
Sidnei França chega ao seu terceiro carnaval à frente da Estação Primeira de Mangueira sem intenção de ruptura. Após “Mestre Sacaca”, em 2026, e “À Flor da Terra”, em 2025, o carnavalesco prefere falar em “progressão de acomodação”, uma evolução gradual dentro de um estilo que considera já estabelecido, a anunciar mudanças no modo de trabalho. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele falou sobre o desejo de manter a identidade de enredos potentes, capazes de reafirmar a verde-e-rosa como uma “contadora de Brasil”. Para 2027, Sidnei quer aprofundar a estética: fantasias cada vez mais leves e carros alegóricos mais vazados e menos totêmicos.
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“Cada vez mais quero consolidar o meu estilo de carnaval arrojado, carros mais vazados, menos totêmicos para entregar uma Mangueira cada vez mais conectada com o seu futuro, olhando para frente além de olhar para o passado”, declarou. Sidnei também declarou que a tendência por fantasias mais leves não é só sua: “todo o carnaval tem debatido sobre isso”.
Oyá Por Nós: um enredo catarse
Para o Carnaval 2027, a Estação Primeira de Mangueira levará para a Avenida o enredo “Oyá por Nós”. Embora Oyá não faça parte da ancestralidade fundadora da Mangueira, Sidnei reconhece que o enredo fala da aproximação entre a Orixá e a escola.
Para ele, essa relação se intensificou nos últimos anos a partir de três fatores: o enredo de 2016, “Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá”, que tornou Iansã uma presença cada vez mais frequente no imaginário da escola; o histórico feminino e matriarcal da Mangueira; e a eleição de Guanayra Firmino à presidência, “uma mulher preta de Oyá”, nas palavras de Sidnei.
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“Uma escola tão feminina, de um matriarcado tão forte, e que tem uma comunidade que se autodenomina combativa, aguerrida, apaixonada e de luta, aos poucos [essa ideia] foi colando”, disse o carnavalesco.
Para Sidnei, emoção é o tom do que a Mangueira quer levar para a Marquês de Sapucaí no próximo ano. “Será um desfile primeiro para sentir, depois para entender”. A escolha do enredo, segundo ele, tem relação direta com o momento da escola. “Faz sentido trazer para a Mangueira, no pré-centenário, já um enredo quente, um enredo potente, que entrega a Mangueira em alta temperatura”, disse.

