
A tarde do úlimo sábado marcou oficialmente o início do ciclo de 2027 para a Portela. Os portelenses celebraram os 103 anos da Majestade do Samba com muita música, feijoada e mais motivos para comemorar: a nova equipe para o próximo carnaval e o enredo que levarão para a Sapucaí: uma homenagem ao mestre Monarco, compositor, baluarte e ex-presidente de honra da agremiação. Em um momento de resgate e reconhecimento de sua própria história, o presidente Junior Escafura conta que a Portela já buscava homenagear um dos seus, mas a ideia de falar de Monarco veio do carnavalesco Paulo Barros. E o presidente garante: o carnaval será à altura do homenageado.
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“Tudo o que ele significa não só para a Portela, mas para o mundo do samba, do carnaval, da MPB. O Monarco tem várias músicas gravadas por grandes artistas do país. É um cara que marcou, com uma trajetória maravilhosa. É um cara que dificilmente você vê alguém falar: ‘eu não gosto do Monarco’. Todo mundo gosta do Monarco. Na mesma hora em que a gente começou a entrar em contato com artistas e pessoas, todo mundo dizia: ‘claro, eu vou agora porque é o Monarco’, e isso para a gente é gratificante demais”, afirmou.
E, para atingir o objetivo, a escola resgata ‘filhos’ da casa para voltarem a fazer história no ninho. Começando por Paulo Barros, carnavalesco que deu o 22º título da escola em 2017 e idealizador da homenagem ao ‘Mestre’. O artista volta após 9 anos fora da Portela e um ano afastado do carnaval, com “sangue nos olhos” para fazer um carnaval grandioso para a escola.
“Era um desejo de todos os portelenses que o Paulo voltasse para a Portela. O Paulo fez dois carnavais marcantes na escola, 2016 e 2017, o ano do último campeonato da escola, dez anos atrás. A gente encontrou fácil o nome do Paulo e, na mesma hora em que eu liguei para ele, ele ficou emocionado e muito feliz de a gente lembrar. Na mesma hora, ele se colocou à disposição para fazer o carnaval da Portela”, contou o presidente.
Além de Paulo, o intérprete Bruno Ribas retorna à casa para assumir o carro de som ‘É Tudo Nosso’ após a dolorosa perda de Gilsinho, que defendeu a azul e branco de Oswaldo Cruz por 20 anos.
Bruno chegou à Portela em 2005, um ano antes de Gilsinho, como sua estreia no Grupo Especial. Escafura conta que Bruno foi a primeira opção após a partida de Gilsinho, mas, por conta do compromisso com a Unidos de Padre Miguel e a Tom Maior, em São Paulo, não pôde assumir. Assim, a missão foi de Zé Paulo Sierra, que defendeu a canção vencedora na disputa de sambas de 2026.
“A gente já sabia que tinha que arrumar um intérprete para o outro ano, a gente já tinha mais ou menos falado, encaminhado, sonhado com o Bruno Ribas. Ele depois se desligou da UPM, a gente fez o convite e ele aceitou. Ele está muito feliz, a escola está feliz, a escola já conhece o Bruno, ele tem ligação com a escola. A Portela é uma escola que gosta muito disso, de quem já teve ligação com ela, que já conhece como funciona, a gente está muito satisfeito com o Bruno Ribas”, declarou.
Com foco em garantir o chão forte da escola, o presidente refez a direção de carnaval e de harmonia. Os integrantes já são velhos conhecidos: crias da Portela, com trabalho contemporâneo ao de Escafura em sua fase na direção de Harmonia da escola. Agora, adicionada à bagagem que trazem de outras agremiações, buscam repetir o casamento de sucesso para o próximo carnaval.
“Quando a gente vê a direção de carnaval, pensa em pessoas como, por exemplo, Dudu Falcão. Ele foi diretor de harmonia aqui há 10, 15 anos, já conhece a escola, tem uma ligação com a escola, se colocou à disposição para nos ajudar. Assim como o Camarão, que é um menino que foi criado aqui dentro, estava a serviço de escolas na Série Ouro, a gente entendeu que era hora de dar oportunidade para ele. E a Elisa também já tinha sido diretora de alegorias aqui por muitos anos, fazendo um trabalho muito competente. Ela fez um bom trabalho na Unidos da Tijuca. Eu falei: ‘Elisa, agora é hora de você voltar para sua casa’. A gente fez um trio que eu tenho certeza de que vai dar muito certo. E, na direção de Harmonia, a gente resgatou Marcelo Jacob, que foi diretor-geral de Harmonia, até na época em que eu era diretor de Harmonia, junto com Alex e Fábio, que hoje está na Viradouro”, compartilhou.
E agora, com o enredo escolhido, começa o ciclo de disputa de sambas-enredo, que o presidente conta que será mais curto, com a final em 4 de setembro. Além disso, em breve a escola iniciará oficialmente a produção do Carnaval 2027.
“Vai ser uma disputa mais curta, até porque a gente entende que o carnaval também é mais cedo e a gente precisa organizar e planejar melhor. E a gente já está na fase de desmonte no barracão, a quadra está praticamente liberada. A ideia é começar, no mês que vem, já com protótipos e alegorias. Estamos esperando o Paulo finalizar o projeto, faltam, acho, dois carros só para a gente poder acabar de desmontar e entregar para ele já no chassi, para começar a trabalhar”, disse.









