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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O mês de julho de 2026 promete ser intenso para o Vai-Vai. Maior campeã do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, a Escola do Povo realizou, pela primeira vez na história, um Pré-Esquenta, para começar a unir a comunidade já no início do segundo semestre. Em um misto de ensaio geral com show, a agremiação realizou o evento no Carioca Club, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, no último sábado. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO esteve presente no local para conferir o Pré-Esquenta e conversar com nomes importantes do Vai-Vai.

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Inovação para a comunidade

A expressão Pré-Esquenta pode soar estranha para muitos, mas, na prática, a reportagem conferiu que funciona. Dentro do planejamento do Vai-Vai para 2027, a Saracura não pode deixar a peteca cair no ânimo. Quem afirmou é Paulo Mello, presidente da agremiação: “A ideia de fazer um Pré-Esquenta surgiu para que a gente pudesse iniciar um esquenta, já com um pré-ensaio. A gente já tem mais ou menos a data, já para o mês de julho, para fazer um Esquenta de fato, a gente só está aguardando a final da Copa do Mundo. A comunidade do Vai-Vai é aquecida, o Carnaval não para nunca para a gente. Terminou o carnaval, a Fábrica do Samba já está a todo vapor, o enredo… a gente já construiu a questão do enredo e a comunidade está sentindo falta desses ensaios. A gente está fazendo esse Pré-Esquenta para iniciar os nossos ensaios, e, daí para frente, seguir no ritmo rumo ao carnaval”, destacou, indicando que virão mais eventos por aí.

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Do povo e da rua

Tida como a escola não-desportiva que tem a maior torcida do Carnaval de São Paulo, o Vai-Vai se orgulha da força da própria comunidade. Um dos reflexos disso é o canto da agremiação, de acordo com Mello: “A comunidade do Vai-Vai é uma comunidade que já está acostumada em ter muitos eventos ao longo do ano. Essa comunidade é mais aquecida na rua, é aquecida na quadra… a gente aproveita os ensaios de quadra para fazer ensaios de canto, também. Como a gente não tem uma quadra ainda, o Vai-Vai não conseguiu ainda um espaço para chamar de quadra, a gente costuma fazer e intensificar os ensaios de rua. E é isso que a gente propõe nesse ano – principalmente porque gente já está no carnaval em janeiro, praticamente. Já nesse mês tem que estar tudo pronto. A proposta é ir para a rua: a gente tem um planejamento de ensaio de rua e a gente fortalece muito o ensaio de rua na Bela Vista também, que é a nossa casa, a nossa raiz, a nossa essência”, pontuando que a agremiação está organizada para o próximo ciclo.

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Guardiões de nota

Em entrevista, a gestão deixou claro o quanto investirá em eventos para o próximo ciclo carnavalesco. E para quem defende um segmento? A reportagem conversou com Luiz Felipe, popularmente conhecido como LF, intérprete do Vai-Vai, que gostou do que viu no Carioca Club: “O Vai-Vai é uma escola que não fazia muitos eventos de meio de ano, mas está vendo o mundo do Carnaval fazer. Principalmente em São Paulo, acaba um Carnaval e já se começa o próximo. Hoje, o povo só espera até a Páscoa, respeitosamente, para tocar os projetos. O Vai-Vai já vem se adiantando juntamente com as demais escolas e isso é muito bom. Vai se afunilando e já vai se aproximando, se agrupando, se unindo em busca de um próximo Carnaval. Carnaval esse em que queremos um resultado bom para tirar essa corda do pescoço”, disse.

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A referência final na fala do intérprete foram os últimos resultados da agremiação: em 2026, o Vai-Vai ficou apenas uma posição acima da zona de rebaixamento do Grupo Especial com o desfile de “Em Cartaz: A Saga Vencedora de um Povo Heróico no Apogeu da Vedete da Paulicéia”.

Para a voz do Vai-Vai, reunir os alvinegros já em julho é importante para que todos se alinhem e aliem rapidamente e tenham entrosamento cada vez mais cedo: “Eventos como esse ajudam quem defende nota por conta da reunião da comunidade – e, no nosso caso, a nossa é maravilhosa. É a nota que a gente traz juntamente com a comunidade, a Harmonia, a Bateria. O Vai-Vai é uma comunidade que é muito fácil de se trabalhar. Hoje é para começar e, daqui até o dia 05 de fevereiro, tudo vai ser maravilhoso”, finalizou.

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Detalhes

O evento começou com o Encontro da Ala de Compositores com a Velha Guarda Musical, em mesas dispostas bem no centro do Carioca Club, no qual todos cantavam sambas clássicos. Com a comunidade já aquecida, a Pegada de Macaco (bateria da escola) se organizou e fez o esquenta antes de tocar sambas-exaltação alvinegros.

Na ocasião, diversos sambas-enredo foram relembrados: “Orun Aiyê – O Eterno Amanhecer” (1982”, “Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira” (1988), “A Rainha, a Noite tudo transforma” (1996), “Eu Também Sou Imortal” (2005, reeditado em 2023) e “Je Suis Vai-Vai – Bem-vindos à França” (2016) foram apenas alguns deles – em alguns momentos, orgulhando-se da discografia da agremiação, Luiz Felipe destacava que a escola cantava apenas sambas-enredo próprios.

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Enquanto a ala musical e a bateria faziam seu trabalho, chamou atenção a disposição dos presentes. Tal qual um ensaio de quadra, todos andavam em círculos, cantando e evoluindo. Chamou atenção, também, o papel das passistas e dos malandros: eles começaram o evento no chão, tal qual uma ala – mas, depois, foram para o palco, alternando momentos com as passistas show da ala Samba Saracura. Murilo Campos e Mirelly Nunes, que conduziam o primeiro pavilhão do Vai-Vai, faziam o mesmo.

Após a realização de todas as atividades da escola, o evento contou com um show de encerramento da banda Art Popular, que agitaram os presentes.

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