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Melhora em organização e qualidade é notada pelos integrantes da Mocidade

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Mocidade02 4No último ano, a Mocidade Independente de Padre Miguel passou por mudanças em alguns cargos para fazer bonito neste Carnaval. No lugar de Wander Pires, entrou Nino do Milênio como cantor. Na comissão de frente, assumiu o coreógrafo Paulo Pinna, que também comandou a Unidos do Porto da Pedra. E, para a concepção, foi escolhido um novo carnavalesco: Marcus Ferreira. Este último foi campeão pela Viradouro em 2020.

Os componentes apontaram mudanças na organização da escola. Valquíria Rocha, de 55 anos, ressaltou que a agremiação está muito melhor em comparação ao ano passado, mas acredita que deveria haver mais atenção à comunidade. Já Laércio Guima, de 43 anos, desfila a 12 anos pela Mocidade e acredita que foram mudanças necessárias.

“Eu achei extremamente necessária porque as escolas do Grupo Especial precisam de renovação. As que ganharam recentemente foram as que se repaginaram. Desde 2013, a gente vem se repaginando. A qualidade da escola melhorou. A comunidade está com mais garra, eles abraçaram essa causa”, opinou o desfilante.
Para Cristina Alonso, de 64 anos, acredita que a novidade deu uma energia a mais para a escola. Ela desfilou como integrante da ala “Capitão do Reisado”, representando a folia-de-reis. Ela comentou sobre como a escola está aguerrida por conta dessas mudanças.

“Eu gostei da mudança porque eles vêm com ideias novas, com novas energias. É sempre bom renovar. E ele [Marcus Ferreira] quer mostrar o trabalho, nada melhor do que na Mocidade, uma escola tradicional. Eu senti uma energia boa. A comunidade abraçou o samba e abraçou o carnavalesco. Com certeza vamos fazer um bom carnaval”, disse Cristina.

Mocidade01 4A responsabilidade de Nino do Milênio e a plástica de Marcus chamaram atenção do desfilante Aroldo Pimentel, de 57 anos. Ele desfila há mais de 30 anos na verde e branca da Vila-Vintém e elogiou o trabalho da escola neste último ano.

“O Nino vai aos ensaios, chega na hora certa. O carnavalesco trouxe uma plástica ótima para esse ano. Dizem que a escola está sem dinheiro, mas está muito bonita. Eu achei que eles estão mais organizados esse ano. No ano passado, estava desorganizado. Pareceu que deu apagão neles. E, neste ano, eu espero fazer bonito lá dentro”, argumentou o componente.

Com samba gostoso e energia alta, Colorado do Brás faz um desfile para retornar ao Especial

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A sexta escola a entrar na pista do Sambódromo do Anhembi neste domingo foi a Colorado do Brás cantando “A Ópera de Um Pierrot”. Os destaques ficam para conjunto estético, alegorias e fantasias foram pontos a serem destacados pelo acabamento e contexto no enredo. Outro ponto foi a organização da escola, a escola não teve nenhum erro evidente em sua apresentação.

Comissão de Frente

A comissão coreografada por Paula Gasparini chamada ‘A Ópera de um Pierrot Apaixonado’, vestidos de vermelho, rosto pintado de branco, no melhor estilo Pierrot. Já iniciou bem dentro do enredo que a escola desenvolveu que é mostrar sentimento do Pierrot, seja, feliz, triste, e assim era a apresentação da comissão momentos de um casal de personagens, que eram os principais, por vezes estavam tristes, depois saiam dançando e no fim sempre alegres. Esses dois personagens principais apresentavam uma circense com ballet, bem entrosados. Um personagem fantasiado levava o elemento e na hora do jurado fazia referência. Na hora dos bailada salão faziam duplas e bailavam. Destaque para a atriz principal que fazia caras e bocas em diversos atos. O ator principal que fazia parceria com ela, sempre lhe guiando, entrosamento da dupla foi muito bom.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Brunno Mathias e Jéssica Veríssimo vieram de ‘A Nobreza real’ e uma fantasia bem feita, vermelho com branco para o mestre e detalhes em ouro em várias partes que brilhavam ambos, destaque para a coroa em ambos. Com um belo bailada apresentaram o pavilhão no primeiro módulo, presença de pista grande, sincronismo nos passos de um lado para o outro da pista, o que fazia o público dos dois lados interagir. No segundo módulo mantiveram o nível, as expressões e sorriso da porta bandeira, foram destaques. Outro ponto era depois que passavam pela cabine, mas ainda no campo de visão, viravam e faziam reverência, para os jurados. Foi uma apresentação de sincronismo e conexão nos dois módulos.

Harmonia

Deu para notar que neste quesito a escola evoluiu bastante, melhorou em questão de canto, entrosamento com o samba, e a animação de componentes. Tem alas que realmente cantam menos no terceiro setor, algumas alas coreografadas principalmente. Mas de modo geral, a agremiação tinha o samba na ponta da língua e passou com muita tranquilidade. A escola soube distribuir bem as alas para não ficar um setor cantando mais e outra menos, portanto teve um bom desempenho no quesito.

Enredo

O Pierrot não é uma novidade no carnaval, sempre contado em diversas formas, mas a Colorado trouxe um aspecto diferente desta vez, buscando trazer emoções em geral, tristeza, alegria, qualquer sentimento que possa ser transmitido. Mas que no fim, seja tudo alegria, como será o final, que vocês verão no espaço de alegorias. Na pista foi muito bem construído toda a história através de suas fantasias com clara representação e melhor ainda nas alegorias que eram diretas no que foi proposto.

Evolução

A evolução da Colorado do Brás foi muito bem ajustada durante todo o percurso da escola, deu para ver a organização, foram 56 minutos de apresentação. Um detalhe é que a escola não tem muitos componentes, portanto teve que ir ao fim em um ritmo mais desacelerado, nada que prejudicasse a evolução compacta e dentro do nível exigido.

Samba-enredo

Um dos grandes destaques é o samba-enredo da Colorado do Brás, muito bem interpretado por Léo do Cavaco, levanta o astral de qualquer pista, e foi assim no Anhembi nesta noite. Destaco a parte “Mas tanta gente. Vem pra atrasar meu lado. Tem um capitão danado com o coração ruim. Um velho rico chamado pantaleão. E um alegre e brincalhão. O esperto arlequim”, que encaixa no primeiro setor da escola que contarei a seguir em fantasias. O samba caiu na boca da comunidade, e era muito contextualizado, além das fantasias já citadas, também nas alegorias, comissão de frente, ou seja, tudo era conectado, uma junção importante.

Fantasias

Nas fantasias, uma passagem rica pela história de Pierrot, alas de Arlequim, Pantaleão, Colombiana, Capitão, muitos citados inclusive no samba-enredo, o que é muito interativo e claro, isso logo no primeiro setor. Depois no segundo setor vimos baianas como ‘Pierrot Lunar’, e uma passada no carnaval, teve Carnaval de Veneza, bloco de carnaval, amor de carnaval, baile de máscaras, e outras representações. Um único problema foi na ala onde um rosto que era espécie de capacete estava um pouco tombada para o lado, a escola em questão esteve na frente da bateria logo após a saída da mesma do recuo. No mais, no quesito foi muito interativo, simples de compreensão e claro nas referências que trouxeram neste desfile.

Alegorias

Foram três alegorias apresentadas pela Colorado do Brás, primeiramente tivemos o abre-alas com ‘O Reino Medieval’. Uma alegoria com duas partes, representando um dragão vermelho, um castelo muito bem-acabado. Na segunda parte, Torres, brasões e máscaras, representava muito o contexto do enredo.

Na segunda alegoria tivemos ‘A comeddia dell’arte’, que é uma forma de teatro popular do século XV, surgiu na Itália, mas depois na França. Com um palco na frente, e escultura de mulheres sentadas com máscara no rosto. Nas laterais espécies de palco teatralizados por personagens, cada um com seu jeito, trazendo um contexto importante para a alegoria e o desfile.

Por fim, tivemos o ‘Baile de Carnaval’ representando e fechando o desfile da escola, a escola usa a ideia para unir a paixão pelo carnaval, pela Colorado e personalidades, assim, encerrando com uma grande confraternização do samba. Velha guarda e crianças marcaram presença. As crianças jogavam confetes e era uma interação enorme entre elas, afinal, é tudo que gostam, liberdade para brincar.

Outro destaques

A bateria Ritmo Responsa comandada pelo Mestre Allan Meire paradinha com nove minutos, bossas foram realizadas logo na entrada da pista, foi bom para sentir a harmonia da escola que inclusive fluiu bem. De modo geral, a bateria fez uma apresentação dentro do gostoso samba, assim sustentando um dos pontos altos que era essa melodia da Colorado.

A primeira rainha trans, Camila Prins, sempre é um show à parte, sua representatividade e carisma, elevam a Ritmo Responsa, muita gente do público reverencia ela. Importante demais tudo que tem conquistado, o carnaval agradece.

Morro da Casa Verde encarna os ‘Guardiões de Dynasteia’ em desfile com destaque para beleza das alegorias

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O Morro da Casa Verde foi a quinta escola a se apresentar na noite deste domingo, 17 de fevereiro, em desfile válido pelo Grupo de Acesso I do Carnaval de São Paulo 2023. Com destaque para o belo e bem desenvolvido conjunto alegórico, a comunidade da Casa Verde brincou o Carnaval celebrando as governanças hereditárias através do enredo “Dynasteia. História, Poder e Nobreza”.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Morro veio com todos os seus componentes vestidos de soldados medievais com lanças, representando de forma lúdica aqueles que seriam os guardiões da palavra dinastia. Uma coreografia com movimentos de sincronia arriscados, mas que funcionaram bem ao longo da apresentação. A escola foi apresentada pelo grupo cênico principalmente no desfecho do samba, que faz referência a dinastia presente dentro da própria escola, que sempre foi presidida por membros da mesma família. A única observação que pode ser feita seria a ausência de algum elemento que ajudasse o público a entender verbalmente a proposta da comissão, na forma de texto ou simbologia.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal do Morro da Casa Verde, formado por Leonardo Silva e Júlia, veio vestido como imperadores romanos. A dupla teve bom desempenho nos dois primeiros módulos, com movimentos bem sincronizados, cortejo correto da parte de Leonardo e giros com elegância da parte de Júlia. O casal apresentou bem o pavilhão aos jurados e ganhou aplausos do público com sua atuação.

Harmonia

A sensação que ficou é a de que a comunidade da Verde e Rosa não entrou no clima do desfile. O canto da escola foi muito frio, com cantar discreto até mesmo em alas com passos marcados. Um componente da ala que fez referência a dinastia chinesa foi exemplo claro disso, ao simplesmente ignorar movimentos que todos os demais desfilantes do segmento faziam, além de sequer mover a boca. Os poucos momentos de redenção do coral da Casa Verde foram na parte final do samba, que é forte e com grande valor para a própria Morro.

Enredo

“Dynasteia. História, Poder e Nobreza”. Um enredo sobre grandes governanças que marcaram a história vinculados a um elo sanguíneo, de sucessão hereditária, dentro de uma só família. Mesmo que houvesse uma especificação dentro da proposta, é praticamente impossível desassociar dinastias de reinados e impérios, o que torna os dois tipos de enredo muito parecidos.

Dito isso, o tema escolhido pela Morro da Casa Verde acabou por proporcionar uma interessante oportunidade para homenagear as chamadas “dinastias do samba de São Paulo”, na figura de três escolas de samba que sempre foram presididas por membros da mesma família, sendo uma delas a própria Morro da Casa Verde, que foi fundada pelo pai de Dona Guga e também foi liderada por muitos anos pela própria. Além da Verde e Rosa, Mocidade Alegre e Rosas de Ouro foram homenageadas no último carro da escola.

Um enredo no geral de fácil leitura, apesar da ausência no começo do desfile de elementos que esclarecessem a proposta com exatidão. Impérios da antiguidade, reinados de séculos mais recentes e até a homenagem proposta foram compreensíveis através das fantasias e alegorias, tendo um desempenho agradável do ponto de vista cultural. Só ficou um pouco confuso entender o porquê a Morada do Samba foi representada por uma ala convencional e a Roseira pela ala de passistas, porque no caso da segunda a percepção da homenagem necessitou de um olhar mais apurado do que o esperado para o público em geral.

Evolução

Nesse quesito, a Morro não tem com o que se preocupar. Todo o desfile transcorreu com muita tranquilidade, com a direção controlando bem o andamento do início até o fim. Recuo de bateria bem executado, alas bem compactadas e desfile encerrado sem maiores preocupações. Componentes tiveram liberdade para brincar o Carnaval e não houve interrupções de movimento desnecessárias.

Samba-Enredo

Juninho Branco defendeu o samba da Morro da Casa Verde como um soldado digno da dinastia de Dona Guga. Grande desempenho da ala musical da Verde e Rosa, com um samba de fácil interpretação, que começa pedindo a Deus inspiração para falar daqueles que utilizaram do divino para autodeclaração como enviados dos Céus. Os versos do samba se encaixaram bem ao longo de todo o desfile, com destaque especial para o refrão do meio, que todo ele foi claramente observável na fantasia da ala das baianas, principalmente pelos versos “Gira, baiana, brilha feito ouro. Reflete no olhar o seu tesouro”.

Fantasias

As fantasias da Morro retrataram ao longo de todo o desfile os diferentes impérios encaixados dentro da proposta. Infelizmente, ao longo do desfile, várias sofreram com quedas de adereços, o que comprometeu o conjunto e a evolução de componentes. Mas as roupas da Verde e Rosa cumpriram seu papel de transmitir a proposta do enredo com clareza e didática, a exceção da já citada ala em referência à Rosas de Ouro, representada através dos passistas com elementos muito sutis de serem percebidos.

Alegorias

Uma divisão bem clara do desfile através das três alegorias. O Abre-alas representou os impérios, com destaque especial ao Império Romano. O segundo carro representou os reinados, com a Família Real Britânica tendo destaque. O último carro foi a grande homenagem às dinastias do Carnaval, com a presença das lideranças destas escolas, caso de Dona Guga da própria Morro da Casa Verde, Angelina Basílio da Rosas de Ouro e Solange Cruz da Mocidade Alegre. Alegorias simples, mas muito fáceis de serem entendidas. Destaque positivo para o belo conceito do carro Abre-alas, com piso baixo, e que permite ao carnavalesco soltar sua criatividade ainda mais. Falhas de acabamento foram percebidas ao longo de toda Avenida, o que pode comprometer a avaliação do quesito pelos jurados.

Outros destaques

A Rainha da “Bateria do Morro”, Paula Santos, foi mais uma realeza a brilhar no desfile da Casa Verde. Sob a batuta do Mestre Marcel, os ritmistas encaixaram boas bossas ao longo do desfile e contribuíram positivamente para o bom desempenho da ala musical da escola.

Vai-Vai levanta arquibancada, faz grande desfile e se candidata ao título do Grupo de Acesso

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O Vai-Vai foi a quarta escola a desfilar nesta noite do Grupo de Acesso I. Com a reedição do enredo “Eu também sou imortal”, o Bixiga levantou a arquibancada com o seu famoso samba-enredo já conhecido no carnaval paulistano. A Saracura realizou um grande desfile. Destaque para a comissão de frente bronzeada, que pode ser considerada uma das melhores fantasias do carnaval de São Paulo. Há de se ressaltar o canto da comunidade e a ala musical embalada pelo intérprete Luiz Felipe. A reestreia do casal Renatinho e Fabiola também foram válidas. A escola encerrou o desfile com 58 minutos.

Comissão de frente

Vestidos com o corpo bronzeado, a comissão de frente da escola deu um espetáculo à parte neste desfile. Uma apresentação impecável. Dentro da coreografia, a ala evoluía de um lado para o outro da pista ocupando todo o espaço possível. O que de fato chamou a atenção foi a fantasia e a maquiagem incrível.

O coreógrafo Robson Bernardino teve como ideia trazer de volta baluartes da escola. Esses bronzeados citados são reproduções de antigos componentes que deram a vida pela Saracura.

Mestre-sala e porta-bandeira

Representando o “Clarão na imensidão”, o casal Renatinho e Fabíola, fizeram tudo corretamente. Analisando em frente ao recuo de bateria, a dupla se mostrou confiante em sua reestreia. Na apresentação para a cabine, optaram por realizar movimentos mais lentos e mostrar o pavilhão com delicadeza. Deu para notar também que a bela fantasia era leve e permitiu o casal evoluir da forma correta.

Harmonia

O canto da escola fluiu com naturalidade. O samba já conhecido e trabalhado ajudou nisso. Agora, dentro do desfile, tendo a força das arquibancadas para se apoiar, o chão do Vai-Vai se fez presente. Sempre foi um módulo em que o Bixiga se deu muito bem, e isso pode ajudar novamente,

As partes mais cantadas foram os refrões e os últimos versos do samba. Os apagões e bossas que a bateria fez também deram o tom da harmonia, visto que todos cantaram de forma correta e sem erros.

Enredo

“Eu também sou imortal” é uma reedição de 2005. O conceito se trata de falar sobre a vida. Como ela surgiu, como pode acabar, como é viver e outras coisas mais. Também há muita reflexão dentro disso.

Na segunda alegoria, por exemplo, há grandes esculturas que podem representar o bem e o mal, pois na parte de baixo havia uma vermelha com chifres aparentando ser um diabo e, logo acima da cabeça, a escultura de um ser angelical.

Evolução

A evolução do Vai-Vai não sofreu como em outros anos. A escola passou segura por isso e a reação do departamento de harmonia dizia tudo. O desempenho técnico foi satisfatório também. Dentro das alas tudo ocorreu normalmente na pista. A única situação a se observar é a questão da última alegoria que se afastou um pouco da ala que estava a frente.

Samba-enredo

É famoso um samba de 2005, mas que foi perfeitamente produzido para 2023. A adaptação ficou satisfatória e a Saracura provou que pode modernizar canções antigas de forma que se pareça atual. A princípio a melodia iria mudar em relação a 2005.

A entonação do “É carnaval” estava na última sílaba, mas agora a ala musical optou por alternar. Às vezes canta do jeito antigo e na maioria das vezes com a nova adaptação.

Vale destacar novamente o intérprete Luiz Felipe, que além de comandar sua ala musical com autoridade, levantou a arquibancada. Felipe desfilou pela terceira vez na agremiação e está cada vez mais ambientado com os microfones.

Fantasias

As vestimentas mostraram simplicidade, mas tinha um fácil entendimento. Entre todas as fantasias, há de se ressaltar novamente a comissão de frente. Roupagem e maquiagem perfeitas. Criatividade muito acima.

O resto da escola teve uma performance linear nas fantasias. Nada de luxo, porém nada ‘remendado’. Houve investimento.

Alegorias

A primeira alegoria foi representando o big-bang, que é a teoria que deu início a tudo. Um carro que chamou a atenção por ser monocromático em preto. Na parte do centro a coroa do Vai-Vai com o nome da escola se destacou na alegoria.

O segundo carro alegórico foi como o “Juízo Final e a sentença da vida”, onde tinha uma escultura de anjo e diabo.

A terceira alegoria simbolizou o renascimento do Vai-Vai. O maior exemplo disso foi a Fênix, que significa o renascer das cinzas. Nessa alegoria, os papéis picados podem significar a felicidade, pois o Vai-Vai, na visão deles, continua intacto e vai além dos desfiles.

Outros destaques

A bateria ‘Pegada de Macaco’ de mestre Tadeu e Beto, mudaram totalmente a estratégia de vários anos. Desta vez eles se modernizaram e se juntaram às outras baterias para realizar várias bossas. Os breques foram realizados em vários momentos do desfile. É algo inédito, visto que a bateria do Vai-Vai é conhecida apenas por marcar o samba.

Representando as quitandeiras do Alto Moura, ala das baianas da Mocidade vem com fantasias leves e coloridas

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Mocidade04 2Terceira escola a desfilar na Marquês de Sapucaí nesta noite de domingo, a Mocidade Independente de Padre Miguel apostou na brasilidade para homenagear a obra dos discípulos de Mestre Vitalino. A escola apresentou o enredo “Terras de meu céu, estrelas de meu chão”, falando da arte figurativa enraizada no bairro de Alto do Moura, em Caruaru, Pernambuco.

Com o nome de “Quitandeira de Aves, Ervas e Frutas”, a ala das baianas simbolizava o trabalho manual realizado pelas mulheres no Alto do Moura. A roupa trazia um pouco dos produtos que elas comercializam na Feira de Caruaru, como as frutas, as aves e as ervas. A ala, que foi a terceira na montagem da escola, desfilou com diferentes fantasias em três cores: amarelo, vermelho e verde; com bastante brilho e tecidos quadriculados que remetem ao Nordeste.

Sheila Aguiar é filha de Tia Nilda, baluarte da escola e presidente da ala das baianas. Ela revelou que o carnavalesco Marcus Ferreira pediu para que fizessem uma mistura das cores na formação da ala na concentração. “Eu estou ansiosa demais. É sempre uma grande emoção”, confessou Sheila. Ela conclui: “Graças a Deus, Papai do Céu abençoou, não choveu, está fresco, não está aquele calorão. Então a gente só tem a agradecer. Gratidão. E isso tudo eu devo à minha mãe Tia Nilda.

Mocidade03 3Em seu vigésimo quinto desfile pela Mocidade, a baiana Vilma da Silva, de 58 anos, se mostrou bastante empolgada com o figurino da ala. “Há muito tempo que a gente não vem com uma fantasia assim… Linda, totalmente dentro do enredo, bem leve, boa pra gente dançar. A gente vai ter uma bela desenvoltura e vamos arrebentar. A nossa expectativa está lá em cima!”.

Sueli Barbosa, 68 anos, desfila pela Mocidade da baiana há 10 anos e também aprovou a leveza da fantasia. “Está bonita, leve. Não está pesada. Só o chapéu que incomoda um pouco para prender na cabeça, mas a gente vai dando um jeito”. Ela ainda elogiou o enredo da escola. “Muito bonito homenagear a cultura do Nordeste. Eu que sou filha de nordestina, estou me sentindo representada e muito feliz hoje”.

Eliane Alves, de 64 anos, é outra baiana da Mocidade que está na escola há mais de uma década e também teceu elogios aos trajes da ala. “Está ótima, não está pesada. Está leve, exuberante. Linda como sempre”. Ela conclui revelando um pouco de seu sentimento momentos antes do desfile: “A expectativa está enorme, de fazer nosso melhor trabalho e dar um show na avenida”.

Com enredo dedo na ferida, o Camisa Verde e Branco faz um desfile seguro

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O Camisa Verde e Branco foi a terceira escola a desfilar no Grupo de Acesso I na noite deste domingo. A comunidade da Barra Funda teve destaque nos recados gerais que a escola mandou através das fantasias, samba e alegoria. Outro ponto é a Bateria Furiosa da Barra que levantou o público em seus apagões. No modo geral fez um desfile bem segura, sem um destaque negativo para apontar.

Comissão de Frente

Comandada por Gabriela Goulart, a comissão de frente fez sua apresentação com um destaque central, uma criança que fugia dos outros componentes, era encontrada e acusada por eles. Este destaque de vestimenta amarela e verde, uma criança, procurava espaço no grupo vestido todo no verde tons escuros e claro. Uma máscara no grupo e sincronismo entre eles que formavam linhas seja lateral ou de frente na pista, em um ato levantavam o menino, era ele quem guiava todos. Por vezes formavam uma linha lateral, fechando espaço para o personagem que buscava seu espaço, mas não conseguia, assim era a apresentação, até que era cercado, apontavam o dedo com ele ajoelhado no chão e depois era levantado. Foi uma apresentação segura e deu para entender o recado da criança ser invisível buscando seu espaço em meio aos outros.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Alex e Jessika mostrou entrosamento com o pavilhão desfraldado nos primeiros módulos, giros horários e anti-horário completos. Levantaram público no Setor B com bailado e apresentando seu pavilhão, a conexão no toque de mão e a troca de olhares também foram destaques na apresentação. Na vestimenta roupas em tons de verde e detalhes em prata, fizeram sucesso com o público. Vale citar os guardiões do casal com cozinheiros e enfermeiros, já trazendo o contexto para o enredo.

Harmonia

O Trevo passou pela avenida com muita leveza, cantando, e levantando o público em alguns setores, principalmente pelo fator Bateria Furiosa da Barra, e isso alavancou ou ajudou melhor, ajudou a comunidade, que em momentos explodiu junto com o samba. Principalmente o primeiro setor que estava bem animado, veio em uma sequência curiosa com velha guarda, crianças e passistas, mas bem feita, mesmo sendo alas que em tese cantam menos, estavam animadas. Para contextualizar, destaco a ala após o abre alas, estava cantando bastante e animada na pista, eles continham vasos nas costas da fantasia. E as crianças, bem animadas, felizes de estarem representando sua escola.

Enredo

O enredo foi um dos destaques no ponto central do Camisa Verde e Branco no Sambódromo do Anhembi. Colocou o dedo na ferida, buscou dar vozes a ‘Invisíveis’ diante da constituição, o que é algo bem Camisa Verde dos anos 80. O desenvolvimento disso na avenida foi interessante, dentro das alegorias e fantasias, mostrou sentido e facilidade em entendermos, o que era muito importante neste desfile que é dito como um manifesto pela escola, precisava dar o recado, e assim foi na pista.

Trazendo pessoas importantes em causas, o Camisa veio com Irmã Dulce pelo direito à saúde, Paulo Freire na educação, Orlando Villas-Bôas nos direitos dos povos originários, Zilda Arns no direito das crianças, Lélia Gonzalez nas questões raciais, na segurança pública com Marielle Franco era uma ala, e por fim, Betinho pela alimentação.

Evolução

A agremiação da Barra Funda teve uma evolução bem compacta e tranquila dentro do seu desfile, fechando o portão com 55 minutos e 37 segundos. Senti a escola leve, foi crescendo durante os ensaios e assim foi durante a apresentação no dia do desfile, com organização nas alas. Algumas alas com pequenas coreografias, que davam movimento, mas ao mesmo tempo também tinha agitação dos componentes por livre e espontânea vontade, o que é bem importante, ver componentes se divertindo.

Samba-enredo

Interpretado por Igor Vianna, o Camisa Verde e Branco teve uma samba que buscou colocar o dedo na ferida mesmo. O refrão que diz: “Até quando a pobreza irá sustentar. Ariqueza de homens que assolam o país? E o Camisa é a força de expressão. E a Barra Funda um canto que nos faz feliz”, conta muito sobre isso que trouxeram neste desfile.

O desempenho da ala musical foi de bom nível, Igor Vianna entrosou junto com o time de canto, mesmo com apenas um ensaio técnico, mostrou sua potência na voz e alavancou o samba do Camisa que é um verdadeiro manifesto. Assim como o samba funcionou junto à comunidade, bateria, e a ala musical, funcionou e deu para notar melhor nas paradinhas.

Fantasias

No quesito foi o momento em que a escola pode reproduzir e dar vozes para inúmeros movimentos sociais. O primeiro setor era isso, mostrar onde nascem, quem são, onde vivem, era toda uma apresentação sobre os ‘Invisíveis’.

Depois nos outros setores chegam debates sociológicos, e mostram alguns heróis. Então nele vimos representantes como a Bandeira da África do Sul, representando Mandela, em seguida tinha ala com o rosto de Marielle Franco e era uma ala em um tom vermelho mais escuro. Assim iam aparecendo ‘heróis’ que lutam pelas causas. Destaco também uma fantasia pelo contexto final do desfile, as passistas plus com interrogação, logo a frente da terceira alegoria. Outra fantasia era com tons das cores do arco íris e LGBTQI+. Baianas de branco e azul com pássaros e cruzes pela roupa. Não eram fantasias luxuosas, mas totalmente dentro do contexto e fácil de serem observadas.

Alegorias

O jovem carnavalesco Renan Ribeiro tem uma ideia de carnaval que é em dimensões que o público possa acompanhar seja na pista, camarotes e arquibancada, ou seja, tem movimento desde o primeiro andar até o último, dando um contexto para o público. E o desafio foi completo, bem verdade que não eram alegorias enormes ou tão luxuosas, mas dentro do contexto do enredo, principal destaco a primeira alegoria.

Primeira alegoria com muita interação, funkeiras dançavam na parte de trás que também tinha um bar com velha guarda. Na pista ‘Espaço Favela’ e grafites nas laterais. Coisas penduradas com tênis, e muitas janelas e sempre pessoas nelas. Na frente o Camisa escrito como se fosse em um varal, postes de luz e uma frente de um ônibus escrito ‘Barra Funda, 1953’, data de fundação da agremiação.

A segunda alegoria com cúpulas em cima, e era referência a educação, já que tínhamos lápis na frente dela, alunos nas laterais, livros abertos com escritas. Atrás tivemos uma prateleira de livros fechados.

A terceira alegoria era com perguntas, e deixando um recado para o futuro, atrás da alegoria estava um símbolo da constituição preto é escrito invisíveis até quando? O último carro vem com uma destaque na roupa LGBT, bandeiras verdes trêmulas. Vale ressaltar várias interrogações durante toda alegoria, deixando no ar sobre o futuro.

Outro destaques

A bateria Furiosa da Barra comandada pelo Mestre Jeyson Ferro fez uma apresentação com repertório de bossas. Aos 14 minutos paradinha que levantou Setor B, e em seguida, aos 18 minutos, público veio junto no Setor B. Não parou por aí, aos 29 minutos, outra paradinha, foi voltando aos poucos, ‘no igualdade e respeito’ foi em definitivo, apresentação para ser destacada.

Uma bailarina na frente da bateria deu show sambando nas pontas dos pés, a frente da bateria, foi um show à parte, passou pela avenida assim, realmente incrível. A madrinha Hariadne Díaz com o símbolo do MST na fantasia, e a rainha Sophia Ferro que veio de branco e dá um show de amor a comunidade, sempre cantando muito e entregando o que se espera de um grande pavilhão.

O Padre Julio Lancelotti deu seu recado para a comunidade antes da entrada e foi muito forte, motivando a comunidade.

Fotos: desfile da Mocidade Independente no Carnaval 2023

Problemas em evolução comprometem belo desfile plástico da Grande Rio

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Pela primeira vez na história a Grande Rio entrou na Sapucaí para defender um título. Mais uma vez a plástica da dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad impressionou com acabamentos primorosos e soluções fora do lugar comum, além da fácil leitura. Porém, a escola teve muitas falhas em evolução, abriu buracos, além de problemas com a iluminação do segundo carro e do segundo tripé. O samba, em noite inspirada do intérprete Evandro Malandro, foi um ponto alto da noite com bom canto da comunidade e do público. Com o enredo “ Ô Zeca, o pagode onde é que é? Andei descalço, carroça e trem, procurando por Xerém, para te ver, para te abraçar, para beber e batucar!”, a Grande Rio foi a segunda agremiação a desfilar na primeira noite do Grupo Especial, encerrando seu desfile com 1h09. * VEJA FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

A comissão de frente “Poetas da vida, Poetas do samba”, coreografada por Hélio e Beth Bejani, trouxe malandros e cabrochas da antiga, ocupando a pista e revelando, com o dançar que risca o asfalto, diferentes facetas do universo musical de um artista tão múltiplo como Zeca Pagodinho. Em seguida, a partir da apresentação de uma componente vestida como criança e com um ursinho de pelúcia, a comissão adquiriu um tom infantil, simbolizando o espírito irrequieto dos erês, protetores de Zeca, e da própria obra musical do artista, na qual a infância é personagem principal.

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LEIA MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* Grande Rio leva a essência do subúrbio para a avenida
* Baianas da Grande Rio fizeram uma homenagem as benzedeiras
* Cacique de Ramos e Bafo da Onça: rivalidade entre os blocos é representada na bateria da Grande Rio
* Confiantes, componentes da Grande Rio acreditam no bicampeonato
* Comunidade da Grande Rio abraça Zeca Pagodinho e enaltece a importância de sua homenagem
* Grande Rio representa a infância de Zeca em seu segundo carro

O desenrolar da apresentação seguiu em uma espécie de resumo do enredo, passeando por diferentes lugares de afeto do homenageado, traçando uma relação intrínseca do homenageado com a Bohemia e a religiosidade, que se fundem na vida e obra de Zeca. A comissão tem seu ápice culminando na Alvorada de São Jorge, o Santo Guerreiro que, na discografia de Zeca, sempre é associado a Ogum. O elemento cênico, que acendia o chão onde se desenrolava a apresentação principal da comissão, era uma grande pracinha com mesas de bar e uma igrejinha no final. No ápice da apresentação, um componente representando Ogum, em cima de um cavalo, saía do teto da pequena igreja. Em geral, é de se elogiar uma comissão por uma coreografia que apresentou muita dança, samba e a beleza do bailar mais voltado para a gafieira. A comissão também explicou o enredo, mas o clímax não chegou a ser algo que trouxesse grande surpresa de que assistia.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel Werneck e Taciana Couto, posicionados logo após a comissão de frente, apresentaram o figurino denominado “Vestidos e armados com as armas de São Jorge”. A dupla, usando as cores da escola, representou um misto de oferta e agradecimento, com a fantasia evocando armaduras e um imaginário guerreiro de Jorge e Ogum, santos que não fogem das batalhas, enfrentando os dragões do dia a dia. Daniel segurava uma pequena espada que ajudava a dar o tom da fantasia e era usada na coreografia.

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Em termos de dança, a dupla mais uma vez mostrou bastante intensidade de movimentos, com Taciana realizando muitos rodopios e Daniel apresentando passos com grande apuro e velocidade. A sincronia dos dois foi um ponto alto e a delicadeza e até sensualidade, principalmente no final quando Daniel beijava a mão de Taciana. A dupla ainda apresentou alguns passos relacionados as raízes de matriz africana, apresentando o sincretismo do enredo, São Jorge e Ogum, principalmente nos trechos do samba que relatavam essa relação. Nestes momentos, os guardiões mais uma vez também fizeram passos discretos que não atrapalharam a dupla e provocaram um bonito efeito. Nada a relatar sobre falhas ou desencontros.

Harmonia

A comunidade caxiense manteve o rendimento alto do canto durante todo o desfile e em todos os setores. Não se percebeu alas com integrantes sem cantar. O samba parecia estar bem agradável aos componentes que cantavam com felicidade, nem precisava aquele famoso incentivo que os diretores de harmonia fazem aos componentes.

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Destaque para as alas ” quem vai pela boa estrada”, do primeiro setor, “nas mandingas que a gente não vê “, segundo setor, ala das baianas, passistas, e mais para o final da escola “preservação das raízes”. Desde 2019 no comando do carro de som da Tricolor de Caxias, Evandro Malandro vem evoluindo a cada ano e já é um dos grandes intérpretes do Grupo Especial. Uma ótima aposta da Grande Rio lá atrás que já vem dando frutos nos últimos anos. Fez um desfile irretocável com precisão musical, intensidade e conseguindo chegar ao componente. Destaque para as vozes de apoio que também primavam pela criatividade e correção musical.

Enredo

O enredo “Ô Zeca, o pagode onde é que é? Andei descalço, carroça e trem, procurando por Xerém, para te ver, para te abraçar, para beber e batucar!” em formato de crônica, tomou como premissa o espaço de tempo lúdico de um dia mágico, realizando uma busca pelo Zeca. Nesta procura pelo homenageado, o desfile percorreu territórios e círculos simbólicos, espaços de afeto que possuem conexão com a obra, a biografia e o modo de vida do artista. Baseado na música “Zeca, cadê você?”, a escola apresentou alguns signos importantes da vida do cantor como sua relação com a religiosidade procurando o artista na Alvorada de Jorge, em terreiros, capelas e igrejinhas.

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Em seguida, partindo das lembranças infantis do homenageado, fazendo referência a relação com São Cosme Damião e os doces. A relação com a música, o Cacique de Ramos e o Bloco Bohêmios foi apresentada em seguida. Depois retratou o subúrbio e a Baixada, com o final do desfile realizando uma grande celebração do homenageado, sua relação com o carnaval e mais especialmente a centenária Portela. No geral, um enredo de fácil assimilação, identificado com o carnaval e exposto de forma criativa e bem desenvolvida.

Evolução

O grande problema da Grande Rio esteve neste quesito. A escola apresentou buracos tanto no primeiro módulo quanto no segundo. Na primeira cabine de julgamento que é dupla, a bateria iniciou sua apresentação mas a ala de passistas andou e deixou um clarão na pista em um momento crucial. Já na segunda cabine de julgamento, o tripé ” Minha Fé” travou na pista e gerou um buraco em relação a ala da frente “Hoje é dia de todos os Santos”, que já tinha andado.

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Além disso, a comissão e o casal apostaram em uma apresentação mais demorada, além de uma passada do samba e a escola em alguns momentos ficou muito tempo sem andar. Outro problema percebido aconteceu mais para o final da pista com os componentes apresentando cansaço, dando a impressão de que as fantasia estavam mais pesadas. Ainda que cantassem muito já não pulavam ou dançavam, evoluíam apenas andando. A bateria entrou no recuo aos 47 minutos se saiu com 1h01 sem apresentar problemas.

Samba-enredo

O samba da Grande Rio para o carnaval de 2023, uma composição de Arlindinho, Diogo Nogueira e companhia, talvez seja a obra que teve o refrão do pré-carnaval e concorre para ser o dos desfiles oficiais. “Ê que bela quitanda, quitandinha de Erê” realmente é um trecho que fica na mente de quem canta e tem uma musicalidade que faz jus a própria musicalidade do Zeca que tem a facilidade de usar muitas vezes letras simples, mas altamente interativas com quem ouve e com um swing, um ritmo muito agradável não só para cantar como para dançar.

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É uma musicalidade, aliás, que cativa e leva a dançar. Já o refrão principal “Deixa a vida me levar” fez uma referência a um grande sucesso do Zeca, e ainda que tenha perdido um pouco do protagonismo pelo balanço do refrão do meio, é voltado um pouco mais para a explosividade se encerrando no “Sou Grande Rio, carregada de Axé, minha gira girou na fé”, e fazendo essa reverência a agremiação e dando ao componente a oportunidade de ressaltar sua relação com a Verde, Vermelha e Branca de Caxias. Grande rendimento da obra no desfile, pela apresentação do carro de som comandado por Evandro Malandro, sendo cantado inclusive pelo público.

Fantasias

Mais um ótimo trabalho de grande apuro visual da dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad. Além disso, eram de fácil leitura, com materiais de qualidade, mas não tão perceptíveis e usuais em outras escolas. Foram soluções que fugiam do lugar comum, com o colorido que o enredo pede. Destaque para os figurinos da ala “Quem vai pela boa estrada” que dialogava bastante com o abre alas na cabeça da escola, para a ala “era dia de carnaval” com o bom uso de tons pastéis de rosa e azul. A paleta de cores passeou pelos diferentes lugares de procura do Zeca e fez bom uso de tons pastéis, dourado, não se limitando as cores da escola. Os modelitos estavam volumosos com grandes costeiros, muito bonitos e bem acabados, mas importante citar também que pareciam pesados em alguns momentos para a evolução dos componentes.

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Alegorias

Em seu conjunto alegórico, a Grande Rio trouxe cinco alegorias e dois tripés. O quesito também deve gerar despontuação na escola mesmo com excelente apuro estético, visual, ótima leitura e perfeito acabamento. Isso porque a iluminação da segunda alegoria passou apagado em todos os módulos de julgamento, ainda que acendesse em alguns momentos. A alegoria muito colorida, recheada de crianças jogando doces e bolas para o público, mergulhou nas memórias infantis do artista em sua infância nas bandas de Irajá, trazendo de novo a religiosidade ao relembrar o pegar doce de São Cosme e Damião.

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O tripé “Sapopemba e Maxambomba”, representando uma carroça com a memória de moradores da Baixada, também passou apagado em todos os setores, em alguns momentos oscilando a iluminação. De destaque positivo, o carro Abre-Alas ” A Ele eu quero agradecer: armas de Jorge, amuletos de Ogum” , dividido em dois chassis, expressando a pública e intensa devoção de Zeca Pagodinho por São Jorge e Ogum, e a última alegoria, “Mas eu fico em Xerém, porque é terra boa”, que trazia o homenageado na parte central abaixo de uma grande Águia, prestando uma justa homenagem ao centenário da Portela.

Outros destaques

A bateria de mestre Fafá “O grande duelo- Bafo da onça e Cacique de Ramos” fez uma homenagem a disputa das ruas pelos foliões dos blocos Bafo da Onça e Cacique de Ramos, apresentando duplas cores no figurino. A rainha Paola de Oliveira veio de ” Peito de Aço, coração de Sabiá” evocando o universo metálico de Ogum. A atriz era erguida em uma pequena estrutura com rodinhas acima da bateria quando havia a apresentação nos módulos.

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Os compositores do samba da Grande Rio, Arlindinho e Diogo Nogueira, esposo de Paolla Oliveira, vieram próximos ao carro de som e cantava a obra junto com o prefeito Eduardo Paes. O ator David Brazil veio como destaque a frente da segunda alegoria. Zeca Pagodinho, foi muito aclamado em todos os módulos, vindo no último carro, mas no último módulo, na saída da bateria, a rainha Paolla de Oliveira brincava ao cantor.

Velha-guarda da Mocidade desfilou no carro exaltando a religiosidade na arte do barro

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Mocidade04 1O quarto carro alegórico da Mocidade representou a fé e arte sacra feita de barro com o nome “O nosso barro sacro de cada dia”. A frente da composição tinha a representação do espírito santo e todo carro se assemelhava a uma igreja com esculturas de anjos e santos simulando barro. Além dos tons terrosos, a alegoria fez uso do dourado nos detalhes barrocos e do prateado das estrelas do alto do carro. Quem deu o tom verde foi a vestimenta da velha-guarda da verde e branca da Vila-Vintém que desfilou nas laterais simbolizando os “Devotos de São Sebastião”.

Um dos diretores do segmento, Jorge da Mocidade, de 70 anos, contou que o carro deixou seus companheiros satisfeitos.

“O carro é satisfatório! O pessoal gostou e está bonito. O principal é que conta a história do nosso enredo. Sobre fé, eu creio que o melhor amuleto e a melhor fé está no nosso coração e na nossa cabeça”, disse o diretor.

Mocidade02 2Há oito anos na velha-guarda, Regina Célia acha que o carro da velha-guarda é o mais bonito que vai passar na Sapucaí. Para ela, religiosidade e velha-guarda têm tudo a ver.

“Os velhos sempre são os que ensinam as orações para os filhos, para os netos. Estão com as cantigas e canções de ninar com o amor maior. Eu sou espiritualista, então eu tenho superstição. Para não chover a gente joga ovo para Santa Clara no telhado e ainda canta música para o sol resplandecer”, contou dona Regina.

Outro componente da velha-guarda de 67 anos ficou grato ao saber que desfilaria em um carro alegórico. Católico, ele disse que tem que fazer a oração para entrar na Avenida.

Mocidade03 2“O meu ritual é fazer a minha oração em casa, no altar que eu tenho. E só”, disse ele que tem a fé inabalável e compra o enredo da Mocidade, mesmo que reverencie outras religiões.

Além da velha-guarda, os destaques Marcelo Moreno e Victória Castelhano desfilaram na quarta composição. Eles representavam respectivamente, “Salve, o Divino!” e “Odoyá, Yemanjá”.

Primeira ala da Mocidade faz referência à ‘Rota da Roça’

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Mocidade02 1Com o enredo “Terras de meu céu, estrelas de meu chão”, a Mocidade Independente de Padre Miguel trouxe para a Marquês de Sapucaí o legado dos discípulos de Mestre Vitalino, da região de Alto do Moura, em Caruaru/PE. O bairro possui o maior Centro de Artes Figurativas das Américas, abrigando a Casa-Museu Mestre Vitalino, o Memorial Mestre Galdino, além de ateliês, bares e restaurantes de culinária regional pernambucana.

A ala inicial da Verde e Branco da Zona Oeste era coreografada e foi batizada de “Rota da Roça”, representando o primeiro tema das “Artes Figurativas” ensinado por Mestre Vitalino aos seus descendentes discípulos. Eles desfilaram entre o primeiro casal de mestre-sala e porta bandeira e o carro abre alas. A roupa possuía tons nas cores amarelo, dourado e laranja; proporcionando um belo contraste com todo o primeiro setor da escola.

Mocidade01 1Ana Paula, de 41 anos, desfila há mais de 15 anos na Mocidade e aprovou tanto a indumentária, quanto a coreografia da ala. “Está bem bonita. Tem uma parte que a gente vai contracenar a procissão, o choro, a tristeza, a alegria…”. Ela contou que os ensaios da ala de passo marcado foram realizados na Cidade do Samba e na quadra da escola.

Outra integrante da primeira ala da Mocidade Independente, Adriana Coutinho, de 37 anos, contou ao site CARNAVALESCO que existem diferentes tipos de adereços. “O meu tema é cabaça. Tem vários (temas), porque a ala tem 5 tipos de fantasias”. Foram mais de dois meses de ensaio para chegarem cheios de confiança no sambódromo.

Há décadas desfilando pela escola da Zona Oeste, José Carlos, de 61 anos, estava bem satisfeito com a sua fantasia. “Achei tudo muito bonito. Sem contar que está bastante confortável a roupa. Vai dar pra evoluir e brincar na avenida”. Além dos diversos adereços de mão, os integrantes da ala “Rota da Roça” estavam de luvas e óculos escuros.

Mocidade03 1Laís Andrade, de 33 anos, revelou um pouco da coreografia da ala. “Basicamente a gente representa a vida no campo, então tem uma parte que a gente encena como se estivesse capinando, cortando… Tem um pouco dessa representatividade. A ala tem pá, tem enxada, tem guarda-chuva… São várias coisas!”.