Nem a chuva desanimou a comunidade. O ensaio de rua da Estação Primeira de Mangueira, na noite de quinta-feira, foi marcado pela força do canto da escola. O chão Verde e Rosa transformou o bairro em uma grande Passarela do Samba. Agora, a agremiação busca se aperfeiçoar para chegar com o pé direito no ensaio técnico da Marquês de Sapucaí, no dia 28 de janeiro.

O treino ainda contou com a presença da comissão de frente e do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Oliverio e Cintya Santos. De acordo com a diretoria da agremiação, a escola estará completa em todos os ensaios de rua. Um dos diretores de carnaval da escola, Junior Cabeça contou que a avaliação da diretoria é que este foi o melhor ensaio da temporada. Para ele, o canto da comunidade e o bom samba são os destaques do pré-carnaval mangueirense.

Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

“Em comum acordo com a direção achamos que esse foi o melhor ensaio da temporada, mesmo debaixo de chuva. Foi um ensaio importante. A comunidade cantou bastante e conseguimos fazer tudo o que estava programado – comissão de frente no ensaio, primeiro casal também. A parte técnica foi colocada em prova e, graças a Deus, foi o melhor ensaio de todos até agora. Agora é só acertar o canto – que já está perfeito – e o andamento da escola para brigarmos por este carnaval. A comunidade da Mangueira é sempre o ponto alto do nosso ensaio”, afirmou o diretor de carnaval.

Neste ano, a Mangueira vai levar para a Marquês de Sapucaí o enredo “A Negra Voz do Amanhã”, dos carnavalescos Guilherme Estevão e Annik Salmon, e será a quarta agremiação a desfilar na segunda-feira de carnaval.

Comissão de Frente

No ensaio desta quinta-feira, a comissão de frente comandada pelos coreógrafos Lucas Maciel e Karina Dantas levou cerca de 13 integrantes. O grupo apresentou uma coreografia bastante avançada e entrosada para o treino. Segundo Lucas, cerca de 28 pessoas estão envolvidas no projeto.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Conhecidos como “casal furacão”, Matheus Oliverio e Cintya Santos fazem jus ao apelido. A dupla de mestre-sala e porta-bandeira mostrou muita conexão, carisma e desenvoltura. Cintya, como sempre, mostrou seu domínio e força nos giros, enquanto Matheus deu um show à parte com seus passos. Nem o asfalto molhado foi capaz de atrapalhar o primeiro casal mangueirense.

Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

Harmonia

Por mais uma vez a harmonia Verde e Rosa foi um caso à parte. Cantar forte é a especialidade do chão da Mangueira e no treino desta quinta-feira não poderia ser diferente. Na verdade, até foi: a comunidade se superou e cantou ainda mais forte. Nem mesmo a chuva desanimou os componentes, que cantaram cada verso do samba com muita alegria e força. Os trechos “ê bumba meu boi!//ê boi de tradição!//tem que respeitar maracanã//que faz tremer o chão” e “Mangueira! de Neuma e Zica//dos versos de Hélio que honraram meu nome//levo a arte como dom// um brasil em tom marrom que herdei de Alcione”, eram os ápices do samba e a comunidade cantava ainda mais forte. Se depender do componente, o show na Marquês de Sapucaí será incrível.

Para Helton Dias, vice-presidente de harmonia da escola, a tendência é de evolução a cada ensaio, em busca da perfeição. Agora, a equipe tenta acertar pequenos detalhes para o ensaio técnico da Marquês de Sapucaí. Ele destacou o desempenho da comunidade e da bateria.

“Foi mais um dia para aprimorar o que erramos no último ensaio, para fazer uma boa exibição no nosso ensaio técnico e preparar um bom desfile. Foi um ensaio espetacular, onde conseguimos alcançar o objetivo que conversamos na reunião da semana. A comunidade cantou muito e a bateria está fazendo algumas bossas e está valorizando muito (o samba). A gente tem que estar preparado para tudo. A chuva é também um teste e dá um combustível para a sustentação do canto. Foi um ensaio muito positivo”, comentou Helton.

Evolução

O ensaio começou por volta de 20h40 e teve cerca de uma hora de duração. Alegres, os componentes puderam evoluir com calma e brincaram carnaval. Algumas alas destacavam-se pela alegria somada ao canto forte, como a ala 23. Em poucas alas há a necessidade de treinar para manter o ritmo e a boa evolução durante toda a avenida – algo que ainda há bastante tempo para acertar. No geral, a escola deu show em mais um ensaio de rua.

Samba

O carro de som comandado pelos intérpretes Dowglas Diniz e Marquinho Art’Samba levantou o samba-enredo de maneira absurdamente perfeita. O entrosamento e o talento da equipe levanta o astral do ensaio de rua e fortalece ainda mais o canto da comunidade. Como sempre, os mangueirenses abraçaram a obra, e mostram a cada ensaio que podem fazer ainda melhor. A força do chão Verde e Rosa somada ao talento do carro de som têm tudo para resultar em um espetáculo na Marquês de Sapucaí. O ensaio técnico será o grande termômetro.

Assim como outros componentes da agremiação, Dowglas considerou que o treino desta quinta foi o melhor da temporada. Para ele, a equipe conseguiu colocar em prática o que planeja levar para a Avenida, e acredita que o bom desempenho do canto da comunidade é fruto de um grande samba.

“Nós conseguimos achar o andamento certo junto com a bateria e o carro de som. Foi um ensaio modelo. O carro de som está bastante entrosado, graças a Deus. É a questão do trabalho junto com a direção de bateria. Estamos realizando quatro ensaios por semana, os mestres de bateria acompanham o ensaio do carro de som e nós acompanhamos o ensaio da bateria. Isso torna o entrosamento mais fácil. A Mangueira tem um samba maravilhoso, que nos deixa confortáveis para cantar e que toca no coração de cada mangueirense. Eleva a alma e faz o componente cantar com garra e emoção. Tem tudo para o samba ‘acontecer’ na Avenida”, afirma o intérprete.

Outros destaques

Apesar da chuva, a bateria da Mangueira mostrou estar preparada para qualquer cenário. Afinal, chuva também é uma possibilidade para o grande dia na Passarela do Samba. Para o mestre Taranta Neto, que comanda a bateria junto com Rodrigo Explosão, o carnaval Verde e Rosa deste ano pede um trabalho mais musical. Até o ensaio técnico, a expectativa é que os ritmistas estejam praticamente prontos para o desfile oficial.

“Quando cai a chuva cai, atrapalha, mas também ajuda. É uma forma da gente se preparar – ver como vai ressoar a afinação junto com o plástico. A chuva não estragou tanto o couro. É claro que a afinação cai muito, mas acredito que a gente conseguiu se dar bem e os diretores conseguiram reafinar os surdos. Acredito que neste ano estamos com um trabalho mais musical do que o ano passado. Como estamos falando do Maranhão e da Alcione, isso pediu um trabalho mais musical. Tenho certeza que conseguimos acertar nisso. Acredito que até o ensaio técnico vamos chegar prontos em pelo menos 95%”, comentou Taranta Neto.

Outro destaque na bateria mangueirense é a presença feminina. Neste ano, cerca de 37 mulheres compõem a equipe de ritmistas. Destas, 18 vão à frente da bateria sob o comando do xequerê. Segundo o mestre Rodrigo Explosão, a ideia foi baseada nas mulheres do “Bumba meu boi”, tradicional festa popular do Maranhão. As ritmistas também levarão um pouco de coreografia e gingado para a bateria da escola.

“Elas trouxeram um brilho a mais para a bateria. No ano passado, vieram atrás do ganzá. Mas elas têm uma desenvoltura muito boa e a gente sempre foi aquela bateria mais ‘fechada’. Neste ano, tentamos inovar. Elas estão até colocando a gente para dançar (risos). Trouxeram uma alegria que estávamos precisando – passar e transmitir felicidade. A gente é uma bateria que é muito séria, e todo mundo que é mais antigo já traz essa tradição. Precisamos mudar um pouco. A bateria abraçou, ainda mais sendo um enredo da Alcione – nada melhor do que as mulheres representando na frente”, contou Rodrigo Explosão.