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Tuiuti faz desfile com excelência estética e boa leitura, mas com canto irregular

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O casamento Rosa Magalhães e João Vitor Araújo produziu um desfile com grande apuro visual de uma singeleza e de um domínio do tema que ajudou muito a tornar fácil o entendimento de um enredo muito coeso e divertido. O samba muito elogiado no pré-carnaval teve um rendimento irregular por parte dos componentes. Já a evolução vinha muito bem ao longo de boa parte do desfile, mas pode perder alguns décimos por conta de um buraco formado no início da pista gerado por dificuldades na entrada do último carro. A comissão de frente também passou muito bem. Com o enredo “Mogangueiro da Cara Preta”, o Paraíso do Tuiuti encerrou seu desfile com 67 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

Coreografada por Lucas Maciel e Karina Dias, a comissão “Um conto pra lá do Marajó”, apostou em uma coreografia que com simplicidade trouxe soluções criativas e de muito bom gosto. É importante destacar a maquiagem e o figurino dos primeiros componentes com um azul claro muito bonito, representando os encarnados Búfalos que começam sua jornada ainda na Índia, sendo demonstrada pelo próprio figurino, sua relação com o país do oriente. O elemento cênico retrata um palácio indiano e um vaso típico da cultura marajoara que estava muito bem acabado e apuro visual. A apresentação do carimbó com os bailarinos e o búfalo “mogangueiro” com a Oyá acima do jarro foram bastante pertinentes além do efeito com as saias dos primeiros componentes ainda na pista, ainda fora do elemento cênico, terem conquistado o público. No geral, uma comissão que prezou por boas ideias, simplicidade, explicação clara do enredo e apuro estético.

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LEIA MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* Estreia de Wander Pires no Paraíso do Tuiuti é elogiada pela comunidade de São Cristóvão
* Componentes da ala ‘Águas do oceano’ do Paraíso do Tuiuti não tiveram problemas em decorar a coreografia
* Componentes da ala ‘Águas do oceano’ do Paraíso do Tuiuti não tiveram problemas em decorar a coreografia
* ‘Estamos conversados’, diz presidente do Tuiuti sobre futuro dos carnavalescos na escola; comunidade aprovou o trabalho

Mestre-sala e Porta-bandeira

Mais uma vez dançando juntos na Azul e Amarela de São Cristóvão, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, vieram com o figurino “Flor de Lótus” que representou o significado da flor importante para a cultura oriental, principalmente a indiana. Raphael e Dandara simbolizaram a pureza da cor e da mente, o renascimento. A fantasia trazia as cores do Tuiuti e era muito bela.

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O casal apostou em uma dança bastante pautada pela proximidade e doçura. Em alguns momentos pontuando um pouco mais o samba, principalmente no refrão do meio, quando Dandara realizava um passo de carimbó e Raphael ao lado abaixava e fazia saudava a porta-bandeira. No trecho ” mas precisa de um xodó”, Dandara fazia um carinho no mestre-sala. Outro ponto alto, ainda no início da apresentação, a dupla fez um gesto com o braço, que fazia referência a danças indianas. O único ponto negativo a ser citado foi a dificuldade com o vento que foi bem dominado nos dois primeiros módulos, mas no último , Dandara teve dificuldade para deixar o pavilhão mais desfraldado.

Harmonia

A comunidade da Amarela e Azul de São Cristóvão apresentou um canto irregular ao longo do desfile do samba bastante elogiado no pré-carnaval. Alguns setores cantavam mais, outros nem tanto. As primeiras alas, do primeiro e do segundo setor ficaram devendo no canto. A partir do terceiro e do quarto, o canto melhorou, mas ainda havia irregularidades. Alguns componentes cantavam, outros não. Destaque para as alas “Sadhus”, e ” peixes da costa da Ilha de Marajó”, que era coreografada, inclusive.

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Estreando no Paraíso do Tuiuti, o experiente intérprete Wander Pires iniciou a apresentação realizando os seus já conhecidos cacos, em alguns momentos em demasia, mas depois diminuiu, partindo apenas de alguns mais voltados para a letra como o “cadê o boi, cadê o boi” do primeiro refrão. Em termos do canto do samba, Wander Pires iniciou o desfile apostando em demasia em alguns cacos na música, mas diminui ao longo do desfile focando no canto que aconteceu com correção, auxiliado por um bom carro de som, e mais se limitando ao ótimo “cadê o boi, cadê o boi”.

Enredo

O Paraíso do Tuiuti levou para a Sapucaí um enredo que focou na trajetória da chegada dos búfalos ao Brasil, mas precisamente, na Ilha de Marajó, explorando como eles são chamados na região, de “boi”, o boi da cara preta. O ponto de partida foi a Índia, pois o búfalo era o animal de trabalho mais intensamente utilizado no comércio de especiarias entre Oriente e Ocidente. Em seguida, o desfile retrata a chegada ao Brasil destes animais que acontece justamente por causa desse comércio.

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Por causa da musculatura desenvolvida esses bichos conseguiram se salvar de um naufrágio e chegam ao Marajó, uma terra cheia de encantos, que é mais um setor da agremiação. O desfile seguiu exaltando os povos originários da Ilha de Marajó e seu legado, destacando o estilo único da cerâmica marajoara e se encerrou homenageando Mestre Damasceno, que para os carnavalescos assumiu o papel de ” Mogangueiro da cara preta” , ao criar a própria manifestação cultural, o búfalo-bumbá. O que se pode destacar é que foi um enredo de fácil leitura, coeso, que apresentou de forma clara uma história bastante interessante. O único ponto negativo a destacar foi uma pequena dificuldade de leitura nas fantasias do primeiro setor que retratava a riqueza da Índia.

Evolução

A evolução do Tuiuti aconteceu quase de forma satisfatória no desfile. Até a dificuldade que a escola teve para colocar o último carro na pista, a passagem do Paraíso pela Avenida se dava de forma espontânea, alegre e sem apresentar problemas. Mas a situação acabou gerando um buraco no início da pista que deve ter sido observado pelos jurados do primeiro módulo, que é duplo. O problema também gerou uma evolução mais lenta, até o carro chegar ao meio da Avenida. Depois, na parte final do desfile, a evolução voltou a ser espontânea e alegre. A escola apostou em algumas alas coreografadas no setor do naufrágio, principalmente as que tinham alguma relação com aspectos do mar. E depois no setor da cultura marajoara, havia bonitas coreografias das danças do carimbó. A bateria entrou no recuo aos 47 minutos e saiu aos 59 sem apresentar problemas.

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Samba-Enredo

A obra de Cláudio Russo e companhia segue a linha de bons sambas-enredo que o Paraíso do Tuiuti tem levado para a Sapucaí nos últimos anos, e foi bastante elogiado no pré-carnaval. O samba tem uma melodia muito característica, com alguns pontos altos como o refrão principal ” Cadê o Boi” , e o bis antes do refrão principal com o “É lá, É lá” que remonta a músicas típicas da região homenageada, além do refrão do meio que possuiu um swing da Ilha de Marajó. O canto da comunidade, que foi irregular ao longo do desfile, explodia mais no “Meu Tuiuti não tem medo de careta, chama o Boi da Cara Preta do estado do Pará” e também no “É lá, É lá”. O samba teve bom andamento mas não interagiu de forma satisfatória com o público.

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Fantasias

O Tuiuti apostou em suas primeiras alas no amarelo e azul da escola com outras cores só nas penas dos costeiros. A partir das baianas, há a presença de tons de rosa que se incorporam à paleta, contrastando com outras cores. A escola inicia o segundo setor sobre especiarias predominância de cores mais cítricas usando amarelo, verde claro, laranja, e em alguns momentos o rosa. Já no terceiro setor, o do naufrágio começa a opção pelo azul que vai até o quarto setor, apostando em tons mais claros, com estampas de bichos e de referência da cerâmica marajoara. Na sequência, no quinto Setor, os carnavalescos apostam em tons mais de palha inicialmente, mas trazendo o colorido de figurinos típicos do carimbó, prevalecendo o amarelo da escola. No geral, o conjunto de fantasias possuíam volume sem se tornar pesados para os componentes, com bom apuro estético, bom gosto, com soluções criativas e com atenção principalmente para os costeiros, muito bem feitos.

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Alegorias e Adereços

Rosa Magalhães e João Vitor Araújo levaram para a Sapucaí um conjunto alegórico composto por 5 carros e sem tripés. O carro abre-alas “o esplendor da Índia” trouxe a opulência e grandiosidade da cultura por meio da religião hinduísta. Com tigres brancos na frente, a alegoria trouxe outras divindades, invocando o simbolismo e a proteção deles. Ainda nessa pegada oriental, o segundo carro do Tuiuti “o mercado indiano” trouxe o colorido das especiarias em um grande mostruário, sintetizando o comércio entre Oriente e Ocidente presente no enredo.

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A alegoria “Mocangueiro correu para o Igarapé” apresentou o naufrágio que trouxe os Búfalos para a Ilha de Marajó. O carro era constituído por um barro e os Búfalos, com monstros marinhos, que na época povoavam o imaginário dos marinheiros. A quarta alegoria ” a riqueza da cultura marajoara” resumiu a riqueza dos povos originários da região da Ilha de Marajó. Por fim, a última alegoria ” Bufodromo” , trouxe o personagem principal do enredo sendo coroado com o símbolo da agremiação em seu local de desfile, o bufódromo, que encerrou o desfile com muito colorido e bom gosto. No geral, alegorias de bom acabamento, soluções simples mas criativas, bom uso das cores e bom tamanho.

Outros destaques

As baianas coloriram a Sapucaí em tons quentes somados ao amarelo e azul do pavilhão do Tuiuti. As matriarcas do samba representaram a arte indiana e as cores do festejo do país chamado de Durga Puja. A bateria de mestre Marcão veio representando os indígenas marajoaras, descendentes dos povos originários da região. Com uma fantasia leve, a SuperSom levantou o público com bossas relacionadas ao carimbó.

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A rainha Mayara Lima veio como ” Deusa Marajoara” apresentando as mulheres como deusas poderosas, fundadoras de linhagens. O figurino apresentava a riqueza do grafismo decorativo dos povos originários do Marajó. Em sua estreia no cargo, Mayara mais uma vez chamou a atenção pelo samba no pé, simpatia e entrosamento com mestre Marcão.Estreando pelo Paraíso do Tuiuti, Wander Pires comemorou 30 anos de Sapucaí neste desfile.

Abre-alas do Tuiuti representou a grandiosidade da cultura indiana

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Representando o esplendor da índia, o abre-alas do Paraíso do Tuiuti entrou na Marquês de Sapucaí trazendo a grandiosidade da cultura indiana por meio da religião hinduísta, onde alguns deuses possuem forma de animais. À frente da alegoria, três tigres acoplados a ele trouxeram imponência para o desfile. Também havia a presença da imagem de Ganesha, um dos deuses do hinduísmo.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes do abre-alas falaram sobre o significado de suas fantasias e a imponência do carro.

Tiago Damasceno, dentista de 39 anos, esteve em seu primeiro desfile pelo Paraíso do Tuiuti. Com a fantasia representando um monge, ele falou sobre o desfile e enredo.

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“A minha fantasia representa um monge. É muito importante trazer um pouco dessa cultura indiana para o carnaval, porque tem tudo a ver. Essas fantasias estão muito maravilhosas e eu tenho certeza que o Paraíso do Tuiuti arrebentou”, disse o componente do abre-alas da escola de samba.

Em meio ao imponente abre-alas, ficou difícil definir uma única parte favorita. Para Tiago, tudo no carro ficou muito bonito e caprichado – um trabalho dos carnavalescos João Vitor Araújo e Rosa Magalhães.

“Eu gostei de tudo aqui no carro, desde o acabamento, as fantasias… Todo o carro está bonito. O carnaval é uma mistura de tudo”, contou.

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Já para Antônio Veloso, advogado de 57 anos e componente do Paraíso do Tuiuti há cinco anos, o carro alegórico representou a escola de samba mergulhando no esplendor da religiosidade indiana.

“A minha fantasia representa a magia e o encantamento da Índia. É a Índia chegando ao Brasil com o Tuiuti mergulhando na história. Essa alegoria traz toda uma religiosidade. É inexplicável. É uma fusão de culturas. Estou tão emocionado que nem consigo explicar direito. O brilho, esse azul e a força das entidades indianas me chamam muito a atenção”, contou Antônio, que foi um dos componentes da alegoria.

O presidente do Paraíso do Tuiuti, Renato Thor, também comentou sobre o abre-alas da agremiação de São Cristóvão. Ele destacou que a escola sempre levou grandes alegorias para a Passarela do Samba.

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“O Paraíso do Tuiuti sempre teve esses abre-alas imponentes. Somente no ano passado que não trouxemos isso, respeitando o carnavalesco Paulo Barros. Foi onde nós e alguns segmentos da escola não conseguimos fazer o que queríamos”, destacou o presidente da escola de samba.

Daiana Rodrigues, design de moda de 38 anos, esteve em seu segundo ano desfilando pelo Paraíso do Tuiuti. A componente contou que se identifica com a proposta do carro e contou o que significou para ela.

“Minha fantasia representa Shiva, que é um avatar indiano. Eu sou suspeita para falar da importância, porque eu sou iogue. Fico até emocionada. Quando eu descobri que iria de Shiva, do dia do mahabati, que é um dia muito importante para a filosofia hindú, eu fiquei muito feliz e me senti honrada. Acredito que a gente tem muitas chances de ganhar o carnaval. O carro inteiro é lindo, porque traz os meus personagens prediletos. Tem Shiva, tem Ganesha – que eu amo. Acho que a ideia é trazer toda essa energia indiana”, explicou Daiana.

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Portelenses se emocionam ao celebrar o centenário da escola

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Portela01 1Maior campeã do carnaval carioca, com 22 títulos, a Portela foi a segunda agremiação do Grupo Especial a desfilar pela Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira, 20 de fevereiro. Com o enredo “o azul que vem do infinito”, a escola de samba festejou o seu centenário.

Repleta de belos momentos e uma longa história de tradição, a Portela construiu um legado admirado e respeitado por todos. Naturalmente, a emoção invadiu a Avenida e contagiou o público.

Para a comunidade portelense, além do intenso sentimento de orgulho, o desfile representou uma celebração de amor e de sua própria relação com a escola.

Portela02Maria dos Prazeres, de 76 anos, faz parte da velha-guarda e define a Portela como sua família. “Tenho um carinho enorme por todos aqui. Me sinto totalmente honrada, e sei que não sou a única. Quem participar desse desfile, não vai esquecer nunca”, comentou.

Não são apenas os mais velhos que cultivam a paixão pela escola. “Sempre fui sambista. Assim que cheguei na Portela, em 2012, fui tão abraçado por todos que me apaixonei e nunca mais saí”, contou Luiz Eduardo, de 32 anos, que é ritmista da Azul e Branca. “Transmitir a nossa cultura para outras gerações é algo lindo. Estou com as minhas filhas, e elas estão por dentro de tudo”, abordou.

“Espero que a gente ganhe, não só pelo enredo, como também pela beleza desse desfile”, argumentou Silvana Salgado, de 47 anos. A baiana faz parte da escola há anos e não se enxerga em outro lugar. “É óbvio que ser uma baiana no centenário da Portela é inesquecível”, completou.

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Portela encerra desfile homenageando figuras históricas da agremiação

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A Portela, segunda escola de samba a desfilar pela Sapucaí neste domingo, 19 de fevereiro, comemorou o seu centenário de forma emocionante e impressionou o público com uma sequência de homenagens.

A quinta e última alegoria da agremiação, intitulada “O céu de Madureira é Mais Bonito”, trazia, em molduras, imagens das personalidades que construíram a história da Majestade do Samba.

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No topo do carro, o grande destaque foi uma águia, estilizada, de braços abertos e levemente inspirada na Águia Redentora, apresentada no carnaval de 2015. Ela simbolizava uma condução dos portelenses para novos tempos.

“A Águia Redentora foi um marco, pois também representou a redenção da Portela. Depois de uma fase difícil, deixamos de ter um certo receio naquele momento”, comentou Luanda Costa, de 46 anos. Ela fez parte da composição da alegoria, e compreende sua relevância no desfile: “Lembrar das pessoas que construíram a escola é de extrema importância. Dar nomes, rostos e exibir para o mundo”.

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Lidiane Braga, de 36 anos, se mostrou extremamente emocionada por estar no carro “Estou realizando um sonho, desfilando na minha escola de coração pela primeira, e no centenário”, citou. Ela também mencionou estar honrada por representar a águia: “Ela é linda demais!”

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Lendas vivas da escola, Vilma Nascimento e Jerônimo se emocionam no centenário da Portela

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, Vilma e Jerônimo falaram sobre a emoção de participar do histórico desfile dos 100 anos da Portela.

Rumo aos 100 anos a serem completos no dia 11 de abril, a Portela abordou sua história na avenida, através do enredo “Azul que vem do infinito”. Baluartes da escola, Vilma Nascimento e Jerônimo não poderiam ficar de fora da homenagem. No desfile, eles ganharam posição de destaque, em homenagem ao carnaval de 1964 da azul e branco.

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Em entrevista ao CARNAVALESCO, Vilma e Jerônimo falaram sobre a emoção de participar do histórico desfile dos 100 anos da Portela. Para a histórica porta-bandeira, o sentimento é mais que especial, afinal de contas, Vilma está na Portela desde a infância. A visão é compartilhada pelo antigo mestre-sala e passista da Azul e Branca, Jerônimo.

“É muito importante porque eu fui para Portela bem menina e estou viva e posso participar desses 100 anos. Além disso, eu também cooperei para muitos títulos, com muitos dez meus. É um orgulho estar viva e podendo participar”, comentou Vilma Nascimento.

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“Eu sou nascido e criado na Portela, faço parte também deste centenário. Diversos campeonatos que a Portela teve, eu participei. É um peso enorme, uma emoção muito grande, pois eu venho de família portelense. Existe uma diferença entre estar na Portela e ser Portela.”, completou Jerônimo.

No carnaval de 1964, representado pelos dois baluartes vestidos de mestre-sala e porta-bandeira, a Portela foi campeã com o enredo “Segundo casamento de D.Pedro I”, em desfile marcante para a escola. Jerônimo, à época, era passista da Azul e Branca, enquanto Vilma desfilou como porta-bandeira.

“Eu tenho muita recordação desse desfile, quando eu era ainda passista e tinha que quebrar tudo porque agora passista é diferente, tem ala, na minha época, era individual, ou dançava ou não dançava. Eu passei agora a ser lenda viva da Portela, estou participando dos cem anos, mas participei de carnavais passados também”, relembrou Jerônimo.

A letra do samba-enredo da escola no carnaval de 2023, em homenagem ao centenário, canta “Vejo um futuro mais lindo nas mãos de quem o valor do passado”. Justamente pensando nisso, Vilma e Jerônimo buscam deixar um enorme legado na Portela para as futuras gerações. “Estou contribuindo ainda fazendo o máximo para quem vier dar continuidade ao que plantamos”, disse Jerônimo.

“Na Portela, eu deixei muitas coisas que eu mesma inventei como porta-bandeira, como talabarte, mudei o azul, sai de lilás. Eu deixo para a Portela também a Camylla, que é segunda porta-bandeira, teve a Danielle agora também a Clarisse”, afirmou Vilma.

Fotos: desfile do Paraíso do Tuiuti no Carnaval 2023

Estreia de Wander Pires no Paraíso do Tuiuti é elogiada pela comunidade de São Cristóvão

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Tuiuti01 2Após cinco anos no comando do carro de som da Mocidade Independente de Padre Miguel, o intérprete Wander Pires fez sua estreia pelo Paraíso do Tuiuti, desde o pré -carnaval, a contratação de Wander já havia sido muito comentada e elogiada, logo em sua chegada, ele criou uma ótima identificação com a comunidade.

A voz marcante e inconfundível de Wander chama atenção por onde ele passa, em entrevista, os componentes da agremiação azul e branca de São Cristóvão se mostraram muito confiantes na exibição do intérprete.

Marcelo dos Santos, engenheiro florestal, é morador de Belém do Pará e desfilou pela primeira vez pelo Tuiuti, mesmo de longe, ele conta que conhece Wander Pires por conta de um show que ele fez em Belém, desde então acompanha o intérprete, para ele, a ida dele para a agremiação foi um ganho.

Tuiuti03 2“É o primeiro ano que eu tô saindo na Tuiuti devido a escola estar homenageando parte da nossa história que é a Ilha do Marajó, dos Búfalo. É um momento de muita satisfação. Mesmo de longe, eu já o conhecia o Pires na verdade quando ele foi pra Belém, ele tem uma das vozes mais fortes do carnaval carioca. É uma força muito grande, é uma pra comunidade, pra escola, com o Wander eu acho que a escola só tem a ganhar, só tem a crescer”, disse Marcelo.

Pela primeira vez desfilando, Ana Paula Lima, de 55 anos, conta que resolveu desfilar após a escolha do samba, ela conta que a presença de Wander Pires engrandeceu a obra e confia muito nele.

“Primeira vez desfilando, tô realizando um sonho, moro em São Cristóvão, mas nunca tinha desfilado. Devido ao samba, devido a música, e o enredo sobre o Norte, eu quis desfilar esse ano, ainda mais com a chegada do Wander Pires pra comunidade, ele é um grande intérprete, veio acrescentar e agregar, ele é perfeito, gostamos muito e ele leva o povo ao delírio com a entrada dele. O samba é lindo e ele conduz com maestria”, disse Ana Paula.

Tuiuti02 2A empresária da área contábil, Luciana Franco, acredita que a presença de Wander Pires é fundamental para levar a escola rumo ao desfile das campeãs, ela conta que acompanha a carreira dele desde a época de Mocidade. Luciana diz ainda que o samba, que é muito elogiado, cresceu na voz de Wander.

“A chegada do Wander Pires tem tudo pra levar o Tuiuti a essa permanência no grupo e também a voos mais altos, a gente acredita que não só vamos permanecer no grupo especial, como vão estar entre as primeiras da no desfile das campeãs. A voz dele é muito boa, fora que ele mostra muito o trabalho dele. Conheço ele da época na Mocidade, lá atrás, ele é perfeito, nosso samba é muito bom, mas na voz dele ficou ainda melhor, foi uma ótima contratação”, disse Luciana.

Componentes da ala ‘Águas do oceano’ do Paraíso do Tuiuti não tiveram problemas em decorar a coreografia

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Tuiuti01 1A ala 12 do Paraíso do Tuiuti, “Águas do oceano”, trouxe uma coreografia do movimento mar revolto do Oceano Atlântico. O coreógrafo Mauro Júnior pensou em movimentos fáceis visando o conforto e a segurança dos componentes. As fantasias também foram pensadas pelo carnavalesco João Vítor Araújo para os desfilantes terem liberdade para dançar.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Mauro Júnior contou como foi o ciclo de ensaios. O coreógrafo também deu um panorama de como será o efeito da ala na avenida.

“Desde outubro que a gente está ensaiando esse mar revolto (…) São oitenta pessoas na ala, nós vamos fazer realmente esse mar ficar revolto na Avenida (…) A gente pensou em todos os riscos: na chuva e em tudo que possa ocorrer com os nossos componentes (…) Fizemos modificações no decorrer dos meses pensando na segurança dos componentes e no espetáculo (…) A ala sai do setor do mar e vai para o quarto carro que são os índios (…) Foi a primeira questão que pensamos (a fantasia) em relação ao conforto. A coreografia precisa encaixar na roupa, não pode ser muito pesada”, explicou Mauro.

Para gerar o efeito das ondas, a fantasia tinha vários tons de azul e branco, um colar de conchas prateadas e um chapéu de peixe também prateado. Havia uma fatia considerável de estreantes em ala coreografada. Apesar do desafio de decorar a coreografia, os componentes sentiram facilidade e estavam confiantes para o desfile.

Tuiuti02 1Jamerson Souza Borges, enfermeiro, deu mais detalhes sobre a coreografia. Estreante em ala coreografada, gostou do tratamento que recebeu no Tuiuti.

“Vamos trazer um pouco mais da história de Belém do Pará. Os componentes que vão na parte de cima do carro vão também dar continuidade a coreografia (…) É a primeira vez que eu estou desfilando, moro no Rio de Janeiro há nove anos. O Tuiuti é uma escola bem conhecida, gosto muito”, explicou Jamerson.

Osni Martins, jornalista de 60 anos, está em seu 22° carnaval desfilando na Marquês de Sapucaí. Mesmo com toda sua experiência na Avenida, Osni saiu em uma ala coreografada e no Paraíso do Tuiuti pela primeira vez hoje. Apesar de ser uma experiência nova, ele teve facilidade em executar os movimentos.

“Embora seja uma coreografia bem fácil, muito tranquila. Mas é uma experiência nova, precisa acompanhar todo o grupo. É algo diferente que eu estou experimentando esse ano, tenho certeza que vai ser muito legal”, afirmou Osni.

Tuiuti03 1Afonso Júnior, professor de Yoga e Youtuber de 40 anos, está desfilando pela segunda no Paraíso do Tuiuti, mas também fez sua estreia em uma ala coreografada. Segundo Afonso, a fantasia ajudou muito com os movimentos. Além disso, o fato de ser professor de Yoga contribuiu também nos ensaios.

“Foi tranquilo. A gente vai fazer os movimentos das ondas do mar, a fantasia ajuda muito nisso (…) Não foi desafiador, eu gosto muito de dançar, movimento muito meu corpo por causa do Yoga”, falou Afonso.

Arilda Fagundes, dona de casa de 63 anos, desfila na escola há três anos, porém nunca em uma ala coreografada. Para ela, a coreografia foi tranquila por estar no chão, já que tem receio de ficar no carro alegórico.

“Para mim está sendo maravilhoso. Está tranquilo, decorei tudo. Prefiro ficar no chão, pessoal vai ficar no chão por tem medo do carro”, expressou Arilda.

Representatividade! Mayara Lima estreia como rainha de bateria no Paraíso do Tuiuti e comunidade rasga elogios

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Tuiuti02Um ano após viralizar na internet por conta de sua sincronia com os ritmistas da bateria SuperSom do Paraíso do Tuiuti, Mayara Lima foi alçada ao posto de rainha no pré carnaval e fez sua estreia no posto mais cobiçado da avenida. A escola de São Cristóvão abriu a segunda noite de desfiles do Grupo Especial com a história dos búfalos da Ilha de Marajó, no Pará, e mostrou a reverência do povo por esses animais no enredo “Mogangueiro da Cara Preta”.

Mayara desfilou representando a fantasia “Deusa marajoara”, a rainha encantou representando a força feminina marajoara, vestindo traje com a riqueza do grafismo decorativo dos povos originários do Marajó. O figurino da beldade foi predominantemente azul, com detalhes em amarelo.

Mayara começou como passista, chegou ao posto de musa, princesa e agora é rainha, de forte relação com a comunidade, ela é um exemplo para várias meninas que sonham chegar neste posto um dia. Um exemplo é Lorena Bento, ela, que é moradora de São Cristóvão e desfila pelo Tuiuti há mais de 15 anos, diz que a escola acertou ao coroar Mayara como rainha, ela diz também que acompanhou o crescimento da musa ao longo dos anos e que ela é um espelho para todas as meninas.

“É muito significativo ver a Mayara a frente da bateria, ela que já tem um talento imenso, eu vi quando ela chegou no Tuiuti, era só uma passista, mas ela sempre teve um talento. No meio das meninas, ela sempre se sobressaía pelo samba, como ela veio do Salgueiro também fez o projeto lá com o Carlinhos e todo mundo sempre queria ela como destaque na ala, até que pedirão para colocar ela como musa, ela foi, virou musa e depois que viralizou não parou mais de brilhar. Ela é o espelho para muitas meninas da comunidade que querem também um dia chegar no lugar dela. Ver ela assim, maravilhosa, com um samba no pé surreal, alinhado junto com a bateria e eu acho que todo mundo para pra ver, fica encantado. E eu acho que o Tuiuti fez uma ótima escolha”, disse Lorena.

A bióloga e pesquisadora científica, Jennifer Nascimento, de 33 anos, também se mostrou a favor da presença de Mayara á frente da bateria, pelo segundo ano desfilando pela azul e amarela, a bióloga conta que vê em Mayara um exemplo, não só para ela, mas para várias meninas da comunidade.

Tuiuti01“A Mayara pra mim é tudo. Uma inspiração que eu tento seguir, porque ela é um exemplo, um grande exemplo, acho que pra todas as mulheres e meninas que compõe a agremiação. Ela é tudo, nos representa com toda certeza. O Tuiuti é uma escola que eu aprendi a amar, uma escola que me trouxe muito crescimento pessoal também, tanto na arte, na dança, quanto também no social com a diversidade de pessoas dentro da escola, isso também é muito interessante, nos traz um um grande impacto, é sempre adquirir conhecimento”, pontuou Jennifer.

O estudante João Pedro Batista é instrumentista e toca tamborim na bateria comandada por mestre Marcão, ele enxerga em Mayara o reconhecimento que todos da comunidade almejam um dia, além de elogiar a beleza, ele diz também que é muito legal ver a forma que ela interage com os ritmistas.

“A Mayara já vem já da comunidade há muito tempo. Então, pra mim é muito legal, a gente vê que a comunidade está sendo vista, sendo reconhecida, ela teve a oportunidade de ser a rainha da bateria e por mim, ela poderia ficar anos e anos, ela é linda, participa muito dos ensaios e tem uma sincronia muito boa com a gente, todo mundo merece a oportunidade, ela veio a comunidade, ela veio já muitos anos aí na luta”, disse João.

Informações do Roteiro dos Desfiles são importantes na visão do público da Marquês de Sapucaí

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Roteiro04O Roteiro dos Desfiles é distribuído para todos presentes na Marquês de Sapucaí. Com informações imprescindíveis, o pequeno livro ajudou muito o público geral a se aprofundar e entender o que está se passando na Avenida. Segundo os próprios espectadores dos desfiles, os tópicos que eles mais consultam no roteiro são a sequência das escolas, a letra dos sambas, os carnavalescos e suas ideias, e por fim, ficar por dentro dos quesitos.

Paulo Ricardo, massoterapeuta de 45 anos, acompanha o carnaval há 27 anos. Mesmo com toda sua experiência, o Roteiro dos Desfiles foi útil para ele.

Roteiro03 1“Eu não uso muito (o roteiro). Mas está ajudando bastante. O roteiro é bem didático”, afirmou Paulo.

Fernando Lopez, engenheiro de 45 anos, é uruguaio e mora no Rio de Janeiro há quatro anos. Para ele, a sequência das escolas e a letra dos sambas são as informações mais importantes do roteiro.

Roteiro02 1“Eu acho que vai ser muito legal (acompanhar o roteiro dos desfiles), porque tem toda a sequência das escolas e também a letra dos sambas. Isso me permite acompanhar e cantar com todas as torcidas”, disse Fernando.

Carolina Vasconcelos, advogada de 28 anos, achou a letra dos sambas o conteúdo mais importante presente no Roteiro dos Desfiles. Ela decidiu pegar o pequeno livro apenas para conseguir acompanhar os sambas-enredo.

“Eu acho que é legal principalmente para ver a letra dos sambas. Foi por isso mesmo que a gente pegou”, falou Carolina.

Roteiro01 1Leonardo Portela, cirurgião-dentista de 46 anos, se deslocou do seu setor só para pegar o roteiro para acompanhar o desfile informado. Segundo ele, o conteúdo é essencial por conta da explicação com riqueza de detalhes das ideias dos carnavalescos.

“Todas as noites eu procuro (o roteiro) porque ele é bem detalhado, específica bem a ordem das escolas, a letra dos sambas e a gente pode acompanhar exatamente o que o carnavalesco pensou sobre o desfile (…) É importante também para saber os casais de mestre-sala e porta-bandeira, se o carnavalesco é novo (…) A gente consegue várias informações importantes”, explicou Leonardo.