A São Clemente foi a quarta escola a desfilar na Sapucaí, nesta noite de sexta-feira, homenageando o ator Paulo Gustavo. A agremiação de Botafogo apresentou o enredo “Minha vida é uma peça” cantando a trajetória artística do ator e comediante. As dificuldades na manobra das alegorias no início do desfile e os problemas de evolução acabaram complicando a passagem da escola. Destaque positivo para o canto dos componentes, apesar da oscilação em alguns momentos. A comissão de frente trouxe Dona Déa, mãe de Paulo Gustavo, mas também sofreu com problemas em seus efeitos especiais. O desfile durou 69 minutos. * VEJA FOTOS DO DESFILE

Fotos de Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Comissão de Frente

A comissão de frente da São Clemente foi intitulada “A primeira inspiração veste seu maior sucesso”. A escola trouxe um elemento cenográfico que fazia menção aos camarins, lugar utilizado pelo artista Paulo Gustavo para a transformação de seus personagens. O tripé da comissão era rosa e possuía muitas luzes e espelhos. Ele entrou apagado na avenida, mas ascendeu antes de chegar na primeira cabine de jurados. Os bailarinos vieram com fantasias monocromáticas, representando cada uma das sete cores do arco-íris. Um outro integrante estava vestido de girassol, nas cores da escola. As luzes do tripé passaram apagadas no segundo módulo de julgamento.

O grupo executou duas coreografias durante o desfile. A primeira delas, no chão, extremamente sincronizada, com movimentos cênicos expressivos e dinâmicos. No segundo momento, quando a comissão de frente se apresentava em frente aos módulos de julgamento, os integrantes subiam no tripé. No trecho do samba que dizia “Dona Hermínia mandou avisar que pode/ Brincar na avenida e dizer no pé”, oito bailarinos surgiam caracterizados como a personagem ‘Dona Hermínia’, enquanto soltavam uma fumaça do tripé. Porém, o efeito não aconteceu na segunda cabine de jurado. Em seguida, uma estrutura vermelha surgia no alto do tripé com Dona Déa, a mãe do ator. A apresentação da comissão durou cerca de 2m20seg em frente ao módulo de quesitos.

Mestre-Sala e Porta Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da São Clemente, os irmãos Vinicius e Jack Pessanha, desfilou com a fantasia de “Sacerdotes da alegria”. Eles representaram, na concepção poética do enredo, os guardiões do portal teatro do céu. Munidos de asas e áureas, o casal bailou irradiando a vibração de um céu em festa, ao receber Paulo Gustavo no paraíso da comédia brasileira. Ao redor deles, vinham 10 anjos guardiões alados vestidos de “Seres de Luz”.

A fantasia de Jack possuía penas roxas na parte inferior da saia, com algumas máscaras e muitas pedrarias. A roupa de Vinícius era lilás e amarela e também veio repleta de brilho e pedrarias. Ambos carregavam ainda um par de asas no costeiro. O casal esbanjou simpatia, executando um bailado leve e elegante. Porém, no último módulo, a porta-bandeira chegou a enrolar o pavilhão quando o casal parou para se apresentar. A coreografia em frente à cabine de jurados durou por volta de 2min20seg.

A São Clemente apresentou certa oscilação de canto. Enquanto os componentes das alegorias cantavam forte o samba-enredo, algumas alas como “Festa no céu”, “Feliz como cena de filme” e “Dermatologista” deixaram um pouco a desejar no quesito harmonia. Em compensação, outras alas como “Entregador de quentinhas”, “PG – Pop Star” e “Ju Fiel escudeira” entoaram com bastante vigor e empolgação o samba escola. As composições do quarto carro, intitulado “220 volts”, também mostraram um canto com muita intensidade, contagiando o público da Sapucaí.

Evolução

A escola da Zona Sul evoluiu com muita dificuldade na passarela do samba. A primeira alegoria custou a entrar na avenida, gerando um buraco no setor inicial do Sambódromo, que ainda não é visto pelo julgador, mas que acabou atingindo o setor 3, ou seja, no campo de visão para avaliação do quesito. Mais na frente do desfile, entre a ala “Figura feminina” e o destaque de chão que representava a diversidade, que vinha logo atrás, abriu-se um buraco em frente ao setor 6. Um dos integrantes da ala desfilou ao lado do destaque. A ala das baianas, “Luz da eternidade”, encontrou dificuldades para evoluir na passarela. Quando a bateria entrou no recuo a escola acelerou o passo para não estourar o tempo máximo de desfile.

Enredo

A escola realizou uma emocionante homenagem ao ator Paulo Gustavo, morto em maio de 2021, vítima da covid-19. O enredo “Minha vida é uma peça” percorreu toda a trajetória de vida do ator-comediante. A São Clemente abriu o desfile com o “Céu de Paulo Gustavo”, onde o ator era recebido por anjos de perucas coloridas no “Paraíso da comédia brasileira”. O segundo setor da escola de Botafogo trouxe o “Triunfo de Dona Hermínia”, para contar um pouco da influência de Dona Déa na construção das personagens elaboradas por Paulo.

No terceiro setor, “O amor de Thales: o que é bom vira perfeito”, a São Clemente passou a falar da vida amorosa de Paulo Gustavo, considerando justa toda e qualquer forma de amor. Como diz o samba: “Mulher com mulher tudo bem/ Homem com homem também/ O negócio é amar alguém”. Em seguida veio o setor “Bondedazamiga” com alas representando diversos personagens interpretados pelo ator. Por fim, o setor “Família é o alicerce onde a vida começa e o amor nunca termina” encerrou o desfile da escola em alto astral, lembrando que rir é um ato de resistência.

Alegorias

O carro abre-alas da São Clemente simbolizou o “Paraíso da comédia brasileira”, com nuvens em formas de gigantescos arabescos, raios irradiando tons lilases por debaixo da alegoria e luas de balanço. Duas esculturas de flamingos decoravam a parte frontal. No setor 1, o carro encontrou dificuldades para manobrar e precisou ser desacoplado para entrar na pista de desfile. Depois do susto, o carro passou sem maiores problemas.

A segunda alegoria foi chamada de “Minha mãe é uma peça”, em referência à Dona Hermínia, uma das principais personagens da carreira de Paulo Gustavo. O cenário é um prédio barulhento localizado na cidade de Niterói. Cenas engraçadas do filme, que leva o mesmo nome do carro alegórico, puderam ser vistas pelo público. À frente da alegoria, duas gruas faziam alusão a um set de filmagem.

O terceiro carro alegórico da Preto e Amarelo recebeu o nome de “Thales e as crianças”. Thales foi o grande amor da vida de Paulo, juntos, eles oficializaram o sentimento e construíram uma família, gerando os filhos Romeu e Gael. A quarta alegoria foi denominada “220 volts”, misturando dois espetáculos teatrais do ator: a comédia dramática “Minha mãe é uma peça” e o stand up “Hiperativo”. E o último carro, “Valeu PG”, celebrava a brilhante carreira do ator que a todos nós fazia sorrir. As duas últimas alegorias apresentaram falhas de acabamento na parte traseira.

Fantasias

A primeira ala da São Clemente era toda em branco e prata, representando uma espécie de “Festa no céu”, que celebrava a chegada do astro eternizado no paraíso. A quarta ala, “Niterói de minha infância”, fez alusão aos primeiros anos de vida de Paulo Gustavo. A fantasia era colorida e tinha um belo volume que propiciava um lindo efeito visual. A ala “Meu carrinho de bebê” trouxe drag queens empurrando carrinhos de bebê, representando a semente que gerou os filhos Romeu e Gael. A escola encontrou soluções irreverentes para contar a vida de seu homenageado.

Samba-Enredo

O samba-enredo composto pela parceria de Arlindinho Neto teve um bom rendimento na avenida, impulsionando o canto da escola. A letra trazia versos de duplo sentido como “São Clementes aqueles que amam/ Que cuidam, que sentem” e “De Thales, o amor venceu/ O sentimento mais fiel”. O refrão do meio foi a parte cantada com mais intensidade pela comunidade da escola. Os intérpretes Leozinho e Maninho seguraram o canto e mantiveram o alto astral até o fim da passagem da São Clemente.

Outros destaques

A São Clemente trouxe um tripé simbolizando a “Barca de Niterói”, cidade de origem do ator. A ex-bbb Thelminha Assis desfilou como musa da escola, fantasiada de “O balacobaco da Ivonete”, à frente da ala de passistas, que homenageou as mulheres negras das comunidades periféricas e das escolas de samba. Muitos artistas, amigos de Paulo Gustavo, desfilaram na São Clemente, como Regina Casé, Fábio Porchat, Marcos Veras, Rodrigo Pandolfo, Mariana Xavier e Marcelo Adnet. A rainha de bateria, Raphaela Gomes, desfilou com a fantasia “Angels – A dona da banca”.

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