A Dragões da Real escolheu na noite de sábado o seu hino para o carnaval 2023. O evento contou com dois sambas na disputa e, por conta disso, foi literalmente um clima de final e expectativa. A ‘Caverna do Dragão’ ficou ‘incendiada’ desde o início das apresentações, que começou com o samba de número três. A obra foi a grande vencedora e despertou euforia em toda a quadra no momento do anúncio. Houve um grande discurso do presidente Renato Remondini (Tomate) e, logo após, o intérprete Renê Sobral cantou a música ‘Porta do sol’, que se refere à cidade de João Pessoa e, finalmente, o hino para o próximo desfile foi revelado. Os compositores vencedores são Thiago SP, Renne Campos, Léo do Cavaco, Marcelo Adnet, Darlan Alves, Rodrigo Atração, Jairo Cruz, Paulo Senna e Tigrão.

Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Uma proposta diferente

O compositor Paulo Senna é um grande vencedor pela agremiação. Com a grande vitória neste sábado, são seis sambas escritos para a comunidade. Sobre a obra atual, de acordo com ele, foge do comum. “Após três anos, a gente pôde retornar e fazer uma eliminatória, e reencontrar grandes amigos. É o maior agradecimento acima de tudo. Segundo lugar, papai do céu nos abençoou mais uma vez. A energia da parceria é uma coisa fantástica. A letra exalta, não seria sobre os pontos turísticos, não somente, mas sim exaltando as belezas do lugar. Enfim, é isso que nós fizemos, procuramos explorar esse lado de João Pessoa. Lado belíssimo, que o sol, que traz a fotossíntese e toda a beleza do lugar. E trazer a realidade do nosso samba, sair do clichê que estamos acostumados a ver em samba enredo, exploramos outro lado, a bandeira, o ‘Nego’ que as pessoas renegavam seus valores e as suas diferenças”, declarou.

Thiago SP, que é outro compositor vitorioso pela comunidade, fez uma análise técnica do samba para 2023. “Esse samba na verdade, o professor Jorge pediu para a gente ter como referência musical, nós vencemos o Asa Branca aqui. Que tem uma ideia, algo pré-concebido bem estabelecido. Esse samba de João Pessoa, a música é assim como o enredo, não traz o nordeste óbvio. Não é um Nordeste que o sol castiga quem está lá como Asa Branca, esse é um sol que aquece, que diverte, que atrai turismo. Outro tipo de abordagem do nordeste. Não sei se todo mundo compreendeu isso imediatamente, mas o que precisamos fazer, como se fosse uma música de verão. Para ser cantada em uma tarde gostosa, de verão, uma manhã de ir para a praia, se divertir. João Pessoa tem essa vocação ambiental enorme. É uma cidade verde, precisava trazer outro tipo de linguagem para a música. A proposta do enredo é o Dragão chegando em João Pessoa e aproveitamos, óbvio, o hino da escola que traz essa ideia. Então talvez a identificação imediata da comunidade com a música. E dois refrões explosivos que entregam muito forte lá, é o que vamos precisar de manhã para fechar o carnaval”.

‘Um samba aceito pela comunidade’

O presidente Renato Remondini avaliou a obra e de acordo com ele, combina totalmente com a escola. “É um samba que literalmente incendeia. Tem a cara do enredo, é explosivo, combina com o horário que a gente vai desfilar. Eu resumo o samba na resposta da comunidade na hora do anúncio. Quem cantou foi a comunidade, não foi a torcida. Até porque os dois finalistas, eram de componentes da escola. Não tinha ônibus, era gente daqui mesmo. Então, estamos muito felizes e vai combinar com o visual da escola”, disse.

Tomate fez uma alusão ao “Asa Branca” no ano de 2017, onde a escola ficou com o vice-campeonato. “Quando surgiu Asa Branca, a gente não imaginou que ia ser o que ele foi na avenida. Eu acredito que a gente vá para o mesmo caminho com esse samba maravilhoso. Tem tudo pra dar certo e é um samba que combina com a escola. João Pessoa é um lugar de gente feliz e a Dragões também. Vai ser um trabalho muito legal”, completou.

Uma obra para um espetáculo completo

Como todo carnavalesco, Jorge Freitas foi responsável por desenvolver e explanar a sinopse do enredo aos compositores. Segundo o artista, além de a obra ter a cara da escola, o carnaval paulistano sai ganhando bastante. “Na verdade, acho que o carnaval de São Paulo é quem ganha. Pois logo assim que foi anunciado o samba vencedor, a quadra explodiu. Então, todas as seis obras, elas estavam dentro do contexto do enredo. Umas falavam um pouco mais de uma coisa, outras de outra. Mas a seriedade com que é feito os tramites da escolha do samba da Dragões da Real, é algo fenomenal. E ganhou realmente o samba no qual todos os segmentos da escola votaram, e todos souberam o que é melhor para a Dragões fazer o seu desfile. A décima quarta escola a pisar no Anhembi, é uma responsabilidade ainda maior. A gente encerra o carnaval de São Paulo, onde a escolha em ser a sétima da segunda noite, e a última, tem tudo a ver com nosso enredo. João Pessoa, Paraíso Paraibano, onde o sol nasce primeiro nas Américas. E o samba escolhido nada mais que o condutor de toda essa energia para que a gente faça um bom desfile, um bom carnaval. Estamos trabalhando muito para que esse espetáculo esteja completo. Acredito que a Dragões fez uma bela opção, escolhemos o samba que realmente vai nos impulsionar para fazer um espetáculo fenomenal, e esse espetáculo tem consequências depois do desfile, fazer nossa parte, nosso papel. E quem sabe o título tão almejado possa vir em 2023 com esse belo enredo e fantástico samba”, exaltou.

Emoção, felicidade e ensaio

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Rubens Cardoso e Janny Moreno, analisou a obra. A dançarina estreia pela agremiação em 2023 e já revelou ensaios com sua dupla. “Achei incrível. Tanto o samba 3 e o samba 4, estavam dentro da proposta. Porém o samba 3 é emocionante, então estou muito feliz por ser meu primeiro samba junto com o Rubens na Dragões em 2023. Já estamos ensaiando, praticamente a cabine já está pronta. Porém estávamos aguardando o samba para adaptar alguma coisa, colocar uma cerejinha do bolo”, contou a porta-bandeira”.

“Acredito que samba, ele vem trazer o raiar do sol. É um samba que emociona, aguerrido, forte, sertanejo, caipira, é tudo. É de uma grande cidade. É um samba que vai me proporcionar junto com a Janny, grandes momentos na avenida, que o mais 40 nunca vai esquecer. O samba inteiro é emocionante. Não tem como falar o que vai acontecer naquele momento da avenida. A gente ensaia, mas leva para uma magia que não dá para descrever”, complementou o mestre-sala.

Novo samba e novo projeto de bateria

Diretor de bateria da escola, mestre Klemen, que também está estreando pela Dragões da Real, falou sobre o samba e, revelou, que também fará algo leve, devido ao horário do desfile. “Ganhou o melhor samba. É o melhor que a gente tinha. É o samba que vamos levar para 2023 em busca do título tão sonhado para a escola. Se Deus quiser, com muito trabalho, a gente vai conseguir. Sobre bossas, tem várias possibilidades para fazer, mas é uma coisa que conversando com o Jorge Freitas e o Renê, é que a gente vai querer fazer uma coisa leve, pois 6 ou 7 horas da manhã com possível atraso não é fácil. Vamos fazer isso para o ritmista não ter a parada de ficar pensando muito para executar. Vai ser muito mais na entrega do samba. Vai dar tudo certo, vamos dar show na avenida e vai ter surpresa”, comentou.

Explosão na avenida

Renê Sobral, intérprete da escola, é o comandante do hino escolhido. O cantor ressaltou a importância de ouvir o samba ao vivo na quadra. “É importantíssimo e isso acho que a Dragões nunca vai perder. Pois tem que estar no terreiro, com a bateria, para sentir o samba. Gravação está no estúdio, pode editar, fazer um monte de coisa. Pode até afinar voz de cantor. Aqui é o pega ratão, vê se o samba cresce, se ele não flui. Se o samba casa com a bateria, se o povo canta ou não canta. Às vezes temos obras belíssimas na gravação e chega em quadra, quando vai executar, não vai. Por isso para nós da Dragões, fazemos questão de trazer para a quadra, e fazer essa eliminatória ao vivo”, disse.

Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Analisando tecnicamente, Renê Sobral não poupou elogios à obra. “Ele tem um corpo muito bonito, refrão de cabeça é bom, o refrão de meio explode de uma forma que não tem como ninguém ficar parado. Então acreditamos que teremos dois momentos de explosão na avenida. E os outros momentos do corpo do samba, é a segunda onde vai ter o descanso, porém poeticamente, melodicamente, muito bonito, onde vai estar sendo apresentado a mãe. E o corpo de cima do samba é a apresentação da escola que vem em uma pegada muito boa também”, completou.

Análise dos sambas

Samba 03: O hino vencedor apresenta um repertório muito grande de ideias dentro de sua letra. Iniciando o samba, o primeiro verso começa com “voar, voar, voar e ver o sol nascer primeiro”. Se trata de um misto de referências, sendo o hino da escola com o fato de João Pessoa ter todo o simbolismo do sol. Logo após, a frase “’Négo’ viver outros amores, na bandeira nossas cores e sonhos de carnaval”, há uma clara referência com as cores das bandeiras da Dragões da Real e Paraíba. Por fim, vale destacar o fechamento do samba, que mistura a o lema da escola ‘lugar de gente feliz’, para se retratar ao povo de João Pessoa.

Na apresentação, houve um grande contingente de torcida. Muitos artefatos, bexigas nas cores da escola e, principalmente, cantoria forte. Outro destaque para bandeiras da Paraíba no meio da torcida. Os camarotes também abraçaram o samba e dava para notar algumas pessoas com as ‘bandeirinhas’ escritas ‘samba 3’. De fato, a torcida da parceria deu um show à parte na apresentação. O refrão principal e os dois últimos versos que fecham o samba, foram as partes mais cantadas.

Samba 04: Outra grande obra, mas com características diferentes. Nesta, claramente os compositores quiseram levar para o lado mais nordestino. Expressões como ‘xaxado, ‘baião’ e ‘arrasta pé’ comprovam tal fato. A melodia, principalmente do refrão do meio, que faz alusão à festa de São João e Nossa Senhora, são destaques.

Houve muita energia na apresentação do samba. Os cantores se doaram e até se caracterizaram com fantasias nordestinas, remetendo à João Pessoa. A torcida também entoou forte o hino e muitas bandeiras grandes nas cores da escola foram levadas. Apesar de não ter levado o título, os compositores dessa parceria saíram de cabeça erguida, visto que o samba adversário foi mais aceito.

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