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Rapha Maslionis celebra ascensão meteórica da vice-campeã do Acesso 2 Unidos de São Lucas

Escola da Zona Leste subiu do Grupo de Acesso 1 de Bairros da UESP, a quinta divisão do carnaval de São Paulo, para o Grupo de Acesso 1 da Liga-SP com três acessos consecutivos

A Unidos de São Lucas voltou ao Sambódromo do Anhembi para celebrar no Desfile das Campeãs uma conquista rara. Com o vice-campeonato do Acesso 2, a escola da Zona Leste obteve a terceira classificação de grupo consecutiva, entre os anos de 2022 e 2024, sendo que a ocorrida este ano foi em pleno ano de retorno ao templo da folia paulistana. Alcançar o Acesso 1 de tal forma ocorrera apenas uma vez na história, com a Colorado do Brás entre os anos 2011 e 2013.

O feito da São Lucas ganha ainda mais destaque levando em consideração o nível da competição do Acesso 2 em 2024, que contou com concorrentes de peso como a bicampeã do carnaval X-9 Paulistana, que subiu junto, da pentacampeã Unidos do Peruche e de agremiações tradicionais como Morro da Casa Verde e Imperador do Ipiranga. Em conversa com o site CARNAVALESCO após a festa das campeãs, o diretor de carnaval Raphael Maslionis analisou a trajetória da agremiação e falou sobre o sentimento em relação ao resultado.

“Eu sou muito gelado na hora do valendo. Você vai me ver brincando ali na frente porque a pista reflete o que foi trabalhado durante o ano. Se a escola não trabalhou durante o ano, não adianta tentar mudar em cima da hora, não vai acontecer. Carnaval é durante o ano e a pista só reflete, então eu chego muito calmo nesses momentos. Tenho uma intimidade ali, eu converso comigo mesmo bastante, mas com a equipe que eu montei junto com a diretoria da São Lucas não tem como você não confiar. O projeto era bom, as pessoas são competentes e se dedicaram. O resultado foi, como eu falei, nove quesitos. Eu sabia que eu chegava dentro da pista com a minha comissão de frente, eu não cobrei em momento algum a nota. Você pode falar com a Paula, não cobrei nota, cobrei trabalho. Era pra eles ensaiarem duas vezes por semana, eles ensaiaram três, quatro. O humano é o que rege o carnaval. Quanto mais humano e mais honesto nós formos, melhor vai ser o resultado. E cá está, a São Lucas que ninguém colocava no páreo, e estragamos o bolão de muita gente. Ano passado eu estava ajudando os meus amigos do Camisa Verde e Branco, e estragamos o bolão de muita gente também. Isso está começando a se tornar um processo. As pessoas começaram a visitar quadras e entenderam que trabalho vai além do que você construiu no passado. O trabalho é a cada ano. A São Lucas, agora, está grande, mas se não trabalhar o próximo ano, não é uma escola grande, e assim acontece em qualquer escola. Você trabalhando ano após ano, você renova a força da sua comunidade e do seu pavilhão”, declarou.

O ciclo da São Lucas no carnaval de 2024 foi marcado pela proposta de um enredo que costurou história com a atualidade, sobre o a exploração dos trabalhadores no Brasil, além do bem-sucedido concurso de sambas-enredo que fez nascer de uma junção uma das obras mais aclamadas da temporada em São Paulo. Para Raphael, esses elementos foram considerados importantes não apenas para o sucesso da escola, como também servem de exemplo de caminho a ser seguido por outras agremiações.

“Eu acho que esse é o caminho para o carnaval. É escola de samba. O samba-enredo foi o que nos trouxe para esse patamar elevado. Formamos duas alas dentro da comunidade que viraram e falaram assim: ‘espera, esse samba é difícil’. Na segunda passagem eles estavam cantando samba. Então não é porque ele é difícil, é porque ele não é um ‘oba-oba’ costumeiro. Um enredo contundente, com começo, meio e fim, que isso é importante ressaltar. Visualmente com começo, meio e fim. Em roteiro, começo, meio e fim. Todo ele destrinchado dentro da pista. Quem olha da arquibancada tem que entender o que é que a São Lucas está falando e tem que se identificar. Isso trouxe a comunidade junto com o samba. Nós tivemos uma disputa, optamos por juntar dois sambas e tivemos isso aí porque a São Lucas não tem medo de arriscar. Não se ganha nessa vida tendo medo de arriscar. O medo de perder tira a vontade de ganhar. A São Lucas fez história sim, com o pé no chão, com toda a humildade, mas a São Lucas fez história de sair da quinta divisão diretamente para a segunda divisão. Se essa comunidade se unir e der as mãos de uma forma verdadeira e honesta, ela tem condição de chegar mais longe ainda”, explicou.

Os desafios acima do normal ocorridos no ciclo que se encerrou geraram um inevitável cansaço. Raphael acredita que agora é o momento da comunidade da São Lucas recuperar as energias para chegar no Grupo de Acesso 1 disposta a alçar voos ainda maiores.

“Foi muito desgastante mentalmente e fisicamente essa reta final pelo fato de a São Lucas não ter uma condição financeira boa. A São Lucas se recuperou de uma dívida esse ano, uma dívida que era praticamente o valor da nossa verba. Não fizemos carnaval sem verba, mas sem estrutura. Sem base, sem nada. O que cada pessoa já tinha dentro do seu barracão, suas duas estruturas, o barracão todo pronto, a gente não tinha nem a base. E aí a gente paga guincho para isso, a gente paga a parte de ferragem, mão-de-obra que a gente valoriza dentro do nosso enredo, vivenciando o enredo. Então a gente foi muito estratégico, a gente estudou esse carnaval. Então, descansar agora. A comunidade precisa descansar também porque o carnaval é alegria, é festa, é celebração, não é obrigação. Que estejam todos no ano que vem por puro prazer”, concluiu.

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