O ano de 2021 foi muito difícil para o mundo do samba. Pela primeira vez em 100 anos, o carnaval, principal manifestação cultural deste país, não foi realizado. Mas, também foi um ano de esperança, retomada. As quadras reabriram, eventos foram realizados, os sambas para 2022 foram escolhidos, e as comunidades aos poucos foram retomando sua rotina de ensaios e festas, ainda que com restrições e cuidados.

O nascimento de um novo ano traz para muito dos componentes, daqueles que vivem, respiram carnaval, uma nova luz no fim do túnel, uma alternativa, um caminho para manter a chama do samba acesa e para que milhares de profissionais da folia possam ter a garantia de um ano mais tranquilo, com a possibilidade de manter suas obrigações financeiras em dia.

As expectativas já estão rolando em relação ao início de uma programação da folia que já deve ter início com os ensaios técnicos que deverão estar de volta a partir de janeiro. Por isso, o site CARNAVALESCO conversou com algumas personalidades do carnaval para saber como estão lidando com a espera até o carnaval e sobre também, superstições e promessas que costumam ter e fazer na virada do ano.

O intérprete Zé Paulo Sierra, da Viradouro, por exemplo, comentou um pouquinho sobre a ansiedade para voltar a viver essa paixão por uma preparação mais intensa para um carnaval depois de quase dois anos.

“A expectativa que a gente vive agora é muito maior do que para qualquer carnaval, pelo menos na minha geração, que a gente já tenha vivido. Porque a gente nunca passou por um hiato tão grande. Um ano sem a festa, então, mesmo sendo confirmado agora, tivemos um tempo para aguardar se ia ter ou não, aí surge uma nova variante e fica esse impasse. Então, é totalmente diferente. É algo muito novo para a gente. Acredito que vai ser um carnaval fantástico, muito disputado, as escolas têm muita vontade. Acredito, talvez, o carnaval mais disputado de todos os tempos, pelo menos que eu tenha vivido. Em relação aos ensaios técnicos, para nós, especificamente, gera uma expectativa muito grande. Em 2018 nós fizemos e ficamos fora em 2019, 2020, aí veio a pandemia. Não sabíamos se íamos ter agora, mas foi anunciado. E a expectativa é boa, principalmente para o público que estavam com saudade, principalmente essa festa, para esse público do carnaval que muitas vezes não tem grana para o desfile, esperam o ensaio técnico para poder festejar, fazer sua farra, eu acho que isso é bem legal. E o ensaio técnico é benéfico pois aproxima as escolas de samba de um público que ama o carnaval e que muitas vezes está de fora da Sapucaí por não ter condições financeiras de participar” entende o cantor.

Em relação às superstições de fim de ano, Zé Paulo conta que não tem uma roupa específica e que não gosta de colocar promessas como algo que ele tenha uma obrigação, mas sim como algo que ele faz consigo mesmo

“Não tenho roupa especial não, eu tento colocar alguma peça nova, mas pra mim de superstição ou cultural, mas não fico nessa paranoia de que se não usar vai acontecer algo diferente (risos). Tenho outras preocupações. Vou com a roupa que dá. Não fico preocupado com isso de ter que colocar uma cueca da sorte, uma peça da sorte, isso não faz diferença para mim. Não faço promessas, eu faço tratos comigo (risos). Eu me imponho algumas coisas, mas não é promessa. É porque eu não vejo como algo se eu conseguir tem que pagar. As coisas acontecem por uma naturalidade, por merecimento, então, meu compromisso é comigo. É naquilo que eu me proponho a fazer, no foco que eu tenho, nas coisas que eu abdico, mas nada visando troca, nada para pagar depois. É uma coisa interna minha e fica guardada comigo. Vai muito do merecimento e do que você precisa fazer. Sou tranquilo em relação a isso, o que pode te levar ao sucesso é o trabalho, é a repetição das coisas que você faz”, acredita Zé Paulo.

A porta-bandeira Bruna Alves, em 2020, estreou no posto principal da Mocidade ao lado de Diogo Jesus que retornou à Verde e Branca de Padre Miguel. Bruna aguarda ansiosamente pelo seu segundo desfile e conta que 2021, apesar dos pesares de não ter acontecido a folia, foi um ano mais produtivo para ela que boa parte de 2020.

“O ano de 2021 com certeza foi melhor que o de 2020. Foi um ano muito produtivo em todos os aspectos pra mim , tanto na questão profissional quanto na vida pessoal . Que o ano de 2022 seja ainda melhor para todos nós. Estou “mega” ansiosa para a volta dos ensaios técnicos e principalmente para o desfile ainda mais por não ter tido o carnaval de 2021, então acredito que a expectativa de todos está bem grande”, entende a porta-bandeira da Mocidade.

Em relação a roupa que vai usar na virada, Bruna conta um pouquinho de suas superstições e tradições de ano novo.

“Siiim … Toda virada do ano passo de branco e tenho uma superstição de sempre usar o mesmo cordão (risos). Minha promessa sempre é a mesma de todos os anos ! Prometo me dedicar em tudo em que eu me proponho a fazer. E assim está sendo” conta Bruna.

Outra porta-bandeira que aguarda esse 2022 e toda a rotina de carnaval que virá com ele, é Marcella Alves do Salgueiro. No posto de casal principal ao lado do mestre-sala Sidclei Santos desde 2014 na Academia, os dois obtiveram todas as notas máximas dos jurados no último carnaval. Com a expectativa de viver momentos como esse em 2022, Marcella enxerga o próximo carnaval como um momento que vai ser de grande emoção.

“Acho que a principal diferença é que em 2021 tivemos uma luz no fim do túnel e conseguimos, mesmo que com dificuldades, seguir em frente. Será um grande momento. Onde poderemos matar a saudade é preparar o coração para aguentar a emoção que será o Carnaval 2022”, acredita a porta-bandeira do Salgueiro.

Em relação a virada de 2022, Marcella não gosta de fazer promessas, mas a roupa é bem tradicional.

“Sim! Gosto de usar roupa branca com detalhes dourados sempre! Agora em relação à promessa de fim de ano… não. Não me lembro de ter feito promessa de ano novo não”.

Também do Salgueiro, Emerson Dias vive a expectativa de passar mais uma virada de ano, ao mesmo tempo curtindo a família e fazendo aquilo que ama, ou seja, cantando samba por aí.

“Eu adoro réveillon, eu adoro a virada de ano. Geralmente eu tenho passado cantando, mas passo com a família até meia noite e depois vou fazer o show que eu tenho que fazer com o Salgueiro. E, esse ano não vai ser diferente, vou passar levando alegria para as pessoas, entretenimento e isso é bom demais” conta Emerson.

Foto: Ewerton Pereira/Divulgação Salgueiro

O intérprete da Academia deixou também o desejo e a esperança por um ano de 2022 com as pessoas mais próximas, unidas e curtindo o carnaval.

“A minha expectativa para o Carnaval 2022 é a melhor possível. Um carnaval de superação, um carnaval de recomeço. Uma nova situação, pós pandemia, que deixou um monte de ensinamentos humanitários, digamos assim. A gente precisa retornar com força total a humanização das pessoas novamente. Então, acho que o carnaval está aí para levar esse tipo de coisa para as pessoas, vamos com tudo e se Deus quiser com Salgueiro campeã”, espera o intérprete.

Faltam menos de 60 dias para o maior espetáculo da terra, o desfile das escolas de samba, o carnaval da retomada.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui