravilhoso. É muito bom trabalhar com ele”, finalizou.