
A Beija-Flor realizou na última quinta-feira a semifinal de sua disputa de sambas-enredo para o Carnaval 2027, em uma noite de quadra lotada e de forte mobilização das torcidas. Entre os seis sambas que subiram ao palco, as apresentações de Diogo Rosa e Marquinhos Beija-Flor foram os principais destaques, enquanto Júnior PQD e a escola de samba paraense Bole-Bole, de Belém, também apresentaram credenciais para a grande final. As obras que chegaram à reta decisiva têm nos refrões um de seus principais trunfos, com diferentes momentos de forte resposta da quadra. A decisão acontece na próxima quinta-feira, quando será escolhido o samba que embalará o enredo “Zeneida: O sopro do pó de louro”, do carnavalesco João Vitor Araújo. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO dos quatro sambas classificados.
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Parceria de Diogo Rosa: Tinga e Charles Silva conduziram a apresentação do samba de Diogo Rosa, Julio Assis, Kirraizinho, Manolo, Clay Ridolf e Dr. Luiz Claudio em uma passagem marcada pela força do carro de som e pela participação intensa da quadra. Antes mesmo do início, a numerosa torcida já se posicionava com referências à Amazônia, acompanhada por bateria própria, sons de pássaros e elementos cenográficos que remetiam ao universo de Zeneida Lima. No palco, Tinga imprimiu vigor à apresentação e contou com um grupo de apoio eficiente, mantendo a obra sustentada e com bom rendimento durante todas as passadas. A presença dos segmentos da escola também ajudou a ampliar o volume do canto e a criar um ambiente próximo ao de um desfile oficial. Na passagem destinada à torcida, cantada à capela, o samba 01 cumpriu bem a proposta. O canto perdeu um pouco de intensidade na segunda metade, mas a quadra recuperou rapidamente a força na chegada do refrão principal, justamente o momento de maior impacto da apresentação. O conjunto cenográfico, com uma pequena alegoria móvel e a representação da pajé, completou uma performance de forte apelo visual e bastante participação popular.
Parceria de Marquinhos Beija-Flor: Com Pixulé à frente, o samba de Marquinhos Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Ronaldo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire encontrou na força coletiva da quadra seu principal combustível. Antes mesmo do início da apresentação, a torcida já cantava aquele que é o refrão mais ‘chiclete’ da disputa. Acompanhado por atabaques, o clima de animação se manteve até o início da apresentação. Quando os cantores assumiram a condução, o desempenho do carro de som se mostrou consistente, com Pixulé liderando uma interpretação segura. Os segmentos da escola, especialmente a harmonia, tiveram participação expressiva e contribuíram para que o samba ganhasse corpo ao longo da apresentação. A quarta pesada reservada à torcida apresentou um canto firme, mesmo com uma proposta visual mais simples, baseada em bandeiras azuis e brancas. A transição até o refrão principal foi outro ponto positivo: a quadra respondeu de maneira crescente e transformou a chegada do trecho em um dos momentos mais fortes da noite. Embora a apresentação não tenha alcançado o mesmo nível de outras passagens da parceria na temporada, o samba 13 terminou a noite demonstrando força suficiente para seguir com credenciais à final.
Parceria de Júnior PQD: O samba de Júnior PQD, Ailson Picanço, Junior Billy Mandy, Geraldo, M. Felício, Marquinho Paloma e Marcelo Moraes teve Pitty de Menezes como responsável pela condução do carro de som. A apresentação começou cercada por uma torcida numerosa e bastante mobilizada, que já vinha cantando o refrão principal antes da entrada dos intérpretes. Pitty apresentou ótimo rendimento ao longo de toda a passagem, com uma interpretação segura e bem apoiada pelos demais cantores. O desempenho vocal manteve o samba estável, enquanto a torcida acrescentou um componente cênico importante à disputa, com fantasias, um tripé e a representação de Zeneida Lima. No momento reservado ao canto da torcida, a escola respondeu de forma satisfatória. Houve uma queda perceptível de intensidade depois do refrão do meio, mas o rendimento foi recuperado na sequência e ganhou novo impulso com a chegada do refrão principal. O trecho voltou a mobilizar a quadra e reforçou uma característica que marcou a apresentação: a capacidade do samba de provocar uma resposta coletiva forte nos seus momentos de maior apelo.
Parceria da escola de samba Bole-Bole (Belém – PA): Vencedora da etapa da disputa em Belém e semifinalista em Nilópolis, a obra de Herivetto Martins e Silva, o Vetinho, fechou a noite com uma apresentação vigorosa e bastante celebrada pela quadra. A torcida paraense, embora naturalmente reduzida diante da dimensão da disputa em território nilopolitano, se mostrou animada e participativa, contando ainda com o apoio de simpatizantes presentes na quadra. No carro de som, Wantuir ajudou a conduzir uma passagem segura, que encontrou boa resposta do público. Musicalmente, o samba apresenta uma melodia envolvente e de construção progressiva, com destaque para a força do refrão principal. A obra também se beneficia de uma narrativa em primeira pessoa, colocando Zeneida como personagem e narradora de sua própria trajetória. O recurso aproxima o ouvinte da história e permite que diferentes momentos de sua vida sejam apresentados de maneira encadeada, desde a infância marcada pela encantaria até a descoberta de sua missão e a atuação em defesa da natureza e da cultura. A letra percorre elementos da pajelança, da ancestralidade e da religiosidade amazônica, incorporando referências como a figura de Maria Mineira Naê Agotime, o avô pajé e a devoção a Nossa Senhora de Nazaré. O samba constrói, assim, uma personagem que se apresenta como herdeira de saberes ancestrais e responsável por preservar um legado. O trecho “plantei uma escola-floresta” sintetiza essa dimensão de transformação do conhecimento em ação, enquanto as referências ao maracá e ao carimbó reforçam a identidade cultural paraense. O refrão principal é o grande ponto de chegada da obra. De melodia marcante e fácil assimilação, “Xerequê, Xerequê” cria uma assinatura sonora forte e conduz a narrativa para a ideia de equilíbrio do mundo e do legado de Zeneida. No conjunto, a Bole-Bole apresentou um samba de identidade própria, com boa fluidez melódica, narrativa bem definida e capacidade de comunicação. A boa recepção em Nilópolis mostrou que, mesmo vindo de uma disputa regional e com uma torcida numericamente menor, a obra conseguiu conquistar espaço e terminar a noite em alta.









