
A noite deste domingo no Baródromo, na Tijuca, Zona Norte do Rio, foi marcada por emoção e reconhecimento. A intérprete da Beija-Flor de Nilópolis, Jéssica Martin, recebeu o Prêmio Dandara 2026, honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro a mulheres negras que se destacam na luta contra o racismo, na promoção da igualdade de gênero e na transformação social.
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A entrega foi realizada pela deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), que ressaltou a importância do reconhecimento dentro e fora da Avenida. Durante a cerimônia, foi destacado o papel histórico de Jéssica como mulher a ocupar o posto de intérprete no Grupo Especial do Carnaval carioca, abrindo caminhos para outras vozes femininas no samba.
Ao comentar a premiação, Dani Monteiro reforçou o simbolismo do momento e a representatividade da artista. Segundo avaliação, o Prêmio Dandara cumpre o papel de valorizar mulheres negras que rompem barreiras em diferentes áreas, e a presença de Jéssica no principal palco do carnaval representa muitas outras trajetórias que ainda buscam espaço.

“O Prêmio Dandara representa esse reconhecimento às mulheres negras que seguem abrindo caminhos. Jéssica simboliza muitas mulheres no carnaval e ocupa um lugar que historicamente não era delas. Hoje, esse espaço está sendo mantido e fortalecido”, afirmou.
Visivelmente emocionada, Jéssica Martin destacou que a homenagem marcou um momento decisivo em sua trajetória profissional. A intérprete relembrou o impacto de assumir o cargo e os desafios enfrentados ao longo do caminho.

“Está sendo um marco gigantesco na minha vida. Quando assumi esse posto, confesso que senti medo, porque nós, mulheres, sempre somos levadas a duvidar se somos capazes de ocupar determinados espaços. Mas, quando a gente trabalha com fé, força e dedicação, as coisas acontecem”, declarou.
A artista também abordou o preconceito ainda presente na sociedade, especialmente quando mulheres conquistam posições de destaque. Jéssica relembrou uma das primeiras mensagens recebidas após assumir o posto, que questionava o mérito da conquista.

“Uma das primeiras mensagens que recebi foi alguém perguntando o que eu tive que fazer para conseguir aquilo. Isso mostra como ainda existe uma visão distorcida sobre a mulher, como se não fosse possível chegar a um lugar por competência. Esse prêmio mostra que a gente pode, sim, conquistar nossos espaços”, disse.
Ao refletir sobre o significado da premiação, a intérprete reforçou que a conquista ultrapassa a trajetória individual e representa outras mulheres que seguem lutando por reconhecimento. “Esse prêmio não é só meu, ele representa a força de todas as mulheres que correm atrás dos seus sonhos. A gente não precisa estar limitada a um único papel. Podemos ir além, conquistar nossos objetivos e ocupar os lugares que quisermos”, afirmou.

Inspirado na figura histórica de Dandara dos Palmares, símbolo de resistência e liberdade, o Prêmio Dandara reafirmou, em mais uma edição, a importância de reconhecer trajetórias que transformam realidades. Em 2026, a homenagem a Jéssica Martin evidenciou não apenas uma conquista individual, mas um avanço coletivo dentro do samba e da cultura brasileira.
Ao final da noite, ficou a certeza de que o som da voz feminina na Avenida ecoa cada vez mais forte, não apenas como canto, mas como afirmação de espaço, luta e permanência.










