Por Diogo Sampaio, Rhyan de Meira, Raphael Lacerda e fotos de Allan Duffes

Fotos de Allan Duffes/CARNAVALESCO

Sou Caxias, bicho fera! A Acadêmicos do Grande Rio já tem samba-enredo definido para o Carnaval de 2024. Em uma noite de grandes apresentações, a obra composta por Derê, Marcelinho Júnior, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro, Tony Vietinã e Eduardo Queiroz conseguiu se sobressair ante as composições das outras três parcerias finalistas e sagrou-se vencedora da disputa promovida pela tricolor de Duque de Caxias. Com isso, ela irá embalar o desfile da agremiação que levará para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí no ano que vem o enredo “Nosso Destino É Ser Onça”, criado e desenvolvido pela dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. O tema tem como proposta fazer uma reflexão sobre a simbologia da onça no cenário artístico-cultural brasileiro, tocando em temas como antropofagia e encantaria. A escola será a quarta a cruzar a Avenida no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo Especial, e irá em busca do segundo título de campeã da folia carioca.

“Muita emoção com essa vitória. Fizemos um grande samba e, graças a Deus, conseguimos mais uma vez sermos campeões. Muito obrigado a todo mundo, especialmente ao seu Jayder Soares, Leandrinho, Helinho de Oliveira, Perácio e Feiticeira. Só tenho o que agradecer. Essa é minha décima vitória aqui, sou o maior vencedor da escola. Posso dizer que tenho sorte aqui”, disse o compositor Derê.

“Essa vitória representa muito, porque foi muito trabalho e muita dedicação. Graças a Deus conseguimos chegar a essa vitória. É gratificante demais ter um hino nosso, mais uma vez, sendo levado pela nossa escola. Eu gosto de todas as partes no samba, mas o refrão emociona demais ‘É preta, parda, é pintada feita a mão’”, afirmou o compositor Marcelinho Júnior.

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“Vencer representa a realização de um sonho. Um sonho de muita luta e muito trabalho depois de dois anos de derrota. Tivemos persistência, determinação e agora ver o meu samba campeão não tem preço. É a realização de um trabalho árduo. Para mim, todo samba tem que ter uma parte emotiva, aquela parte que ‘toca’ no coração. Esse samba tem duas partes: A volta do refrão do meio e o ‘Kiô… Kiô Kiô Kiô que era”, contou Robson Moratelli.

“Ter meu samba na Marquês de Sapucaí em 2024 representa força e vigor. Esse foi o trabalho que começou a ser feito há muito tempo. Hoje tivemos a conquista. A minha parte favorita é ‘Enquanto a Onça não comer a lua’, porque na mitologia tupi-guarani, se a onça comesse a lua o mundo iria acabar”, comentou Eduardo Queiroz.

‘Escola com uma roupagem muito nova’, prometem carnavalescos

A dupla de carnavalescos formada por Gabriel Haddad e Leonardo Bora fez sua estreia na Acadêmicos do Grande Rio no Carnaval de 2020. Logo no primeiro ano, os artistas conquistaram um vice-campeonato com o enredo “Tata Londirá – O Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias”, sobre o pai de santo baiano Joãozinho da Gomeia. O trabalho seguinte foi ainda mais além e alcançou o tão sonhado título para a escola de Duque de Caxias com “Fala Majeté! Sete Chaves de Exu”, que desmostificava a figura do orixá. Agora, após um sexto lugar em 2023 homenageando o cantor e compositor Zeca Pagodinho, os dois querem novamente levantar o caneco com “Nosso Destino É Ser Onça” sobre a simbologia do animal no cenário artístico-cultural brasileiro.

“A Rosa Magalhães uma vez deu uma entrevista falando que todo Carnaval é novo. O ferro é novo, o isopor é novo, o tecido é novo. Claro que é uma brincadeira, mas diz muito sobre esse espírito do que é uma criação carnavalesca. Esse próximo trabalho nosso na Grande Rio é um desafio imenso. É um enredo que a gente vem pesquisando há muito tempo, que foi sendo maturado e desenvolvido ao longo dos anos. Com certeza, os torcedores da tricolor de Caxias, os amantes, os espectadores do Carnaval em geral, podem esperar uma escola com uma roupagem muito nova, ainda mais experimentação, mais inovação, algo muito diferente do que está todo mundo acostumado”, antecipou Leonardo Bora em entrevista concedida para a reportagem do site CARNAVALESCO.

Conforme destacado por Leonardo Bora, o tema que a tricolor caxiense levará para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí no ano que vem é fruto de uma pesquisa iniciada ainda em 2016. A ideia surgiu a partir da leitura do livro “Meu Destino É Ser Onça”, do escritor Alberto Mussa, que narra como a onça possui papel central na cosmovisão dos Tupinambá. Desde então, o enredo foi sendo trabalhado pela dupla de carnavalescos até que, após uma conversa com o autor da obra, decidiram tirar o projeto do papel e contar essa história na Avenida. Ao comentar sobre isso, Gabriel Haddad ressaltou que mesmo a proposta sendo complexa, ela não deixa de ser popular também.

“A gente não classifica os enredos em gavetas, são histórias amplas e a cada divulgação que a gente faz, a cada história que a gente conta, são trabalhados de maneiras diferentes. Por isso, não posso tentar enquadrar a comunidade da Grande Rio de maneira aleatória. Não posso olhar para um enredo e dizer ‘ah, isso aqui eles não vão entender’. Se fosse só escolher o que é fácil todo ano seria as quatro estações, os dias do ano, algo bobo. Não posso entender a comunidade da Grande Rio, enquanto uma comunidade que não vai entender o enredo. É uma comunidade inteligente, que frequenta os ensaios, que entende o samba, entende a sinopse. Então, preciso confiar neles. Tenho certeza que vão entender o nosso enredo para 2024, assim como entendeu o Exú, o Tata Londirá, o Zeca, que não foram propostas fáceis. Este ano, a única diferença de construção de enredo é que inspirado em um livro do Alberto Mussa. De fato, é um enredo complexo, que envolve muita pesquisa, mas eu duvido você achar alguém na Cidade do Samba que vai escrever o livro Abre-alas sem ter um estudo extremamente aprofundado do tema. O quesito enredo tem sido muito bem avaliado, então esse embasamento é fundamental”, defendeu Haddad.

Trunfo está na relação da escola com a comunidade

Após perseguir o título de campeã do Carnaval carioca por longos anos e bater na trave por diversas vezes, a Grande Rio alcançou a tão sonhada vitória no ano de 2022. Porém, quem pensa que a escola está satisfeita depois disso está enganado. Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, o presidente da agremiação, Milton Perácio, garantiu que a tricolor caxiense está com ainda mais afinco na busca pelo segundo campeonato.

“O torcedor, o sambista em geral, pode esperar um grande desfile novamente, com a mesma qualidade de sempre. Para 2024, temos um excelente enredo que está nos proporcionando fazer um trabalho de altíssimo nível e com certeza renderá uma bela apresentação na Marquês de Sapucaí. A Grande Rio está empolgada e vamos buscar essa segunda estrela para o nosso pavilhão. O sexto lugar do ano passado só nos deu mais ânimo, mais gás. É a garra da onça”, assegurou Perácio.

Presidente de honra da escola ao lado de Jayder Soares, Hélio Ribeiro de Oliveira, o Helinho, também conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO e comentou sobre essa nova busca, agora pelo segundo título. Para o dirigente, um dos principais trunfos é a relação da Grande Rio com a sua comunidade, algo que só cresceu ao longo dos últimos anos.

“Caxias e Grande Rio, para mim, é tudo. Acredito que nunca estivemos afastados da nossa comunidade. Porém, por muito anos, chamaram a gente de a ‘escola dos artistas’. Os famosos sempre estiveram presentes aqui, mas se formos contar ao todo eram cem artistas, enquanto a comunidade eram 3900 componentes. No entanto, de fato, essa relação comunidade cresceu nos últimos anos e cada vez mais está abraçando a escola. É algo importantíssimo, afinal sem eles nós não somos ninguém”, pontuou Helinho.

O presidente de honra ainda elogiou o atual modelo de disputa de samba. Ele fez questão de enaltecer a safra que a Grande Rio teve para o desfile do ano que vem, assim como a do Carnaval carioca em geral.

“Avalio como positivo esse formato da competição. Já é o quarto ano e o Thiago foi muito feliz em trazer essa opção para nós. Estamos muito satisfeitos. Quadra explodindo. Em relação a safra, vai os parabéns para todos os compositores. Gosto muito de ouvir não só os meus sambas, mas os das minhas coirmãs também. Então tenho escutado e quero parabenizar a todas as escolas, porque têm grandes sambas aí para 2024. Aqui na Grande Rio, demos um passo importantíssimo hoje que foi a escolha do melhor samba. Se Deus quiser, ele vai nos ajudar a atingir o nosso maior objetivo, que é ganhar mais uma vez este tão sonhado caneco”, declarou Helinho.

Formato ideal para compositores e para escola

Seguindo o mesmo modelo de disputa de samba pelo quarto ano seguido, o diretor de carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro, avaliou a competição como ideal para a agremiação e os compositores. Com o samba-enredo definido, ele agora pensa na preparação. O primeiro ensaio de quadra com a comunidade deve ocorrer em 17 de outubro, uma terça-feira. Já o de rua deve ocorrer na última semana de novembro.

“Estou muito satisfeito. Acredito que a Grande Rio encontrou um modelo que é ideal para a gente. É uma disputa curta, que não tem cantor do especial, uma disputa muito barata para as parcerias – com o Evandro gravando todos os sambas . É um tiro curto, entre a eliminatória e a final foram três semanas. O que interessa hoje não é a disputa de parceria, e sim o samba. É uma grande licitação que nós fazemos para escolher o melhor samba”, afirmou.

Thiago Monteiro contou que a agremiação de Caxias vai desfilar com 3200 componentes no próximo carnaval. Com uma alta procura entre o povo de Caxias, o diretor de carnaval revelou que há até fila de espera para tentar representar a Grande Rio na Passarela do Samba. Segundo ele, toda a escola será da comunidade.

“A Grande Rio não tem mais vagas e as inscrições estão encerradas. Agora ainda temos uma média de 200 pessoas na fila de espera, até porque ainda não começaram os ensaios pesados. Isso é fruto de uma confiança no trabalho que a escola tem feito e a comunidade quer cada vez mais estar junta. Infelizmente não podemos colocar 5 mil pessoas na Avenida como era no passado, mas é importante sabermos que tem muita gente que deseja estar conosco. A Grande Rio é 100% da comunidade. Até a ala comercial que nós temos – que é do Paulo 10, que é de Caxias – são pessoas que estudam, trabalham e não conseguem vir para o ensaio. E geralmente é um público fiel que está lá há anos. São pessoas que não conseguem vir em todos os ensaios, mas são de Caxias e estão aqui quando podem”, revelou.

Já sobre o enredo, o diretor de carnaval acredita que é um tema fácil de ser contado na Marquês de Sapucaí. “Onça, indígenas, contemporaneidade, isso está muito atual e tem bastante referências e elementos para que você possa fazer um grande espetáculo. É um enredo que é muito fácil de você transmitir isso em alegorias e fantasias. Fora que os dois carnavalescos são craques, então é bem tranquilo”.

Paolla e a parceria com a Grande Rio: ‘Me sinto abençoada e muito feliz’

A atriz Paolla Oliveira fará, em 2024, o seu quarto carnaval consecutivo à frente dos ritmistas da bateria do Acadêmicos do Grande Rio. A beldade, que já havia ocupado o posto nos anos de 2009 e 2010, é considerada por muitos a maior rainha da história da tricolor caxiense. Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, ela comentou sobre essa relação já de longa data entre ela e a agremiação, além de enaltecer o carinho que recebe por parte da comunidade.

“Me sinto abençoada e muito feliz. Gosto de povo, de gente. Não sou daqui de Caxias, mas sinto como se fosse, meu coração é daqui. Sou uma paulista que mora há tantos anos no Rio de Janeiro que já posso ser considerada um pouco carioca e um pouco caxiense. Então, só posso dizer que sou muito agraciada por estar na Grande Rio. Todos aqui sabem do meu amor pela escola e por eles também”, afirmou Paolla.

A beldade também fez questão de rasgar elogios ao falar sobre a relação com mestre Fafá. Além disso, Paolla comentou sobre os preparativos para o desfile de 2024 e destacou que, apesar de ainda não ter a fantasia, tem a intenção de vir com uma indumentária que dialogue diretamente com o enredo.

“Conheço o Fafá desde novo. Eu via o pai, a mãe dele na bateria. Tive a oportunidade de acompanhar todo o processo de crescimento do Fafá dentro da escola até ele chegar ao comando dos ritmistas. Então, para mim, que fui abraçada pela escola, é uma delícia estar dividindo com ele neste momento, ver essa evolução, é algo muito gostoso. E quando aos preparativos para o ano que vem, a gente começou cedo. Com a obra escolhida, agora é ir para os ensaios e se dedicar o máximo possível. É um enredo muito forte e muito denso, de povos indígenas e uma lenda sobre a criação do mundo, então quero trazer na minha fantasia uma coisa muito amarrada, cada vez homenageando mais dentro deste tema da escola”, relatou a atriz.

União é o segredo da bateria

O mestre de bateria da Grande Rio, Fafá, fez um balanço positivo do último carnaval, reconheceu os erros da Tricolor da Baixada e saiu em defesa da equipe, que ganhou o primeiro título da escola e um vice-campeonato.

“Positivo. Eu acho que a Grande Rio vem evoluindo com o tempo desde que ela decidiu fazer essas mudanças com ela mesma. A gente acerta, a gente erra e a gente vai aprendendo. No passado tivemos nossos problemas, concordamos com a posição que a gente voltou em 2023, mas não ficamos satisfeitos. Essa equipe já conseguiu um vice-campeonato, o primeiro título pra escola. A gente espera que esse ano, com muita humildade e com muito trabalho, consiga um título para a escola”.

Como participa das gravações dos sambas que disputam, Fafá relata aproveitar esse momento para começar a pensar em paradinhas para o desfile. No entanto, o mestre entende que precisa sentar com calma e trabalhar pela pontuação máxima.

“Eu sempre gravo os sambas da Grande Rio, alguma ideia ou outra a gente acaba usando. Agora vamos sentar com calma e trabalhar para mais uma vez buscar a pontuação máxima para ajudar a escola. Vamos seguir com tranquilidade e muito pé no chão. A gente sabe que a cada ano fica mais difícil e mais complicado”.

Ao ser questionado se a equipe tem um naipe especial, o mestre da tricolor caxiense falou que a união da equipe é o naipe central para o desfile de 2024. “Eu acho que não tem naipe, é a união. A união da nossa bateria, entre todos os naipes, a nossa humildade e a nossa equalização. Eu acho que esse é o ponto máximo da nossa bateria, somos uma equipe e isso vem dando certo”.

Malandro em casa na Grande Rio

O intérprete Evandro Malandro comentou sobre ser considerado um dos maiores cantores da Grande Rio, e de maneira modesta, valorizou outros cantores que passaram pela escola e ressalta a responsabilidade que esse reconhecimento carrega.”Isso me deixa feliz, mas com uma responsabilidade muito grande. Eu – particularmente – não me considero um dos maiores cantores da Grande Rio. Eu respeito muito cada trajetória, eu acho que cada cantor, em seu ano ou no seu samba, não teria outro que cantaria melhor. Eu respeito muito isso, assim como também acho que ninguém cantaria melhor o “pedra preta” ou o “boa noite moça” do que o Evandro Malandro. Isso me deixa muito feliz, mas com uma responsabilidade imensa. Eu acho que representar uma escola como a Grande Rio, com uma comunidade bonita como essa, não tem preço. Eu to muito feliz, com mais um samba e mais uma eliminatória que foi escolhida com muita torcida”.

Após gravar todos os sambas, Evandro negou que seria fácil fazer a avaliação na hora de escolher o vencedor. O intérprete reconhece seu papel como um agente norteador para comunidade na hora de cantar e afirma fazer isso com cautela. “Eu dou um caminho pra comunidade escolher melhor, pra comunidade se sentir mais confortável com aquele samba que foi cantado, pela parceria, mas ela está torcendo em casa pelo samba já gravado pelo Evandro Malandro. Então, eu fico feliz com isso de dar um caminho pra nossa comunidade. Fico feliz, mas com muita responsabilidade e muita cautela”.

O intérprete também comentou sobre o jeito especial que a agremiação tem de fazer seu samba. Evandro ressalta o cuidado dos compositores entenderem a nova geração de sambas da Grande Rio, valorizando um casamento entre a melodia e a bateria e, ao mesmo tempo, levando em consideração o jeito de cantar do intérprete. “Eu acho que os compositores entenderam essa “nova fase, nova era, nova geração”. Essa ideia de um samba com aclamação bacana, com a poesia, com melodia que é bom pra bateria. A cadência, o jeito do cantor, e estão escrevendo do jeito do Evandro Malandro cantar, então eu to feliz de verdade com esse pensamento dos compositores da Grande Rio”.

Entrosamento perfeito do casal

Sobre o balanço do carnaval de 2023, o casal de mestre-sala e porta-bandeira afirmou que apesar de não ser o melhor carnaval, foi um desfile marcante no qual a dupla conseguiu cumprir o que foi proposto para o desfile. “Foi um desfile marcante para a gente, porque conseguimos cumprir aquilo que propomos fazer: um desfile leve, alegre e uma coreografia alegre também e que encantasse as pessoas para que elas se divertissem com a gente. Acredito que esse nosso objetivo foi atingido. Agora é começar a trabalhar para o carnaval de 2024”, disse Taciana.

“Não foi o desfile dos nossos sonhos, mas a Grande Rio apresentou um desfile diferente do que a escola vem fazendo. Conseguimos fechar o nosso enredo, que era homenagear o Zeca, um morador de Duque de Caxias”, completou Daniel.

A porta-bandeira da escola de Duque de Caxias também destacou as virtudes na dança de Daniel Werneck. “O Daniel é um cara sensacional e parceiro. Um cara elegante e um mestre-sala exemplar. Eu tenho o maior orgulho de dizer que ele é o meu parceiro de dança e vida. Nós temos uma amizade fora do carnaval e essa química, parceria e amizade ajudam bastante. A gente acaba se conhecendo, então qualquer erro ou desvio a gente consegue contornar com mais facilidade porque nos entendemos no olhar”.

Já o mestre-sala destacou a cumplicidade da dupla. “Nossa virtude é a parceria e a cumplicidade. A gente sabe dividir as nossas ideias, não existe uma vaidade entre a gente e acho que a divisão traz o conhecimento técnico. Ela traz as ideias dela, eu as minhas e a gente sempre entra em um consenso. Parceria é isso, saber ouvir o outro para que as coisas fluam da melhor maneira possível”.

O casal ainda falou sobre a importância dos coreógrafos, ensaiadores e diretores artísticos para o êxito do quesito na hora de desfilar na Passarela do Samba. “É muito importante a gente ter essa visão de fora, porque enquanto nós estamos dançando tem alguém que está dando alguns toques. É muito bacana e importante esse olhar e trabalho do ensaiador e preparador”, enfatizou a porta-bandeira.

“Fundamental. A gente tem o Hélio e a Beth que são a cereja do bolo para nós. Eles têm um olhar de fora e muita das vezes, quando a gente cria uma coreografia ou traz uma ideia, a gente precisa desse olhar de fora. O diretor artístico entra na parte de corrigir e levar mais precisão para os movimentos”, completou o mestre-sala.

Análise das apresentações das parcerias na final

Parceria de Thiago Meiners: A primeira obra a se apresentar na final da Grande Rio foi a assinada por Thiago Meiners, Marco Moreno, Denilson Sodré, Bertolo, Domingos PS e Dilson Marimba. O intérprete Igor Vianna, voz oficial da Unidos de Bangu, é quem teve a missão de defender o samba. Seguro, ele deu um verdadeiro show na condução e não deixou a obra cair de rendimento momento algum da apresentação. O refrão principal, com os versos “Ôôôô ôôôô/ Panteão tupinambá, Grande Rio, eu sou/ Kiô kiô canidé-iouue/ Ouça o grito de Caxias ao rugido do tambor”, foi o ponto alto, sendo o trecho do samba mais entoado. Além dele, a segunda estrofe, em especial a parte: “Se o onceiro é poesia/ Caetana ganhou asas e voou”, também chamou a atenção, não só pelo canto, mas principalmente pela beleza da melodia. Falando da torcida, ela veio ornamentada com bandeirões e balões nas cores da Grande Rio, além de bandeiras personalizadas com o número da parceria. O grupo compareceu em peso e mostrou sua força. Com o samba na ponta da língua, eles vibraram e pularam do início ao fim da apresentação. Houve o uso ainda de efeitos, como chuva de papel picado.

Parceria de Elias Bililico: A obra de autoria de Elias Bililico, Dunga, Doc Santana, Dinny da Vila, Sergio Daniel e Henrique Tannuri foi a segunda a se apresentar na final da disputa realizada pela tricolor caxiense. Conduzido por um time de cantores liderados por Ricardinho Guimarães, o samba mostrou que evoluiu ao longo da competição e fez uma boa apresentação nesta final. O refrão principal, com os versos “Jaguaretê caçador sou Grande Rio/ Minhas pegadas deixam marcas nesse chão/ Virei ‘onça encantada’ na aldeia/ Sangue de tupinambá na veia”, foi o trecho de maior canto. Além dele, o refrão do meio, “Auê…auê cuaraci cocar de fogo/ Queima o sol no infinito nas cantigas do pajé/ Auê…auê brilha a lua de jaci/ Cai a noite nas batalhas de maíra e sumé/ Segue a fera em seu instinto”, também foi bastante entoado. Quanto à torcida, o grupo veio com bandeiras e bandeirões diversos, todos nas cores da Grande Rio. Animados, eles realizaram diversas coreografias. No meio da galera, havia a performance de pessoas vestidas de onças e de indígenas. Assim como na parceria anterior, houve o uso do efeito da chuva de papel picado.

Parceria de Igor Leal: O samba composto por Igor Leal, Arlindinho Cruz, Diogo Nogueira, Inácio Rios, Igor Federal e Gustavo Clarão foi o terceiro a se apresentar no palco da tricolor de Duque de Caxias na noite de decisão. O intérprete Nêgo, voz oficial da União da Ilha do Governador, foi o responsável por comandar o microfone principal da parceria. A obra teve um excelente começo de apresentação, mas perdeu o fôlego e caiu de rendimento especialmente nas duas últimas passadas. Como ponto positivo, o ótimo funcionamento do refrão principal, com os versos “Bate o cajado no chão… deixa rugir o tambor/ Caxias encarna… um povo devorador/ Pro nosso mundo não se acabar/ A encruzilhada protege o luar”, que foi entoado a plenos pulmões por torcedores e parte do público. Também vale ser mencionado o trecho de subida para ele, “Eu vi a terra tremer… Jaguará, Maracajá/ Eu vi a terra tremer… Juremê… okê… ofá”, que foi outro momento de forte canto. Em relação a torcida, ela foi uma atração à parte. Com bandeiras e bandeirões nas cores verde, vermelha e branca, além de galhos e folhas de plantas, o grupo fez uma bela performance no chão da quadra, com direito a diferentes coreografias. Mantendo a tendência das demais parcerias, houve uso de efeitos especiais como disparos de fumaça, além de chuva de papel picado e serpentina.

Parceria de Derê: Encerrando as apresentações, o samba de autoria de Derê, Marcelinho Júnior, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro, Tony Vietinã e Eduardo Queiroz foi o quarto da noite de decisão na Grande Rio. Coube ao intérprete Tem Tem Jr., voz oficial do Império Serrano, a missão de conduzir a obra na quadra, tarefa esta que ele desempenhou com maestria. O cantor mostrou grande domínio de palco e fez questão de trazer o público presente para cantar junto. Essa iniciativa teve resultado e trechos como a subida para o refrão principal, “Kiô… kiô, kiô, kiô kiera/É cabocla, é mão -torta/Pé- de- boi que o chão recorta, travestida de pantera/Kiô… kiô, kiô, kiô kiera/A folia em reverência/Onde a arte é resistência/Sou Caxias, bicho fera!”, foram entoados com bastante força por diversas pessoas fora da torcida. O refrão principal em si, com os versos “Werá… werá auê… naurú werá… auê/ A aldeia Grande Rio ganha a rua/ No meu destino a eternidade/ Traz no manto a liberdade/ Enquanto a onça não comer a lua”, foi outro grande destaque e chegou a ser berrado. Além do ótimo desempenho do samba, a parceria contou com uma torcida que fez bonito. O grupo, que veio ornamentado com bandeiras e bandeirões nas cores da escola, pulou e dançou o tempo inteiro. Para completar o espetáculo, houve ainda uso do recurso da chuva de papel picado e de serpentina.