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Passarela do Samba: ‘O Último Carnaval’

Quando a Escola de Samba campeã entra na Avenida para comemorar o titulo e encerrar o Desfile das Campeãs, a sensação é angustiante. Logo depois de sua passagem, começamos a vagar no deserto, buscando forças para atravessar um longo período de escassez. Não existem enredos, sambas, fantasias coloridas, nada. Tudo fica por conta de um passado recente, e de um presente ainda não definido. A primeira impressão, no entanto, é de que o futuro se esconde atrás de um interminável deserto, sem sombras, sem um oásis para amenizar a sede de alegria. Afinal, o próximo Carnaval só acontecerá dali a quase um ano!

Para o folião que não tem estrutura, a crise existencial começa no próximo passo. A vida se resume a uma poça de areia movediça.

Era mais ou menos assim que nos sentíamos, caminhando, cabisbaixos, em sentido contrário à Estácio de Sá, que festejava a conquista do titulo Carnaval de 1992, o seu primeiro e único no Grupo Especial. O baixo astral não era por culpa da Escola, que fazia um desfile animado, agradável, embora menos empolgante que a Paulicéia Desvairada de dias antes, no desfile para valer. Mas já nos sentíamos órfãos da folia e tentávamos encarar o “deserto”, a caminho do estacionamento.

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Senna cai no samba da Estácio – foto histórica de Evandro Teixeira

CONFUSÃO NA PISTA – Foi quando aconteceu um corre-corre. Pensamos logo em briga ou acidente. Os fotógrafos correram na direção da bateria, e nós fomos atrás, bloquinho na mão. Sim, ainda havia Carnaval.

Quando chegamos, a confusão já estava formada. No meio dela, havia um desajeitado Ayrton Senna do Brasil, todo de branco, sambando ora com Monique Evans, rainha da bateria de Mestre Ciça, ora com uma morena não menos bela e sensual. Senna esqueceu a timidez no Camarote N° 1, onde, momentos antes, dera um autógrafo ousado, numa senhorita de blusinha decotada e molhada de suor, rubricando quase sobre a pele da jovem. Acredita?

O piloto esqueceu a pose de tricampeão mundial de Fórmula Um no camarote, pulou para a calçada, trepou na grade e invadiu a pista. Assim que foi reconhecido ganhou uma faixa de campeão e um chapéu da bateria. Sambou com Monique, mas escolheu a outra morena, lixando-se para o Brasil e o mundo, mordendo os lábios e dizendo algumas coisas no ouvido da moça. Ela não dizia nada, apenas sorria. E balançava a cabeça, dizendo que sim. Uau!

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Os dois não chegaram à dispersão, do segundo recuo foram direto para o estacionamento, atrás do Setor 11, onde um amigo o aguardava. Partiram até o heliporto, e de lá para Angra dos Reis. Senna e a morena – ela ainda fantasiada.

Pode ser um exagero achar que o final do Desfile das Campeãs pareça o último dos carnavais. Mas para Senna foi, infelizmente. Dois anos depois aconteceria a tragédia de Ímola. Mas ele foi de bem com a vida.

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