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Entre a dor e a paixão pelo samba, Gracyanne Barbosa emociona na União da Ilha

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A União da Ilha do Governador vive um carnaval carregado de emoção em 2026. À frente da bateria, Gracyanne Barbosa atravessa a temporada de forma diferente, longe da plenitude física que sempre marcou sua passagem pela Sapucaí, mas ainda mais próxima da essência que move a escola. Após uma lesão que exigiu cirurgia e um longo processo de recuperação, a rainha segue firme, sustentada pelo carinho da comunidade, da bateria e da direção da escola.

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A própria Gracyanne reconhece que este não é um ano comum, mas faz questão de destacar o quanto ele tem sido especial.

“É um ano muito diferente. Ao mesmo tempo que eu fico preocupada, sentida por não entregar tudo o que a União da Ilha merece, o que a bateria merece, eu também acho que está sendo um ano extremamente emocionante. Quando eu sofri a lesão e fiz a cirurgia, nós conversamos, e eles falaram: vamos esperar”.

Mesmo com os médicos apontando a dificuldade de um retorno em condições ideais, a decisão da escola foi unânime. O pedido partiu da comunidade e da própria bateria, que fizeram questão da presença da rainha à frente do seu ritmo.

“Conversei com o mestre, com o presidente, com o carnavalesco, e todos falaram a mesma coisa: você vem de cadeira de rodas, de muleta, do jeito que você puder, desde que venha à frente da bateria. Foi a comunidade que pediu para que eu voltasse. A bateria queria muito e quer que eu esteja ali”.

Presença que vai além da dança

Mesmo com restrições médicas, Gracyanne não esconde a emoção ao falar sobre o que viveu nos ensaios e sobre o que espera do desfile oficial.

“Eu me senti extremamente honrada, feliz, grata. Tenho certeza de que esse desfile vai ficar na minha memória para sempre. Pisar na Sapucaí e ser recebida com esse carinho é algo realmente indescritível”.

As limitações físicas exigiram adaptações. Nada de salto alto e samba no limite do possível, mas sem abrir mão da essência.

“Os médicos falaram que era tênis, nada de salto. Eu nem podia sambar, mas, gente, como é que escuta a bateria e não samba? É impossível. Eu vou sambar miudinho, com cuidado, mas vou entregar toda a minha vontade, toda a minha alegria e todo o meu amor”.

Para ela, o enredo da União da Ilha dialoga diretamente com o momento pessoal que atravessa.

“O enredo é maravilhoso, o samba é muito bom, a Ilha é a escola da alegria. Esse Carnaval tem tudo para ser belíssimo, digno de voltar ao Grupo Especial. Eu estou orando, torcendo e dando o meu melhor para estar à altura dessa escola tão maravilhosa”.

Fase de ressignificação

O carinho recebido neste carnaval também tem um peso simbólico. Para Gracyanne, o momento representa uma verdadeira renovação de energia e de sentido.

“Eu acho que estou na melhor fase da minha vida. Passei por vários processos e precisei ressignificar a minha história. Tudo mudou, desde a separação até o BBB, que foi um autoconhecimento muito grande”.

A lesão, segundo ela, foi mais um marco de transformação. “Isso tudo me fez botar a cabeça no lugar e valorizar cada momento. Antes eu me preocupava muito em trabalhar e conquistar, mas hoje eu entendo que o que realmente importa são os momentos com quem a gente ama. É isso que eu estou vivendo agora”.

Fantasia adaptada, esseência preservada

As mudanças também chegaram à fantasia, pensada para garantir segurança sem perder o impacto visual. “A gente teve que dar uma enxugada no costeiro e na cabeça, para não ficar pesado e eu não correr o risco de cair. É uma fantasia mais minimalista, mas vai ser linda”.

Para Gracyanne, o mais importante permanece intacto. “O que interessa mesmo é a bateria. A função da rainha é trazer o holofote para ela, e é isso que eu quero fazer”.

Do samba ao reinado: Rayane Dumont é representatividade à frente da União de Maricá

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Nascida e criada em Maricá, Rayane Dumont não ocupa o posto de rainha da bateria da União de Maricá apenas com samba no pé. Ela o ocupa com pertencimento, memória, identidade e emoção. Há quatro anos à frente da “Maricadência”, Rayane construiu um reinado que vai além do brilho e se conecta diretamente com a história de uma comunidade que se reconhece nela.

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Antes de assumir o posto, em 2020, Rayane já fazia parte do cotidiano da escola como sambista, vivendo o Carnaval desde dentro, no chão da quadra, nos ensaios e no convívio diário com a comunidade. Essa trajetória faz com que sua presença à frente da bateria carregue verdade e representatividade.

Ser rainha da bateria da União de Maricá, para ela, é uma responsabilidade afetiva. É representar um povo inteiro, suas lutas, suas vitórias e sua alegria.

“Pra mim, representa milhões de sensações. Eu sou nascida e criada em Maricá, então é uma honra muito grande. Eu represento uma comunidade, um povo guerreiro”.

A relação com a escola sempre foi marcada pelo acolhimento e pelo amor. Rayane destaca que nunca se sentiu distante da sua comunidade; pelo contrário, sempre foi abraçada e incentivada a crescer junto com a agremiação.

“Sempre fui muito bem recebida pela comunidade. Eu cheguei como sambista, criada ali, e continuo construindo história junto com a União de Maricá, sempre com muito carinho e muito amor. Eu com amor pela minha comunidade, e a minha comunidade com amor por mim”.

Reinado que carrega memória e representatividade 

No atual momento da escola, Rayane representa o Reino de Bregaidê de Belagantã, conceito que dialoga diretamente com ancestralidade e identidade negra. Para ela, ocupar esse espaço também é um gesto de reverência às mulheres que vieram antes e às que ainda virão.

“Hoje, com esse reino, eu represento as pretas que vieram antes de mim, as mulheres que estão comigo agora e as muitas pretas que ainda vão vir”.

Esse compromisso com a história aparece de forma muito clara na estética que Rayane escolhe para a avenida. Seus figurinos são pensados como extensão do enredo, nunca como mero adorno.

“Eu não venho com figurino à toa. Esse, por exemplo, representa três pretas guerreiras. Eu sempre gostei de passar um pouco dos enredos através dos meus looks, porque são histórias que por muito tempo ficaram silenciadas. A gente precisa aproveitar todos os espaços pra contar essas histórias da melhor forma possível”.

Essência, treino e evolução 

Muito elogiada pelo carisma e pela presença forte à frente da bateria, Rayane reforça que o segredo está em respeitar a própria essência e nunca parar de evoluir. Para ela, sambar é estudo, entrega e compromisso.

“Cada um tem a sua essência. O segredo é jogar isso pra fora, com muito treino e muita evolução. Eu nunca estou parada, estou sempre estudando, e acho que é isso que faz a gente melhorar a cada dia”.

Essa postura reflete não apenas no desempenho técnico, mas também na forma consciente com que ela ocupa o posto de rainha, entendendo o peso simbólico que carrega dentro da escola.

Referências que nascem da comunidade 

Quando fala sobre inspirações, Rayane faz questão de destacar mulheres que também vieram do chão da comunidade e que representam força, verdade e identidade no Carnaval.

“Minhas referências são a Evelyn Bastos e a Mayara Lima. Tenho muitas inspirações, mas essas duas tocam meu coração. São rainhas da comunidade, e a gente sempre tenta se espelhar nelas, porque eu também sou cria da minha”.

Rainha que reina com verdade 

Ao completar quatro anos como rainha da bateria da União de Maricá, Rayane Dumont se consolida como um dos grandes símbolos da escola. Sua trajetória traduz o que Maricá leva para a avenida: orgulho de origem, ancestralidade, força coletiva e emoção.

Quando Rayane surge à frente da bateria, o público não vê apenas uma rainha do samba. Vê a história viva de uma comunidade inteira pulsando no ritmo do surdo, celebrando quem veio antes, quem está agora e quem ainda vai chegar.

Vivendo o carnaval intensamente: Wilsinho Alves fala sobre dedicação total

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Em entrevista, na noite do segundo dia do ensaio técnico, o diretor da União de Maricá e do Salgueiro, Wilsinho Alves, falou sobre sua rotina intensa à frente de duas grandes escolas do carnaval carioca. Ao comentar sua vida pessoal ou, como ele mesmo define, a falta dela, Wilsinho enfatizou a importância de estar presente em todos os processos das agremiações que comanda, destacou a necessidade de contar com uma equipe de excelência e apontou as diferenças entre as escolas da Série Ouro e do Grupo Especial, além de suas expectativas para a União de Maricá.

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“Não, não tem vida pessoal, não tem mesmo, é uma loucura. A minha esposa já sabe qual é o ritmo, fico sem ver minha filha para caramba, já estou um tempão sem ver minha filha, só no WhatsApp, ligação, mas é isso. Saio de casa cedinho, 8 horas, 9 horas, e nessa época eu volto 4 horas da manhã, porque sempre tem comissão de frente do Salgueiro ou da Maricá de madrugada, ou as duas. E, além da dedicação aos ensaios, que são necessários, eu acho importante, para mim, estar à frente de duas grandes escolas em momentos diferentes, mas as duas buscam o título nos seus grupos”, afirmou Wilsinho.

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Durante a conversa, o diretor também destacou sua parceria com o carnavalesco Leandro Vieira, ressaltando a importância de trabalhar ao lado de um profissional que contribua para a fluidez do processo criativo e técnico da escola. Segundo ele, apesar de já ter enfrentado dificuldades com outros carnavalescos ao longo da carreira, Leandro se destaca pela capacidade de criar soluções práticas e eficientes no dia a dia do barracão.

“A primeira coisa é que a gente é muito parceiro, muito amigo. É fácil trabalhar com o Leandro. Ele é um cara genial. O grande gênio hoje do carnaval é o Leandro, e a gente tem uma troca boa de ideias, a gente se respeita. Eu respeito muito o que o Leandro faz artisticamente, ele respeita também a parte técnica da escola, e ele tira soluções muito práticas de barracão. Já trabalhei com outros carnavalescos cujas soluções não são tão práticas, e o Leandro consegue criar processos muito assertivos durante o percurso”, afirma Wilsinho.

Wilsinho também comentou sobre as diferenças estruturais e financeiras entre as escolas da Série Ouro e do Grupo Especial. Apesar de reconhecer avanços, o diretor apontou a existência de um grande abismo entre as duas ligas e defendeu melhorias que garantam condições mais dignas de trabalho. Ele destacou ainda o apoio da Prefeitura de Maricá, que, segundo ele, proporciona uma estrutura adequada para o barracão da escola.

“Existe um grande abismo financeiro, um grande abismo de estrutura entre as duas ligas e os dois grupos. Acho que o pessoal da Liga RJ vem trabalhando para reduzir esse gap que existe entre as duas ligas. Mas ainda é chato ver escolas com barracões precários, trabalhadores em condições que não são ideais. Eu trabalho numa escola que todo mundo sabe que tem apoio da Prefeitura da cidade de Maricá, e a gente consegue ter um barracão adequado. Apesar de não ser grande, apesar de não ser alto, ele é adequado, com a parte de segurança do trabalho, com a parte dos bombeiros, enfim, todos os equipamentos, porque é um barracão que a gente construiu há dois anos. Mas eu acredito que, com a Cidade do Samba II, o ganho estético da Série Ouro vai ser notado nos próximos anos, assim como houve o ganho estético quando a gente foi para a Cidade do Samba, de 2005 para 2006”.

Para encerrar, o diretor afirmou estar positivamente ambicioso em relação ao título da Série Ouro e elogiou a preparação da União de Maricá, destacando a dedicação da escola desde o início da temporada e a qualidade apresentada em todos os quesitos.

“Eu espero um desfile organizado, espero que a gente cause um grande impacto. Eu acho que esse carnaval de Maricá é um carnaval de grande impacto. O enredo proporciona isso, o samba proporciona isso e a estética que o Leandro escolheu proporciona isso. A Maricá é uma escola que está ensaiando desde outubro. A disputa de samba começou cedo, começamos cedo os nossos ensaios, ensaiamos muito, ensaiamos muito na rua. Eu fiz, este ano, mais ensaios na Maricá, por exemplo, do que no Salgueiro, por vários motivos, como condições climáticas e tudo mais. Mas é uma escola que ensaiou muito e está muito preparada. Tomara que a gente consiga mostrar isso no ensaio técnico e no desfile para conquistar o campeonato”, declarou o diretor Wilsinho.

Mestre Ciça recebe Medalha Tiradentes da Alerj e celebra reconhecimento histórico ao samba

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O ensaio da escola mirim da Unidos do Viradouro, na última terça-feira, terminou em clima de emoção e reconhecimento. Um dos maiores nomes da história do carnaval carioca, o mestre de bateria Ciça recebeu a Medalha Tiradentes, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em reconhecimento à sua trajetória de cinco décadas dedicadas ao samba. A iniciativa é do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), autor da proposta aprovada pela Casa, e a cerimônia contou também com a presença da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), que fez questão de prestigiar o momento. A entrega aconteceu na quadra da Viradouro, em Niterói, território simbólico para a história do mestre e da escola.

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Fotos: Rhyan de Meira/CARNAVALESCO

Veterano da Marquês de Sapucaí, Ciça completa 70 anos de vida e 50 anos de desfiles, sendo referência absoluta na formação de ritmistas, na criação de identidade musical e na construção do padrão rítmico que ajudou a consagrar a Viradouro como uma das grandes forças do carnaval. Em entrevista ao CARNAVALESCO, visivelmente emocionado, mestre Ciça contou que foi pego de surpresa com a homenagem. “Eu fui pego de surpresa com essa homenagem, que é uma honraria do nosso estado. É muito orgulho estar recebendo esse reconhecimento. Estou feliz pra caramba”, afirmou.

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Questionado se algum dia imaginou ser homenageado dessa forma, tanto pela escola quanto pelo Estado, o mestre foi sincero: “Nunca imaginei isso na minha vida, nunca. Não que eu não mereça, mas o sambista ainda sofre um pouco de discriminação. O povo do samba merece muito mais homenagens. Outra s pessoas também merecem. Acho isso muito bacana, muito importante”.

Para Ciça, a Medalha Tiradentes não é apenas um reconhecimento individual, mas um gesto simbólico que pode abrir caminhos para outros nomes do carnaval serem valorizados em vida.

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“Tenho certeza de que as portas vão se abrir para outros sambistas. As escolas também vão começar a homenagear mais pessoas em vida. Isso é fundamental. O samba envolve milhares de pessoas, envolve trabalho, envolve economia, envolve cultura. E quem faz o show é o sambista, do mais humilde ao que ocupa cargos maiores. O samba tem que estar sempre em primeiro lugar”.

Durante a entrevista, Ciça fez questão de destacar a importância da família Calil, responsável pela gestão da Viradouro, em um dos momentos mais marcantes de sua trajetória: o retorno à escola após um período fora.

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“Foi a família Calil que me trouxe de volta para a Viradouro. Eu estava na Ilha e tenho muita gratidão por isso. O senhor Marcelo Calil, o Marcelinho, a dona Terezinha, o seu Antônio… eles são fundamentais na minha vida”.

O mestre resumiu o sentimento com simplicidade e emoção: “É só gratidão. Não sei nem como agradecer. A gente agradece todo dia. A melhor recompensa que posso dar é fazer a Viradouro campeã de novo. Isso seria nota 10”.

Reconhecimento como política pública

Autor da proposta, o deputado estadual Flávio Serafini destacou a importância de políticas públicas voltadas ao reconhecimento dos trabalhadores do carnaval.

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“O samba é a maior expressão da cultura popular brasileira e, muitas vezes, quem faz o samba é invisibilizado. São passistas, ritmistas, mestres-salas, porta-bandeiras, mestres de bateria. O mestre Ciça percorreu toda essa trajetória até se tornar um campeão do carnaval e uma figura fundamental na construção do samba nos últimos 40 anos no Brasil”.

Serafini também ressaltou a importância de homenagear em vida: “A Viradouro acertou e foi ousada ao homenagear o mestre Ciça em vida. Não dá para esperar o amanhã. Hoje ele é fundamental, representa gerações do samba. Isso precisa ser apoiado e fortalecido, porque essa é a cara do Brasil”.

‘Não vamos esperar a saudade pra cantar’, canta Talíria

Presente na cerimônia, a deputada federal Talíria Petrone destacou a emoção de participar da homenagem e reforçou a ligação entre Niterói, Viradouro e o mestre Ciça.

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“É uma emoção ser parte dessa história. Não tem como pensar no carnaval da Viradouro sem pensar no mestre Ciça. O carnaval não começa na avenida. Ele é feito por quem constrói a batida da bateria, por quem costura, por quem carrega. Ele nasce no barracão, na quadra, no dia a dia”.

Talíria também ressaltou a valorização dos trabalhadores do carnaval: “Homenagear o mestre Ciça é homenagear os trabalhadores que fazem o carnaval acontecer. Essa festa popular precisa ser valorizada porque ela é a cara do povo brasileiro”.

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Orgulhosa de suas raízes, a deputada falou da relação afetiva com a cidade e a escola: “Eu sou muito niteroiense. Não tem como pensar Niterói sem pensar na Viradouro. Estar aqui, no último ensaio antes do carnaval, homenageando ninguém menos que o mestre Ciça, é simbólico. Quando ele é o próprio enredo, como diz o samba, nós não vamos esperar a saudade pra cantar”.

A Medalha Tiradentes chega em um momento especialmente simbólico da carreira do mestre. Em 2026, a Viradouro levará para a avenida o enredo “Pra cima, Ciça!”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, celebrando a trajetória, o legado e a contribuição do mestre para o samba e para o carnaval brasileiro.

Teste do novo sistema de som da Sapucaí reúne grandes vozes e aponta avanços para o Carnaval 2026

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A Marquês de Sapucaí foi palco, na última terça-feira, de mais um importante capítulo na preparação para o Carnaval 2026. A Liesa promoveu um teste do novo sistema de som do Sambódromo, reunindo intérpretes, ritmistas de diferentes escolas e dirigentes do carnaval para avaliar, na prática, a nova engenharia sonora que será utilizada nos desfiles. O evento contou com a presença de cantores como Tinga, Evandro Malandro, Pitty de Menezes e a dupla da atual campeã Beija-Flor, Nino e Jéssica. No início da noite, todos cantaram juntos clássicos do carnaval, em uma apresentação coletiva que empolgou quem acompanhava o teste.

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Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

A batucada ficou por conta de 60 ritmistas de diversas escolas permitindo que o novo sistema fosse avaliado também em relação à bateria, elemento central do desfile. O CARNAVALESCO ouviu o presidente da Liesa, Gabriel David, além de Nino Milênio, Jéssica Martin, Pitty de Menezes e mestre Casagrande, que falaram sobre os avanços, ajustes necessários e expectativas para os desfiles.

Gabriel fez um balanço detalhado dos testes já realizados até agora. “Quando a gente falou pela primeira vez que iria fazer essa mudança em toda a engenharia do sistema de som, é que é um processo longo, complexo e doloroso. Ele realmente é. Acho que só a gente vivendo da forma mais intensa possível esse processo é que a gente pode chegar a um resultado melhor no final, principalmente, na hora dos desfiles de todas as escolas. Acho que a gente tem evoluído significativamente ao longo desses testes”, avaliou.

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O mandatário também destacou que ainda existem pontos a serem ajustados. “A gente ainda precisa evoluir em alguns detalhes a mais, dentro de toda a visão da equipe que tem trabalhado nisso. Mas eu acho que tudo na vida, quando a gente quer evolução, a gente tem que ter diálogo. E eu acho que o diálogo entre toda a equipe de som e todos os artistas do carnaval é visivelmente melhor para todos”, afirmou.

Segundo ele, o contato direto com os artistas tem sido fundamental. “Eu conversei com praticamente todos os artistas do carnaval até aqui e não obtive nenhuma reclamação a respeito do diálogo. Claro que sempre tem um detalhe ou outro para melhorar, mas não sobre o diálogo. Eu acho que isso é a primeira evolução que a gente tem durante todo esse processo, e eu queria muito destacar isso. Acho que o som tem tudo para ser um ponto muito positivo desse carnaval”, pontuou.

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Gabriel também explicou que ainda haverá testes importantes nas próximas semanas. “Precisamos testar a excelência do som ao longo deste final de semana e, no próximo, talvez tenha um dos testes mais importantes de todos, que é aquele que ninguém vê, mas que é primordial, que são todas as radiofrequências que passam no Sambódromo. Diante de todas as dores que eu já presenciei vestindo a camisa da Liesa com esses equipamentos de som, o teste principal para a gente, na verdade, é no segundo final de semana de ensaio técnico”, declarou.

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Ao comentar sobre questionamentos feitos por intérpretes da Série Ouro em relação ao retorno em testes anteriores, Gabriel David foi direto. “É por isso que existem os testes e, de fato, é uma engenharia muito complexa, foi o que a gente sempre falou. É só na hora que a gente botar no campo de jogo que a gente vai acertando os detalhes. Os ensaios técnicos da Série Ouro, sem dúvida nenhuma, foram interessantes para que essa evolução continue e que seja mais um dia de testagens. Hoje também tiveram algumas reclamações de coisas que podem melhorar e terão ainda neste primeiro final de semana de ensaios técnicos especiais. Isso está tudo dentro de uma previsão normal. O importante é que chegue no dia do desfile com todo mundo muito confortável e com o som na sua mais perfeita qualidade. E eu acho que isso vai acontecer, está dentro do processo. Não tem nenhum absurdo até aí, por isso que a gente chama de ensaios técnicos”, explicou.

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Sobre a expectativa para os desfiles, o presidente foi cauteloso, mas otimista. “Eu estou com os pés no chão. Eu acho que a minha expectativa é que o som seja melhor do que o do ano passado e que a gente tenha uma capacidade de analisar qualquer uma das diversas variações que podem surgir nesse modelo, mas saber, de fato, o que variou, o que não foi da forma que a gente queria. Acho que mais importante do que só acertar é saber por que você errou. E a maior dúvida que a gente tinha no passado é que a gente não tinha muito esse acesso a essa informação. A minha expectativa é que vai ser melhor do que o do ano passado, mas principalmente que a gente vai ter uma análise mais contundente de como ele performou ao longo de todos os dias”, detalhou.

Representando a Beija-Flor, Nino fez questão de elogiar o resultado do teste. “Foi maravilhoso. Só está melhorando. Eu tive o privilégio, a oportunidade, a honra de ser o primeiro a testar. Fizemos o teste eu e Jéssica, junto com a nossa equipe da Beija-Flor. Muita coisa melhorou e está muito legal. Os intérpretes estranharam um pouco no início, mas aconteceram muitas reuniões na Liesa sobre o assunto, e quem estava estranhando agora já está gostando. Tem tudo para ser um sucesso no carnaval”, comentou.

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Jéssica reforçou a avaliação positiva. “Esse teste foi maravilhoso. Esse som está perfeito. Aqui, pelo menos no meu fone de ouvido, está parecendo um CD. Muito legal, equipe maravilhosa. Está dando maior suporte, maior atenção para a gente. E creio que esse Carnaval de 2026, além de ser novidade, vai ser um sucesso”.

Mesmo satisfeitos, a dupla destacou que ajustes finos ainda podem ser feitos. “A gente vai ter mais uma passagem de som. Eu prefiro esperar mais esse teste, porque eu acho que pode até melhorar. Não que esteja ruim. Ficou perfeito, mas eu acho que a gente pode conseguir equalizar um pouco mais dentro do nosso ouvido. Um pouco mais de bateria, um pouco mais de surdo, um pouco mais de vozes… Aquela melhorada que a gente só percebe quando ela acontece”, explicou Jéssica.

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Nino ainda detalhou pontos técnicos. “Acho que dá para ter um pouco mais das vozes do cantor principal. Conforme eu e a Jéssica, tem que destacar um pouco mais ali. As pessoas… sei lá, uma divisãozinha que dê para ver que ela está ali e eu estou ali. Porque às vezes fica muito coro. E a gente também tem que esperar um pouquinho, porque a gente não está com a nossa bateria soberana, maravilhosa. Faltam os atabaques… Ainda falta muita coisa. Só nos próximos testes que a gente vai conseguir ter essa concepção completa”, comentou.

Pitty de Menezes também aprovou o teste. “O som está maravilhoso. Está se ajustando. Amanhã a gente tem uma passagem de som. Cada escola, agora a parte musical mesmo, das harmonias, de cordas, vozes. Hoje foi para ajeitar mais a bateria, a questão da musicalidade da bateria. Mas, assim, foi maravilhoso. O som tem uma tecnologia maravilhosa e a sonoridade maravilhosa também. Acho que tem tudo para dar certo, para fazermos um grande espetáculo aqui na Marquês de Sapucaí no nosso grande dia”, declarou.

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Ele também comentou sobre a importância do processo de ajustes. “Sempre dá para melhorar. A gente está ajustando, é como a gente está falando: é ajuste. E ajuste é isso, tem erros, acertos… Eu acho que eles já detectaram algumas coisas que estavam erradas e vão ajustar agora para dar certo, para chegar no dia do ensaio técnico melhor ainda e chegar no dia do desfile perfeito”, concluiu.

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Mestre Casagrande fez uma análise técnica do teste. “Foi muito proveitoso. A gente pôde entender a logística na qual a nova equipe de som se propõe a nos dar. Ficou legal. No primeiro momento, a gente tinha botado até os cantores na frente, mas aí ficou um sistema muito agudo; depois passou para trás e melhorou”, explicou.

O mestre ressaltou que cada agremiação terá suas próprias necessidades. “Agora é de escola para escola, de diretor musical, diretor de carnaval, que a gente vai entender como é que vai ficar. Cada um tem suas peculiaridades. Até porque a gente tem dois ensaios técnicos ainda. Tem o primeiro para a gente entender mais um pouco e depois, no segundo, eu acho que já vai estar bem ajustado”, afirmou.

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Sobre possíveis problemas no teste, Casagrande foi sincero. “Teve. Ficamos nessa diferença do delay com o canto. O ideal seria que a gente ensaiasse com a bateria no setor 1, no box da bateria, e a gente não conseguiu ensaiar. Mas, para a logística, para a gente entender a logística de som, o teste de hoje foi muito proveitoso”, declarou.

Por fim, ele deixou clara a expectativa, ainda que com cautela. “Acho que no desfile vai ser um sucesso. Mas é o que eu te falei: vai depender muito de escola para escola. A nova equipe de som, os responsáveis, nos deixaram muito à vontade para decidirmos entre cada escola. Então a gente vai conversar com o nosso diretor de carnaval, nosso diretor musical, para ver o que a gente faz. Chegar no melhor, isso que é o importante. Chegar 100%, mas só a boa vontade que a organização está tendo com a gente já está valendo”, concluiu.

Riotur informa entendimento entre Liesa e Liga RJ em prol do Carnaval 2026

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A Riotur informa que recebeu os presidentes da Liesa e Liga RJ nesta terça. Na reunião, as questões levantadas pela Liga RJ em manifestações recentes foram devidamente esclarecidas junto à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).

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Foto: Divulgação/Riotur

Ambas as ligas renovaram seu compromisso de manter sua comunicação institucional em constante desenvolvimento, evitando conclusões precipitadas, e o melhor comprometimento do Carnaval 2026. Tanto Liesa, quanto Liga RJ manifestaram disposição em esclarecer os pontos levantados e debater, agora e após o carnaval, pontos de interesse conjunto, sempre buscando o desenvolvimento do maior espetáculo da Terra.

A Riotur reafirma seu compromisso com a organização do carnaval carioca e destaca o trabalho desenvolvido pelas Ligas, empenhadas em garantir que todas as agremiações, do Grupo Especial e da Série Ouro, tenham as condições necessárias para realizar um grande Carnaval.

Mayara Lima comanda aulão de samba no Carnaval Fan Fest

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A inauguração do Carnaval Fan Fest, no dia 20 de janeiro, foi marcada por um encontro simbólico entre o samba, o povo e um dos cartões-postais mais emblemáticos do Rio de Janeiro. Em plena praia de Copacabana, Mayara Lima, rainha de bateria do Paraíso do Tuiuti, comandou um grande aulão de samba que reuniu centenas de pessoas em um movimento coletivo de celebração à cultura popular.

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O evento, que já nasce com a proposta de se tornar um marco no calendário carnavalesco da cidade, reforçou a valorização do sambista e da arte que sustenta o maior espetáculo da Terra. Para Mayara, estar à frente dessa iniciativa carrega um significado que ultrapassa a dimensão da dança.

“Esse evento é histórico para o carnaval e vai fazer parte dessa história linda que é a nossa arte, do maior espetáculo da Terra. Tudo nasce de uma gestão que pensa no sambista, que faz de tudo para valorizar quem vive do carnaval. Fui convidada para esse aulão e estou muito feliz de estar aqui. Ainda vamos ter mais duas aulas. O carnaval está chegando, e a gente já está nesse pré-aquecimento”, destacou a rainha.

Mesmo com uma trajetória consolidada no samba, Mayara revelou que a grandiosidade do público trouxe um sentimento especial antes da aula começar. “Deu nervosismo, sim. Já dei aula para muita gente, mas nunca para um público tão grande quanto o do Rio de Janeiro. As pessoas presentes querem cada vez mais fazer parte do nosso carnaval e somar com a nossa cultura. No final, foi muito bom viver essa experiência”.

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Durante a atividade, a rainha fez questão de reforçar que o samba vai além dos passos ensinados. “Se joga, seja você mesma e treine, mas entendendo que não é só fazer uma aula de samba. É viver a história da nossa cultura, a fundação de tudo, a história do nosso povo. O samba vai muito além de dançar. Eu tenho muito orgulho de dizer que sou uma artista do samba e que vivo da cultura do meu país. É isso que eu quero levar para as pessoas”.

A relação de Mayara com o Paraíso do Tuiuti também esteve presente em sua fala, reafirmando o vínculo com a escola que moldou sua trajetória pessoal e artística. “Eu sou uma pessoa que hoje vive um sonho, muito por conta das oportunidades que o Tuiuti me deu, que é a escola que é o meu chão, meu pilar. Já fui passista, musa, princesa. Construí minha vida pessoal ali, hoje tenho meu filho, sou casada com uma pessoa que também ama o carnaval. Poder viver esse momento junto com a minha família, com a minha comunidade e com a minha bateria é muito especial. Espero que venham muitos e muitos anos para a gente continuar vivendo essa cultura que é tão mágica”.

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Entre os participantes do aulão, o impacto da experiência foi imediato. Juan Barros, de 17 anos, morador do Méier, destacou a força simbólica da ação. “Achei incrível a ideia de fazer um mutirão com milhares de pessoas no meio da praia de Copacabana para um aulão de samba. Foi genial. Teve um momento em que eu parei de dançar só para ver ela dançando, porque é apaixonante”.

Para ele, iniciativas como essa deveriam se espalhar ainda mais pela cidade. “O Rio devia tornar o aprendizado do samba ainda mais acessível. Imagina um aulão assim em outros bairros. A aula dela é apaixonante”.

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Laura Isabel, de 17 anos, também acompanhou a atividade e saiu contagiada pela energia da rainha. “Eu achei maravilhoso. Ela é muito boa, contagiou a plateia, me deu alegria. Mesmo cansada, eu tentei sambar, tentei me mexer e gostei muito”.

A jovem reforçou a importância da valorização do samba como identidade cultural. “O samba é parte da nossa cultura, da nossa alma, do brasileiro. Tem que ser valorizado a cada dia”. Animada, ela já planeja colocar em prática os passos aprendidos. “Vou começar já, até no show do Belo”.

O aulão de samba no Carnaval Fan Fest mostrou que, quando o samba ocupa os espaços da cidade, reafirma sua potência como linguagem coletiva, memória viva e expressão de pertencimento. Em Copacabana, a dança se transformou em encontro, aprendizado e celebração da essência do carnaval carioca.

Vila Isabel encerra ensaios de rua rumo ao Carnaval 2026

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A Unidos de Vila Isabel finaliza, nesta quarta-feira (28), sua temporada de ensaios de rua. Iniciados em novembro, os encontros chegam à reta final com a presença de todos os segmentos da escola.

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Com o fim dos ensaios de rua, a Vila Isabel volta suas atenções para os ensaios técnicos, que começam já neste fim de semana. A escola será a primeira a passar na avenida no sábado (31), abrindo a segunda noite.

No Carnaval 2026, a azul e branca do bairro de Noel desfilará com o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal. A proposta celebra a ancestralidade africana, os fundamentos do samba e a trajetória de Heitor dos Prazeres, um dos maiores ícones da cultura popular brasileira e da história do samba.

A Unidos de Vila Isabel será a segunda escola a desfilar na terça-feira, 17 de fevereiro de 2026.

Carnavalescos Carila Matzenbacher e Patrick Felipe apresentam a “Santa Cachaça”, nova entidade simbólica do enredo da Santa Marta para 2026

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A Mocidade Unida do Santa Marta, que desfila na Série Prata, revelou os primeiros detalhes de seu enredo de 2026, “Samba é Minha Cachaça”, na entrevista que os carnavalescos Carila Matzenbacher e Patrick Felipe cederam ao CARNAVALESCO. A dupla explicou que o tema foi encomendado pela diretoria e encerra uma trilogia criada nos últimos anos.

“Começamos no Sextou, onde nosso Malandro vai curtir a sexta-feira, depois chegamos no AG1, que era a hora de comer. Agora é hora de celebrar bebendo”, resumiu Carila.

Patrick destacou que a pesquisa precisou trilhar caminhos diferentes dos já explorados, lembrando o desfile histórico da Imperatriz em 2001: “A Rosa já contou a história da cachaça. Agora tivemos que invocar a nossa próproa Santa Cachaça.”

O enredo começa pela parte histórica, mas sem se prender totalmente a ela. “Não tem como fugir da história, até para contextualizar que a bebida nasceu no Brasil. Nós brincamos com os alemães que tentam roubar a cachaça e patentear o nome”, diz Carila.

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Patrick completa: “A partir disso ela passa a ser protegida pelo nosso próprio governo e vira identidade brasileira, patrimônio nosso. Só é cachaça se for produzida no Brasil”.

Os parceiros também conectam o enredo à construção simbólica do país. “Cachaça, samba e futebol são ícones da nossa identidade, nascidos na cultura preta e que sofrem preconceito até hoje. Ser cachaceiro é pejorativo, enquanto quem bebe vinho e Uísque é desgustador”, afirmam. Essa compreensão levou à criação da Santa Cachaça, figura central do desfile.

“Percebemos que não existia um deus da cachaça, como Dionísio é do vinho, quem as pessoas invocam e se conectam quando bebem, por isso criamos a Santa Cachaça, e o enredo virou uma oração a ela”, explica Carila. Ambos acreditam que, dentro da simplicidade e brasilidade do tema, o público vai se identificar. “Quem é que não tem uma história com cachaça, né?”, completa a carnavalesca.

Destaque do enredo

Os carnavalescos esperam que o grande destaque seja o samba-enredo. “Somos a primeira escola a pisar na Intendente no dia do desfile. Precisamos de um samba alegre, para cima, que contagie o público desde o início”, diz Carila. Patrick reforça a importância de uma boa comunicação musical: “Uma melodia agradável, um refrão fácil. Mesmo que a pessoa chegue para assistir no meio do desfile, ela tem que conseguir cantar.”

Eles apontam que o samba deve refletir a ligação afetiva e cotidiana com a cachaça, não apenas seu aspecto histórico. “Não nos prendemos só à história da bebida, porque a Rosa já fez isso. Nós permeamos pelo cotidiano, por como os compositores entendem a cachaça no dia a dia”, explica Patrick. A identificação, para eles, é fundamental, de modo a fazer com que o público lembre de suas próprias histórias de celebração, de alegria, de vida.

Artes plásticas e estética do desfile

Na parte estética, a agremiação promete um carnaval leve, de fácil leitura e pensado para a dança dos componentes.

“Desde que entramos na escola, fazemos fantasias leves. Nada que bloqueie a movimentação. A ideia é que o componente chegue arrasando em harmonia, cantando e orgulhoso do manto”, destaca Carila. Patrick ressalta que os signos serão claros: “A gente quer que o público entenda o que está vendo. Carnaval é para o público, não só para o jurado.”

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Carila define o conceito como uma simplicidade inteligente, que privilegia a compreensão sem ser didática: “É objetivo, sem rodeios. A identificação cria empatia e movimento de chão, que é a grande potência do carnaval.” Ela reforça que essa escolha estética ajuda a construir um desfile memorável, que conversa com a massa e fica guardado na memória coletiva.

Dificuldades da Intendente Magalhães

Produzir um carnaval na Intendente Magalhães exige criatividade, reaproveitamento e trabalho manual intenso.

“É feito com muita reciclagem. Eu tenho uma peça que reciclo há cinco anos. Eu não jogo nada fora, pois serve para várias fantasias”, conta Carila. Ela transforma indumentárias antigas em novas possibilidades: “Às vezes eu faço uma ala inteira com as pedrinhas que tiro de uma fantasia do Especial. É criar a partir do que se tem.” Patrick reforça: “Esse trabalho é dificultoso. Você não pode imaginar nada muito grande. É criar a partir do que existe.”

Carila explica que desenha sempre pensando na execução real: “O papel aceita tudo, mas a execução tem que ser melhor que o desenho. Criar já pensando em como executar.”

A artista faz questão de ressaltar o trabalho da comunidade, que também participa ativamente desse processo, especialmente nos mutirões de confecção. “Os colares das baianas viraram símbolo da reciclagem. Já fizemos com caixinha de ovo, tampinha de garrafa, e agora vamos usar bagaço de cana. E a comunidade vem, coloca a mão, chega na avenida com orgulho”, diz.

Patrick resume: “Carnaval é sobre isso: a comunidade. Ainda mais para uma escola da Intendente. Mesmo com as limitações, os profissionais mantém o foco: “Queremos ganhar. Fazemos carnaval para isso. Mas, principalmente, para a escola e para os componentes. Não tem preço ver a comunidade defendendo o próprio carnaval”, afirma Carila.

De uma coisa não resta dúvida: a Santa Marta fará um desfile cheio de criatividade, identidade, irreverência e brasilidade, para todo mundo curtir com sua cachaça na mão!

‘Não é o poder que tem poder, é a música’ Paulo César Pinheiro exalta ser enredo da Estrela do Terceiro Milênio

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O legado de Paulo César Pinheiro atravessará o Sambódromo do Anhembi em 2026. Aos 76 anos, a obra do poeta e compositor será transformada em desfile pela Estrela do Terceiro Milênio, no sábado de Carnaval, dia 14 de fevereiro, pelo Grupo Especial de São Paulo. Nada mais justo que a escola que carrega em seu pavilhão a coruja, animal símbolo da sabedoria, celebre uma das grandes mentes da música brasileira por meio do enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções”, assinado pelo carnavalesco Murilo Lobo.

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Foto: Divulgação/Estrela do Terceiro Milênio

A convite da agremiação do Grajaú, o CARNAVALESCO entrevistou este que é um dos mais brilhantes letristas da MPB. Para conduzir a conversa, a reportagem adotou uma proposta pouco convencional: percorrer a trajetória do artista a partir dos versos do samba-enredo da Milênio. A ideia foi ir além dos sentimentos do mais novo torcedor da escola e usar a letra oficial como fio condutor para uma viagem pela vida, pela obra e por um pouco do Brasil retratado em mais de duas mil canções.

Quando a poesia encontra a Avenida

O convite para ser homenageado surpreendeu Paulo César Pinheiro, que definiu como “estranha” a sensação de ver a própria trajetória transformada em enredo. “Eu me sinto lisonjeado, envaidecido, orgulhoso. Me pegou de surpresa”, afirmou o poeta, que já se diz na torcida pela Estrela do Terceiro Milênio, escola cujo nome considera “uma poesia”. “É uma homenagem maravilhosa, e eu já estou torcendo pela escola. Torço até o fim, e a poesia agradece, sem sombra de dúvidas”, completou.

Com uma relação histórica com o Carnaval, o compositor carioca, que é um dos fundadores da escola de samba Tradição ao lado de nomes como João Nogueira, destacou que o samba-enredo ocupa um lugar próprio dentro de sua obra.

“É um tipo de música completamente diferente do samba normal. É um samba que conta uma história estabelecida, composta, que eu gostava muito de fazer. Eu e João Nogueira compusemos quatro sambas de enredo para a Tradição, e valeu a pena. Vencemos o último grupo, passamos para o seguinte, até desfilar com as principais. É muito bom você ganhar e compor um samba de enredo, é um trabalho maravilhoso”, afirmou.

Ao comentar as transformações do gênero ao longo dos anos, Paulo observou que, em sua experiência, compor para uma escola sempre significou envolvimento direto. “Atualmente mudou tudo. Antigamente, até um certo ponto da vida, o samba-enredo transmitia a história da escola, os compositores eram das escolas. Hoje qualquer compositor faz para qualquer escola, e já não é o que eu penso. Eu visto a camisa e vou embora. Mudou tudo”, explicou.

Obra de uma vida contada em samba

Antes mesmo de o samba começar a ser lido verso a verso, Paulo César Pinheiro voltou ao ponto onde tudo teve início. Foi ali, ainda muito jovem, que a poesia passou a conduzir sua trajetória e deu origem a uma obra que hoje atravessa mais de seis décadas.

“Eu comecei muito jovem. Eu tinha de 14 para 15 anos quando comecei. A escola, inclusive, o enredo dela montou-se em cima da minha primeira música, que foi A Viagem. A minha trajetória é a poesia o tempo inteiro, e a música vem junto. Eu também fiz música, tenho compostas na carreira mais de duas mil músicas, das quais cerca de 1.500 foram gravadas. Isso já é uma história que merece ser contada. Além disso, eu escrevi livros, fiz peças de teatro, fiz uma série de coisas, e é bonito ver isso na Avenida sendo contado”, celebrou.

‘Ouvi lá do alto do morro um canto forro encontrando um violão’

Os versos iniciais do samba da Milênio apresentam Paulo César Pinheiro como um menino acolhido pelas rodas de samba, imagem com a qual o compositor se identifica. “O samba me representa. Eu represento o samba. Não há roda de samba no Brasil que não cante um samba meu. Eu me sinto representado completamente”, afirmou.

Na sequência, o verso “E a madrugada foi inspiração” reforça o caráter simbólico da criação artística como vocação e destino. Para o poeta, trata-se menos de literalidade e mais de imagem. “É uma imagem poética. Sempre foi uma das coisas, mas é uma imagem poética bonita também, bem-feita”, disse.

‘Poeta, sim! Não tem mordaça que me diga não’

Os versos reforçam a imagem de um compositor movido por um impulso criativo que dispensa explicações racionais. “Isso nasceu comigo. Eu nunca tive explicação para isso. Não tem explicação”, afirmou.

O poeta destacou a coerência da obra escolhida com sua trajetória artística, fazendo questão de pontuar sua isenção na avaliação, apesar de ter uma relação pessoal com a disputa do samba-enredo. “O samba inteiro faz sentido, foi bem-feito e foi bem escolhido. Inclusive, meu filho foi um dos compositores que disputou o samba-enredo, mas infelizmente não ganhou. Então eu estou isento para falar que o samba está bem representado”, pontuou.

Ao refletir sobre a ideia de o carnaval funcionar como ferramenta de conhecimento, como mencionado nos versos “Fiz das raízes do país canção, abrindo livros desse meu Brasil”, Paulo observou que essa função não está necessariamente no compositor, mas na própria festa. “O carnaval é a festa popular mais importante do Brasil, e o que ele faz é motivar as pessoas a lerem livros dos homenageados, a se interessarem pelas histórias, pela história como um todo. Ele chama a atenção do povo para que se veja, leia e entenda as coisas”, explicou.

‘O dia em que o morro descer’

O trecho a seguir foi inspirado no samba O dia em que o morro descer e não for Carnaval, escrito em parceria com Wilson das Neves, que projeta um cenário em que a ida às ruas se dá por um motivo diferente da celebração da festa popular.

“Os versos foram feitos em cima dos meus, que são uma realidade, infelizmente, do Brasil e principalmente do Rio de Janeiro, onde eu moro. Eles montaram o samba em torno desse que eu fiz com o Wilson das Neves, falando da violência que, infelizmente, tomou conta do país e dos morros cariocas, das periferias brasileiras. Eles fizeram os versos de acordo com o que eu disse. Está muito bem-feito”, explicou.

A leitura também abriu espaço para uma reflexão sobre a trajetória histórica do samba, expressão cultural marginalizada que, ao longo do tempo, conquistou centralidade na identidade nacional. Para o compositor, o gênero venceu os obstáculos impostos desde sua origem. “Eu acho que sim, claro. Para se tornar a maior festa popular do mundo, ele venceu”, resumiu.

‘Zumzumzum, quero ver firmar o seu berimbau’

O refrão do meio do samba da Milênio carrega uma dupla inspiração diretamente ligada à trajetória artística de Paulo César Pinheiro. A primeira vem de Lapinha, parceria com Baden Powell e primeira música do compositor a ser gravada, eternizada na voz de Elis Regina em 1968. A segunda é o disco Capoeira de Besouro (2010), que reúne canções do musical Besouro Cordão de Ouro (2006), vencedor do Prêmio Shell de 2006 na categoria direção musical, sob comando de Luciana Rabello, esposa do poeta. Em comum, ambas as obras exaltam a figura do capoeirista Besouro Cordão de Ouro.

“O primeiro samba que eu gravei na vida falava da Bahia, o Lapinha. É o primeiro samba gravado pela Elis Regina. Então eu tenho uma ligação profunda com a Bahia, principalmente se tratando de capoeira. Gravei um disco com toques de capoeira falando do Besouro, que é uma figura importante da Bahia, citada pelo Jorge Amado, inclusive em mais de um livro. É um herói popular, um herói da rua que foi citado em Tenda dos Milagres e em Mar Morto. Eu fiz o samba Lapinha em homenagem ao Besouro, falando da Bahia, o Besouro da Bahia, Besouro Cordão de Ouro”, destacou.

Ao refletir sobre a presença recorrente da ancestralidade nos sambas e enredos atuais, Paulo fez uma ressalva importante sobre a história do gênero. Para ele, o samba não possui uma origem única. “O samba não nasceu na Bahia. O samba baiano nasceu na Bahia, o samba carioca nasceu no Rio de Janeiro, o samba mineiro nasceu em Minas. O samba nasceu no Brasil, é brasileiro”, explicou. Segundo o poeta, são diferentes manifestações de uma mesma expressão cultural. “O samba que se faz no Rio não é o mesmo que se faz na Bahia. O samba é brasileiro”, afirmou.

A observação ecoa a própria diversidade do gênero, que também encontrou caminhos próprios em São Paulo, como no samba de Bom Jesus de Pirapora, reconhecido e estudado por Mário de Andrade. “É um grande samba, um grande samba, sim”, completou o poeta.

‘Ninguém ouviu a prece em seus grilhões’

A segunda parte do samba começa dialogando com um dos períodos mais sombrios da história do Brasil. Ao tratar da censura e da repressão, o enredo encontra eco na própria trajetória de Paulo César Pinheiro, que teve diversas composições barradas durante a ditadura militar.

Mas, como o próprio samba diz, “se um verso era rasgado, outro nascia”. Apesar de ser uma constante em sua carreira, o compositor valeu-se da inteligência e, com isso, “a censura sucumbia às canções”, utilizando metáforas como estratégia de sobrevivência artística. Paulo destacou uma obra em especial, marcada justamente pela frontalidade do discurso.

“Eu fui muito censurado, o tempo inteiro. Consegui muitas vezes burlar a censura inteligentemente, por metáforas, até que fiz uma música sem metáforas, que se tornou um hino de guerrilha, o Pesadelo. ‘Você corta um verso e escrevo outro’. Foi a música mais direta que se fez no Brasil contra a censura brasileira, contra a censura de modo geral. Fui muito perseguido, mas consegui vencê-los”, afirmou.

Ao ser provocado sobre o papel da música em um contexto contemporâneo de tensão política e de reaproximação com discursos autoritários, Paulo foi categórico ao reafirmar a força da arte como instrumento de resposta e resistência.

“A música consegue responder a qualquer coisa estranha que seja perguntada a ela. É a música que tem poder. Não é o poder que tem poder, é a música que tem poder”, resumiu.

‘Quando o cantar da Sabiá se calou em todo altar’

O trecho é inspirado no samba Um Ser de Luz, de 1983, e retrata um momento sensível da vida de Paulo César Pinheiro. “Foi quando morreu a minha ex-esposa, Clara Nunes, e eu fiz o samba no tempo da morte dela. Eles tentaram transmitir exatamente isso no samba que eles fizeram e foram felizes”, afirmou.

Os versos seguintes também apontam para um movimento de reconstrução afetiva, traduzido na imagem de um coração que encontra “um novo lugar, feito a letra quando abraça a melodia”.

“Foi a música que me trouxe tudo isso. Eu devo tudo à música. Eu sou a música, como diria meu amigo Pedro Sorongo, que já morreu. Ele dizia assim: ‘Eu sou a música’. Quando um maestro falou para ele: ‘você precisa estudar a música’, ele falou: ‘não preciso não, eu sou a música’”, disse o poeta.

‘A música me deu parceiros e enredos para contar’

Os versos celebram os encontros que marcaram a trajetória de Paulo César Pinheiro e ajudam a entender a dimensão coletiva de sua obra. Ao longo da carreira, o poeta construiu parcerias fundamentais para o desenvolvimento de sua linguagem, especialmente no período em que esteve mais próximo do samba-enredo e da vida das escolas de samba, marcado pela fundação da Tradição.

“No mundo do samba, eu tive grandes parceiros e devo muito a eles também. Eles devem a mim e eu devo a eles, nós nos casamos”, afirmou, antes de citar alguns dos nomes que atravessaram sua trajetória. Paulo Duarte, João Nogueira, Eduardo Gudin, Maurício Tapajós, Miltinho, do MPB4, João de Aquino e, em especial, Baden Powell, um parceiro fundamental de sua carreira, formam parte desse universo de encontros que moldaram sua obra.

Segundo o compositor, essas parcerias foram decisivas não apenas no plano afetivo, mas também na construção técnica de sua escrita. “Aprendi com eles alguma coisa. Cada um deles me deu alguma coisa, me deixaram heranças boas e me fizeram o que sou. Eu me desenvolvi com as melodias que consegui com eles. Os meus versos nasceram das melodias deles, então eu sou fruto deles também”, explicou.

‘Ninguém faz samba se não for pra emocionar’

O desfecho do samba assume tom de manifesto e dialoga diretamente com ideias que atravessam a obra de Paulo César Pinheiro há décadas. Para o compositor, a emoção não é consequência, mas origem do samba. As referências citadas no refrão final não são aleatórias.

“Como eu disse antes, já em um samba: ‘ninguém faz samba só porque prefere’”, citou, em referência ao samba O Poder da Criação, composto em parceria com João Nogueira. O poeta também mencionou a referência à obra Mordaça, da parceria com Eduardo Gudin, que traz o verso “o importante é que a nossa emoção sobreviva”. “Eles juntaram a necessidade de uma coisa com outra e ficou bonito o que eles fizeram”, avaliou.

Questionado sobre o papel do samba na atualidade, Paulo não vê perda de força ou de sensibilidade. Para ele, a função permanece intacta. “Com certeza. O importante é que a nossa emoção sobreviva. Eu vou repetir essa frase a minha vida inteira, sempre, e o samba faz isso: desperta as emoções. Se estiverem adormecidas, ele acorda as emoções”, resumiu.

‘Reflete no espelho o dom que Deus me deu’

Por fim, o refrão principal do samba-enredo da Estrela do Terceiro Milênio fecha a narrativa com um movimento circular, em que os primeiros versos funcionam como síntese da trajetória do poeta, enquanto o último dialoga diretamente com o início da letra. Ao ser questionado se o samba fala mais sobre o homem Paulo César Pinheiro ou sobre sua obra, o compositor foi direto ao apontar onde reside, para ele, o verdadeiro legado.

“Fala mais sobre a obra. O homem tanto faz. A obra é o que prevalece, é o que é importante. O homem é só um homem, como qualquer outro, mas a obra permanece”, afirmou. Para Paulo, a história pessoal pode ser contada, como foi no enredo, mas é a criação artística que resiste ao tempo.

A reflexão abriu espaço para um debate mais amplo sobre o lugar do compositor na música popular brasileira, muitas vezes ofuscado pela figura do intérprete. Questionado se o enredo da Milênio pode estimular um olhar mais atento ao legado dos autores, o poeta demonstrou esperança. “Tomara. É o que eu torço. Eles fizeram um belíssimo trabalho em tudo: no samba, na composição do enredo, dentro da escola. Isso é importante. Espero que tudo dê certo”, disse.

Paulo reforçou o desejo de reconhecimento por meio da sensibilidade ao falar sobre o que gostaria que o público compreendesse de seu legado. “Eu espero que aconteça o que acontece sempre: uma homenagem bem-feita, que o público goste do que foi apresentado, se veja nisso. É isso que eu espero. É ver se eu valho a pena como autor”, afirmou.

Mensagem de Paulo César Pinheiro para a Estrela do Terceiro Milênio

“Adorei tudo o que eles fizeram. Foi muito bonito, não esquecerei. Eu não esperava uma homenagem como essa. É muito grandioso para mim, é diferente, muito diferente. Eu vou ficar na torcida, na primeira cadeira, completamente na torcida, para poder ganhar o carnaval. Torço por eles para sempre, virou minha escola também. Eu sou Mangueira, sou Paraíso do Tuiuti porque fui criado lá e sou agora Estrela do Terceiro Milênio. Eu estou com a comunidade do Grajaú e não abro mais”, concluiu.