InícioGrupo EspecialSambistas encaram desafio e assumem papel de jurados por um dia

Sambistas encaram desafio e assumem papel de jurados por um dia

Nomes ligados a diferentes escolas e que atuam em segmentos distintos integraram a mesa avaliadora do concurso de quadrilhas promovido durante a festa julina na Cidade do Samba

Acostumados a terem o trabalho julgado no Carnaval, sambistas de diferentes segmentos e escolas tiveram a oportunidade de serem jurados por um dia. Nomes como o do carnavalesco da Vila Isabel, Paulo Barros, e da porta-bandeira da Beija-Flor, Selminha Sorriso, foram alguns dos que integram o corpo do júri montado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) para avaliar as quadrilhas que se apresentaram durante a festa julina realizada na Cidade do Samba.

Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

“É uma experiência nova, sem sombra de dúvidas. Até porque julgar não é uma coisa fácil. As pessoas acham isso, mas é muito difícil. Principalmente, uma coisa que eu não domino, não entendo. É uma nova praia, mas achei muito legal, muito interessante. É uma nova concepção da festa junina ou julina e fiquei muito feliz. Esse é o grande diferencial nosso, do brasileiro principalmente, e também do samba. Abraçamos tudo e a todos. É algo muito legal, muito bom, e esse evento na Cidade do Samba é um exemplo disso”, relatou Paulo Barros em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO.

“Fiquei muito honrada com o convite da Liesa e de poder estar participando deste momento, de receber uma outra cultura, que também é nossa, aqui na fábrica de sonhos. Estou emocionada, me identifico muito com as quadrilhas tradicionais, aquelas que conheci quando era adolescente, mas também achei um máximo, super diferente, essa modernidade, esse luxo, das quadrilhas que se apresentaram aqui. Foi difícil tirar algum décimo delas. Tentei ser o mais justa possível. Afinal, nós como sambistas temos que ter respeito a tudo que nasce dentro da gente, que é arte, e que apresentamos para quem está fora”, analisou Selminha.

Em conversa com o site CARNAVALESCO, a porta-bandeira da Beija-Flor ainda comparou as festividades julinas com a folia carioca. “Me sinto como se tivesse no Carnaval, tendo que avaliar grandes escolas de samba, se eu fosse jurada, e identificar qual vai ser a melhor, a vencedora. É muito difícil. Imagino com os jurados do Carnaval devem se sentir. É tudo muito equiparado, muito lindo e, acima de tudo, arte”, pontuou.

Tanto Paulo Barros quanto Selminha Sorriso estiveram entre os jurados da grande final do concurso de quadrilhas. Ao lado deles, estiveram o presidente da Riotur Luís Gustavo Mostof, a presidente da Sebastiana Rita Fernandes e a presidente da Imperatriz Leopoldinense Catia Drumond.

“Foi algo superdivertido. Eu nunca tinha participado de nada do tipo. Acho até que eu nem tinha visto uma competição de quadrilha assim, pessoalmente, só através da televisão. Nós não chegamos a passar por uma preparação, mas os conjuntos nos entregaram a sinopse do que eles iam apresentar, do tema, e ali a gente foi avaliando. Fiquei feliz, foi muito bom. Achei um barato”, assegurou a mandatária da Rainha de Ramos ao site CARNAVALESCO.

Ao todo, quatro conjuntos se apresentaram na final: Gonzagão do Pavilhão, Shock do Painho, Geração Realce e Araquém Forró Show. Na categoria quadrilha de roça, o vencedor foi o conjunto Geração Realce. Já na categoria quadrilha de salão, Araquém foi o campeão. Com a vitória nas respectivas modalidades, os dois grupos faturaram um prêmio de R$ 20 mil cada. Os demais, por terem ido a final, levaram a quantia de R$ 10 mil.

Mas não foi apenas na final em que os nomes ligados as escolas de samba marcaram presença no juri do concurso. No sábado, o carnavalesco da Porto da Pedra, Mauro Quintães, e a porta-bandeira da Unidos da Tijuca, Lucinha Nobre, estiveram no time que classificou duas quadrilhas de salão para disputarem o título.

“Eu amei a experiência, achei os trabalhos maravilhosos. É uma entrega muito grande, uma galera muito bonita dançando… Foi difícil julgar, até porque, às vezes, a diferença entre uma quadrilha e outra está em um detalhe que passa batido. Então, um fator que pesou muito para mim foi a animação. Mas posso garantir que eu fiquei muito feliz com a oportunidade, com o convite. Eu adoro festa junina, sou quadrilheira desde criança, daquelas que na época da escola dançava com todas as turmas, desde a primeira até sexta série”, declarou Lucinha Nobre.

Ao site CARNAVALESCO, a defensora do primeiro pavilhão tijucano ainda comentou sobre como foi receber o convite para ser jurada do concurso. De acordo com Lucinha, a proposta foi feita diretamente pelo presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, e lhe surpreendeu.

“Tocou o meu telefone e quando eu peguei para ver quem era, estava lá escrito: Jorge Perlingeiro. Eu já pensei: ‘Ai meu Deus, o quê que houve? O que será que ele quer?’. Quando atendi, era ele me convidando para ser jurada. Eu fiquei superfeliz. Adoro o Jorge, adoro estar junto da Liesa, sou cria da casa, então está tudo certo”, contou a porta-bandeira.

Na sexta-feira, em que dois conjuntos de quadrilhas de roça foram escolhidos para disputar a final de domingo, houve a presença ainda mais forte de sambistas entre os jurados. A mesa julgadora contava com a porta-bandeira da Portela, Squel Jorgea, o coreógrafo da comissão de frente do Salgueiro, Patrick Carvalho, o carnavalesco da Academia do Samba e da Unidos de Padre Miguel, Edson Pereira, e o diretor de Carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro.

“Foi uma honra muito grande receber o convite do Jorge Perlingeiro. Para mim, foi uma novidade que gostei bastante. É a cultura do nosso país, da nossa cidade e não foge muito do Carnaval, os aspectos técnicos, de indumentárias, de animação e coreografia. Foi uma experiência muito válida e gostei bastante. A gente recebeu o manual do julgador, eu pesquisei um pouquinho como fazia e não saiu muito do que eu já esperava não. É legal que a gente vê as pessoas que estão nas quadrilhas e alguns são componentes nossos, inclusive, então dá pra ver que é a raiz, é um suco de Rio, suco de Brasil, não tem como fugir dessa sinergia. Tem o aspecto indumentária, o aspecto de apresentação, mas acima de tudo é a cultura e você vê a doação, são pessoas que se doam muito, é muito difícil julgar”, disse Thiago em conversa com o site CARNAVALESCO.

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