A bateria da Em Cima da Hora realizou um bom ensaio técnico, sob o comando de mestre Léo Capoeira. Eventuais correções ainda podem ser feitas visando certos detalhes musicais, como os marcadores de primeira e segunda tocarem com um pouco mais de leveza, evitando assim oscilações sonoras no entorno ao bater com mais força que a ideal.
A cozinha da bateria contou com uma afinação de surdos privilegiada. Levando em conta sobretudo o tradicional timbre mais grave da bateria da Em Cima da Hora. Um trabalho de amplo destaque também deve ser creditado aos surdos de terceira, que com um toque de alta técnica embalaram a “Sintonia de Cavalcante”, inclusive sendo fundamentais nas paradinhas. Caixas de guerra consistentes e repiques coesos preencheram a musicalidade com exatidão na parte de trás do ritmo
Já na cabeça da bateria, as peças leves com um trabalho contribuíram com solidez na sonoridade. Uma ala de tamborins tocando com firmeza, pontuando a melodia do samba com um desenho rítmico funcional. Um naipe de chocalhos acima da média auxiliou a bateria da Em Cima da Hora a abrilhantar seu cortejo. Agogôs e Cuícas também exibiram uma musicalidade que merece exaltação, adicionando valor sonoro ao ritmo.
Um breque na primeira do samba auxiliou a bateria na fluidez musical entre os naipes. Após chamada dos repiques, surdos de terceira completam um balanço dentro do arranjo, enquanto tamborins fazem um toque que deram um molho envolvente.
Outro breque foi percebido no final da segunda, contribuindo de forma efetiva com o ritmo, graças ao notório swing obtido pelas terceiras.BLogo em seguida, por vezes, foi apresentada outra paradinha durante o refrão principal. Um arranjo musical muito integrado à musicalidade da escola, se deixando valer do bom balanço de surdos, após contribuição refinada dos repiques.
A paradinha de maior destaque musical foi a do refrão do meio, sendo iniciada no final da primeira do samba-enredo, a partir do verso “Minha fé ninguém calou”. Um arranjo musical construído de forma preciosa, onde os surdos de terceira fizeram um belo Alujá pra Xangô, com a luxuosa contribuição de um toque refinado das caixas de guerra, aliado a diversos naipes. Uma construção musical repleta de detalhes, que permitiram um impacto sonoro notável a “Sintonia de Cavalcante”.
Um bom treino da bateria “Sintonia de Cavalcante” na abertura dos trabalhos da última noite de ensaios do grupo de acesso. Certamente o trabalho no desfile tende a estar ainda mais alinhado, além de integrado. A musicalidade proporcionada pelo leque de paradinhas pode ser considerada ampla, além de garantir boas execuções pela pista.
A Em Cima da Hora abriu o último dia de ensaios técnicos da Série Ouro de 2023. A escola levará para Avenida em 2023 o enredo “Esperança, Presente!”, que conta a história de Esperança Garcia. Escrava que escreveu uma carta para o governo da província do Piauí pedindo mínimo de dignidade para que pudesse sobreviver. Essa carta foi considerada o primeiro habeas corpus do Brasil e Esperança em 2022 foi reconhecida pela Ordem dos Advogados do Brasil, como a primeira advogada brasileira. A escola será a quarta a desfilar no sábado de carnaval. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
“Eu saio muito feliz. A comunidade de Cavalcanti veio em peso hoje, cantou dentro do que foi possível e isso me deixa satisfeito. Hoje, nós viemos para testar algumas coisas que estamos treinando no Parque de Madureira, como por exemplo, o recuo de bateria e a comissão de frente. Fiquei muito contente com o resultado, mas ainda temos muita coisa para acertar. Precisamos ter um canto mais coeso com o carro de som. Isso é uma deficiência que precisa ser resolvida. Além disso, temos que corrigir a compactação, mas nada que não dê para acertar até o dia do desfile e sair com um resultado positivo”, disse Flávio Azevedo para equipe do site CARNAVALESCO.
A comissão de frente, do coreógrafo Leandro Azevedo, fez uma apresentação forte com movimentos bem ensaiados e bem executados. Os integrantes realizaram uma apresentação precisa em frente as cabines de jurados. A vestimenta dos componentes chamou muito a atenção. Os homens usavam uma saia e as mulheres um vestido azul que dava um bonito efeito com reflexo da luz e quando giravam em partes da coreografia.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal Jhony Matos e Jack Gomes fez uma apresentação perfeita com giros e coreografias bem realizadas, olhares fixos um no outro, eles levaram o pavilhão da escola em um compasso bem executado. Uma ventania inesperada trouxe sufoco, mas para resolver esse problema molharam a bandeira para ficar mais pesada e assim o vento não atrapalhar. Isso não prejudicou o andamento e a bela apresentação do casal.
“Como a gente veio não consegue acompanhar tudo. O meu quesito com Johnny foi ótimo. Foi mais ou menos dentro do que a gente esperava. Óbvio que para o desfile nós vamos dar alguns ajustes. Esse vento maravilhoso me fez ter mais controle com a bandeira. Graças a Deus correu tudo bem, não tive nenhum problema com a bandeira. Eu molhei a bandeira do início ao fim para que eu pudesse conduzi-la da melhor forma. Claro que ninguém quer que vente, mas como é força da natureza, a gente aceita e está tudo bem. Podemos melhorar detalhes mesmo da nossa coreografia. Agora só fizemos uns testes. Depois a gente vai concluir. Vamos analisar os vídeos, rever todo nosso percurso para estar 100%”, disse a porta-bandeira.
“O balanço foi ótimo. Fizemos tudo que a gente ensaiou. Dentro do contexto fomos bem. Isso aqui foi o ensaio. A gente vai ensaiar mais ainda para ficar melhor. Acertar os detalhes, botar em prática com a fantasia e vamos rumo aos 40 pontos”, completou o mestre-sala.
Harmonia e Samba-Enredo
Carro de som comandado por Igor Pitta deu o tom do ensaio puxando sambas antigos no esquenta e cantando forte o de 2023. Fizeram o máximo para levantar a escola na avenida. Porém, o esforço não atingiu o objetivo. Faltou canto na maioria das alas da agremiação. Apenas o refrão tinha um pouco mais de destaque. Ponto de atenção para Em Cima da Hora. O intérprete conduziu muito bem o samba-enredo na pista.
“Foi um ensaio bem produtivo, a gente viu as alas cantando e a escola muito alegre. Não é um samba como o pessoal diz que é um samba de embalo, é mais melodioso. É um samba que nós temos que ter um afinco maior para mantê-lo lá em cima, mas acho que conseguimos fazer um bom trabalho. É difícil cantar sem o Arthur [Franco], a gente se preparou para estar junto com ele e infelizmente não vamos poder. O saldo é mais do que positivo. Acho que a escola deve cantar e até o carnaval a gente vai cantar mais e ser mais coeso no canto. É um pouco difícil fazer sem o som oficial porque tem esse delay, uma parte da escola está cantando um trecho e outra parte está cantando outro. Mas a gente vai conseguir, no desfile oficial, fazer tudo direitinho como estamos fazendo no Parque Madureira. Eu não sei o porquê mas eu gosto muito do refrão de meio, essa caída que ele dá para o ‘Lere lere Kabesilê, Ojuobá’, eu acho bem melodioso, mais swingado, dá a quebrada no tom mais alto que o samba vem. Eu acho muito bonito. A gente não teve tanto ensaio quanto gostaria. Estamos conseguindo fazer um trabalho com poucos ensaios, uma coisa mais feijão-com-arroz, sem muita firula. Acho que estamos conseguindo desempenhar um bom trabalho. A nossa função é fazer uma cama para harmonia e para a bateria brilharem”, disse o intérprete Igor Pitta.
Evolução
A escola levou um bom número de componentes, com algumas alas coreografadas. A escola não chegou a abrir espaço na avenida, porém algumas alas ficaram em cima das outras, quase embolando. Nada muito grave, mas que ainda pede um cuidado maior da direção.
Outros destaques
Para a frente da bateria, o rei Jorge Amarelloh fazendo seu segundo desfile pela agremiação, ganhou a companhia da Anny Santos, que foi coroada a rainha da bateria antes de começar o ensaio. Os dois deram um show à frente dos ritmistas da azul e branco de Cavalcanti.
“O saldo é muito positivo, venho de um trabalho com roupagem nova, uma casa nova. Entrei no meio do caminho não tive muito tempo para trabalhar do jeito que gosto, tive que começar praticamente no final de outubro, início de novembro e já escolher o samba e gravar dois dias depois foi bem complicado. Fiz dois ensaios, o mini desfile e agora a Sapucaí. Estou fazendo um trabalho de formiguinha chamando os amigos, o pessoal que já era da casa tentando fazer um conjunto para o pessoal entender como é que funciona a logística do meu trabalho. Estou fazendo de tudo, então hoje o saldo foi positivo a galera tá de parabéns. Mantive 90% das pessoas que já estavam aqui com antigo mestre e trouxe uns amigos que sempre estiveram comigo”, explicou mestre Léo Capoeira.
Colaboraram Augusto Werneck, Matheus Vinícius e Walter Farias
Mais um sábado de Mirandela (estrada onde a “Deusa da Passarela” faz seus ensaios de rua) e neste foi noite da Beija-Flor receber a Mangueira. Em reta final de preparação para o desfile, daqui a praticamente duas semanas, as escolas já dão sinais de que suas comunidades estão em últimos ajustes. Com dois ensaios potentes, o público viu a junção do rolo compressor nilopolitano com o axé exuberante da Verde e Rosa. * VEJA AQUI FOTOS
Hoje foi a faixa bônus do “Encontro de Quilombos”. O evento que, anteriormente havia sido programado para receber Tuitui, Portela e Império Serrano, deu tão certo que, felizmente, a anfitriã decidiu encontrar mais gente. E fez nada menos que o encontro do beija-flor das multidões com a nação mangueirense. A noite, que era quente por causa da temperatura, teve altas pressões nos dois ensaios. No da Beija, ainda rolou um temporal expresso. Parecia um balde derramado que não mingou os soberanos. Muito pelo contrário, esse é um povo acostumado com a chuva.
Compacta, a Estação Primeira levou 500 componentes, dispostos a se divertirem e deixar o clima de ensaio para valer de lado. Eles tinham um evento mais tarde e ainda terão ensaio de rua neste domingo. Mesmo com contingente menor que as outras três escolas que participaram do evento (Tuiuti, Império Serrano e Portela), que levaram cerca de 1500 desfilantes, a comunidade de Dona Zica e Cartola se fez ouvir, impulsionados com um público que cantava o samba sem parar. O enredo da escola é “As Áfricas que a Bahia canta”, desenvolvido pelos carnavalescos Guilherme Estevão e Annik Salmon. A Manga está feliz, leve, renovada, cheia de axé e com um casal que dança arrancando o fôlego dos espectadores.
Sobre a visita a co-irmã da baixada, o diretor de harmonia da Mangueira, Helton Dias, falou sobre a importância de eventos como esse: “Isso é de uma relevância enorme para o mundo do samba porque é o encontro de duas comunidades de peso. Essa iniciativa do presidente Almir Reis só tem a agregar para os sambistas, e a Mangueira recebeu o convite com muita alegria. Viemos aqui ensaiar, cantar nosso samba e divertir o povo de Nilópolis”, falou Helton.
Depois, foi a vez da Deusa da Passarela que estava se despedindo de Nilópolis, fazendo o último ensaio de rua na Estrada Mirandela. O clima era de festa total; os componentes estão prontos para desfilar e ainda vão fazer o ensaio técnico no sambódromo, no dia 12. Para realizar o treino final, foram 40 minutos de esquenta, muitos fogos e público em êxtase. Selminha Sorriso, com um vestido reluzente e prateado, ao lado de Claudinho, brilhou mais uma vez. Tanto que a lua cheia se escondeu e chorou forte. E foram menos de 10 minutos de uma chuva que inflou a alegria dos nilopolitanos.
“Estamos nos preparando para fazer um grande ensaio técnico, e em um caminho forte. Quase o nível máximo de canto. A presença de outra escola aqui com a gente, faz a comunidade ficar mais alegre e solta para desfilar. Acaba rolando aquela comparação também, e isso motiva o pessoal”.
A fala do diretor de carnaval da Beija-Flor, Dudu Azevedo acima, explica o que quem acompanha o CARNAVALESCO já sabe: o “Encontro de Quilombos” é bem legal, mas ele é condição perfeita para a soberana alcançar a excelência, sempre ensaiando para superar a apresentação da visitante. Aproveitaram a deixa com maestria e, em ensaios, alcançaram a excelência. Nos quesitos de chão, Nilópolis é um rolo compressor que agrada bastante assistir.
Harmonia
Foram 500 mangueirenses e muita gente na calçada para cantar. Um dos sambas mais badalados do carnaval é sempre gritado com muito vigor. Do início ao fim da apresentação, a verde e rosa entregou tudo na voz.
Já a Beija-Flor está pronta. As alas vão passando e uma cantando mais que a outra. Um show do quesito harmonia.
Mestre-sala e Porta-bandeira
E lá vinham eles. O casal furacão. Cintya Santos é um fenômeno do quesito e deu a Matheus Silvério a carga perfeita para que ficassem sintonizados. Quando a porta-bandeira segura a ponta do pavilhão, ela toma uma velocidade absurda que impressiona. Os giros são impecáveis alinhados a passos sobre o samba. Quanto ao mestre-sala, cravava seus movimentos com um grito. Deu giro no ar, praticamente uma pirueta; dançou com força. Mais uma apresentação incrível que só teve um pecado grave nesta noite: a hora que acabou.
Cintya falou sobre a recepção que teve em Nilópolis: “Tivemos uma recepção maravilhosa, um calor humano… Fomos recebidos de forma incrível, e estou muito feliz. Mesmo estando cansada, não senti nada durante o ensaio. O povo de Nilópolis está de parabéns pelo carinho que demonstram pela Mangueira”, contou a porta-bandeira.
Já Matheus, fez questão de falar da importância do evento: “Enaltecer a cultura popular brasileira. O que aconteceu aqui hoje foi uma celebração contagiante, um engrandecimento necessário no cenário carioca e nacional. Esse encontro não é apenas de quilombos, mas também de senzalas e pretos. É de um povo que defende Iansã, as lutas da independência… É muito importante, e o carnaval segue mostrando a sua força com uma rua lotada assim”.
E no outro ensaio da noite, molhados mas não desalinhados, Claudinho e Selminha Sorriso fizeram mais uma bela apresentação na Mirandela. A bandeira pesada pela água não foi problema para uma experiente em tempestades. Claudinho não temeu derrapar e dançou sem mudar o rumo da apresentação. No final, a tietagem de sempre por parte do público.
Samba-Enredo
O enérgico samba da Estação Primeira é convidativo. Fácil de aprender a letra e com a melodia envolvente, ele cai bem em qualquer terreno. E fora de casa, não foi diferente: o samba foi morar em Nilópolis também. Excelente desempenho na boca do povo da Baixada e da comunidade verde e rosa que ama cantar o axé da Mangueira.
Eis o povo no poder quando tem o samba da Beija-Flor para cantar. Sem cair em nenhum momento, a escola deve pulsar durante os quase 70 minutos de desfile no Sambódromo. A cada ensaio de rua, o andamento se mostra mais seguro.
Evolução
Com 500 pessoas e povo livre, tiveram buracos na Mangueira. Um entre o casal e a velha-guarda e outro entre a bateria e a ala que estava em sua frente. Mas, tudo bem. Lá não apresentaram problemas graves de evolução no ensaio técnico no Sambódromo.
Já a “Soberana” é só encaixar as alegorias e seguir o andamento. Escola compacta e brincando na pista, basta repetir a receita dos ensaios no desfile.
Bateria
As baterias de Beija-Flor e Mangueira ajudaram a levantar o público em suas apresentações. Bossas, coreografias e o samba jogado para o público, foram ingredientes de apresentações contagiantes.
Outros destaques
Um destaque. Para ela, vale a menção no último dia. O “Encontro de Quilombos” aconteceu em três datas, muitas personalidades passaram pela Mirandela, mas uma merece atenção agora. Ela tem 15 anos, mas samba como gente grande. Chegou agora, mas parece que é dona da bateria há anos. Lorena Raíssa deu o nome e fez jus a escolha por ela no cargo de rainha. Sambou com a badalada Mayara Lima, desfilou com a consagrada Quitéria Chagas, quebrou tudo com a majestade Bianca Monteiro e estava solta ao lado da fantástica Evelyn Bastos. O tempo todo Lorena estava sambando, rebolando, sorrindo e atendendo ao público. Uma energia empolgante que enche os olhos de quem a vê à frente da bateria nilopolitana.
Pois bem. No ponto final do “Encontro de Quilombos”, a Beija-Flor também deixou o seu local de ensaios de rua para se entregar aos ajustes finais do desfile. O evento que leva outra escola para Nilópolis termina com gosto de saudade e na expectativa de que ano que vem aconteça de novo. Já a Deusa da Passarela, deixa a Mirandela e vai em busca do décimo quinto título com o enredo “Brava Gente! O grito dos excluídos no bicentenário da independência”, desenvolvido por Alexandre Louzada, André Rodrigues e Mauro Cordeiro, e será a quinta escola a desfilar na segunda de carnaval.
Caxias ferveu no último ensaio de rua da Acadêmicos do Grande Rio na preparação para o próximo carnaval, não tinha como ser diferente, a escola, atual campeã, está mais feliz do que nunca, seus torcedores, empolgados com a possibilidade da conquista de mais um título compareceram em peso neste que foi o último ensaio na Brigadeiro Lima e Silva antes do desfile oficial. No próximo domingo o ensaio será na Sapucaí. A junção de calor, alegria e comemoração do aniversário de Zeca Pagodinho, grande homenageado no desfile deste ano, resultou em uma noite de muita festa. A presença da rainha de bateria Paolla Oliveira também contribuiu para que a festa fosse ainda maior.
Mestre Fafá e Paolla. Foto: Luan Costa/Site CARNAVALESCO
A tricolor de Caxias mostrou que está preparada para brigar pelo bicampeonato, algo que o Grupo Especial não vê desde 2008, quando a Beija-Flor de Nilópolis se sagrou campeã. Se depender da garra dos componentes e do comprometimento dos segmentos, o sonho pode sim ser real. No ensaio deste sábado, que durou pouco mais de uma hora, a agremiação deu vários motivos de que está pronta para encantar a avenida novamente, o samba, extremamente popular, está da boca do povo, a bateria de mestre Fafá e o carro de som comandado por Evandro Malandro se completam. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel Werneck e Taciana Couto não estiveram presentes no ensaio desta noite.
Sobre o ensaio, Thiago Monteiro, diretor de carnaval da escola, frisou que foi o momento de festejar com a comunidade e retribuir todo o carinho que eles têm dado. Desde dezembro realizando ensaios de rua, o de hoje foi o último e Thiago ressaltou que na próxima terça terá o ensaio geral de quadra.
“Nosso último ensaio de rua é tradicionalmente a festa com o povo de Caxias. A gente tem ensaiado na rua desde a primeira semana de dezembro, a gente já ensaiou exaustivamente aqui e hoje aquele envio. É aquele do nosso último encontro na nossa na nossa rua. Terça-feira ainda temos um na quadra que será o ensaio geral, mas na rua foi o último, tradicionalmente é uma festa, é a gente no braço do povo e estou muito feliz com o nosso resultado, embora hoje realmente foi um ensaio cheio, muito caudaloso. É uma festa, hoje é muito mais uma festa, um encontro com o nosso povo, com a nossa galera”.
Comissão de frente
Os consagrados coreógrafos Hélio e Beth Bejani seguem por mais um ano à frente da comissão de frente da Grande Rio, nos dois últimos carnavais a aclamação foi unânime, portanto, a expectativa é enorme para saber o que eles planejam para o próximo carnaval. No ensaio a sensação foi de estar imerso no enredo da escola, mesmo sem fantasias ou elementos cênicos, os componentes da comissão encantaram o público com uma dança alegre, bem coreografada e com passos bem marcados na letra do samba, o destaque fica para a menina que performa durante o refrão do meio, ela exala muito carisma e ainda interage com o público durante as apresentações.
Evolução
Como disse o diretor Thiago Monteiro, o ensaio deste sábado foi uma grande festa, porém, todo o cuidado para que a escola evoluísse da melhor maneira também foram tomados, durante todo o período foi possível ver as alas distribuídas de forma correta, sem atropelos ou espaçamentos desnecessários, os componentes tinham liberdade para brincar, e assim faziam, mas todos estavam comprometidos em entregar o melhor resultado. O único senão fica para o grande assédio em torno da rainha de bateria Paolla Oliveira, todos queriam ver a musa, o que causou um pouco de dificuldade para que a escola pudesse prosseguir o cortejo de forma mais tranquila.
Thiago Monteiro conta que o ensaio é o momento de corrigir pequenos problemas que possam aparecer, perguntado se tem algo para corrigir, ele disse que sempre tem pontos a serem observados e que o ensaio serve justamente para isso.
“Sempre, a gente na concentração conserta coisas, teremos o ensaio técnico no campo de jogo, conto muito com esse ensaio, tenho certeza que lá vamos acertar mais coisas, a gente fica atento até o último minuto para que tudo saia da melhor forma nesse desfile”, conta o diretor.
Harmonia
Um dos grandes destaques do ensaio foi o canto dos componentes de Caxias, fruto de muitos ensaios, fica claro que eles têm total domínio do que estão cantando, todas as partes do samba foram cantadas com extrema empolgação e entrosamento. O casamento entre o mestre Fafá e Evandro Malandro é algo que deve ser estudado, ano após ano eles demonstram ainda mais sincronia e união, o resultado é um show de ritmo que faz bem ouvir e apreciar.
Mesmo recebendo muitos elogios e sendo aclamado pelo público, o mestre Fafá diz que sempre tem alguns detalhes para serem corrigidos. Ele aproveitou para fazer uma balanço desse pré-carnaval da Grande Rio e acredita ter sido positivo.
“As pessoas dizem que está bom, mas eu sou muito chato e perfeccionista. Pra mim nunca está bom, sempre tem um detalhe a mais e algo a mais que possa ser ajeitado. O balanço é positivo. A gente vem trabalhando com muita humildade e pé no chão, sabendo o que a gente precisa fazer pra conquistar o bicampeonato. A gente sabe que é difícil, que tem muita escola boa. A gente sabe que carnaval se decide dentro da pista. Esperamos fazer um grande desfile”, contou Fafá.
Seguindo a mesma linha de Fafá, o intérprete Evandro Malandro se diz muito feliz com o trabalho desempenhado pela escola, para ele, a sensação é de que tudo está dando certo, ele quer levar o trabalho realizado nos ensaios para a avenida, afinal, a responsabilidade da Grande Rio aumentou após o título no carnaval passado.
“Eu estou muito feliz com o trabalho e desempenho. O balanço que eu faço é que deu tudo certo e está dando tudo certo. A gente quer levar esse pensamento e essa ideia pra avenida. Pra acertar (no desfile) não, é pra manter o equilíbrio e o trabalho que a gente vem mantendo durante os ensaios. A responsabilidade aumenta, mas a Grande Rio está acostumada. Foram tantos carnavais que mereceram ser campeões e, depois desse, a gente vem praticamente nos mesmos moldes de excelência”, pontuou Evandro.
Samba-Enredo
De autoria Igor Leal, Arlindinho, Diogo Nogueira, Myngal, Mingauzinho e Gustavo Clarão, o
quitandinha de erê, como ficou popularmente conhecido, já estava na boca do povo antes mesmo de ser escolhido oficialmente pela escola como o samba-enredo oficial na homenagem a Zeca Pagodinho. Com uma melodia leve e uma letra fácil, é possível rapidamente viajar pelo subúrbio carioca nessa grande procura pelo Zeca, como propõe os carnavalescos. Várias são as partes cantadas com mais empolgação pelos componentes, mas destaca-se o refrão do meio e o final do samba, “Zeca! Levante o copo para o povo brasileiro, te encontrei nesse terreiro, Xerém é o seu quintal!”.
Outros destaques
Figura carimbada da escola, David Brazil marcou presença no ensaio de sua escola do coração, assim como ele, outras personalidades da mídia também estiveram presentes, como a influencer Pequena Lo e o músico Xamã, esse último muito festejado pelo público. Porém, todos os holofotes estavam voltados para a rainha Paolla Oliveira, ela, com seu habitual carisma, respondeu todo o carinho do público com muito samba no pé.
Expectativa para ensaio técnico
No próximo domingo, dia 12 de fevereiro, a Grande Rio será responsável por finalizar a maratona de ensaios técnicos realizados no Sambódromo, pela primeira vez, a escola participará do teste de luz e som, para Thiago Monteiro, é um ensaio diferente e que enche a escola de orgulho. “É a primeira vez na história da Grande Rio que a gente testa som e luz do sambódromo, pra gente é motivo de alegria e orgulho, a escola, apesar de já ter sido vice-campeã algumas vezes, nunca teve a honra de testar a luz e som do Sambódromo, é um ensaio diferente, seremos a última a pisar, é um motivo de orgulho muito grande”, disse o diretor.
Foto: Rhyan de Meira/Site CARNAVALESCO
Perguntado sobre o que podemos esperar para o ensaio técnico, Thiago contou que a escola está preparando surpresas e atrações para entreter e brindar o público, mas que o grande foco da agremiação é treinar para corrigir os erros, ele inclusive disse que se tiver que errar, que seja no próximo ensaio.
“Ensaio técnico é uma das etapas importantíssimas para que seja feito um grande desfile. Agora a gente também tem que brindar aquele público com atrações e a Grande Rio, como no passado, não vai fazer diferente. A gente vai com o nosso melhor lógico, estamos vendo coisas pra em entreter o público também, mas acima de tudo, acima de qualquer coisa, nosso maior foco é treinar a escola, é ensaiar a escola, é corrigir o que tiver que corrigir, se tiver que errar que seja dia 12, problema nenhum. Então a gente quer realmente usar aquele momento, aqueles minutos que nós teremos na pista desfilando, mas acima de tudo também treinando”, finalizou Thiago.
Foto: Rhyan de Meira/Site CARNAVALESCO
A Grande Rio será a segunda a desfilar no domingo de carnaval, dia 19 de fevereiro, quando levará para a Marquês de Sapucaí uma homenagem ao cantor Zeca Pagodinho, através do enredo “Ô Zeca, O Pagode, Onde É Que É? Andei Descalço, Carroça E Trem, Procurando Por Xerém, Pra Te Ver, Pra Te Abraçar, Pra Beber E Batucar”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.