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Sete escolas abrem o Grupo Especial de São Paulo, enredos que prometem colocar o dedo na ferida e dois CEP

Independente, Tatuapé, Barroca, Vila Maria, Rosas, Tom Maior e Gaviões desfilam no primeiro dia

Chegou o grande momento dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo, nesta sexta-feira teremos as sete primeiras na pista do Sambódromo do Anhembi. Os desfiles oficiais começam a partir das 23h15 com transmissão da TV Globo e toda a cobertura do site CARNAVALESCO. Enredos que prometem tocar o dedo na virada nas três últimas, também tem homenagens e resgate em filme bem conhecido.

Antes, às 21 horas tem o desfile das velhas guardas, que é um momento de abertura oficial do carnaval de São Paulo, apesar de já termos tido os desfiles do Grupo de Acesso II no último sábado. Vamos trazer um giro nas sete escolas do primeiro dia de Grupo do Especial com enredo, curiosidades e mais detalhes para 2023:

Independente Tricolor – 23h15

De volta ao Grupo Especial, a Independente Tricolor vai trazer uma pauta motivada pela história de Troia, ou seja, passando pela história contada no filme. O enredo para 2023 da agremiação é: “Samba no pé, lança na mão, isso é uma invasão!”. Contando sobre o enredo, o carnavalesco Amauri Santos falou exclusivamente para o site CARNAVALESCO.

“O enredo é bastante simples, didático, segue muito a história. Apesar da história da guerra de Tróia ter várias interpretações, nós criamos a nossa em cima da mais original que possa ter, inclusive até do filme, só que dando nosso molho. A gente mistura um pouco, os deuses aparecem muito no nosso enredo. Então traçamos um paralelo com o que a escola está vivendo hoje, retornando ao grupo de elite do carnaval de São Paulo”.

Assim chega a Independente Tricolor no retorno, após passagem pela elite em 2017. Vale ressaltar que a escola adotou o enredo por conta de tudo que passou, inclusive no rebaixamento em 2017, fogo no barracão e outros problemas que atrapalharam a escola, ou seja, um verdadeiro ‘Guerreiro Valente’ é esperado na pista.

Fundação: 1987 (refundada 2009)
Escola Madrinha: Império de Casa Verde
Participações no Grupo Especial: Uma em 2017 e cinco vezes no Acesso
Melhor resultado: 13ª lugar no Grupo Especial (2017)
Títulos: Terceira divisão (2014), Quarta divisão (2013) e Sexta divisão (2010)
Último ano: Vice-campeão do Grupo de Acesso I

Acadêmicos do Tatuapé – 00h20

Com perda de décimos em 2022 por usar maquinário, ficou na 12ª posição e por isso será a segunda escola a desfilar na sexta-feira. Mas isso ficou para trás, e o enredo para 2023 desenvolvido por Wagner Santos é “Tatuapé Canta Paraty! Do Caminho do Ouro à Economia Azul. Patrimônio Mundial, Cultura e Biodiversidade. Paraty Cidade Criativa da Gastronomia”, que explicou sobre em entrevista na Série Barracões do site CARNAVALESCO.

“A Tatuapé irá apresentar um enredo em homenagem a Paraty. O resumo da história é um roteiro turístico que faremos pela cidade de Paraty. Faremos com que as pessoas conheçam as maravilhas e belezas que a cidade de Paraty tem a oferecer a todos aqueles que tem vontade de conhecer. Claro que faremos dentro desse enredo a nossa viagem, porque a gente trabalha com Carnaval, trabalhamos com sonhos. Vamos partir para personagens mitológicos, para trazer essa Paraty para as pessoas conhecerem. Através desses personagens da mitologia, personagens aquáticos, é que apresentaremos a Paraty que hoje nós conhecemos. A gente precisa ter um personagem, uma figura para retratar a história de Paraty. Não é só chegar e falar da cidade. Fomos lá na mitologia grega, fomos buscar personagens da mitologia grega, criamos personagens aquáticos, criamos um mundo aquático para apresentar a nossa Paraty de hoje”.

A agremiação da Zona Leste venceu dois títulos recentes no carnaval, em 2017 e 2018, cantou Zimbábue e Maranhão, também teve homenagem para Atibaia, que ficou no 4ª lugar. Portanto com enredos CEP, tem tido resultados expressivos dentro do carnaval.

Fundação: 1953
Melhor resultado: Bicampeão do Grupo Especial em 2017 e 2018
Títulos: Primeira Divisão (2017 e 2018), Segunda Divisão (2003), Terceira divisão (2010), Quarta divisão (1996), Quinta Divisão (1993) e Grupo de Seleção (1985)
Último ano: 12ª colocado no Grupo Especial

Barroca Zona Sul – 01h25

Seguindo a noite, a terceira escola a entrar no Anhembi é a Barroca da Zona Sul que cantará ‘Guaicurus’, um enredo indígena na escola da Zona Sul de São Paulo. O carnavalesco Thiago Meiners explicou um pouco sobre o contexto do enredo em entrevista para o site CARNAVALESCO.

“O enredo da Barroca Zona Sul é ‘Guaicurus’, que é uma homenagem aos povos originários do Brasil. Esse povo indígena foi escolhido porque muita gente conhece a história da guerra do Paraguai, da questão da divisão territorial da região centro-oeste, mas pouca gente dá importância para esse povo. Guaicurus era um povo indígena que vivia naquela região e que foi usado como exército do Brasil na Guerra do Paraguai, justamente por conhecer, dominar e conhecer os animais daquela região, principalmente os cavalos. Pelo fato de os Guaicurus serem os índios cavaleiros, o tempo de locomoção deles na guerra, ajudou muito a vitória do Brasil”.

É o terceiro ano consecutivo da escola no Grupo Especial, nos outros dois anos ficou na 10ª colocação. Pois busca um desempenho melhor neste carnaval e acredita na força do seu enredo para buscar uma boa passagem na pista.

Fundação: 1974
Melhor resultado: 5ª lugar em 1982, 1985 e 1990
Títulos: Segunda Divisão (1976, 1987, 2002) e Terceira divisão (1975, 2015, 2017)
Último ano: 10ª colocado no Grupo Especial

Unidos de Vila Maria – 02h30

Com uma homenagem à sua própria história e do seu lugar, a Vila Maria com Cristiano Bara: “Vila Maria, Minha Origem, Minha Essência, Minha História! Muito Além do Carnaval”, ou seja, a escola quer manter a sequência de bons resultados, são três anos consecutivos indo para o desfile das campeãs. Mas a meta mesmo é ser campeã pela primeira vez.

“A gente tem o nome do próprio enredo os quatros pilares que sustentam o nosso tema. A gente começa falando dos fundadores. A partir daí, contamos os momentos do bairro da Vila Maria, onde cita onde começou tudo na Rua Kaneda, depois no Sacolão e nesse caminho mostra a força do povo e da religiosidade com a igreja da Candelária. Depois a gente vai começar a contar nossa história a partir dos nossos enredos até chegar à obra social que a Vila Maria faz, contribuindo com o bairro e moradores”.

A Vila Maria valoriza, acima de tudo, o seu trabalho social dentro da comunidade, formação de ritmistas, casais, e outros fatores além do Carnaval. Então com tudo isso, contará sua história dentro do desfile neste ano.

Fundação: 1954
Melhor resultado: Vice-campeão do Grupo Especial em 2007
Títulos: Segunda Divisão (1968, 2001 e 2014) e Terceira divisão (1998)
Último ano: 5ª colocado no Grupo Especial

Rosas de Ouro – 03h35

Seguindo na madrugada temos a Roseira entrando na pista do Anhembi e com o enredo escrito por Paulo Menezes: “Kindala! Que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”. Um enredo desenvolvido e resgatou um samba derrotado em 2005, mas muito cantado pela comunidade, surgiu Kindala. O carnavalesco Paulo Menezes nos contou um pouco sobre o trabalho no tema que abordará o racismo.

“Não queria que fosse um enredo com olhar de um carnavalesco branco sobre um tema preto. Então o primeiro ponto da pesquisa foi conversar com as pessoas, independente de que camada social ou intelectual que elas pertenciam. O mais importante foi conversar com elas e para sabermos quais eram as prioridades, necessidades, o que seria importante ser tocado. Pois elas foram a fonte maior de pesquisa, daí partimos para pesquisa em livros e principalmente em redes sociais, jornal, televisão. Porque tudo que a gente está falando aconteceu na época que começou a escravidão, e continua hoje em dia. Então é um tema muito atual, não é um fato histórico. É uma história que se perpetua até hoje. Infelizmente ainda é assim”.

Vale citar que ‘Kindala’, no idioma bantu, significa ‘agora’. No logo oficial do enredo, ainda tem um recado: “Que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”. Ou seja, buscando o retorno ao desfile das campeãs, são dois anos sem participar, a escola quer fazer a diferença em uma pauta importante.

Fundação: 1971
Melhor resultado: 7 vezes campeã do Grupo Especial
Títulos: Primeira Divisão (1983, 1984, 1990, 1991, 1992, 1994, 2010), Segunda Divisão (1974), Terceira divisão (1973)
Último ano: 9ª colocado no Grupo Especial

Tom Maior – 04h40

A penúltima escola a entrar no Anhembi na noite de sexta para sábado, será a Tom Maior que ficou empatada em pontos com a campeã no último carnaval e almeja seu primeiro título há algum tempo. O samba venceu as pesquisas como melhor, e o enredo é: “Um Culto às Mães Pretas Ancestrais”, o carnavalesco Flávio Campello contou para nós na visita ao barracão sobre a temática.

“É muito curioso que esse enredo surgiu em 2013, quando eu ainda fazia parte de outra agremiação. Eu sou muito amigo de uma coreógrafa de comissão de frente chamada Yaskara Manzini. Ela estava defendendo uma tese de mestrado que falava sobre os cultos às Iyamis. Ela me presenteou com a leitura dessa dissertação, e eu acabei ficando encantado porque era algo que até então eu não conhecia. Iyami na tradução iorubá significa “minha mãe”, e há uma infinidade de cultos ligados e associados à essa figura materna, principalmente a essa ancestralidade materna. Como nosso samba mesmo diz, nós somos filhos de mãe preta. Isso significa que o princípio ativo da vida surgiu no continente africano. A nossa ideia é justamente mostrar essa ancestralidade. Que todos nós somos filhos dessa mãe preta, e essa mãe preta nada mais é do que o continente africano”.

Com todo um contexto envolvendo as matrizes africanas, e também trará seu cunho racial no desfile, mas de uma forma diferente, contando uma história rica das nossas próprias raízes na vida.

Fundação: 1973
Melhor resultado: 4ª lugar no Grupo Especial em 2018
Títulos: Segunda divisão (1995 e 1999) e Terceira divisão (1992)
Último ano: 4ª colocado no Grupo Especial

Gaviões da Fiel – 05h45

Buscando retornar para o Desfile das Campeãs, a última vez foi em 2011, a agremiação oriunda da torcida organizada do Corinthians, vai cantar o enredo “Em Nome do Pai, dos Filhos, dos Espíritos e dos Santos… Amém!”. Uma dupla de carnavalescos, André Marins e Júlio Poloni comandam o trabalho na agremiação corintiana em 2023, e Júlio nos contou sobre a proposta.

“Vamos fazer um Carnaval que é um dedo na ferida, é um tema polêmico, mas com poesia e sutileza, nada para chocar. É para passar aquela mensagem. A sinopse foi construída como se Deus escrevesse uma carta para seus filhos, e nós estaremos traduzindo essa carta em forma de desfile. Não estamos apontando o dedo para ninguém, mas a carapuça irá servir para quem tiver que servir. Por exemplo, uma pessoa preconceituosa tendo acesso a essa mensagem, vendo as religiões em comunhão. O que a gente pretende entregar para as pessoas é uma compreensão de que, em muitos pontos, as religiões empregam as mesmas mensagens e são baseadas nos mesmos valores. É basicamente essa mensagem que queremos passar, contra o preconceito. Para as pessoas se livrarem daquele preconceito e se abrirem para essa realidade”.

Fechando a noite no Anhembi, Gaviões da Fiel deve contar com a força da sua torcida, e claro, a união das religiões, que é a ideia proposta da escola neste carnaval.

Fundação: 1969
Melhor resultado: 4 títulos do Grupo Especial
Títulos: Primeira Divisão (1995, 1999, 2002 e 2003), Segunda Divisão (1991, 2005, 2007) e Bloco Especial (1976, 1977, 1978, 1979, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987, 1988)
Último ano: 8ª colocado no Grupo Especial

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