A bateria da Acadêmicos do Grande Rio, sob o comando de mestre Fafá, fez um ótimo ensaio técnico no encerramento dos treinos para o desfile oficial. Uma musicalidade pautada pela cadência, pelo equilíbrio sonoro e pela equalização diferenciada envolvendo os timbres. Com arranjos bem elaborados, mas baseados em simplicidade, além de sempre integrados com o samba-enredo da escola de Caxias.
A cozinha da bateria exibiu um ritmo de profunda integração musical. Marcadores de primeira e segunda tocaram com leveza, garantindo a manutenção do andamento, tirando som dos surdos sem excesso de força. Surdos de terceira apresentaram um trabalho sólido e consistente, propiciando um swing envolvente ao ritmo caxiense. Repiques de inegável qualidade preencheram a musicalidade com exatidão. Caixas de guerra seguras, coesas e ressonantes foram percebidas, amparando as demais peças num toque que adicionou valor sonoro à bateria da Grande Rio.
Na cabeça da bateria um trabalho primoroso envolvendo as peças leves foi notado. A ala de cuícas se exibiu de modo seguro e coeso. Um naipe de chocalhos extremamente diferenciado contribuiu demais com a sonoridade da parte da frente do ritmo, tocando de forma atrelada musicalmente aos tamborins. A ala de tamborins merece não só menção, como exaltação musical. Tamborins se exibiram com firmeza e de forma chapada, executando um desenho rítmico de amplo destaque sonoro. Vale ressaltar que junto dos chocalhos, os tamborins participaram com precisão da bossa de maior complexidade e alto grau de dificuldade. Não poderia deixar de ser citado o trabalho praticamente relicário do naipe de agogôs. Com a batida do instrumento pautada pela melodia da divertida obra da Grande Rio, sua sonoridade deu molho considerável à bateria.
A bossa da cabeça do samba enredo uniu pressão dos surdos e tapas de diversos naipes. Um misto de boa sonoridade e integração musical com a obra da escola de Caxias. Antes da conclusão, o bom balanço das marcações foi notado, num arranjo musical que explorou sobretudo a diferença de timbres entre as afinações.
A paradinha do refrão do meio mostrou certa complexidade, além de elevado nível de dificuldade de execução. Tudo começa num corte seco ainda na primeira parte do samba, logo após o trecho “Eu tenho”. Logo após a fechada abrupta, os tamborins executam uma subidinha curta, bem em cima do momento que o ritmo é travado, num movimento rítmico de ousadia e disciplina. Depois surdos e principalmente caixas ganham destaque numa elaboração musical com pegada moderna e sofisticada. Sempre acompanhando a música com uma sonoridade produzida com inegável bom gosto.
A paradinha do final da segunda do samba envolveu um pequeno “apagão” que deixou o canto entoar em coro em alusão ao pagode, além de uma retomada profundamente atrevida já no refrão principal. Somente Chocalhos e Tamborins fazem um solo arriscado, mas realizado com precisão absoluta durante toda a pista. Uma bossa que mesclou ritmo exemplar e uma ovação popular considerável, graças a uma constituição requintada aliada a execução impecável.
Mestre Fafá, sua diretoria e ritmistas estão de parabéns pelo grande ensaio técnico realizado. Uma bateria da Grande Rio que apresentou um ritmo enxuto, além de uma conjunção sonora de nítida qualidade, graças ao trabalho rítmico acima da média em todos os naipes.
A Acadêmicos do Grande Rio, atual campeã do carnaval carioca, fechou com chave de ouro a maratona de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. Na noite de domingo, a agremiação de Caxias passou pela avenida com o gabarito de quem é a atual campeã, mas também com as credenciais de quem vai em busca do bicampeonato. O ensaio, que durou pouco mais de uma hora, contou com o teste de luz e de som que serão vistos no desfile oficial. Vários foram os pontos fortes vistos nesta noite, o samba e consequentemente o canto da comunidade sobressaíram, mas vale destacar a belíssima apresentação da comissão de frente, o bailado sincronizado do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel Werneck e Taciana Couto, além da cadência da bateria comandada por mestre Fafá, em ótima sintonia com o intérprete Evandro Malandro. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
O cantor Zeca Pagodinho, grande estrela do desfile desse ano, esteve presente no ensaio e arrancou muitos aplausos do público presente, ele desfilou em cima de um tripé ao lado da família e rodeado de caixas de cerveja, doces e frutas, componentes da escola inclusive distribuíram cerveja nas frisas, o que causou enorme comoção. A Grande Rio será a segunda a desfilar no domingo de carnaval, dia 19 de fevereiro, quando levará para a Marquês de Sapucaí uma homenagem ao cantor Zeca Pagodinho, através do enredo “Ô Zeca, O Pagode, Onde É Que É? Andei Descalço, Carroça E Trem, Procurando Por Xerém, Pra Te Ver, Pra Te Abraçar, Pra Beber E Batucar”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.
“Acho que foi muito bom, muito positivo. É nossa preparação final. Durante a semana a gente vai fazer ainda algumas reuniões, porque foi um treino no campo de jogo. Acho que a escola está quase pronta. Poucos detalhes. Gostei muito do canto, da participação da nossa comunidade. Esse é o nosso enredo. E todo mundo sai daqui feliz. Agora, feliz não é com salto alto, muito pelo contrário. Feliz com a atenção redobrada, porque nós temos que fazer isso e melhor no domingo. Mas eu saio satisfeito, porque tudo que eu queria ver aqui eu vi. Acho que a Grande Rio é uma escola completa. Os quesitos de chão hoje aqui fizeram muito bem o seu papel. E acho que o destaque é o conjunto da escola, canto, bateria, casal de mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, a organização da escola. Então acho que é um conjunto. E para (gente) ser campeão o nosso gráfico não pode ser pra cima e pra baixo, ele tem que ser linear e no alto. A gente tenta manter isso. O que eu queria ver aqui eu acho que correspondeu muito bem. Agora, são reuniões, ver vídeos desse ensaio. Gosto muito de trabalhar com vídeos. Aqui no ensaio a gente já corrigiu muitas coisas, em ala e tal. Aqui é feito para isso mesmo. Pra errar e para corrigir. O recado pra galera toda está dado… e a gente está quase que 99% pronto”, explicou Thiago Monteiro, diretor de carnaval.
A expectativa em cima da consagrada dupla de coreógrafos Hélio e Beth Bejani é sempre a maior possível, pelo que foi apresentado durante o ensaio, podemos esperar mais uma comissão que tem tudo para ser marcante. Extremamente popular e de fácil leitura, a comissão passeou pela vida de Zeca, foi realmente uma imersão ao enredo, os componentes da comissão encantaram o público com uma dança alegre, bem coreografada e com passos bem marcados na letra do samba. No final da apresentação, o boneco que representava Zeca interagiu com os componentes da comissão e levantou o público da avenida. Vale ressaltar que diferente da maioria das escolas, a apresentação da comissão utilizou uma passada e meia do samba.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Daniel Werneck e Taciana Couto formam um lindo casal e defendem com maestria o pavilhão da tricolor de Caxias, durante o ensaio desta noite ficou evidente o quanto eles se entendem apenas com o olhar, a dança deles é bastante coreografada e requer um maior nível de concentração e sincronismo, algo que eles dominam perfeitamente bem e com extrema naturalidade. Em um determinado momento eles davam um selinho e faziam o público vibrar. Foram três apresentações de excelência e que dão tranquilidade para o torcedor tricolor.
“Para genge foi maravilhoso. Senti pela primeira vez, no ensaio técnico, o teste de luz e som. Para gente foi bastante importante. É essa alegria que a Grande Rio vai trazer no domingo de carnaval. A gente sempre se cobra demais. A gente quer passar aqui e deixar nossa mensagem. Vamos assistir os vídeos e onde a gente consegue dar uma melhorada, vamos dar com certeza. O ensaio técnico é muito importante para saber o andamento da escola e o tempo que ela vai sair de um jurado para outro”, disse Daniel.
“Foi um ensaio maravilhoso. Sentir esse clima, sentir o clima da avenida, saber como anda o desfile, o andamento da comissão de frente e da bateria. É muito importante esse teste aqui, agora com luz e som. Ter esse previlégio pela primeira vez é super importante para gente. Conseguimos fazer na avenida o que a gente propôs e veio trabalhando durante o ano. Falar de Zeca, falar de alegria, falar de carnaval, da boemia. É isto que a Grande Rio está trazendo pra avenida, muito amor e comemoração pelo título. A gente sempre tem alguma coisinha pra ajustar, vamos assistir os vídeos e ajustar tudo pra domingo que vem”, completou Taciana.
Samba-Enredo
De autoria Igor Leal, Arlindinho, Diogo Nogueira, Myngal, Mingauzinho e Gustavo Clarão, o quitandinha de erê, como ficou popularmente conhecido, já estava na boca do povo antes mesmo de ser escolhido oficialmente pela escola como o samba-enredo oficial na homenagem a Zeca Pagodinho. Com uma melodia leve e uma letra fácil, é possível rapidamente viajar pelo subúrbio carioca nessa grande procura pelo Zeca, como propõe os carnavalescos.
No ensaio desta noite, antes mesmo dos primeiros acordes começarem, o público nas arquibancadas já cantava com enorme empolgação. O mesmo foi observado nas alas, a comunidade se divertiu e deu um show de canto. Várias foram as partes cantadas com mais empolgação pelos componentes, mas destaca-se o refrão do meio e o final do samba, “Zeca! Levante o copo para o povo brasileiro, te encontrei nesse terreiro, Xerém é o seu quintal!”.
Harmonia
Impulsionada pelo samba e o excelente desempenho do carro de som comandado pelo intérprete Evandro Malandro, a harmonia da Grande Rio foi um dos inúmeros pontos altos do ensaio, como dito anteriormente, o samba tem uma melodia leve e com letra fácil, o que permite todos se sintam envolvidos e queiram cantar, a bateria de mestre Fafá complementou esses fatores e elevou ainda mais o conjunto harmônico da escola. Os componentes se divertiram e cantaram com muita desenvoltura a obra, destacar uma única ala é até injusto, do início ao fim todos demonstraram muita empolgação e vibração, o que contagiou toda a avenida.
“Estou muito feliz e satisfeito de verdade, conseguimos fazer um ótimo trabalho e mostrar muita coisa que vamos fazer na avenida, muita coisa que vamos apresentar tanto para Sapucaí, quanto para o jurados, acho que foi bem concluído o papel. Para melhorar é só encher mais de gente e todo mundo cantar o samba junto, risos. O entrosamento é isso ritmo, melodia e harmonia tem que estar em uma só sintonia. A quitandinha de erê pegou no Brasil. Mas eu gosto muito do samba, tem melodia e é aguerrido. É um casamento perfeito este samba”, comentou o intérprete Evandro Malandro.
Evolução
A evolução se mostrou fluida e constante durante todo o cortejo, mesmo com um tempo maior de apresentação utilizado pela comissão, a escola não ficou parada excessivamente, pelo contrário, o ritmo foi tranquilo e sem atropelos, mesmo com alas com grande número de componentes e a presença de muitos destaques de chão, não houve espaçamento entre os segmentos. Os componentes se divertiram e brincaram carnaval, mas sem perder a organização.
Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Outros destaques
Como de costume, a rainha Paolla Oliveira marcou presença à frente da bateria e demonstrou enorme sincronia com os ritmistas, durante as apresentações nos módulos de julgamento ela subia em um pequeno elemento cenográfico e interagia com os ritmistas de mestre Fafá, ela foi ovacionada durante toda sua passagem pela avenida.
“Acredito que o resultado tenha sido positivo. Para quem tinha dúvidas, a quitandinha de erê provou estar na boca do público. Tomou conta das arquibancadas, e a gente espera que no desfile seja tão bom quanto hoje. Sabemos que ainda temos detalhes para acertar, principalmente, por sermos uma escola perfeccionista, mas estamos confiantes. Sempre podemos melhorar. Como é um ensaio técnico, vamos analisar os pontos positivos e negativos. É assim que conseguimos trabalhar e evoluir. A gente sabe que falta só uma semana, então amanhã (segunda) já estaremos nos empenhando nisso. Temos quatro paradinhas. Em duas dessas, a gente deixa muito mais para o público cantar”, contou mestre Fafá, que levará 270 ritmistas para o desfile. “Estarão com fantasias incríveis. Vai ser uma surpresa absurda”, prometeu.
Marca registrada da escola, o ensaio também contou com a presença de algumas personalidades da mídia, como a influencer Pequena Lo, a atriz Monique Alfradique e os cantores Pocah e Xamã.
Colaboraram Cristiano Martins, Eduardo Frois, Luisa Alves e Rhyan de Meira
A bateria da Beija-Flor de Nilópolis de mestres Rodney e Plínio fez um ensaio técnico excelente, na abertura da última noite de teste de som. Uma conjunção sonora de raro valor foi apresentada, guiada por uma musicalidade fluída com grande destaque para afinações diferenciadas, equilíbrio, sem contar uma notável equalização de timbres.
A cozinha da bateria contou com uma afinação de surdos extremamente privilegiada. Marcadores de primeira e segunda foram precisos, eficientes, além de tocarem com firmeza, mas sem dar pancada na peça. Surdos de terceira contribuíram de modo efetivo, dando swing ao ritmo. Caixas de guerra tocadas embaixo de forma reta deram sustentação ao ritmo. Já as caixas sem talabarte e tocadas em cima deram molho à bateria “Soberana” com sua peculiar batida de partido alto. Repiques seguros e ressonantes auxiliaram a preencher a musicalidade da bateria da Beija-Flor. Já os repiques mor ajudaram tanto no balanço, quanto nos arranjos musicais. Frigideiras complementaram a sonoridade nilopolitana produzindo aquele som metálico tradicional, contribuindo sobretudo na bela equalização do ritmo.
A cabeça da bateria exibiu um trabalho sólido e profundamente consistente. Uma ala de cuícas de nítida qualidade técnica foi notada. O trabalho dos chocalhos provocou uma sonoridade acima da média, sem contar a plena integração com o naipe de tamborins. A ala de tamborins foi o destaque musical entre as peças leves, com um desenho rítmico que se aproveitou das nuances melódicas do samba-enredo da escola para consolidar a batida. Inclusive, alguns trechos da convenção dos tamborins viraram breques da bateria “Soberana”, muito por causa de uma construção musical que deu ao samba exatamente o que a música solicitava.
Uma bossa que merece menção musical por sua construção sofisticada é uma subida de três um pouco mais elaborada, já emendada num breque funcional. Aliás, breques preenchem a sonoridade da bateria da Beija-Flor durante todo o samba, em vários momentos, propagando uma musicalidade de raro valor. Vale ressaltar que a busca é sempre pela integração musical e acompanhar o samba-enredo da escola para cantar, além de dançar, por vezes impulsionado pelo trabalho rítmico de inegável qualidade. O trabalho de arranjos musicais da bateria “Soberana” para esse carnaval é profundamente amplo, mas sempre pautado pela simplicidade, mesmo sem deixar de ser arrojado.
Já a bossa do final do refrão do meio merece exaltação pela elaboração atrelada às nuances melódicas da escola da Baixada. Sua constituição musical se aproveitou da diferença de timbres das afinações envolvendo as marcações, propiciando um swing envolvente. Com uma finalização requintada foi possível reparar nitidamente a frase rítmica no trecho do início da segunda “Desfila o chumbo” sendo desenhado pelos surdos durante a retomada do ritmo nilopolitano, dando à canção o que ela pede.
O maior acerto musical foi a paradinha iniciada na última passada do refrão que precede o principal. “Deixa Nilópolis cantar” foi exatamente o que a bateria “Soberana” fez ao pé da letra, parando o ritmo para o samba-enredo nilopolitano ser entoado em coro tanto pela escola, quanto pelo público. A retomada é muito bem conduzida por repiques mor fazendo solo, se aproveitando do impacto sonoro da batida em conjunto de todos os naipes antes de voltar pro ritmo, que ainda engloba um balanço envolvente dos marcadores em sua constituição musical diferenciada.
Uma apresentação que mostrou uma bateria “Soberana” pronta para brigar pela nota máxima dos jurados, além de exibir um ritmo condizente com a obra explosiva da Deusa da Passarela, com direito a trechos de potencial interação popular. Mestres Rodney e Plínio sem dúvida saíram satisfeitos com o desempenho seguro, consistente e equilibrado dos ritmistas da bateria da Beija-Flor de Nilópolis, no grande ensaio técnico realizado essa noite.
A Beija-Flor de Nilópolis abriu a última noite da temporada de 2023 dos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí com uma apresentação marcada pela força da sua comunidade. Com um canto muito forte e uma evolução sem erros, a azul e branca de Nilópolis provou estar preparada para ir em busca de mais um campeonato no desfile oficial. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
Repleta de expectativas, a participação da cantora Ludmilla no carro de som da agremiação causou frisson no público. Era notória a grande quantidade de celulares a postos e com as lentes voltadas para a cantora, tanto nas frisas quanto nas arquibancadas. Mas o sucesso não ficou restrito aos holofotes, com a artista demostrando bastante desenvoltura e interação com Neguinho da Beija-Flor.
Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
A agremiação será a quinta escola a desfilar no Sambódromo na segunda-feira de Carnaval, dia 19, pelo Grupo Especial. Na ocasião, a Deusa da Passarela apresentará o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência”, dos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues.
“Para gente foi bom, porque fizemos o que planejamos. É uma escola que ensaia muito, na Mirandela que é o tamanho da avenida, com as marcações das cabines. Chegamos aqui com a intenção de fazer o que gente vem fazendo. É um ensaio. Qualquer coisa que acontecer aqui a gente ainda pode corrigir, porque não é o desfile. Mas tem que ensaiar certinho, está próximo do carnaval. Viemos muito preparados. Estamos saindo daqui com a sensação de que fizemos o que a gente vem apresentando na Mirandela, na quadra, em termos de canto, de evolução, tempo de avenida. Agora é conversar com as pessoas de cada setor e ver o que a gente vai debater do ensaio. Eu parabenizo minha bateria, do mestre Rodney e mestre Plínio. Harmonia maravilhosa. Que trabalho de harmonia, que canto da escola. A gente vem ensaiando, ensaiando, pedindo canto e a gente botou uma passada da escola cantando ‘sem nada’. E a escola cantando certinha, no lugar. Um trabalho maravilhoso da nossa comunidade”, explicou Dudu Azevedo, diretor de carnaval.
A comissão de frente, assinada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, realizou uma apresentação preparada especialmente para este ensaio técnico. Os integrantes tinham como figurino uma calça e luvas azuis, camisa sem manga branca, uma placa prateada no peito, maquiagem verde no rosto e um cap policial estilizado. Eles ainda possuíam um bastão como adereço de mão.
Com passos bem marcados e toques de teatralização, a coreografia fazia grande utilização do bastão, que servia como uma extensão do corpo dos bailarinos, além de simbolizar outros elementos como as armas dos policiais. A comissão trazia um elemento cenográfico todo na cor azul, pouco explorado, que só tinha destaque ao final da apresentação, quando soltava fogos e levantava o público com a surpresa.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Parceiros há mais de 30 anos, Claudinho e Selminha Sorriso mostraram, mais uma vez, neste ensaio técnico, o motivo de serem uns dos casais de mestre-sala e porta-bandeira mais cultuados e celebrados do Carnaval carioca. Apesar da chuva no início do ensaio e da pista molhada, o casal demonstrou segurança, realizou movimentos precisos, sem economizar nos giros e rodopios. Os dois optaram pela dança clássica, dando um show de elegância, com gestos singelos e sutis ao interagirem e ao apresentarem o pavilhão.
Quanto ao figurino, houve o predomínio do branco no vestiário de ambos. No caso dele, um terno clássico. Já no dela, uma saia com detalhes em azul na barra e a parte de cima toda em pedraria, com plumas brancas no ombro esquerdo.
“Para mim, aqui, sempre é jogo. O treino é valendo. Respeito ao público , o prazer e a gratidão de estar aqui neste solo sagrado, no palco sagrado de todos os sambistas. É o primeiro desfile no calendário oficial, tem um gostinho muito especial. Com ou sem chuva. Sempre tem que melhorar. A humildade e o profissionalismo consiste em você entender que pode fazer o melhor. Cada dia vai se aperfeiçoando buscando o seu melhor. Buscar o melhor e entender onde precisa melhorar. Também ver o público que não paga pra estar aqui, vale muito a pena pode receber o carinho e calor humano deles”, disse Selminha.
“Foi maravilhoso. Só tenho que agradecer a Deus e os Orixás que nos abençoou. Hoje a gente pode fazer esse ensaio técnico mais tranquilo e com calma. A gente vai acertando. Ensaio técnico é feito para isso, testar algumas coidas e ver o que foi negativo e o que foi positivo. Você sente como se fosse o dia do desfile, sente sua escola pulsando’, completou Claudinho.
Samba-Enredo
Assinado pelos compositores Léo do Piso, Beto Nega, Manolo, Diego Oliveira, Julio Assis e Diogo Rosa, o samba-enredo da Beija-Flor teve um ótimo rendimento no ensaio técnico. O canto forte da comunidade, aliado ao bom desempenho do carro de som e da bateria, fizeram a diferença para que a obra funcionasse na Avenida.
Encarando pela primeira vez o desafio de defender um samba em plena Marquês de Sapucaí, a cantora Ludmilla não fez feio. A artista demonstrou segurança ao conduzir a obra ao lado de Neguinho da Beija-Flor e ainda arriscou alguns cacos. Neguinho também esbanjou confiança e entrosamento com a nova parceira de carro de som e com a bateria “Soberana”.
Aliás, os ritmistas de mestre Plínio e Rodney estão tão alinhados com o samba-enredo que ousaram ao fazerem uma paradona durante uma passagem inteira da obra. A experiência, que empolgou as arquibancadas, evidenciou ainda mais o canto da comunidade, que sustentou a harmonia sem deixar o ritmo cair.
Harmonia
Falando em harmonia, o quesito foi um dos pontos altos do ensaio técnico da Beija-Flor. A comunidade nilopolitana abraçou a obra escolhida para embalar o desfile deste ano e isso ficou evidente ao se observar a forma como a escola a entuou. Da primeira a última ala, foi possível conferir componentes com o samba na ponta na língua. Houve certas variações, mas no geral o canto foi bem uniforme. Um dos destaques positivos foi a ala das passistas, que além do samba no pé, berraram a plenos pulmões o hino para o Carnaval 2023.
Evolução
A Beija-Flor teve uma evolução correta no ensaio técnico. A azul e branca de Nilópolis apresentou alas compactas, sem embolar ou abrir clarões, e manteve um ritmo cadenciado, não correndo em nenhum momento. O destaque positivo fica para metade final da escola, com componentes mais soltos, pulando e brincando. Já um ponto de preocupação fica para a sequência de alas coreografadas na abertura, as três primeiras, o que tira a espontaneidade logo no início do desfile.
Outros Destaques
Se não bastante a força dos quesitos de chão e a presença de Ludmilla, o ensaio técnico da Beija-Flor contou com outras atrações que o transformam em um verdadeiro show. Em um dos momentos de interação, antes do treino começar, assim como no ano passado, membros da escola jogaram camisas para as arquibancadas e frisas, fazendo a alegria do público. Os canhões que disparavam papel picado também fizeram sucesso entre os presentes no Sambódromo.
A rainha de bateria Lorena Raíssa não aparentou ter se abalado ou se amedrontado com a missão de substituir Raíssa de Oliveira, que ocupava o cargo há duas décadas. A jovem de 15 anos sambou, cantou e se jogou, sempre com um sorriso no rosto.
“Acho que foi um ensaio muito bom. Como os outros, também é um ensaio. Fomos bem. Sabemos que vamos colher os resultados no desfile. Estamos felizes demais. O pontapé foi dado e na próxima segunda-feira estaremos aqui para, se Deus quiser, levar o título para Nilópolis. “É tudo uma crescente. Desfile é diferente de ensaio, até mesmo pelo nível de emoção. Estamos prontos, apenas esperando o momento de colocar as fantasia”, contou mestre Rodney, que vai desfilar com 260 ritmistas e preparou sete convenções.
Outras personalidades que chamaram a atenção ao longo do ensaio técnico foram Pinah e o carnavalesco André Rodrigues. A chamada Cinderela Negra foi ovacionada, com gritos e aplausos, após cumprimentar o público do Setor Um da Sapucaí. Já Rodrigues, parceiro de Alexandre Louzada na confecção do desfile da escola, se acabou na pista durante o final da apresentação nilopolitana.
Colaboraram Eduardo Frois, Luisa Alves e Rhyan de Meira