InícioGrupo EspecialTudo mudou! Imperatriz mantém organização do passado aliada com canto nunca visto...

Tudo mudou! Imperatriz mantém organização do passado aliada com canto nunca visto e emoção em ensaio técnico

Verde e Branco mostrou em cerca de uma hora de desfile, uma nova versão dessa busca pelo erro zero, agora aliada a um canto forte da comunidade e uma intenção de trazer emoção e mais interação com o público

A Imperatriz Leopoldinense dos anos 1990 era conhecida como escola de muita organização, técnica, que não errava. Por essas características, muitas vezes era tachada como uma agremiação fria, somente pautada em um tecnicismo. Abrindo os ensaios do Grupo Especial na Sapucaí, na noite do último domingo, a Verde e Branco mostrou em cerca de uma hora de desfile, uma nova versão dessa busca pelo erro zero, agora aliada a um canto forte da comunidade e uma intenção de trazer emoção e mais interação com o público. * VEJA AQUI GALERIA DE FOTOS DO ENSAIO

Todas as alas cantavam muito o samba enquanto evoluíam também sem errar, mas de forma espontânea. Destaque também para a bateria de mestre Lolo, que trouxe bossas bastante entrosadas com o enredo. Difícil achar alguma coisa para criticar a Verde e Branco de Ramos que sonha surpreender o carnaval vindo do Acesso direto para disputar os primeiros lugares como aconteceu com a Viradouro de 2019.

Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Mais novo da família a trabalhar na diretoria da Imperatriz, João Felipe Drumond, com rádios e fones de ouvido, participando ativamente da organização do ensaio, ficou responsável por fazer um discurso antes da entrada da escola para inflamar os componentes e o público. Na breve fala, citou o eterno patrono da escola, o avô, Luiz Pacheco Drumond, exaltou todo sambista como resistência para manter a chama do carnaval viva, e deu o combustível para que os foliões ensaiassem ainda mais forte, tocando no assunto brigar pelo título.

“Foi muito emocionante. Segmentos muito fortes, comissão de frente, bateria e casal em seus momentos de auge, e uma comunidade pulsante como vem sendo o ano inteiro, carregando a escola de novo se Deus quiser pela briga ao título. Foram dois anos de espera, acho que todo mundo que vive o carnaval estava ansioso por esse momento. Foi um pouco difícil dormir ontem, muita ansiedade, mas agora já estando aqui, considero que já deu pra matar um pouco da saudade, portanto é foco total no desfile. A escola está empolgada, motivada, tem uma equipe muito capacitada, e também motivada pra fazer o trabalho da melhor forma. Além disso, o mais importante, a escola tem uma comunidade que está louca para voltar a conquistar títulos e brigar pelas colocações mais altas do pódio”, disse João Drumond.

“Eu achei que a galera correspondeu muito bem e a escola cantou o samba com muita garra. A Imperatriz tinha um único objetivo hoje: trazer e cantar esse samba com alegria e acredito que nós desenvolvemos isso muito bem. Aescola está preparada para o título, a comunidade feliz da vida com tudo o que está acontecendo na Imperatriz, os ensaios bombando, o barracão pronto e os carros embalados, assim como as fantasias. Só estamos o grande momento no dia 22 de abril. “Hoje foi só um aperitivo. Esperem que esse samba vai tomar a avenida de uma forma que vocês vão ver”, prometeu o cantor Arthur Franco.

“Tenho a mesma visão que o Arthur. O segmento e o foco são um só e é muito difícil mudar isso. É alegria, é voltar a viver. É ter o carnaval novamente na Sapucaí. É poder abraçar pessoas e festejar. Carnaval é vida. A questão é abrir o carnaval e ser campeão. A gente vai mudar essa regra. “Vai vir um tsunami, querido. O couro vai comer (risos)”, completou Bruno Ribas.

Harmonia

Um dos pontos de maior destaque da Imperatriz no ensaio técnico, os componentes, a comunidade, mostrou que tem comprado essa briga de levar a escola para o seu lugar de merecimento, desde que o rebaixamento foi consumado em 2019. E aquilo que se vê na quadra e na rua desde que a preparação para o carnaval 2022 começou, foi transferido para a Sapucaí. Todas as alas cantavam o samba de forma constante, espontânea e com intensidade. Desde a terceira que trazia balões de ar, a quinta que levava sombrinhas coloridas, até a ala 21. O samba era completamente ouvido a plenos pulmões e não se notava ninguém enrolando ou deixando para cantar só nos refrãos.

“Esse ensaio aqui hoje se tornou para a gente, algo além da técnica. Aqui temos o termômetro que teremos no dia do desfile. Encaramos o ensaio como se fosse o desfile, nos preparamos para sair não só como a campeã da noite, e sim a campeã do final de semana. Pisar novamente no Sambódromo é muita emoção. É a celebração da vida, não sabíamos se talvez estaríamos aqui nesse momento. A Imperatriz está tendo a honra de promover esse encontro tão sonhado entre o carioca, a Marquês de Sapucaí, e a escola de samba. Esse ensaio de técnico não teve nada, foi pura emoção. Temos oito títulos nas costas dentro desse palco aqui pelo Grupo Especial, então somos uma escola de Grupo Especial. Eu costumo falar que estamos trabalhando sob dois pilares, promover a maior abertura de desfile de todos os tempos e ganhar o campeonato”, comentou André Bonatte, da comissão de carnaval gresilense.

Mestre-sala e porta-bandeira

Desde 2017 juntos na Imperatriz, o casal Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro, no ensaio técnico, teve o mestre-sala com um elegante terno branco, e a porta-bandeira com um vestido em listras nas cores da escola, alternando o verde e o branco. O casal veio logo no início da escola e apresentou já de cara uma das suas principais características, a expressão e o sorriso, sempre presente na dupla. O entrosamento já de vários carnavais é visível e a coreografia era singela e delicada. Thiaguinho mostrava toda a sua qualidade com movimentos muito técnicos e plasticamente muito bonitos. A porta-bandeira extremamente graciosa, “flutou” pela pista. Um espetáculo! O público vibrou quando a bandeira foi desfraldada saudando oficialmente o retorno da escola através do respeito a seu pavilhão. A apresentação em cada módulo durou um pouco mais que dois minutos e não houve nenhum erro aparente.

“Pra quem é sambista, pra quem trabalha e pra quem ama o carnaval sabe da importância que é ter a volta dos ensaios. É primordial pro canto da escola, para a bateria, para os segmentos dos casais, comissões de frente, enfim, para todo mundo da escola. E você retornar após uma pandemia sem carnaval acaba sendo uma mistura muito grande. E que há pouco tempo não tínhamos certeza se ia ter desfile ou não, com a volta dos ensaios é uma esperança pra gente que é sambista e a certeza que terá o maior espetáculo da terra e que será lindo e inesquecível. É uma prévia do que vem pra daqui a um mês, do que a Imperatriz vem preparando e a gente está pronto e aguardando o grande dia”, comentou a porta-bandeira.

“A gente já vem se preparando para esse momento faz um tempo e a Imperatriz sonha com isso há mais de dois anos, pois caímos em 2019. Então, desde lá, sonhamos com o dia de hoje. A emoção tomou conta, a euforia tomou conta, mas como estamos bem preparados, acredito que o profissionalismo e a determinação que a escola implantou lá no começo fala mais alto. A vibração que a escola colocou na avenida, vem sendo a mesma dos ensaios de toda sexta-feira na quadra. A gente só transferiu tudo aquilo que estávamos treinando na quadra para a Sapucaí hoje. Colocamos nosso nome hoje como uma das favoritas para voltar no sábado das campeãs”, assegurou o mestre-sala.

Samba-enredo

O samba, obra de único compositor, Gabriel Mello, foi conduzido no ensaio pela dupla de intérpretes oficiais Arthur Franco e Bruno Ribas. Eles mostraram uma boa combinação de timbres de voz, com Bruno Ribas dando brilho na harmonia da obra em alguns trechos do samba, enquanto Arthur garantia a sustentação do samba. Ambos estavam tão confiantes no trabalho realizado com a comunidade que paravam as vozes do carro de som, sempre na parte “Amada Imperatriz”, que antecede o refrão principal, além de em alguns outros pequenos trecho, para que o canto dos componentes se sobressaísse. O refrão “Volta pro seu lugar” era cantado inflamadamente pelos componentes, como que reafirmando isso para a própria escola e para o mundo do samba. A obra mostrou ter tomado bastante volume e que pode crescer ainda mais e ser um importante aliado para o dia do desfile.

Bateria

A bateria Swing da Leopoldina de mestre Lolo, à frente dos ritmistas desde 2016, trouxe uma bossa muito gostosa de se ouvir em ritmo de samba de raiz no trecho “Seu samba nascendo no morro”, no final os instrumentos paravam para o “Amada Imperatriz”. A bateria também chamou a atenção para a vestimenta, a ala de chocalhos veio toda de branco remetendo às utilizadas em religião de matriz africana, diferente do restante dos ritmistas que estavam com a camisa da Swing da Leopoldina verde e um chapéu na cabeça. Destaque também para alguns mestres da Série Ouro presentes e tocando na bateria de mestre Lolo, como, Vitinho, do Império Serrano, Léo Capoeira, da Unidos de Bangu, e Luygui, da Acadêmicos de Vigário Geral.

“Pra mim foi muito bom, nós fizemos um ensaio aqui na segunda e só serviu pra aprimorar, hoje foi legal, o ensaio serve pra isso, aprimorar algumas coisas para no dia do desfile passar 100%. A gente vem representando a bateria da Mocidade. As bossas de hoje já estarão no desfiles, a gente tem que ensaiar aqui, só temos hoje pra limpar, se preparar com a escola, a bateria veio quase completa”, disse mestre Lolo, que recebeu o prêmio do Guaracamp por ter sido eleito o destaque do ensaio técnico da Imperatriz.

Evolução

A evolução da Imperatriz foi de forma gradativa, fluiu muito bem, natural, e mesmo nas pausas para apresentação de casal ou comissão de frente ninguém ficava parado, sempre dançando, cantando e sambando. A escola, mais uma vez, mostrou uma organização muito grande e um zelo minucioso, ao trazer a divisão dos setores do desfile expressa na cor da camisa dos componentes. No primeiro setor, o branco, no segundo setor o vermelho em referência ao “Canta Salgueiro”, do enredo, o terceiro setor de verde (Mocidade), a não ser pelos passistas que retomavam o branco, aliás com detalhes rendados, o quarto setor de amarelo, e no último setor retomando o verde. Quase todos os componentes tinham algum item na mão, seja sombrinhas, lanças enfeitas em cabos, balões de ar, cocares de índios, dessa forma, cada ala teve sua identidade no ensaio.

Não se viu nenhum tipo de correria, a bateria saiu do segundo recuo com cerca de 55 minutos de ensaio e ainda pode finalizar brincando um pouco mais na reta final da Sapucaí. A escola não apostou em muita coreografia, mas havia alguns momentos chaves do samba como, por exemplo, no refrão do meio, no trecho “pega na saia rendada”, em que algumas alas giravam, efeito muito bonito visto nas saias das baianas que vieram no segundo setor, com a camisa vermelha e a saia branca. A ala 21 era uma das mais alegres com muita gente aproveitando as pequenas pausas da escola para sambar e pular muito no verso “Amada Imperatriz”. Já a ala 22 fazia uma evolução interessante, intercalando pompons e lanças em dourado.

Outros destaques

A escola trouxe para a Avenida uma locomotiva logo no início do desfile reverenciando sua história. A comissão de frente, do coreógrafo estreante Thiago Soares, estava deslumbrante, com 12 bailarinas em seus vestidos brancos com detalhes em verde, rostos totalmente maquiados que se moviam em movimentos graciosos sendo apresentado pelo assessor de imprensa da escola, Lourenço Marques, devidamente fantasiado e inserido no espetáculo. Em mensagem ao mundo do samba a escola trouxe duas faixas, uma logo no início da escola, dizendo “A Imperatriz celebra a vida, a ciência e o carnaval”. E outra, no encerramento, remetendo ao último verso do refrão principal do samba, ” Quem viveu pra te amar seguirá com você trecho do samba”, essa seguida de uma chuva de pétalas prateadas. No esquenta, a dupla de intérpretes oficiais da escola, Arthur Franco e Bruno Ribas, relembrou o “Liberdade, Liberdade”, e a releitura que deu o título do Grupo de Acesso em 2020, “Só dá Lalá”.

A Imperatriz Leopoldinense deixou uma impressão muito boa de que não está trabalhando apenas para permanecer no Grupo Especial. O ensaio confirmou os prognósticos de quem acompanha o trabalho de muito tempo desenvolvido nos segmentos da escola visando o retorno a brigar pelas primeiras posições já neste carnaval de 2022. Repetir ou superar a façanha da Viradouro de 2019, parece inspirar um pouco a Verde e Branca de Ramos, também pelo legado de organização que a escola de Niterói vem deixando. Em abril, a Imperatriz vai abrir a primeira noite dos desfiles do Grupo Especial com o enredo “Meninos eu vivi… Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”.

- ads-

Jackson Carvalho, Marcelinho Emoção e Fabão Rodrigues assumem Comissão de Harmonia no Arranco

Para o Carnaval 2025, o Arranco contará com uma Comissão de Harmonia formada por Jackson Carvalho, Marcelinho Emoção e Fabão Rodrigues. Jackson Carvalho começou sua...

Vizinha Faladeira será homenageada com conjunto de Medalhas de Mérito Pedro Ernesto

No próximo dia 23 de abril, a histórica Associação Recreativa Escola de Samba Vizinha Faladeira, uma das pioneiras no cenário do carnaval carioca, terá...

Jorge Silveira exalta preparação da Mocidade Alegre para ganhar duas categorias no Estrela do Carnaval: ‘São Paulo cada vez mais competitivo’

Em 2024, a Mocidade Alegre foi bicampeã do Grupo Especial do carnaval de São Paulo, conseguindo unir beleza e facilidade de leitura para tratar...