A Portela realizou neste domingo seu último ensaio de rua do ano, em Madureira. Dessa vez, o cenário para a comunidade cantar forte e Bianca Monteiro sambar bonito foi a Estrada do Portela. O público presente viu uma escola empolgada, organizada, disposta a encerrar o final de semana em alto astral e que conduz o belo samba com o mesmo vigor que faz a dancinha de braços do refrão principal. Com o enredo “Um Defeito de Cor”, dos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga, a Majestade do Samba será a segunda agremiação da segunda-feira de carnaval a desfilar na Marquês de Sapucaí.

O diretor de harmonia Julinho Fonseca avaliou o ensaio como satisfatório destacando que há diferença entre ensaiar na Carolina Machado e na Estrada do Portela:

“Estou muito satisfeito. Óbvio que a gente tem que buscar sempre o melhor, mas estou muito feliz com o canto e com a evolução que a escola vem mostrando ao longo desses ensaios de domingo. Aqui (na Estrada do Portela), por ser uma pista de tamanho menor, a gente avalia o componente e fica mais fácil da gente ver cada um cantando. Na Rua Carolina Machado, o espaço é maior e a gente pode evoluir melhor e ter um pouco mais de canto. Mas, o ensaio de hoje foi muito bom, foi tudo maravilhoso e a comunidade está de parabéns. É a prova de que o samba está sendo muito bem correspondido”, disse o diretor de harmonia.

Para o ensaio dessa noite era sair do shopping para cair no bom samba da Portela que ecoava por Madureira para o deleite dos moradores dos prédios, que puderam acompanhar uma bela evolução de suas janelas e uma escola completa: comissão de frente, primeiro casal, alas coreografadas e a alegria de sempre dos passistas que levantam o público das calçadas.

Comissão de frente

As bailarinas lideradas pelos coreógrafos Léo Senna e Kelly Siqueira apresentaram o número que levaram para o mini desfile, na Cidade do Samba, no dia 2 de dezembro. O grupo, formado apenas por mulheres, mostrou bastante sincronismo nos movimentos fortes de braços e na ocupação do espaço da pista. Na dança, exploraram bastante o rodado da saia e passos de dança afro. No final da apresentação, uma componente abre um livro no verso “seu filho venceu, mulher”, no refrão principal, logo na virada do samba.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal da Portela, Marlon Lamar e Squel Jorgea, se apresentaram em dois módulos, já que o tamanho da pista destinado ao ensaio é menor. Eles mostraram já algumas coreografias sobre a letra do samba e fizeram apresentações marcadas por provações, que chamaram a atenção dos espectadores.

Cada um teve o seu obstáculo para vencer: no primeiro módulo, o laço do cadarço de um dos sapatos do Marlon pulou para fora do sapato e causou preocupação, fazendo com que um homem fosse tentar ajeitar, sem sucesso, na virada para o refrão principal. O ocorrido foi mais preocupação que algo que atrapalhasse a dança. O mestre-sala passou ileso. No segundo módulo, uma ventania fez com que a bandeira de Squel enrolasse. A porta-bandeira Squel falou sobre o vento, explicando que não molhou a bandeira e que, para o Sambódromo a questão do vento não preocupa tanto.

“No Sambódromo não é tão aberto como aqui, que tem umas correntes mais fortes. Lá, a gente recorre a água, para molhar a bandeira, que eu não fiz hoje, mas nada que nos impeça de executar o nosso trabalho”, explicou Squel.

Harmonia

Se o ensaio na Estrada do Portela tem como objetivo avaliar o canto de cada componente, o trabalho está facilitado para a direção da Majestade do Samba. O cantar foi forte e a empolgação dos componentes coloca o quesito no caminho da nota máxima. O destaque para a coreografia de braços para cima no refrão principal; todas as alas fazem e a sincronia deixa o visual agradável.

“O canto da escola foi o melhor possível. Rua lotada, escola feliz, cantante e vibrante. Portela trabalhando quietinha, mas com muita vontade e garra para fazer um grande carnaval”, avaliou o vice-presidente Junior Scafura.

Evolução

Com menos de 300 metros de pista para ensaiar, a Portela não tinha o que se preocupar com a evolução. A escola fez o “feijão com arroz”, passou compacta, pulsando na pista e, mesmo brincando, não abriu espaços entre as alas e nem ficou parada por muito tempo.

Samba-enredo

Um belo samba cativa componentes a cantarem mais forte. A máxima do carnaval se traduz na Portela. Sem Gilsinho, em compromisso com a Tom Maior no carnaval de São Paulo, coube a Niu Souza e o time do carro de som conduzirem o ensaio. O bom entrosamento entre ala musical e comunidade entregou excelente passagem do samba no ensaio.

Os componentes cantam de forma fácil e leve, mesmo os versos os quais pede uma aceleração do canto, Teu rosto vestindo o adê/No meu alguidar tem dendê/O sangue que corre na veia é Malê!. O caminho para a nota máxima parece estar sendo percorrido a cada domingo.

Outros destaques

Em terra que Nilce Fran samba, não tem como o riscado não ser ponto alto. E o samba dos passistas da Portela chama a atenção pela beleza que ele impõe. Mas, destaque mesmo ficou para o momento fofura das crianças à frente da ala dos passistas e junto à bateria. Enquanto Bianca Monteiro, rainha da bateria, desfilava a sua própria alegoria com um samba de tirar o fôlego, meninas bem pequenas se desprendiam do público para ficarem perto dela. A Rainha da Majestade do Samba contou que o ensaio de rua é para abraçar e deixar as pessoas sentirem o amor da escola, acrescentando que as crianças que entram para sambar com ela, não atrapalham em nada.

“Criança é tudo. É energia positiva, é o novo. Elas entram para sambar e a Portela é isso: família. E tem que deixar as meninas sentirem essa energia. Elas estão vendo uma menina da comunidade como rainha da bateria, que sou eu, e têm isso como espelho. Eu fico muito feliz em saber que hoje eu sou espelho dessas meninas”, contou Bianca.

A Portela só volta a ensaiar nas ruas de Madureira, dia 7 de janeiro. Até lá, serão ensaios de quadra e uma visita à Avenida Mirandela no próximo sábado, em Nilópolis, para o Encontro de Quilombos. Lá a Beija-Flor estará esperando pela Águia Altaneira. Sobre o evento, o vice-presidente Junior Scafura prometeu levar bastante gente e mostrar a força da Portela para o público da Baixada.

“A nossa promessa é honrar o convite da Beija-Flor mais uma vez. A nossa co-irmã, nos chamou para uma linda festa, onde faremos o nosso melhor para saudar aquele público maravilhoso de Nilópolis”, garantiu Scafura.

O mestre de bateria Nilo Sérgio, também falou sobre o evento. Já que a Portela não ensaiará mais na rua de Madureira, ele pretende usar Nilópolis para colocar em prática a nova bossa e as coreografias que serão implementadas já na próxima semana.

“A gente tem ensaiado com duas bossas, aqui na rua. A partir dessa semana, vamos implantar mais uma, que é a última para esse samba. E vamos implantar umas coreografias também. Tudo vamos trazer para a rua, para pegar campo aberto. Se tudo acontecer bem, nessa semana, já vamos apresentar no encontro do próximo sábado com a Beija-Flor”, explicou o mestre Nilo.