ESTACIO sambas
Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

A Estácio de Sá realizou, na última sexta-feira, seu primeiro corte de sambas na eliminatória para a escolha da obra que irá embalar o desfile da escola em 2027. Onze parcerias se apresentaram em uma noite de boas exibições, e oito seguem para a próxima semana de disputas. As parcerias de Negreth, Jean da Cruz e Ian Araujo foram eliminadas. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO sobre a passagem dos sambas classificados.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Parceria de Alexandre Naval: O samba de Alexandre Naval, Daniel Gonzaga, Marlene Povão, Clairton Fonseca, Marquinho Paloma, Ricardo Construção, Hugo Fiscal, André Alho, Jeferson do Estácio, Guga Martins e Ailson Picanço apresentou um refrão principal de bastante força e letra aguerrida: “Nasci pra vencer demanda nesse chão que me criou, celeiro de bambas, meu grande amor, oh São Jorge padroeiro vem trazendo todo orun, chegou o berço do samba, não é qualquer um”. O trecho mostrou um bom rendimento em todas as passadas. A primeira parte da obra apresentou variações melódicas de boa qualidade, como no trecho “um ponto firmado, cantado, pra um orixá… samba de sambar, um preto vencendo no asfalto não dá pra parar… deixa falar”. A segunda parte é mais curta, e a melodia casa bem com a poética do trecho. Os versos “pedi ao céu pra colorir, estrelas vermelhas brilhando no alto do morro” são o maior destaque. Pitty de Menezes comandou o samba com a categoria habitual, e a obra abriu a noite em grande estilo.

Parceria de Claudio Russo: O samba de Cláudio Russo, Gustavo Clarão, Júlio Alves, Thiago Daniel, Magrão do Estácio, Adolpho Konder, Laura Romero, Binho Teixeira, Juliana Madi, Tinga, Hugo Bruno e Marquinhos Beija-Flor foi defendido por Tinga e Vandinho Pires. A dupla comandou um desempenho de bastante pujança e empolgação durante as três passadas. O refrão principal, “deixa falar quem quiser, deixa falar ancestral, sou a primeira, acabou, ponto final, é centenário o maior dos sentimentos, eu sou Estácio antes do meu nascimento”, une uma letra de fácil assimilação com uma melodia que joga a obra pra cima. A primeira parte do samba relata o surgimento da agremiação e tem ótima fluência melódica. A segunda parte é outro destaque da obra, com versos muito bem construídos, como “a voz de um pássaro cantor e um Bicho Novo bailando sutil”, lembrando o célebre mestre-sala e um dos fundadores da então Unidos de São Carlos. Uma passagem quente durante toda a apresentação.

🔍 Adicione o CARNAVALESCO nas suas fontes favoritas do Google

Parceria de Claudinho Raiz: A obra de Claudinho Raiz, Fernandão, Niquinho Azevedo, Nego Wando, Sérgio das Merces, Cecília das Merces, Emanuel Apoteose, Berg Responsa, Irani Montenegro, Guarda Kuhn, Crenilda de Castro, Gabriel Amaral, Marvel Balassiano, Claudinho do Pagode e Anderson Benson teve como intérpretes Ito Melodia e Wic Tavares. Ito, no seu estilo, esquentou a passagem do samba, que teve um bom desempenho, principalmente nas duas primeiras passadas. O refrão principal teve um rendimento contagiante, com os versos “quem vem lá, é a Estácio de Sá, deixa falar, a inspiração, sou raiz, comunidade, tenho um leão tatuado em meu coração, berço do samba embala a minha emoção”. A melodia mostrou menos variações, sobretudo na segunda parte, apesar de sustentar bem na primeira, com versos como “as damas da noite enamorei à luz da lua, encontrei novas moradas e o batuque continua”. Na última passada, o samba teve uma leve queda, voltando a subir no refrão.

Parceria de Samir Trindade: O samba de Samir Trindade, Jeiffer, Deiny, Deco, Victor Rangel, JP Figueira, Ricardo Castanheira e Gabriel Aganett foi cantado por Tiganá. A obra obteve um ótimo rendimento, calcado em uma letra mais narrativa na primeira parte, culminando em um excelente refrão central: “mãe baiana iluminada, hoje eu sou o teu espelho, quem tem capa encarnada tem sangue branco e vermelho”. A segunda parte é mais emocional, uma declaração à instituição centenária. A melodia passeou por um lirismo e embalou perfeitamente o samba, sem perder força durante sua apresentação, com pontos de destaque como os versos “me perdoe se eu chorar, te amo tanto, me coloco aos seus pés, sigo teu manto”. Uma boa apresentação de um samba muito bonito.

Parceria de Diego Nogueira: A obra de Diego Nogueira, Batista Coqueiral, Júlio Page, Luciano Fogaça, Cecília Cruz, Osmar Fernandes, Juninho do Estácio, Cláudio Altamirano, Rian Rodrigues, Argentina Caetano, Paulinho ZC, Max Toledo, Gilsinho da Vila, Vânia Moraes, Rafael Almada, Leandro Netto e Danielzinho foi defendida por Dowglas Diniz. O samba apresentou uma melodia bastante funcional e mais convencional, com alguns momentos interessantes, como a subida no refrão central: “quem vem lá, quem vem lá, um pavão tão lindo e a Estação Primeira, vem de lá, vem de lá, Paulo da Portela e a Vizinha Faladeira”. A letra tem uma característica mais descritiva do que poética, em trechos como “olha a Estácio chegando, deixa explodir a emoção, canta estaciano, de Bicho Novo a Marlene Pavão”. O refrão principal, “sou Estácio de Sá, do santo guerreiro, cria do São Carlos, cria de terreiro, quilombo maior, igual ninguém viu, primeira escola do nosso Brasil”, teve ótimo funcionamento, e o samba como um todo passou bem.

Parceria de China do Estácio: Wantuir e Vitor Cunha cantaram o samba de China do Estácio, Filipe Medrado, Cláudio Mattos, Oliveira, Jonathan Tenório, Herval Neto, Kaê Destri, Marcelo Maguila e Grassano. Um samba construído em tom maior, apesar de algumas variações melódicas. A letra é muito bonita, calcada em um refrão principal poético que passou muito bem durante a apresentação, com os versos “quem deixa falar a voz do coração, faz do samba procissão no axé do terreiro, se for matar-me de amor, deve lembrar que eu sou Estácio, filho de Jorge Guerreiro”. Essa poesia está presente em boa parte da obra, permeando a narrativa. A segunda parte acaba soando um pouco menos criativa, mas o samba teve um desempenho forte durante as três passadas.

Parceria de J. Batista: Igor Pitta comandou o samba de J. Batista, Jair do São Carlos, César Nascimento, Regina Barcelos, Orlando Júnior, Carlos Dapoza e J. Palhinha. A obra conseguiu uma passagem agradável, com um bom rendimento do seu refrão principal: “sou eu a primeira escola, deixa falar quem quiser, Estácio, reduto de bambas, o verdadeiro berço do samba”. A melodia se mostrou redonda, com variações simples, mas que sustentaram o rendimento do samba. A letra seguiu a simplicidade, sendo mais descritiva, sem momentos de maior destaque poético.

Parceria de Gabriel Machado: O samba de Gabriel Machado, Diego Thekking, Iverson Mendes, Allyson Elias e Waguinho Melo teve Tem-Tem Jr. no microfone principal. A obra fechou a noite com uma passagem de muito bom nível, mostrando uma primeira parte bastante inspirada, fugindo de versos mais batidos, como no trecho “linho branco nas vielas, um marafo nos bordéis, dedilhando poesias, na mesa parceiros fiéis”. O forte refrão central, “firma o ponto, na encruza a fogueira clareia pra Ogum, meu rancho marcha chamando o luar, companhia de malandro é a lua cheia, batuqueiro sobe a caixa, é samba de sambar”, manteve o bom padrão. Já a segunda parte teve um rendimento aquém, apesar de bonitos versos como “paixão centenária não é desengano, sangue vermelho é o orgulho de ser estaciano”. No geral, foi mais uma boa apresentação.