Oitava a desfilar, a Acadêmicos da Rocinha se destacou pela comissão de frente forte, o casal Vinícius Jesus e Suelene Neves bem sintonizado e uma evolução bem fluida pela avenida. A escola trouxe para a “Nova Intendente” o enredo “As borboletas encantadas da bela Oyá” em homenagem às denominações Oyá e Iansã, do Candomblé e da Umbanda, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Paulo de Oliveira.

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Comissão de frente

Com coreografia de Akia Almeida, os dez componentes fizeram uma dança intensa com passos fortes, movimentos de terreiro e gritos. Os bailarinos representavam faces diferentes de Oyá com uma capa de pele de animal ao tirarem e posicionarem com saia apresentavam o nome da sua Oyá. Um personagem central segurava dois chifres e os batia marcando partes do samba e da coreografia. Outra personagem ao fim da apresentação vestia as asas da borboleta título do enredo. Infelizmente, no primeiro módulo de jurados, uma das dançarinas deixou a capa cair no chão e recuperou ao sair finalizar a apresentação.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Vinícius Jesus e Suelene Neves vieram aparentavam muito sintonia. O mestre-sala vestia uma malha branca com listras largas vermelhas, uma coroa dourada com búzios e um costeiro de penas. O padrão da malha de Vinícius se repetia na parte de cima da roupa da porta-bandeira. A saia com detalhe de raios de Suelene ganhou amplitude com as penas alaranjadas e brancas. Eles apresentaram passos leves quando estavam fazendo o cortejo mais clássico e demonstraram força e garra quando fizeram passos mais afro.

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Harmonia

O canto dos integrantes foi um dos mais regulares da noite. Um destaque vai para a primeira ala, mas na maioria das alas havia componentes cantando forte o samba, principalmente o primeiro refrão. O carro de som comandado pelo intérprete Dodô Ananias se apresentou bem conectada à bateria de Mestre Júnior. O samba foi cantado com poucos cacos e em sua integralidade por Dodô e sua equipe.

Enredo

O enredo de Marcus Paulo de Oliveira se propôs a narrar as denominações Oyá e Iansã, a relação dela com outros orixás e os mitos que a cercam. A estrutura do desfile foi bem coerente com a ideia do carnavalesco. Vimos durante o desfile a conexão da divindade com Xangô, Oxum, Obá, Exu, Ogum e Olorum, além de ver os animais símbolos, búfalo e borboleta, bem representados.

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Evolução

Em 40 minutos, a escola desfilou de forma fluida, sem correrias ou buracos. As baianas e as passistas ficaram muito à vontade em sua passagem pela avenida dançando bastante. Os componentes desfilaram livres, sem alas coreografadas, permitindo o divertimento da escola. As alas não se embolaram em nenhum momento e era de fácil leitura o fim de uma e o início de outra.

Samba-Enredo

A composição de Edinho, Rico Bernardes, Luiz Thiago, Diego do Carmo, Vitor Coutinho, Rafael Mikaiá, Daniel Barbosa e Maurício Amor é de fácil entendimento e foi bem conduzida na Ernani Cardoso. O resultado disso é o samba decorada por boa parte dos membros das alas. O ponto alto do samba-enredo foi a parte do refrão principal “A borboleta voa alto e anuncia: chegou Rocinha, vai relampejar”.

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Fantasias

A Rocinha veio com uma qualidade de fantasias bem alta. As alas que mais se sobressaíram foram as alas 3 (“Oxum”), 6 (“Ogum e o segredo”) e 10 (“Oxalá e os orixás na busca pelas borboletas da Bela Oyá”) As baianas vieram de “Iansã, suas cores e ferramentas” usando uma saia amarela, rosa e dourada e o rosto coberto pelas miçangas. A ala de passistas desfilou como “A Bela Oyá e a busca pelas borboletas encantadas” com uma fantasia leve com uma asa do animal que permitiu facilidade em demonstrar o samba no pé.

Alegorias

A verde, azul e branco da Zona Sul trouxe para a Ernani Cardoso dois carros alegóricos e um tripé com bons acabamentos e nenhum defeito evidente. O abre-alas que representou “O Reino de Oió”, reino onde os orixás Iansã e Xangô governaram. A alegoria estava com uma estátua da cabeça da orixá com uma tiara dourada e os machados cruzados de Xangô na frente e rostos negros nas laterais. O segundo carro chamado “A menina dos olhos de Oyá no samba” adicionou a borboleta, símbolo da Rocinha, aos seres mágicos de Oyá. A composição tinha uma saia de pelos e alaranjados e marrons alternados com escudos e as costas do carro eram as asas da borboleta. O efeito que essa alegoria tinha na avenida era de novidade. O tripé “A guerreira com a força do búfalo” significava o mito da transformação da orixá homenageada em búfalo. O elemento passou no meio do desfile e era uma cabeça de búfalo amarela e preta, sendo a alegoria com menos destaque entre as três.

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Outros destaques

A bateria Ritmo Avassalador do Mestre Júnior, representando Olorum, desfilou com garra e arriscou duas bossas. Uma vinha no primeiro refrão com uma pegada de tambor. Já a segunda tinha ousadia de um apagão. A rainha de bateria Taty Rosa, cria da comunidade da Rocinha, veio com uma fantasia de penas vermelhas e mostrou que samba muito na Nova Intendente.