sidneifranca mangueira
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO

No sorteio que definiu a Estação Primeira de Mangueira como a escola a encerrar o Carnaval 2027, o carnavalesco Sidney França tinha mais que a posição de desfile para comemorar. Recém-anunciado pela presidente Guanayra Firmino como o responsável pelo centenário da agremiação em 2028, o paulistano, indo para o seu terceiro carnaval à frente da Verde e Rosa, enxerga a confirmação com o peso de um título.

“É como ser campeão do carnaval, porque daqui a 100 anos vão perguntar quem fez o centenário e meu nome vai estar lá”, afirmou. “É muito satisfatório, mas também um momento de muita responsabilidade”, disse Sidney.

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Com a visualidade bastante elogiada do desfile que homenageou mestre Sacaca em 2026, Sidney avalia o ciclo como positivo. “É muito bom saber que o trabalho agradou o mundo do samba, principalmente a comunidade da Mangueira, para quem dedico o meu trabalho”, declarou. E completou: “Foi a consolidação de uma trajetória que está apenas começando e tenho certeza que (o Carnaval) 2027 vai ser melhor ainda”.

Oyá, senhora dos ventos, fecha o Carnaval 2027

Em 2027, a Estação Primeira de Mangueira dedicará, pela primeira vez, um desfile inteiro a uma Orixá: Oyá, divindade feminina ligada ao vento, às tempestades e aos raios. O enredo, segundo Sidney, já estava nos planos antes mesmo do último carnaval. “Inclusive seria um enredo no lugar de Messi e Sakata, que acabou protagonizando o 2026 e a gente deixou para o 2027”, revelou.

O tema dialoga diretamente com o que o carnavalesco identifica como a essência da escola: a figura feminina e o matriarcado como forças fundadoras da identidade mangueirense. “É um enredo que responde muito à identidade ou alteridade da Mangueira”, afirmou. Quando questionado se o enredo funcionaria como um retorno ao fundamento para chegar ao centenário, Sidney concordou: “A ideia é chegar no centenário, uma escola quente, uma escola aguerrida e uma escola sempre tão pulsante”.

‘Oyá não é Bethânia’: Sidney rebate críticas

Nas redes sociais, parte do público apontou semelhança com o desfile de 2016, quando a Mangueira se sagrou campeã com o enredo “Maria Bethânia — A menina dos olhos de Oyá”. “As pessoas têm uma ideia muito errada a respeito desse assunto. Primeiro porque é Bethânia, o enredo era Bretanha. Oyá era a comissão de frente e o chassis do Abre-Alas. Então não era um desfile para Oyá”, argumentou.

O carnavalesco sinalizou que prefere deixar o trabalho falar por si. “Eu tenho muita preguiça de ficar nesse bate-boca. Vamos liberar o samba, os espetáculos, o filme, e aí as pessoas vão ter a real dimensão que é o enredo para Oyá”.

Um olho em 2027, outro no centenário

Com 2027 ainda em desenvolvimento, Sidney admitiu que o centenário de 2028 já ocupa espaço em seu planejamento. “É impossível não pensar”, disse. “Eu estou projetando o carnaval de 2027, mas já pensando em possibilidades narrativas e construções argumentativas para que amadureça cada vez mais, porque é uma grande responsabilidade. É muita história para caber no desfile”, finalizou.