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Série Barracões: Com anseio pelo título, Dragões quer mostrar uma África que a história nunca quis contar

Estética e força da comunidade são trunfos da escola para o desfile

Desde que ganhou o título do Grupo de Acesso, em 2011, a Dragões da Real tem se mostrado uma escola competente e que sempre briga pelo título do carnaval. Desta vez, é sabido que a escola irá diferente para 2024, pois é um enredo de temática africana, algo que a agremiação não realizou desde quando subiu para o Grupo Especial.

Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Tal fato era um pedido da comunidade, que sempre levava enredos lúdicos e homenagens de uma forma leve e descontraída para a avenida. Foi assim que a escola conseguiu dois vices e bateu várias vezes nos desfiles das campeãs. Com o enredo “África – Uma constelação de Reis e Rainhas”, a ‘comunidade será a terceira a desfilar na sexta-feira de carnaval e a expectativa de levantar a taça é grande. A reportagem do site CARNAVALESCO visitou o barracão da Dragões e conheceu o projeto para o Carnaval 2024, entrevistando o carnavalesco Jorge Freitas.

Explicação do tema

O artista conta como que abordará o tema. Existem muitas temáticas de matriz africanas no meio do carnaval em todos os anos. Porém, de acordo com Jorge, ele quer mostrar um continente alegre, sem nenhuma tristeza. “O processo nosso de criação era um anseio da agremiação, eu já tinha alguma ideia do que fazer já em outros carnavais com o tema afro e a proposta é bem simples. Quando a gente sair da avenida as pessoas veem uma África totalmente diferente dessa que está habitualmente aparecendo. Vamos falar de uma África triunfante, de uma África que é um grande continente de milhares de anos, não é de agora que nós vamos falar da África. Eu pedi logo no início das minhas explanações para os compositores, que eu não queria lamento. Queria falar de algo que realmente a história não quis nos contar. Falar desse continente de riquezas culturais, de riquezas naturais e de riquezas espirituais. Então tudo isso vai ser demonstrado na avenida através da nossa plástica. O samba por si só já conta tudo isso e as pessoas ainda perguntam: ‘mas não tem nome de rei e rainha?’ Eles vão se fazer presente. Esses reis e rainhas vão estar ao longo de todo o nosso desfile. A gente já inicia com o nosso portal da ancestralidade e é uma tribo da África ocidental, os Dogons, que vão estar fazendo esse elo de ligação, é uma tribo que tem mais de mil anos. Eles já são bem apurados na questão do estudo das estrelas e do universo como um todo os astrônomos atuais e os cientistas, vieram descobrir isso através de aparelhos, que hoje são utilizados. A tribo há mais de mil anos já tinha qualidade de fazer o que hoje é descoberto. Então vamos abrir dessa forma”, explicou.

Como surgiu

O nascimento do enredo veio em um consenso de várias pessoas. Enredista, diretor de carnaval, Jorge Freitas e até a própria comunidade se fez presente. O carnavalesco exaltou a aceitação dos componentes da Dragões no momento do anúncio. “Na verdade, eu estou com o enredista, que já trabalha há bastante tempo comigo, que é o Rafael Villares e esse ano tive também a grande satisfação de ter da confecção de histórica desse enredo o diretor de carnaval da escola, que é o Márcio, que é um historiador. Eu acho que é um processo onde desde o início a escola está muito envolvida. Até chegarmos a concretizar o caminho que nós queríamos mostrar na avenida, tivemos inúmeras reuniões com a diretoria dos segmentos, com o Renato, que é que está sempre atuando diretamente junto a todos os segmentos da escola. Quando foi apresentado para agremiação, houve uma aceitação muito grande. Tivemos inúmeros artistas da nossa comunidade participando desse lançamento de enredo e ao revelar, houve uma aceitação muito grande também por parte da crítica. Temos tudo para fazer um grande desfile”, contou.

‘Padrão Jorge Freitas’

Ao longo de passagens de Jorge, que está desde o começo dos anos 2000 em São Paulo, todos conhecem como ele gosta de implementar o seu estilo estético na avenida. Dessa vez não será diferente. Segundo o próprio, a Dragões da Real virá luxuosa. Além disso, a escola recebeu personagens na quadra que condiz com o contexto do tema. “Logo assim na temática da escolha do tema eu já procurei fazer algo que tivesse muito a minha linha de trabalho. É um carnaval luxuoso e grandioso pelo processo que ele é confeccionado. Nós estamos desde o mês de abril trabalhando nesse projeto. Tudo isso aí transforma o processo todo que é a construção de um carnaval. A gente afirma que o nosso carnaval é muito grande. Ele é grande pelo envolvimento das pessoas, pelas pesquisas que foram feitas, pelo envolvimento feito através da nossa comunidade. Trouxemos até reis e rainhas para dentro de nossa quadra para falar de todo o processo”, declarou.

Beleza plástica

Jorge lamentou o desfile de 2023, mas garantiu que o trabalho de cores e plasticidade dentro da pista será impecável, e tudo foi pensado no dia do sorteio. “Na verdade, o desfile de João Pessoa foi um pecado. Uma proposta totalmente diferente também de desfile. A nossa escola esse ano, está muito mais solta e aguerrida. Eu quero uma proposta de enredo que já era o sonho da nossa comunidade. O trabalho de cores vai ser muito forte, até porque vem com estampas diretamente de uma região africana que nós vamos estar exaltando. Vem com uma cromática muito impecável e quem acompanhou os nossos pilotos sabe. Depois da parte descritiva, eu já penso na parte plástica. Quando saiu o sorteio, já pensei nisso. Posso garantir que vem um conjunto bem harmônico e de um bom gosto incrível”, declarou.

Horário diferente

Nos anos de 2022 e 2023 a Dragões da Real encerrou desfiles, sendo a estreia de Jorge no ano passado. Como dito acima, o carnavalesco reforçou o luxo. “De João Pessoa, eu fiz uma mudança em função de ser a última a desfilar, coisa que não aconteceu no dia do nosso desfile. Nós terminamos e estava quase parecendo noite, devido à chuva e tudo o que aconteceu, mas mesmo assim foi um desfile impecável. Sobre a mudança de posição, muda muito. Ainda mais a questão temática da nossa proposta de enredo. Então eu venho com as cores bem quentes para fazer. Nós somos a terceira agremiação e eu tenho que chamar atenção. As pessoas que esperam o carnaval do Jorge, já sabem que é um trabalho de cor muito bem difundido, além da questão de acabamento e requinte. Eu trabalho muita cor sobre cor, porque como eu falei, está estampado a África dentro do nosso enredo. Então essa estamparia vai formar uma cromática bem de um grande mosaico onde as pessoas vão poder enxergar uma África dentro do nosso colorido”, afirmou.

Carta na manga

Como sempre, Freitas prega pela alegria dos componentes. Por onde passa, coloca esse estilo de desfile. “O trunfo é você fazer um desfile de carnaval descontraído. A nossa comunidade está incluída dentro de um conceito que é brincar de carnaval. Então o que ela tem que fazer é cantar e dançar. Eu tinha que elaborar uma proposta de fantasia para que o componente pudesse cantar solto, se pudesse dançar solto. Então eu acho que a fantasia é leve por mais que ela tenha volume. Pera aí que o componente realmente faça um desfile de carnaval. Ele entra naquela avenida para dar o seu máximo que em 20 minutos, ele vai estar sendo avaliado o trabalho de um ano todo que a nossa escola realmente ensaiou”, comentou.

‘Coragem, resistência, comunidade’

O profissional se declarou para a escola. Falou que está totalmente envolvido com a Dragões da Real pelo carinho que recebeu. Além disso, acredita muito em soltar o grito de campeão. “Um grande desfile dos projetos que eu faço eu me envolvo muito e não basta você ter carro bonito, não basta você tentar fazer bonito, você tem que ter uma comunidade que esteja pronta para tudo isso que você apresenta para ela e sem medo de afirmar. Uma comunidade se sente bem investindo através da Dragões. Ela se sente bem em estar na Dragões da Real. Se sente bem representada. Então eu acho que acima de tudo eu hoje sou Dragões da Real pela receptividade que eu tive e o meu compromisso perante essa comunidade é de fazer o meu melhor sempre para que realmente eles se sintam bem respeitados dentro de uma proposta de Jorge enquanto profissional; O nosso objetivo é entrar e sair campeã do carnaval, mas para isso a gente faz esse trabalho durante todo o ano. Mas eu posso te afirmar: Vamos fazer um grande carnaval e eu penso muito em sair daquela avenida e poder soltar o grito de campeão”, finalizou.

Conheça o desfile

“O nosso primeiro setor são os mitos. A gente vem com um carro que é a representação da África, que é a grande Savana. O nosso primeiro setor corresponde da nossa primeira alegoria até a segunda alegoria que são as virtudes. Tem justiça e alguns reis com essas virtudes. Depois a gente fala dos reis e rainhas guerreiras contentes do nosso segundo alegoria até o nosso terceiro alegoria. Depois o nosso último setor que é o dos expansionistas. Significa levar essa cultura africana para outros lugares e ela se expandir não só no continente africano. É também fazer essa amplitude da cultura africana em outros lugares e sempre mostrando e enfatizando essas grandes riquezas do continente africano que é a riqueza cultural, a riqueza humana e a riqueza espiritual”, explicou.

Ficha técnica
Quatro alegorias
2.800 componentes
Elemento alegórico (Comissão de frente)
Diretor de barracão – Elias Vieira
Diretor de ateliê – Victor Hugo

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