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O aniversário do Império de Casa Verde foi comemorado em grande estilo no último sábado. Na quadra do Tigre, localizada na rua Brazelisa Alves de Carvalho, na Casa Verde Baixa, a agremiação aproveitou a comemoração para coroar rainhas, abrir o espaço para duas coirmãs do Grupo Especial e lançar o enredo para 2027, homenageando uma cidade do interior de São Paulo. Assinado pelo carnavalesco Fábio Ricardo e pelo enredista Roberto Vilaronga, a temática imperiana será “Sob o Céu do Interior Brilha o Sonho Caipira: Jaguariúna, a capital country do Brasil”. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou duas figuras importantíssimas para a agremiação.

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Caminho do enredo

Por vezes, enredos que tratam de lugares são oferecidos às escolas de samba – que fazem a pesquisa relacionada à temática com detalhes pouco conhecidos do grande público liberados por poderes da região. Fábio revelou que foi exatamente esse o caso sobre Jaguariúna – com uma pitada de sentimento do carnavalesco: “Foi uma proposta que a escola teve e chegou nas minhas mãos. O presidente, que é uma pessoa muito digna, de palavra e direta, até o último momento me perguntou se eu estava confortável para fazer o enredo? Quando a gente foi fazer a visitação, conhecemos muitas coisas – principalmente algo que me chamou a atenção: a essência da simplicidade. Depois da visitação, prestei atenção em tudo que eles estavam me mostrando e eu gostei por conta da simplicidade. É gente que precisa ser mostrada – e o Carnaval é a melhor arte pra isso: o melhor veículo de comunicação para você mostrar algo que a gente vai projetar. Você pega pessoas receptivas, simples, pessoas que têm um coração puro. A minha mãe era de roça, então veio passar um filme na minha cabeça. Eu lembrei da minha mãe, eu pensei na minha mãe na hora: as coisas que ela contava, o que passou na roça, as dificuldades, a lavoura. Tudo isso ela contou para mim. Meu irmão falou que nunca me viu você tão aberto para uma coisa tão rapidamente. Eu falei para o pessoal de lá que o que me fez fazer o enredo foi a história da cidade”, disse.

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Nada de desconfiança

Se alguns torcem o nariz para os chamados “enredos CEP” (ou seja, desfiles que homenageiam cidades, estados ou países), Fábio garante que a narrativa do desfile imperiano será original: “A gente montou de uma forma saindo do óbvio. Para mim, está sendo um desafio gostoso, porque eu nunca fiz esse tipo de trabalho – nem quando eu era assistente. Isso é gostoso, e, para mim, está sendo um desafio, mas um desafio bom. Que me faz sair para o outro caminho de arte: no meu primeiro ano aqui, na Vila Maria, fui para outro caminho. No Rosas, fui para outro caminho de estética – e fiz isso para ser campeão. Agora, eu quero ser campeão de novo”, prometeu.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Indo além

Algumas dicas sobre o fio condutor do enredo foram dadas por Fábio: “Uma das coisas que eu estou fazendo (não só para o enredo, mas, sim, para a escola), é estar, em algumas reuniões e palestras, muito sensitivo para absorver o sentimento das pessoas. Grande parte desse enredo vai ser, também, o próprio Império se ver novamente. No decorrer do desfile, a gente pega um gancho dentro do nome da cidade – aí, a gente puxa esse nome, e criamos algo muito próximo do que o homem um dia teve junto com a natureza. O interior mostra a conexão da natureza à terra, tudo o que ele sente, tudo o que ele planta, tudo o que ele colhe. Dentro desse meio, existe um personagem que vai passar por todos esses processos dentro da cidade, vão ter pessoas indo e vindo, pessoas que deixam saudade, pessoas que se vão, pessoas que ficam, pessoas que chegam”, comentou.

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Mensagem poderosa

Ao encerrar a entrevista, Fábio novamente voltou a falar de forças superiores: “Uma coisa que a cidade e o campo têm, e todo peão e todas as pessoas têm, é fé. Eu tenho histórico na minha cabeça, em novelas, que o pessoal botava a santinha dentro do chapéu e, antes de montar no touro ou no cavalo, eles tinham uma fé muito grande. Jaguariúna é movida a isso. Eu fui lá visitar a igreja que está em obras e eu perguntei para o responsável da igreja como ele se sente ao ver todo aquele espaço – mesmo em restauração. Ele disse que a igreja é o coração da cidade. Eu estou no caminho certo: o coração a gente tem que restaurar e reestruturar. Essa fé o Império também busca: a fé para ser campeão. Você pode ter certeza: não estou sendo prepotente, estou trabalhando para isso”, vociferou.

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Confiança

Entrando no primeiro ciclo completo enquanto presidente do Império de Casa Verde, Fábio Leite, popularmente conhecido como Fabinho LS, endossou as frases do carnavalesco: “A gente está fazendo o possível para agradar a todos, a casa está cheia e vai dar tudo certo. Sobre o enredo, quando a temática foi apresentada, a gente não teve dúvida: foi paixão à primeira vista. Fizemos algumas adaptações, mas… sabe aquele time que já vem pronto para jogar? O enredo veio praticamente dessa forma. A gente só iniciou – e vamos, agora, para o projeto de 2027”, finalizou.

Aniversário estrelado

O aniversário de 32 anos do Império de Casa Verde teve duas coroações especiais: Renata Spalicci tornou-se a rainha da Barcelona do Samba, bateria da agremiação; enquanto Theba Pitylla, que estava no cargo até o presente momento, agora é a Rainha de toda a escola. Após o lançamento do enredo, duas coirmãs fizeram shows na quadra imperiana. Primeiro, a atual campeã Mocidade Alegre; depois, o Barroca Zona Sul.