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Série ‘Barracões: Emocionante e alegre, União da Ilha vai comemorar os seus 70 anos e centenário da Portela

Site CARNAVALESCO visitou o barracão insulano para descobrir o que público pode esperar do carnaval pensado por Cahê Rodrigues

Em 2023, o povo do samba comemora o centenário da Portela e os 70 anos de existência da União da Ilha do Governador. O vínculo de afilhada e madrinha foi o fio necessário para a insulana definir como enredo “O encontro das águias no Templo de Momo”, desenvolvido pelo carnavalesco Cahê Rodrigues. Segundo ele, a proposta é homenagear a maior campeã do carnaval carioca e contar a história da União, mas de uma forma lúdica e não necessariamente documental.

“Foi uma coincidência enorme do destino saber que seria um ano muito especial tanto para a Ilha quanto para a Portela. Convivendo com esses laços de amizade da União da Ilha com a Portela dentro da quadra e vendo o carinho do insulano com o portelense, que vem antes do batizado, eu me pensei por que não fazer um enredo em homenagem à madrinha centenária. E eu queria contar também um pouco da história da Ilha, um enredo que pudesse valorizar a história da União da Ilha, de falar dos seus sambistas, compositores e artistas. Assim nasceu ‘O encontro das águias no Templo de Momo’ que é justamente em homenagem aos 70 anos da Ilha e ao centenário da Portela”, contou Cahê.

Há três anos como carnavalesco da Ilha, Rodrigues sentia que era a hora de reavivar a alegria do componente que sentiu muito com o rebaixamento em 2020. O enredo foi muito bem recebido pelo presidente Ney Filardi e pelos insulanos. Para aproveitar essa empolgação, neste ano, a opção artística é usar bastante as cores da escola (vermelho, azul e branca) para firmar a identidade da comunidade.

“Quando divulgamos a sinopse e o título do enredo, o componente ficou feliz e a escola recebeu muitos elogios. Eu entendo que a escola estava muito carente de um enredo com a cara deles e esse encontro das águias caiu como uma luva nesse momento que a escola vem atravessando por todo esse processo de rebaixamento, tentando voltar para o Grupo Especial, sendo a Ilha uma escola do Especial e estamos só de passagem. Hoje ver a comunidade feliz, para mim, é a maior vitória! Independente de resultado, é saber que a gente está no caminho certo, saber que a escola vai voltar a vestir suas cores em uma proposta de Carnaval alegre para o componente brincar acima de tudo”, garantiu Cahê.

Fotos: Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO

O desfile da Ilha promete ser emocionante do início ao fim. Além de falar das aniversariantes homenageadas, a agremiação está fazendo uma grande homenagem ao carnaval, aos bailes, aos blocos e aos cortejos. Cahê Rodrigues acredita que o impacto que o Palácio das Águias, na abertura, e a grande homenagem à Portela, no fim, será capaz de provocar emoção a todos os sambistas.

Com a ideia de representar uma estética de carnaval mais antigo, o carnavalesco optou por materiais e estilos de fantasia que poderiam estar sumindo da construção dos desfiles contemporâneos.

“A Ilha está bem diferente dos últimos anos. Ela está bem vestida e, ao mesmo tempo, leve. É uma escola com fantasias de carnaval como a gente já não vê há algum tempo. Existem fantasias com materiais bem alternativos que já eram usados em carnavais antigos, como tule, filó de armação, fita metalóide, apostamos em acetato, paetês, espelhinho, chicote de ráfia, para relembrar esses carnavais. E tudo com muito brilho, a escola está com materiais muito metálicos para dar o impacto visual bacana nos setores”, explicou o carnavalesco.

Um encontro de águias não poderia ser feito sem boas aparições do símbolo de ambas. O público pode esperar várias representações do animal ao longo do desfile. Dentre elas, Cahê Rodrigues pretende levar para a Avenida a representação de uma curiosidade de como a águia guerreira parar no escudo da União da Ilha.

“Esse encontro de geração, de amizades e de águias guerreiras, cada uma com a sua história, vai tar pousando em vários momentos de vários setores da história, seja na abertura ou no brasão da escola, que é uma das alas que conta a história da construção desse brasão. Tem uma versão de que diz que foi Natal que pediu para que a águia pousasse no brasão insulano e depois tem a história que o brasão foi criado pelo carnavalesco em 1970. Toda essa amizade que envolve os insulanos com os portelenses parecia que estava escrito que em algum momento esse enredo fosse acontecer na Ilha”.

Ilustres portelenses

A União da Ilha irá abrir as homenagens aos 100 anos da Portela. A expectativa é de um desfile alegre e emocionante também para a comunidade portelense. As histórias de ambas se cruzam para além do batizado e demonstram, realmente, um afeto entre as agremiações.

“Eu já sabia desse carinho e dos laços de amizade entre Ilha e Portela, mas quando você começa a conversar com as pessoas, tanto insulanos quanto portelenses, vai descobrindo histórias hilárias. Eu lembro que, quando eu entrevistei o Noca, teve um momento na entrevista que ele diz que se ele não fosse Noca da Portela, ele com certeza seria Noca da Ilha, por conta das amizades e da frequência que ele frequentava Ilha na época”, contou Cahê. “O Almir da Ilha, compositor, contou histórias emocionantes com a ala de compositores da Portela. A própria Wilma Nascimento conta da passagem dela pela União da Ilha, como ela foi tratada com carinho, a emoção de desfilar pela Ilha, a alegria que ela realmente viveu na Avenida e ela entendeu porque essa escola carrega essa marca da alegria. Quando você percebe esses laços de amizade tão profundos que até hoje são lembrados com muito carinho, o enredo vai quando força. Não é um enredo de ficção, é um enredo de pura realidade”.

A homenagem aos portelenses vai entremear todo desfile, mas foi reservado o último setor para uma homenagem exclusiva em que a comunidade azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira poderá se ver representada. As fantasias e a terceira alegoria vão causar nostalgia de outros Carnavais e reverenciar os baluartes.

“O carro traz um misto de nostalgia dos grandes carnavais da Portela, vai ser a alegoria que vai estar os portelenses, não muitos porque o carro não comporta, mas vão estar alguns portelenses ilustres, e muitas homenagens com imagens. A última ala traz o estandarte com vários portelenses e isso vai se estender para a alegoria final”, explicou o carnavalesco.

Responsabilidade

Cahê Rodrigues está no terceiro carnaval defendendo as cores da União da Ilha e já fez desfiles para a Portela em 2007 e 2008. Conhecer a homenageada por dentro é de grande ajuda para o artista. Ele diz que ainda é muito bem recebido pelos portelenses na quadra, em Madureira, e esse carinho se torna alimento para fazer um trabalho à altura.

“Não tem como passar pela Portela e não levar a Portela no coração. Poder homenagear a Portela dentro da Ilha, não há dinheiro que pague essa emoção. Eu estou fazendo com muito amor e carinho essa homenagem. Eu quero que o portelense se sinta abraçado, homenageado”, disse o carnavalesco.

Quando Cahê fala sobre provocar nostalgia no público que vai assistir o desfile da Ilha, ele fala também das referências que são sua base para o Carnaval. Entre os carnavalescos que o inspiram está Chico Spinoza e Maria Augusta, artistas muito importantes da história da insulana.

“Eu tenho alguns artistas que eu admiro muito que passaram na União da Ilha: um deles é o Chico Spinoza, que fez grandes carnavais, e a Maria Augusta, que foi a responsável por transformar a história da União da Ilha. Eu fui revisitar esses carnavais antigos para poder beber na fonte de alguns deles que marcaram a história da União. Claro que hoje a gente tem um evento com um nível de comparação e de exigência plástica bem diferente do passado. Procurei me inspirar e não copiar, meu enredo não tem essa ideia de releitura. Sem dúvida, as pessoas vão conseguir reconhecer algumas referências a artistas que tiveram passagens marcantes pela Ilha”, explicou Rodrigues.

Da escolha do enredo até a animação dos componentes, a União da Ilha luta para ser a escola que vai subir para o Grupo Especial. Na Série Ouro há dois carnavais, a nação insulana não vê a hora de chegar à elite onde ficou entre 2010 e 2020. Cahê Rodrigues defende que a Ilha é uma escola de Grupo Especial e esse é o objetivo deste desfile.

“Fazer carnaval na Série Ouro é sempre um desafio muito grande. Falta dinheiro, falta estrutura. O dinheiro chegou muito em cima, está todo mundo correndo contra o tempo. Só o fato de conseguir levar esse Carnaval para a Avenida já vai ser uma grande vitória. O resultado é claro que está atrelado a outras questões, ao conjunto da obra, de como a escola vai se comportar na Avenida. Mas o projeto que foi criado foi para ser campeão. A gente sai do barracão e vai para a Sapucaí para ser campeã do Carnaval. É o espírito que a Ilha carrega, é o nosso pensamento diário. Estamos trabalhando para isso. Não queremos mais ver a Ilha na Série Ouro, ela tem que voltar para o lugar dela que é o Grupo Especial”, afirmou Cahê.

Entenda o desfile:

A comunidade insulana vai ser a sexta a entrar na Avenida na noite de sábado. A escola virá com 2200 componentes, três alegorias, 23 alas, um tripé dividindo o segundo setor do terceiro e a comissão de frente tem um elemento cênico. O carnavalesco Cahê Rodrigues detalhou o desfile para o site CARNAVALESCO.

Setor 1: “O 1º setor é o grande baile, o Bal Masqué. O Rei Momo, que é o dono da festa, fica encantado e feliz com esse Encontro de Águias e resolve enfeitar a casa dele, o Sambódromo, para receber essas duas águias guerreiras. Ele faz uma grande festa, enfeita os salões do palácio para receber as duas convidadas especiais e promove um grande baile. É uma visão meio lúdica dessa festa carnavalesca na abertura da escola”.

Setor 2: “O 2º setor recebeu o título de ‘Ela é carioca’. É um resumo da história da construção da União da Ilha, desde a sua fundação até o primeiro título no Grupo 2, e a marca que ela carrega da alegria, o porquê ela ficou com essa marca e o porquê ela está no coração de todos os sambistas. O 2º setor mostra um pouco da riqueza de detalhes da história da União da Ilha: os seus sambas, os compositores, os artistas que ajudaram a construir a história da escola”.

Setor 3: “O 3º setor é um setor totalmente carnavalesco que é chamado de ‘O cortejo de Momo’. Momo fica muito feliz com essa homenagem que a Ilha está fazendo à Portela. Ele dá o baile no 1º setor e, no 3º setor, ele convoca todos os espíritos carnavalescos, todas as manifestações carnavalescas: os corsos, os blocos, os cordões, os grandes bailes, todo o glamour do Carnaval que, hoje, muitos desses já não existem mais. Essas grandes manifestações vêm participar dessa festa por conta do encontro, o aniversário de 70 anos da Ilha e os 100 anos da Portela. É um setor bem colorido, traz personagens muito marcantes da história do Carnaval (movimentos, blocos, bandas, bailes) que ajudaram a construir a riqueza da história do Carnaval brasileiro”.

Setor 4: “Depois dessa grande festa carnavalesca e esse encontro de foliões, a gente vai para o último setor, que é a ‘Barca do Infinito’. É homenagem diretamente à madrinha. É um setor que traz alas referentes à Portela, ele é praticamente todo azul e branco. A alegoria final é a ‘Bênção, Dindinha’, uma homenagem à madrinha centenária que vai emocionar e impactar, principalmente, o portelense por toda representatividade, pelo cuidado na escolha de imagens. O carro, esteticamente, diz, em termos de formas e de lembranças, que o portelense vai viver e recordar os grandes carnavais da Portela. É uma alegoria nostálgica, mas que eu tenho certeza que vai ser impactante por ter se inspirado em grandes carnavais, mas com um conceito atual de plástica e estética. Ela é bacana porque também tem uma traseira que acaba dando continuidade à história. Ao mesmo tempo que o carro faz homenagem à Portela, a traseira sugere um novo amanhã: uma nova bênção que essa madrinha deixa para os próximos anos de União da Ilha”.

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