Por Diogo Sampaio, Raphael Lacerda e Matheus Vinícius. Fotos de Nelson Malfacini

A Imperatriz Leopoldinense realizou, na noite de segunda-feira e madrugada desta terça, a final do concurso de sambas-enredo para o Carnaval de 2024. Mantendo a tendência de toda as outras fases, a disputa foi bastante parelha nessa decisão. Por conta disso, a direção tomou uma medida inédita na história da Rainha de Ramos e resolveu fazer uma junção de obras. Com isso, o hino oficial será a fusão das composições de Me leva, Gabriel Coelho, Luiz Brinquinho, Miguel da Imperatriz, Antonio Crescente e Renne Barbosa, com participações especiais de Daniel Paixão e Lucas Macedo; com a de Jeferson Lima, Rômulo Meirelles, Jorge Goulart, Sílvio Mesquita, Carlinhos Niterói e Bello, com a participação especial de Gigi da Estiva.

Dessa forma, o resultado da junção dos sambas de Me Leva e Jeferson Lima irá embalar o enredo “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda”, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira. O tema tem como base um pequeno folheto que foi escrito há mais de 100 anos por Leandro Gomes de Barros, autor paraibano de cordéis que inspiraram o dramaturgo Ariano Suassuna a escrever o “Auto da Compadecida”. A proposta dá continuidade ao interesse da agremiação em se debruçar sobre o Brasil e sobre obras populares que souberam dar contorno à imaginação de caráter fantástico como uma extraordinária vocação do povo brasileiro. A Rainha de Ramos será a sexta escola a desfilar no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro, encerrando o primeiro dia do Grupo Especial do Rio, em busca do bicampeonato.

“A gente esperava vencer sozinho, mas mesmo assim é um prazer imenso saber que vai fazer parte de um desfile grandioso, de uma escola como a Imperatriz. A diretoria sabe o que faz, o carnavalesco tem o projeto dele, agora a gente vai abraçar o samba com o mesmo carinho, o mesmo fervor e vamos torcer para que tudo dê certo. Que o samba seja lindo e ganhe todas as notas 10 na Avenida, porque o mais importante é o sucesso do desfile. A gente tem uma diretoria preparada, que já demonstrou isso, e com certeza eles nesse tempo todo já vinham avaliando o que é melhor para a escola. Então, a gente respeita sempre a decisão da agremiação. A Imperatriz está acima de qualquer interesse pessoal, de qualquer vontade nossa. A escola, na verdade, ela é soberana, ela é de Ramos, ela é da comunidade, e a gente está muito feliz de poder fazer parte dessa obra e, principalmente, de embalar um carnaval de um gênio como o Leandro Vieira”, disse o compositor Jeferson Lima.

“Cada ano é um ano. Tivemos a felicidade da diretoria optar pelas duas parcerias para fazer um samba bom e levar a escola ao bicampeonato. É uma imensa satisfação participar disso. A parte que mais gosto é ‘Ê luar de balançar maré// Meu cantar é um sinal de fé// Prenúncio da sina da minha escola// O sol beija a lua no espelho do mar// Já está marcado no meu calendário// Verde-esmeralda é vitória que virá'”, afirmou o compositor Me Leva.

“Sou filho de Xangô, sou da Justiça, e sendo extremamente verdadeiro, para mim, não haveria a necessidade dessa junção, mas quem escolhe é a escola. Se for pelo melhor da Imperatriz, a gente como compositor, vencedor de outros sambas, em outras escolas, a gente aceita. Se a presidente da Imperatriz, se a direção, achou que o caminho era esse, vamos acatar, ser felizes e ver se a escola faz um bom desfile com esses dois sambas que foram acoplados. A gente tem que pensar no pavilhão antes de tudo”, garantiu o compositor Gigi da Estiva.

“A comunidade estava dividida e a diretoria também e, democraticamente falando, foi a melhor escolha que a escola pode fazer. Lógico que eu gostei da mistura. Vamos acertar uns detalhezinhos para ficar um samba maravilhoso para a Sapucaí. Eu preciso ouvir mais essa nova versão, mas o refrão da parceria do Jefferson [Lima] é maravilhoso. No mais, nós vamos encaixando as peças”, comentou o compositor Gabriel Coelho.

Festa linda em Ramos

O evento reuniu milhares de pessoas na quadra da agremiação em Ramos, na Zona Norte do Rio, e teve como primeiro grande momento o show dos segmentos da escola. O espetáculo contou com uma abertura voltada às diferentes crenças e tipos de fé, onde foram cantados sambas como “Brasil de Todos os Deuses”, de 2010. Ao longo da performance, a verde, branca e ouro ainda homenageou sambistas do território leopoldinense, em especial o Complexo do Alemão, assim como fez um tributo dedicado aos povos originários. Em seguida, as três parcerias que chegaram nessa última etapa da competição ocuparam o palco gresilense e cada uma teve direito a 20 minutos para se apresentar.

Aposta na força dos quesitos

A presidente Cátia Drumond conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO, antes do anúncio da junção, e fez um balanço da safra gresilense para o Carnaval de 2024. De acordo com a dirigente, apesar da pequena quantidade de obras recebidas pela agremiação, a qualidade dos sambas concorrentes foi positiva. Tanto que a mandatária ressaltou o equilíbrio existente entre os três finalistas da competição.

“A Imperatriz teve uma safra pequena, mas muito boa. Chegamos nessa final com três sambas fortes, todos com condições de representar a escola bem na Avenida. E o que não pode faltar no samba campeão é a leveza, a garra. Nós precisávamos disso, de um samba guerreiro para fazer com que a gente encerre bem o domingo de Carnaval”, avaliou Cátia Drumond.

A presidente da Imperatriz ainda falou sobre os preparativos para o desfile do ano que vem. A mandatária assegurou não se intimidar pela pressão de ser atual campeã do Carnaval carioca e a responsabilidade de defender o caneco. Para conquistar o sonhado bicampeonato, Cátia Drumond garantiu que a Rainha de Ramos irá levar para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí um trabalho ainda maior que o apresentado em 2023, novamente apostando nas forças dos seus quesitos e principalmente na sua comunidade.

“O título veio e hoje a gente vira uma página. Vamos deixar o Lampião de lado, desfazer um pouquinho do samba que eu amo e vestir a Cigana Esmeralda. Então, eu acho que é um começo. A sensação é essa, de recomeçar. Agora é ir atrás desse título novamente, porque o desafio é grande, tem que ser um trabalho forte e a Imperatriz tem que vir melhor do que ela já veio em 2023. E o que que o público, o torcedor pode esperar, é exatamente isso: uma Imperatriz mais forte, mais leve, mais bonita e com mais sede do bicampeonato. Isso começa trabalhando primeiro com a comunidade, porque sem ela a gente não consegue alcançar os nossos objetivos. Somente com força do nosso chão que a gente vai poder chegar lá e encarar um domingo forte, de grandes escolas, e se Deus quiser sair consagrada como a melhor do dia, em busca de mais esse título”, afirmou a dirigente.

Leandro Vieira: ‘Carnaval mais solto’

O carnavalesco Leandro Vieira irá assinar no ano que vem o seu terceiro desfile pela Imperatriz Leopoldinense. No primeiro, no Carnaval de 2020, o artista reeditou o enredo de 1981 em homenagem ao compositor Lamartine Babo, morto em 1963, e sagrou-se campeão da Série Ouro, retornando com a escola para o Grupo Especial. Já no segundo, em 2023, ele optou por levar para Avenida uma proposta inspirada em cordéis de autores nordestinos que narraram as histórias fantásticas sobre a chegada do cangaceiro Lampião ao céu e ao inferno, mesclando fatos históricos e uma pesquisa iconográfica baseada na estética regional com o conteúdo delirante dos libretos populares, saindo novamente vitorioso, dessa vez na elite da folia carioca. Para esta nova empreitada, Leandro apostará na obra “Testamento da Cigana Esmeralda”, de Leandro Gomes de Barros, para explorar toda a mística do universo cigano e da cultura desse povo.

“Desde o primeiro momento da minha vinda para a Imperatriz, que foi lá na reedição do Lamartine, quis experimentar a possibilidade de fazer desfiles a partir de enredos que, de alguma forma, recuperassem um aspecto do carnaval que é um pouco diferente do que abordei em outras escolas, que é esse carnaval mais solto, mais livre. Uma palavra que tenho usado muito nos últimos anos é a palavra delírio e isso tem a ver com a possibilidade de você imaginar um Carnaval que também pode ser devaneio para dias de folia. Eu fiquei marcado durante algum tempo como um carnavalesco de temas críticos, como um carnavalesco que apresentava propostas que dialogavam com a sociedade de uma forma mais nua e crua. E eu acho que o que tenho feito com a Imperatriz é pensar em uma maneira de fazer Carnaval como uma possibilidade de alegria coletiva e delírio. Isso também guarda um aspecto social, porque todos nós temos uma tendência a alegria, a inconformidade com aquilo que não é bom. O que fiz com o Lamartine, com o Lampião, e que irei fazer com a Cigana Esmeralda, passa pela passabilidade de desejo, de coisas alegres. O enredo da Cigana Esmeralda fala muito sobre a sorte, a busca pelas coisas boas, que quer cantar com alegria e acho que isso é o que pode ficar como resultado do Carnaval que virá”, avaliou Leandro Vieira.

‘Imperatriz vai dar muito orgulho para a sua comunidade’, diz João Drumond

Em busca do bicampeonato, o jovem diretor-executivo da Imperatriz, João Drumond, acredita que a escola de samba irá orgulhar mais uma vez o torcedor leopoldinense. Para ele, estar em uma final enquanto campeã do carnaval é uma mistura de felicidade com responsabilidade.

“A Imperatriz vai dar muito orgulho para a sua comunidade independentemente do resultado. Esperamos um resultado de vitória, mas com muita humildade e sabendo que há outras 11 escolas querendo o mesmo que nós. Será um desfile de muita alegria e felicidade para nós leopoldinenses. Ver a quadra cheia e com as pessoas felizes traz um sentimento de alegria, mas também há um sentimento de muita responsabilidade, porque sabemos que o carnaval campeão acabou. A partir de hoje é um novo trabalho que se inicia. Agora é trabalhar muito para daqui a um ano estar em mais uma final falando sobre mais uma vitória”, afirmou Drumond.

Com a exigência de ser um samba alegre e valente para embalar a Imperatriz no próximo carnaval, João destaca que uma série de fatores determina a escolha do hino que será entoado na Passarela do Samba.

“Não há um fator específico que prevaleça, porque o samba tem várias nuances e pontos significativos que a equipe de carnaval precisa levar em consideração, mas ele tem que ser abraçado pela comunidade. Ela tem que se identificar com o samba que vai cantar na Avenida, se não as coisas não andam como devem. Outro fator é que a canção tem que estar alinhada com o enredo que será levado para a Avenida. Por fim, tem que ser um samba que dá a segurança que na quarta-feira de cinzas nós estaremos disputando as melhores notas”, comentou João.

Excelência na bateria

No comando da bateria “Swing da Leopoldina” desde o Carnaval de 2016, mestre Lolo tem sido um sinônimo de excelência e notas máximas para a verde, branca e ouro. A última vez que os ritmistas comandados por ele tiveram uma nota inferior a 10 foi no desfile rebaixado de 2019, quando receberam um 9,8 que acabou sendo descartado. Para o ano que vem, o mestre contou que estava aguardando a definição do samba oficial para poder iniciar os preparativos. Dessa forma, os trabalhos terão começo já esta semana, a princípio vislumbrando a gravação que ocorrerá ainda em outubro.

“A gente optou por esperar ter o samba oficial para começar a pensar em nossa, paradinha… Não adianta a gente sofrer de antecipação, pois pensa que dá para um, só que não dá no outro, perde tempo e energia. Acaba sendo melhor esperar o samba ser escolhido. Mas posso adiantar que vem um negócio bom aí. Já nesta sexta-feira vamos fazer uma reunião para ver o que a gente pode ou não pode botar no samba. Segunda-feira a gente já começa a fazer esse ensaio aqui na quadra com a rapaziada que vai gravar para tentar ver a melhor forma de deixar o samba bem. Se Deus quiser, vai ficar legal. E no geral, vamos manter o mesmo cronograma de ensaios dos últimos anos, de duas vezes por semana, sempre segunda e sexta, aí quando começa o de rua é sexta e domingo”, disse Lolo.

O Carnaval de 2024 será o segundo de Maria Mariá no posto de rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense. No entanto, a final do concurso de sambas-enredo para o ano que vem foi a primeira dela no cargo, uma vez que a jovem só foi coroada em dezembro de 2023. Em entrevista concedida para a reportagem do site CARNAVALESCO, a beldade falou da emoção de debutar em uma decisão como majestade dos ritmistas da “Swing da Leopoldina”.

“Apesar de estar indo para o meu segundo Carnaval como rainha de bateria, eu não tinha vivido essa experiência. Na última final, ainda era a antiga rainha, então eu não tinha vivido essa emoção, essa expectativa. Tinha a experiência de final como passista, mas agora é diferente, eu estou do outro lado, acompanhando o processo, vendo como são as coisas, de que maneira funciona uma escolha de samba, o que influencia. Essa era a última experiência que me faltava no cargo, mas todo Carnaval é um Carnaval único. O nosso último Carnaval foi mágico e a gente trouxe essa magia, essa inquietude, essa alegria para o nosso enredo de 2024. Acho que tudo andou muito bem encaminhado, lado a lado, para que a gente chegasse aqui neste momento, vivendo tudo isso com essas pessoas. Espero que seja um Carnaval incrível e tenho certeza que a gente vai mais uma vez brigar pelo campeonato. Vai ser lindo, vamos fazer uma grande festa na Avenida”, garantiu Maria Mariá.

Pitty de Menezes espera ainda mais sucesso em 2024

Após o sucesso do cordel na Avenida, o intérprete Pitty de Menezes espera um sucesso ainda maior para o próximo carnaval. Ele comentou sobre a responsabilidade de retornar à Sapucaí como campeão do carnaval.

“É uma responsabilidade e representatividade muito grande, e a realização de um sonho. Poder voltar como campeão é uma responsabilidade até maior, porque seremos cobrados muito mais. Hoje demos o pontapé inicial e escolhemos um grande samba. Agora é trabalhar e ensaiar bastante para novamente poder fazer um excelente trabalho para ajudar a escola na realização do sonho, que é conquistar o bicampeonato. Com certeza esperamos o sucesso de 2023 – até maior. Estamos trabalhando o dobro e vamos buscar um grande resultado. Compreendemos que outras escolas vão entrar na Avenida com garra, mas a Imperatriz vai fazer, junto com a comunidade, a sua parte”, afirmou o intérprete da Imperatriz.

Ideia é fazer 10 ensaios de rua até o carnaval

André Bonatte, um dos diretores de carnaval da verde e branca, afirma que o barracão está mais adiantado do que estava no carnaval anterior. Ele aposta na leveza do componente para lutar por esse bicampeonato:

“Eu tenho repetido que a Imperatriz, para essa briga pelo bicampeonato, precisa ganhar de 12 escolas: as 11 com quem estamos disputando e a Imperatriz de 2023. O exercício que a gente tem feito é superar em todos os quesitos a Imperatriz de 2023. O trabalho do barracão está superior em termo de fantasia e de alegoria. Temos um grande enredo, inclusive no CARNAVALESCO foi considerado, pelo voto popular, o melhor enredo deste ano. Temos um casal de mestre-sala e porta-bandeira que está consolidado e agora a gente traz a Ana Botafogo. Eu acho que a gente está investindo e consolidando os quesitos. Então nós precisamos de um samba-enredo à altura do que foi ano passado. Eu tenho certeza que vamos com um grande samba para a Avenida. A escola está muito feliz e naturalmente a gente vai procurar essa felicidade no samba que traduza o enredo e não podemos deixar de levar em consideração que nós vamos ser a última escola no domingo de carnaval. Então, nós precisamos de um samba solto, um samba leve, que a gente consiga ter a perspectiva de levantar a Sapucaí. Pode ficar tranquilo que vamos com um grande samba para a Avenida. Se tudo der certo os ensaios de rua começam dia 12 de novembro, na segunda semana de novembro. Nossa ideia é fazer 10 ensaios de rua até o carnaval. Em questão de componentes, não vamos crescer muito não. Serão cerca de 2800 e 3000, o mesmo tamanho do ano passado. Mas ela vai crescer em alegoria. As alegorias serão maiores e teremos que compensar, mas o tamanho é o mesmo. O barracão está muito adiantado. Se a gente olhar para o barracão hoje é mais ou menos o que nós tínhamos no passado, no final de novembro. O que eu acho que é um grande barato é que o ano passado eu achava um luxo só e era um luxo do sertão. Neste ano, o enredo nos permite o brilho, o ouro, a prata. Eu acredito que os componentes da Imperatriz vão se reconhecer mais dentro desse enredo”.

Espírito cigano

O coreógrafo da comissão de frente Marcelo Misailidis avaliou como positivo o carnaval de 2023. De acordo com ele, a proposta foi levar um carnaval no espírito de cordel.

“Acredito que foi positivo no sentido que contribuiu para o resultado final. Eu acho que as coisas não devem ser vistas de modo isolado. Foi um projeto muito mais voltado para reforçar a narrativa do enredo e para ser, de certa forma, técnico. A comissão de frente começou com uma proposta engraçada, lúdica e divertida que é o espírito do cordel. Sem isso a gente poderia entrar muito gelado e esfriar a escola”, comentou o coreógrafo.

Para 2024, Marcelo destaca que não pode faltar o espírito cigano e o reconhecimento da grandeza da “Certinha de Ramos. “Esperar o reconhecimento de que não somos uma escola que veio para brincar em momento algum, e que neste sentido haja um pouco mais de respeito desde o início da avaliação. Antes do desfile a Imperatriz era vista como uma escola de décimo lugar, depois se tornou campeã. É preciso entender a força da Imperatriz e a qualidade que ela tem em seus quesitos – com profissionais qualificados em todos os segmentos. O que não pode faltar é o próprio espírito e essência do cigano”.

Casal em sintonia

A dupla de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, comentou o resultado positivo do Carnaval 2023 e a sintonia do casal. Além disso, mestre-sala e porta-bandeira refletem sobre a chegada da bailarina Ana Botafogo como diretora artística do casal.

“A avaliação do Carnaval 2023 é muito positiva. A escola veio também muito bem e, consequentemente, conseguimos vencer. Mediante ao trabalho que fizemos, logicamente, temos muita coisa para aprimorar. Nosso retorno com amadurecimento, favoreceu muito para que o resultado fosse o que a gente teve. A Rafaela é um anjo! Uma porta-bandeira iluminada. É a porta-bandeira que eu consegui ter realização de todos os meus projetos, desde sonhar em me tornar o primeiro mestre-sala. O meu primeiro workshop foi ao lado da Rafaela. Minha primeira viagem internacional também foi a lado dela. Meu primeiro título como primeiro mestre-sala foi com ela. É ao lado da Rafaela que eu quero estar e vou estar. Só tenho a agradecer por tudo que ela é para mim. Uma mãezona, puxa muito a orelha. Temos uma afinidade de irmãos. É um carinho que eu vou carregar para o resto da minha vida. É uma irmã que Deus abençoou e me deu no carnaval. Ana Botafogo é incrível! A gente tem agregado os conhecimento que ela tem nos passado. Ela tem trocado muito conosco sobre a arte do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Ana Botafogo, na minha opinião, é a maior bailarina no quadro de dançarinas do Brasil. Vocês podem esperar o casal da Imperatriz mais maduro ainda no próximo carnaval”, garantiu o mestre-sala.

“Complementando o Phelipe, a responsabilidade aumenta cada vez mais. Saímos de um carnaval campeã e com todas as notas 10 dos jurados, atingindo o objetivo que nós trabalhamos o ano todo, de muito ensaio e de muita dedicação. Tenho a certeza que para esse próximo carnaval isso tem que se intensificar. Temos que nos esforçar ainda mais, buscar ainda maisz trabalhar ainda mais. Nós já chegamos na Avenida com outro olhar, com outra cobrança. Não podemos dar um passo atrás, temos que buscar o melhor e é isso que temos feito. A cada ano, nós conseguimos nos superar cada vez mais na nossa dança, na nossa dupla. É até difícil falar do Phelipe porque ele é como um irmão. Acredito que seja uma parceria de alma e ficou mais que provado, independentemente dos sete anos que ficamos separados. A parceria voltou muito intensa, parecia que nunca tínhamos nos separado. Ele é um homem hoje, mas ele tem esse ar de menino. É um dos melhores mestres-sala da atualidade, com muita variedade de movimentos, muita alegria. Isso é o primordial para uma dança. Não basta só ir e dançar. Levar essa alegria, esse amor e essa emoção e transmitir através da nossa dança é muito importante. E o Phelipe consegue trazer isso para nossa parceria – essa alegria e essa espontaneidade -, que é importante para que a dança se torne cada vez mais leve. Com a Ana Botafogo, é uma troca de experiência muito bacana. Ela traz o universo do balé para nós e nós levamos a tradicional dança do mestre-sala e da porta-bandeira. Além de um casal mais maduro, como o Phelipe falou, o casal da Imperatriz, Phelipe e Rafaela, nunca vão perder a sua essência. A nossa essência é a dança tradicional, porque a dança tradicional não pode morrer. Hoje, defendemos o pavilhão que foi de um dia maiores casais da história, que foi Chiquinho e Maria Helena. Chiquinho está aqui conosco, mas Maria Helena infelizmente não está. E nós tentamos levar esse legado para ele, principalmente, porque está aqui vivo. A presença dele podendo ver o casal hoje defendendo. É uma junção. Nós temos muito o que aprender com ela e ela tem muito o que trazer para a gente. A dança do mestre-sala e da porta-bandeira vai além. Vai além de movimentos, de gestos, de olhares. Eu acho que vai ser um casamento perfeito e nós estamos muito ansiosos”, completou a porta-bandeira.

Análise das apresentações das parcerias na final

Parceria de Zé Katimba: A obra composta por Zé Katimba, Dudu Nobre, Zé Inácio, Mirandinha Sambista, Luizinho Das Camisas e Tuninho Professor, com as participações especiais de André Diniz e Eduardo Medrado, teve a responsabilidade de abrir as apresentações na grande final da disputa promovida pela Rainha de Ramos. O intérprete Tinga, voz oficial da Unidos de Vila Isabel, comandou com segurança o samba e foi responsável por não deixá-lo cair de rendimento ao longo dos 20 minutos de performance no palco. Assim como em etapas anteriores da competição, o refrão principal, com os versos “O que eu tenho foi a cigana quem deu/O que é meu é dela, o que é dela é meu”, foi o grande ponto alto, sendo o trecho de maior canto. Além dele, o refrão do meio, “Pés descalços no chão/ Em celebração, festejando o amanhecer/ Já olhei os cristais, benditos sinais/ O sonho vai de novo acontecer”, também se sobressaiu como uma das partes mais entoadas. Quanto à torcida, a parceria contou com um grupo relativamente pequeno, mas que demonstrou bastante empolgação. Sem ornamentações, eles vibraram, pularam e cantaram com afinco, especialmente nos refrões. No entanto, mesmo com o excelente cantor e os torcedores aguerridos, a obra teve um desempenho apenas mediano, muito por conta da recepção um tanto quanto fria do público presente na quadra. Ainda assim foi possível observar alguns integrantes de segmentos, como diretores de harmonia, cantarolando o samba.

Parceria de Me Leva: O segundo samba a se apresentar no palco gresilense na grande final da disputa realizada pela atual campeã do Carnaval carioca foi o assinado por Me Leva, Gabriel Coelho, Luiz Brinquinho, Miguel da Imperatriz, Antonio Crescente e Renne Barbosa, com as participações especiais de Daniel Paixão e Lucas Macedo. O trio de cantores composto por Igor Sorriso, Igor Vianna e Marquinhos Art’Samba foi quem defendeu a obra e mais uma vez tiraram onda na função, sendo peças importantes no ótimo rendimento. Entrosados, os intérpretes se mostraram extremamente soltos e a todo momento buscaram trazer o público para cantar junto com eles. Assim como aconteceu na semifinal, Igor Sorriso iniciou a apresentação no meio da torcida e deixou a mesma levar toda a primeira passada do samba. A atitude serviu para compravar que o grupo estava com a letra da obra na ponta da língua. Os torcedores, aliás, foram um show à parte. Ornamentados com bandeiras verdes e brancas, além de bandeirões da escola, eles pularam e demostraram forte animação ao longo dos 20 minutos de performance, ajudando o samba a contagiar boa parte dos presentes, incluindo alguns segmentos da agremiação como as baianas. No meio da galera, houve ainda a participação de uma banda tocando instrumento de sopros. Também foram utilizados alguns efeitos especiais pela parceria, entre eles a chamada chuva de prata. Vale mencionar como destaque positivo do samba em si a subida para o refrão principal, especialmente os versos “Ciganinha puerê, puerê, puerá/ Nessa noite linda eu quero te ver girar/ Ciganinha puerê, puerê, puerá/ No raiar do dia eu quero te ver girar”, que novamente foi o trecho mais cantado. Além dele, o próprio refrão principal, com os versos “Tá escrito nas estrelas, Imperatriz/ A sorte é sua, o povo é quem diz/ O que é meu é da cigana, o que é dela não é meu/ Quando chega fevereiro meu caminho é todo seu”, também se sobressaiu e foi bastante entoado.

Parceria de Jeferson Lima: A obra de autoria de Jeferson Lima, Rômulo Meirelles, Jorge Goulart, Sílvio Mesquita, Carlinhos Niterói e Bello, com a participação especial de Gigi da Estiva, foi o terceiro e último a se apresentar na final da competição promovida pela Imperatriz Leopoldinense. A dupla de intérpretes formada por Nêgo e Nino do Milênio, vozes oficiais da União da Ilha do Governador e da União de Maricá, respectivamente, foi responsável por conduzir o samba na quadra e se saiu extremamente bem, mostrando novamente um forte entrosamento. Assim como nas etapas anteriores da disputa, o refrão principal, com os versos “Vai clarear… olha o povo cantando na rua/ A Imperatriz desfila com a sorte virada pra lua”, foi o grande destaque, sendo entoado a plenos pulmões por torcedores e público. Em relação a torcida, o grupo fez bonito e deu conta do recado. Como bandeiras e bandeirões diversos como adereços de mão, eles dançaram, pularam e berraram a obra o tempo inteiro. Além deles, vários segmentos nem fizeram questão de disfarçar e cantaram com força o samba, como foi o caso de algumas baianas e diretores de harmonia. Seguindo a tendência das apresentações anteriores da parceria na competição, houve a performance de ciganas no palco e no meio da galera. Também teve a utilização de efeitos pirotécnicos, como a chamada chuva de prata e disparos de fumaça.