Pelo segundo ano seguido, o álbum de sambas-enredo da Série Ouro foi produzido por mestre Macaco Branco. Além de comandante dos ritmistas da “Swingueira de Noel”, ele é formado como produtor musical pelo IATEC (Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação), já trabalhou com direção musical em algumas escolas e é há alguns anos músico da banda que acompanha a cantora Mart’nália. Em entrevista ao site CARNAVALESCO durante as gravações, o profissional falou sobre como tem sido proveitoso trabalhar na produção do CD. O lançamento oficial do álbum de sambas-enredo da Série Ouro acontece no sábado com mini desfiles na Cidade do Samba (COMPRE AQUI O SEU INGRESSO). Segundo o presidente da Liga RJ, Wallace Palhares, o CD físico deve estar disponível para a venda ainda no início de dezembro. As faixas já podem ser ouvidas nos principais agregadores de mídias digitais.

“Para mim foi muito gratificante poder fazer este trabalho, mais uma vez, junto com as escolas da Série Ouro. Graças a Deus, a aceitação das escolas perante o nosso trabalho está sendo bastante satisfatória. Você vê os intérpretes, mestres de bateria, diretores musicais de cada escola e ritmistas chegando no estúdio e saindo muito felizes, devido ao tratamento, a forma que a gente conduz o trabalho, a forma que está sendo feita a nossa produção. Ouvimos também o que eles gostam, porque não adianta, quando você produz um trabalho, um CD, você tem que agradar também aquelas pessoas que é a galera que vai ouvir o álbum. O foco é você agradar o público alvo daquele projeto, daquele gênero musical. Graças a Deus a galera que é o público da escola, que escuta, está saindo feliz com os trabalhos e se sentindo bem representados”, comemora Macaco.

O disco foi gravado no M&C Estudio em Marechal Hermes. Macaco, que explica como se dá este processo de produção da faixa de cada uma das 15 agremiações que compõem a Série Ouro.

“O nosso trabalho de produção é fazer com que a escola venha, grave e veja o trabalho, e se sinta representado por ele e que bata no peito e veja que aquilo é a característica da sua agremiação. Tendo muito cuidado para que não fuja muito do tradicional, claro que o trabalho do disco é um trabalho comercial, voltado ao público do samba-enredo, mas é muito gratificante quando você vê a galera saindo feliz com o resultado do trabalho. Vale muito a pena este trabalho junto com a nossa equipe , a galera da produção, poder estar trabalhando com o Maurício (Fonseca, dono do estúdio), com o Jeferson (Carlos, Liga RJ), Curupira (Liga RJ), com os arranjadores e com a galera das próprias escolas. É mais uma ano que eu estou muito feliz com o trabalho e a qualidade, tanto do sambas-enredo, quanto a qualidade de cada bateria, cada cantor , de cada arranjador”, avalia o produtor musical.

Combinado em plenária da Liga RJ com os presidentes das agremiações da Série Ouro, as escolas decidiram seguir algumas diretrizes para a gravação da faixa. Macaco explica alguns desses itens que tornam as faixas mais comerciais, homogêneas, mas sem perder as características fundamentais de cada instituição de samba.

“A nossa ideia é sempre fazer um alusivo, porque as escolas gostam, isso lembra os tempos áureos do carnaval, que a galera cantava o samba exaltação da agremiação, uma homenagem. Aí vem a introdução e a gente entrega para o samba que representa o enredo que você quer mostrar. A galera chega aqui com uma ideia, os arranjadores já tem uma, juntam, batem uma bola, todos vêem o que pode ser melhor. A gente conversa com os mestres de bateria para fazer as bossas, os arranjos de bateria na segunda passada do samba. Para a gente poder fazer uma primeira passada bem lisinha, para a galera ter um bom entendimento do que é a mensagem que a escola quer passar, ao mesmo tempo sem ser nada muito quebrado que faça com que o samba fique travando, parando, mas quando são arranjos que façam o samba fluir, tudo dentro da melodia, da métrica do samba, isso flui muito tranquilo. A gente tem isso acordado com os mestres. Até porque os mestres também acabam mostrando um pouco do seu trabalho, um pouco do que é a evolução dos arranjos de bateria de escola de samba. Tempos atrás eram muito mais simples, e como o grau de cobrança dos jurados, o nível técnico está muito elevado, acaba que as baterias têm que também evoluir com isso. Mas, ao mesmo tempo, sem deixar de serem tradicionais. O ritmo da bateria, o arranjo, tem que ser em cima da base original de cada escola. Você não vai perder sua essência, sua identidade. Mas, os arranjos às vezes tem que ter algumas coisas mais elaboradas e bem encaixadas no samba, porque você será julgado por um profissional da música. Os jurados são profissionais da música”, entende Macaco Branco.

Um dos grandes elogios que se ouve dos segmentos das escolas da série Ouro sobre o trabalho de Macaco Branco é a facilidade com que o profissional tem de entender os anseios e desejos das agremiações para a gravação de cada faixa. Ele comentou a relação com os mestres de bateria, diretores musicais, cantores, e outros integrantes das escolas de samba.

“A gente quando fala a mesma língua, fica mais fácil de você transmitir uma idéia. Eu sou músico, sou mestre de bateria, sou produtor musical, sou formado em produção musical pelo IATEC, já fui diretor musical de algumas escolas de samba, então eu tenho um pouquinho de vivência do que é esse caminho, esse gênero, essa linhagem dos sambas-enredo. Quando a gente senta para conversar, junto aos mestres, intérpretes e arranjadores, a gente já fala a mesma língua, e vê aquilo que é mais fácil e aquilo que não vai agredir o samba, e vai fazer o samba fluir cada vez mais. Porque nós estamos aqui para valorizar o samba e fazer ele fluir sempre bem”, acredita mestre Macaco Branco.