Por Mariana Santos, Matheus Morais, Miguel Correia e Victor Busch

A União de Maricá definiu, na madrugada deste sábado, o samba-enredo que vai conduzir o primeiro desfile da escola no Grupo Especial. A obra assinada por Moacyr Luz, Rafael Gigante, Wanderley Monteiro, Babby do Cavaco, Vinicius Ferreira, Marcelinho Moreira, Jefferson Oliveira e Hélio Porto foi escolhida como vencedora da disputa e será o hino da agremiação no Carnaval 2027. O samba dará vida na Marquês de Sapucaí ao enredo “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro”, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira. Primeira escola a desfilar no domingo de carnaval, em 7 de fevereiro, a União de Maricá levará para a Avenida a trajetória, o pensamento e os ideais de Darcy Ribeiro, antropólogo, educador e defensor dos povos originários. A proposta é apresentar a visão de Brasil sonhada por Darcy a partir de uma narrativa que dialogue com a realidade e os desejos do povo brasileiro. Para o presidente da União de Maricá, Matheus Santos, a escolha do samba representa uma etapa fundamental na preparação da escola para o novo desafio.

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“O samba é primordial. O samba é a coisa mais importante depois da comunidade, antes da comunidade. Acho que o mais importante é isso: ter um ótimo samba para a gente poder brigar para permanecer no Grupo Especial e, quem sabe, voltar no Sábado das Campeãs”, afirmou o presidente Matheus Santos.

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Compositores celebram a vitória

Um dos autores do samba vencedor, Rafael Gigante destacou a ligação entre a obra, Darcy Ribeiro e a própria identidade de Maricá. O compositor, que chega à quarta vitória na União de Maricá, considera que o enredo tem uma relação direta com a cidade.

“A emoção é indescritível, porque quando a gente fala de Darcy, a gente fala um pouco da gente também. Fala um pouco do estilo de vida do maricaense, fala do espírito de luta, fala do espírito de coletividade do maricaense e do sonho que todo maricaense tem de almejar uma vida melhor”, afirmou.

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Compositor Rafael Gigante. Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO

Rafael ressaltou ainda que a ideia de utopia apresentada no enredo encontra, na visão dele, um paralelo com a realidade vivida atualmente em Maricá.

“E que aqui na nossa cidade essa utopia já acontece, ela já é real, ela é possível. E aqui a gente pode sonhar e realizar. Então a gente falar de Darcy tem tudo a ver com a nossa cidade, tem tudo a ver com o nosso estilo de vida e com o que a gente pensa na vida”.

A conquista tem um significado especial para o compositor, que participou dos três sambas anteriores levados pela União de Maricá à Marquês de Sapucaí e agora estará novamente na Avenida, desta vez na estreia da escola no Grupo Especial.

“Essa é a minha quarta vitória aqui na União de Maricá. Eu tive a felicidade de compor os outros três sambas que a escola levou para a Marquês de Sapucaí. Tive na estreia, na Sapucaí, compondo os outros sambas do acesso e agora, graças a Deus, a oportunidade que a gente está estreando com a escola no Grupo Especial. Vamos em busca de um grande desfile, de um grande resultado para essa comunidade, que essa cidade merece”.

Entre os versos da obra, Rafael apontou um trecho que considera especialmente significativo. “‘Pra que todo favelado vá sonhar como Darcy’. Porque eu sou um favelado, eu sonhei, eu estou realizando meus sonhos. E Darcy inspira a gente a vencer, a educação, a sonhar e a realizar. ‘Pra que todo favelado vá sonhar como Darcy’. Vamos com tudo”.

Wanderley Monteiro destaca sintonia da parceria

Outro nome de peso da composição vencedora, Wanderley Monteiro também comemorou a conquista e ressaltou a relação construída pela parceria ao longo das disputas em Maricá.

“Cada vitória é uma experiência extraordinária. Vencer aqui em Maricá, onde temos composto sambas de excelente qualidade, é gratificante. A sintonia da nossa parceria tem sido precisa e faz com que o coração pulse cada vez mais forte. Já contabilizamos quatro vitórias nesta cidade, sendo esta a terceira que conquisto ao lado deste grupo”.

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Compositor Wanderley Monteiro. Foto: Victor Busch/CARNAVALESCO

Para Wanderley, a força da obra está no conjunto da composição, construída especialmente para contar a trajetória de Darcy Ribeiro. “Sinceramente, a letra dedicada a Darcy Ribeiro é admirável do início ao fim; não há um trecho específico que eu destacaria, pois a obra é completa. Dedicamo-nos com muito afeto, buscando retratar com precisão a trajetória de Darcy. Por isso, aprecio cada verso e estou profundamente emocionado”.

Também integrante da parceria, Rafael Ferreira classificou a conquista como uma das mais importantes de sua trajetória. Morador de Maricá, o compositor destacou a relação afetiva com a escola e com o personagem que será levado para a Avenida.

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Compositor Rafael Ferreira. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

“Emoção fora do normal. Primeira vez na minha vida que eu ganho quatro sambas, e em uma escola que é minha escola do coração. Também sou morador de Maricá, quarta vez, e nesse ano com Darcy Ribeiro. Um homem tão importante, um cara que me inspira, inspira a minha educação com meus filhos, inspira em muita coisa”.

Rafael também destacou a amizade construída entre os integrantes da parceria e demonstrou confiança no desempenho da obra na Sapucaí.

“Estou muito feliz pela parceria que a gente tem, a amizade que a gente construiu e, sobretudo, por esse samba que eu tenho certeza que vai dar certo na Sapucaí”.

Questionado sobre o trecho preferido, citou: “‘Tantas peles eu vesti, pra que todo favelado vá sonhar como Darcy’”.

Espetáculo na final

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Fotos: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Através de um drone pairando no céu maricaense, o pavilhão da União de Maricá foi atraído pelas mãos da baiana da premiada comissão de frente de 2026 e entregue ao ‘Darcy Ribeiro’ da escola, encerrando oficialmente o ciclo campeão. Agora, a estreia no Grupo Especial se inicia oficialmente, de maneira simbólica. O ato selou o show de excelência artística de uma escola jovem, porém que denota que se conhece muito bem; pisa no chão ‘devagarinho’, mas com força. * LEIA AQUI O TEXTO COMPLETO DO SHOW DA ESCOLA

Como foram as apresentações na final

Parceria Moacyr Luz: Animada pela torcida e com refrão empolgante, a parceria de Moacyr Luz passou muito bem pela quadra de Maricá nesta final. Charles Silva e Matheus Gaúcho conduziram o samba com maestria, com grande resposta do povo também. Ao longo da apresentação, a obra demonstrou constância, se mantendo em alta e bem impactante, especialmente na segunda parte, onde, junto com os refrões, demonstrou a força da obra que chegou à final, com destaque para versos como “Vida, universidade, pra afastar toda / Maldade de moer gente de bem!”.

Parceria de Sandra Sá: A parceria fez uma apresentação tranquila, tendo Emerson Dias à frente do microfone, passando com menos empolgação. A condução de Emerson foi bem segura, porém a obra não cresceu ao longo do momento no palco, ainda que tivesse pontos positivos na segunda parte do samba, com alguns versos e uma melodia interessante em muitos momentos da obra. O refrão principal, apesar de bem animado, ficou bem repetitivo ao longo do tempo.

Parceria Jô Borges: Um samba muito poético, defendido por Wandinho Pires, teve uma apresentação muito correta e empolgante na final, mesmo com uma torcida não tão grande, mostrando a melodia e o eu lírico da obra como pontos de destaque, enquanto o refrão do meio foi um ponto mais negativo, não empolgando muito e ficando um pouco maçante após algumas passadas, mas que não tirou as boas partes do conjunto da obra.