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Nilópolis cantou! Comunidade dá show no samba, mas problemas em conjunto visual atrapalham desfile da Beija-Flor

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A Beija-Flor de Nilópolis convocou a brava gente da baixada e realizou um desfile de forte apelo popular na noite desta segunda-feira pelo Grupo Especial do carnaval carioca. O famoso rolo compressor nilopolitano foi o grande destaque da apresentação, o samba, composto em forma de convocação serviu para impulsionar o desfile da azul e branca e passou de forma avassaladora. Porém, a escola pecou na realização de seus carros alegóricos, quase todos passaram pela avenida com falhas em acabamento, antes do desfile começar, um grande susto tomou conta da concentração, houve um princípio de incêndio na segunda alegoria, os bombeiros agiram rapidamente, mas alguns ferros ficaram à mostra. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Vale destacar a bela passagem do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, juntos a mais de 30 anos, a dupla encantou o público presente, com movimentos clássicos, a dança impressionou bela leveza e graciosidade, a linda fantasia engrandeceu ainda mais a apresentação. Assim como a Unidos da Tijuca, a escola também fez uso da nova iluminação do sambódromo na apresentação da comissão de frente, o jogo de luzes também foi utilizado em outros momentos do desfile.

Apresentando o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência”, assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues, a Beija-Flor fez, como o próprio título do enredo sugere, um mergulho no bicentenário da independência do Brasil, mas com um olhar crítico, voltado para contar a história que não foi contada nos livros. A proposta era colocar nos debates a ideia de uma nova data a ser lembrada para formação de uma ideia de independência, o dia 2 de julho de 1823.

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LEIA ABAIXO AS MATÉRIAS ESPECIAIS
* Ala 13 da Beija-Flor denunciou medida racista de embranquecimento da população
* Nilopolitanos abraçam enredo político e mostram a força da independência
* Com altas expectativas e a confiança da comunidade, André Rodrigues faz sua estreia como carnavalesco da Beija-Flor

A deusa da passarela foi a quinta escola a cruzar a passarela do samba na segunda noite de desfiles do Grupo Especial. A escola terminou sua apresentação com 67 minutos e sob muitos aplausos.

Comissão de Frente

Coreografada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, a comissão de frente da Beija-Flor encenou a história do povo, que, ao cobrar igualdade, reclama seu protagonismo na história, haja vista ter sido esquecido e silenciado na versão oficial. A apresentação utilizou a iluminação cênica da Sapucaí e contou com um tripé, em um primeiro momento, homens representando o exército reproduzem a cena clássica da Independência brasileira, porém, no decorrer da apresentação, a verdadeira história era contada, nesse momento a iluminação da pista mudava e no tripé aconteciam algumas projeções visuais e frases de apelo popular, neste momento, personagens representando o povo sobem no tripé e reivindicam seu protagonismo, o momento contou ainda com uma transformação do exército em beija-flores. O efeito da luz foi o ponto alto da comissão e arrancou aplausos do público.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso dispensam apresentações, eles são uma dupla imbatível dentro da Beija-Flor e de extrema importância para o carnaval carioca. Neste carnaval, a dupla completa 31 anos de uma parceria vitoriosa e premiada, mesmo com todos esses anos, o casal continua encantando a Sapucaí. De volta à abertura do desfile, o casal representou o “Encantamento Caboclo”, no último desfile a escola optou pelo uso de penas ecológicas, porém, a fantasia deste ano utilizou penas naturais, nas cores da escola, o figurino primou pela beleza e engrandeceu ainda mais a apresentação do casal.

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O bailado da dupla se destacou pela utilização da dança clássica, com muita graça, leveza e passos com características próprias, a elegância e companheirismo foram um dos destaques do desfile da azul e branca de Nilópolis. O nível de apresentação nos módulos de julgamento foi alto e a dupla, que mais uma vez encantou o público, saiu da avenida com a sensação de dever cumprido.

Harmonia

O desfile desta noite foi um reencontro da Beija-Flor com o que tem de melhor, a comunidade de Nilópolis, conhecida como ‘rolo compressor’, a comunidade passou alguns carnavais adormecida, no ano passado já havia dado sinais que voltaria e agora, muito impulsionada por um samba extremamente forte, rasgou o chão da avenida. O que se viu foi uma escola aguerrida e uma comunidade apaixonada com a obra na ponta da língua. Naturalmente, não é preciso muito para que os componentes da Beija-Flor cantem com muita garra, tendo em seu samba a frase “Deixa Nilópolis cantar”, a explosão foi ainda maior.

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A cantora Ludmilla fez sua estreia no carro de som ao lado de Neguinho da Beija-flor, a dupla mostrou muita sintonia, ela realizou alguns cacos durante o desfile e se mostrou muito à vontade, ele, mostrou mais uma vez o porquê de ser um dos maiores intérpretes da história do carnaval.

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Enredo

Desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Louzada e André Louzada, o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência”, a Beija-flor deu voz aos excluídos, como representante do povo, a Deusa da Passarela fez um mergulho no bicentenário da independência do Brasil, mas com um olhar crítico, voltado para contar a história que não foi contada nos livros. O enredo valorizou a brava gente brasileira, num grande ato político carnavalesco. Característica marcante da escola, a crítica social pautou todo o desfile, a mensagem foi passada com clareza e a resposta do público foi positiva.

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O desfile foi dividido em cinco setores, o primeiro, denominado “Naquele dois de julho, o sol do triunfar”, fez um contraponto entre o que a escola mostrou sobre a Independência do Brasil e a verdadeira, a do povo, representada pelo dia 02 de julho. O segundo setor, “Atos de revolta: a heróica desobediência civil”, retratou as principais revoltas depois de 1823 até a abolição da escravidão e consequentemente a virada para a república. Na sequência, o setor “Manutenção da ordem e o progresso da exclusão”, mostrou os mecanismos de exclusão e controle operados no período republicano, neste setor, a parada militar do Sete de Setembro é criticada, segundo o enredo, o desfile reforça o mito fundador de uma nação forjada na violência para manutenção da ordem.

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Logo após esta denúncia, no setor seguinte, o desfile faz o reconhecimento do papel civilizatório e exemplar dos movimentos sociais em diferentes lutas por autonomia, dignidade e justiça, tarefas inadiáveis para que sejamos, de fato, uma nação independente.O último setor destacou a importância da cultura popular brasileira, que emerge como um grande manancial de aspirações e fabulações de futuros possíveis para esta nação.

Evolução

A evolução da escola se mostrou extremamente acertada, o desfile durou 67 minutos e durante todo o tempo os componentes evoluíram com bastante desenvoltura e animação. O famoso rolo compressor se fez presente e a Beija-Flor fez todo o percurso sem sustos e de forma uniforme, não foram observados descompassos e todos os integrantes das alas estavam se divertindo e extravasando a emoção. Vale destacar que a escola levou um grande número de alas coreografadas e todas desempenharam um ótimo papel, com destaque para a ala de abertura, “Exército Libertador”, a expressão facial e corporal dos componentes chamou atenção.

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Samba-Enredo

Mesmo antes de ser escolhido como o samba oficial da escola, a obra de Léo do Piso, Beto Nega, Manolo, Diego Oliveira, Julio Assis e Diogo Rosa já havia caído nas graças da comunidade nilopolitana. A obra, feita em forma de convocação, foi um dos pontos altos do desfile da agremiação, a comunidade abraçou e o samba foi gritado na Sapucaí. Desde os primeiros acordes o público presente nas arquibancadas cantou junto com a escola, foi um dos momentos de maior comunicação entre público e agremiação neste carnaval.

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Alegorias e Adereços

A escola levou para a avenida seis carros alegóricos e três tripés. O conjunto visual da escola, apesar de gigantesco, apresentou falhas graves de acabamento, no geral, quase todas alegorias apresentaram problemas.

A abertura do desfile contou um pede passagem e abriu caminho para o ato cívico que a escola iria realizar. Invertendo o que estamos acostumados a ver, o abre-alas “Desconstruindo a fantasia histórica”, foi pequeno, na concepção do enredo, a proposta foi desconstruir a memória nacional em torno da independência, já o segundo carro, “O dia em que o povo ganhou – alegoria ao dois de julho”, teve um princípio de incêndio faltando poucos minutos para entrar na avenida, o susto fez com que a área destina a um destaque passasse com os ferros à mostra, o monumenta carro representou a vitória das tropas brasileiras na guerra pela independência instalada na Bahia, retratado em três chassis, o beija-flor, símbolo da escola, veio no alto da alegoria, a asa tinha problemas de acabamento e segundo chassi passou apagado pela avenida. Mesmo assim, o carro impactou. O azul, cor da escola, apareceu no terceiro carro, “Pela vida e liberdade do irmão”, bem acabado, foi um dos melhores do desfile, com esculturas muito expressivas, o carro valorizou o protagonismo de homens e mulheres negras no processo de abolição, processo que seu através da premissa de que a liberdade não foi uma concessão, mas uma conquista.

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O quarto carro, “Chumbo da autocracia”, Fez críticas à contraditória experiência republicana brasileira, sua estrutura social desigual e hierárquica, ao afirmar que a ditadura civil-militar (1964-1985) é a face mais genuína deste estado de poder e supressão dos direitos, com falhas de acabamento nos dragões e com ferragem aparente, o carro deixou a desejar.

Na sequência, a alegoria “Por um novo nascimento”, levou a escultura de uma grande uma mulher negra tecendo uma nova bandeira nacional. A alegoria emana da voz do povo o desejo de uma “mátria Brasilis”, que garanta a promoção de direitos aos cidadãos.

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No último setor, a escola apresentou o tripé “O amanhã não está à venda”, na cor verde, o elemento teve duas esculturas de indígenas erguendo suas próprias bandeiras de Brasil, a iluminação e o uso das bandeiras na lateral foram um bom momento. O último carro, “Futuro ancestral”, promoveu o futuro pela disseminação dos saberes através da presença da Velha-Guarda, guardiã da memória coletiva da agremiação, a alegoria também teve falhas em acabamento, assim como algumas composições desfilaram com roupas comuns. A Beija-flor se colocou em defesa da voz da brava gente, o tripé com um enorme beija-flor, encerrou o desfile.

Fantasias

Diferente dos carros alegóricos, o conjunto de fantasias da azul e branca da baixada foi um dos pontos altos do desfile, o volume das primeiras alas impressionou, os figurinos tomavam conta de toda a avenida, os costeiros eram enormes, como nas alas 3, “Ode aos Botocudos”, 4, “Sonho de Liberdade Malê”, e 6, “Um Grito de Liberdade Quilombola”, porém, apesar de gigantes, a sensação de leveza se manteve presente. A paleta de cores da escola também se mostrou um acerto, nas alas iniciais os carnavalescos derramaram o azul, cor da escola, com o dourado.

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Alguns elementos cênicos interagiram com as alas, o que causou um bom efeito visual. A ala de baianas passou pela avenida com um figurino muito apurado e com detalhes, a fantasia das matriarcas reproduziu os balaios, que foram carregados em suas cabeças, a arte da trama de palha esteve presente em seu pano da costa e na saia. Nos setores finais, a escola fez uso de bandeiras e faixas com mensagens sobre o enredo, as fantasias das alas não tinham a opulência das primeiras, mas a fácil leitura e leveza foram um ponto positivo.

Outros Destaques

A estreia de Lorena Raíssa à frente da bateria soberana foi um dos momentos mais festejados pelo público, a jovem, que ganhou o concurso de rainha promovido pela escola, jovem nilopolitana, representa justamente a liberdade para todas as expressões que justificam a marginalização de grupos sociais e raciais.

Com clima de favoritismo, componentes da Imperatriz Leopoldinense falam sobre a nova fase da Rainha de Ramos

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Imperatriz03 4Uma nova Imperatriz. Com a volta do carnavalesco Leandro Vieira e as mudanças internas da escola, a Imperatriz Leopoldinense resgatou o apoio da comunidade da região da Leopoldina, do Complexo do Alemão e voltou ao protagonismo do carnaval carioca. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, componentes da agremiação, desde nomes históricos como Chiquinho a novos integrantes, mostraram confiança na atual fase da Rainha de Ramos. O clima na comunidade é de favoritismo.

O grandioso Chiquinho, ex-mestre-sala da Rainha de Ramos e filho de Maria Helena, falou sobre a volta do carnavalesco Leandro Vieira e o sonho do título para a Imperatriz Leopoldinense.

Imperatriz02 5“O Leandro é um retorno. Ele era nosso, saiu para fazer a vida dele e agora retornou para a Imperatriz. A gente, humildemente e respeitando todas as outras agremiações, voltamos a lutar pelo grande título, que é o sonho da Leopoldinense”, disse Chiquinho.

Para Chiquinho, o clima da comunidade da Leopoldina é o melhor desde o último título da escola de samba, há 22 anos atrás. Segundo ele, graças à presidente da agremiação, o ex-mestre-sala também falou como foi a expectativa de entrar na Avenida e lembrou da mãe, Maria Helena, que foi um dos grandes nomes da escola e do carnaval carioca.

“O clima é sim o melhor aqui na comunidade. Nos últimos anos, a Imperatriz, principalmente com a nova direção – a nossa presidente Cátia Drummond – está fazendo um grande trabalho não só dentro da escola, mas dentro da comunidade. Isso elevou o espírito de campeã da Imperatriz Leopoldinense. A expectativa para quarta-feira está muito grande. Foi maior para entrar na Avenida, porque eu sempre entrava com a minha mãe, Maria Helena, mas ela está aqui em nosso coração. Vamos partir para dentro. Imperatriz Leopoldinense, Complexo do Alemão e região da Leopoldina na garra”, contou.

Imperatriz01 5Atuando em comissões de frente há 29 anos, o militar Jamerson Oliveira desfilou na Imperatriz entre 1996 e 2007. Para ele, a comunidade abraçou a escola, tornando a Imperatriz protagonista deste Carnaval – relembrando os antigos tempos da Certinha de Ramos.

“O gostinho é maravilhoso. Para mim é um gosto muito especial, porque eu conheço a Imperatriz desde jovem. A Imperatriz sempre foi uma potência. Hoje a Imperatriz está voltando do jeito que está, sendo protagonista do carnaval. Para mim, particularmente, essa minha volta está sendo maravilhosa. A comunidade está muito maravilhosa, muito vibrante e daquela forma antiga. É daí para melhor. A comunidade está feliz, veio para brincar carnaval e a gente agradece muito a diretoria por resgatar esse clima e essa comunidade forte que a Imperatriz tem no carnaval”, comentou Janderson.

Ele também acredita que a agremiação vive o seu melhor momento desde o título de 2001. Janderson, confiante, acredita que a abertura de envelopes na quarta-feira de cinzas mostrará um bom resultado para a Imperatriz Leopoldinense.

“O clima está o mesmo desde o último título, até mais forte. A comunidade voltou a ficar confiante – confia na diretoria e nela mesma. Ocorreram alguns reforços e algumas mudanças, mas a comunidade está muito confiante e veio para mostrar um bom carnaval. A expectativa é muito grande para a abertura de envelopes. Como eu falei, a Imperatriz veio para mostrar um belo carnaval, com alegria, um carnaval bem folião. Creio que esses envelopes mostraram um bom resultado, porque a Imperatriz merece isso”, contou o integrante da comissão de frente da escola de samba.

Até mesmo para quem esteve presente no tricampeonato da escola, o clima é de favoritismo. Luciano de Souza Cruz, professor de 44 anos, componente da ala “cordelistas” e desfilante da Imperatriz Leopoldinense há 25 anos, crê que o clima é de vitória.

“É o gostinho de ter participado do tricampeonato. Eu estive lá em 1999, 2000 e 2001. Ter essa sensação de que a escola é favorita ao título, ainda mais completando 25 anos desfilando, que para mim é mais do que um presente. O clima na comunidade é o mais forte. A comunidade está mais inserida na escola e mais participativa. Também acho que o fator renovação, com Cátia Drummond no comando, traz uma vitalidade que a escola estava precisando. Eu só aceito notas dez no envelope (risos). Sem desmerecer as coirmãs”, revelou Luciano.

Vanderson Oliveira da Silva, de 27 anos, é outro veterano da escola de samba. Ele desfila na Rainha de Ramos há 23 anos e contou que a mudança geral na escola, segundo ele, trouxe a comunidade de volta para a agremiação.

“É muito bom. Vou dizer para você que essa mudança geral da nossa presidência e do nosso carnavalesco contribuiu muito. A comunidade voltou – o Complexo do Alemão voltou – e a escola está abraçada. A escola está se abraçando e pulsando. A Imperatriz conseguiu mostrar a força da comunidade de Ramos e da zona da Leopoldina. Se Deus quiser, vamos buscar essa próxima estrela para o nosso pavilhão. É o melhor clima desde o último título. É impressionante quando o Pitty grita, porque arrepia. Quando a bateria começa, a sensação é de como se fosse a minha primeira vez. Esse ano é muito especial”, destacou o componente da Imperatriz Leopoldinense.

Ritmistas da Imperatriz viveram Lampião na avenida

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Imperatriz02 3Com a fantasia representando “Lampião: Um diabinho nordestino” a bateria da Imperatriz Leopoldinense desfilou na Marquês de Sapucaí com a responsabilidade de dar um show na parte rítmica, além de representar o principal personagem do enredo.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes da Swing da Leopoldina elogiaram a fantasia e comentaram sobre a importância de representar Lampião.

Alexandre Araujo, restauranteur de 50 anos, é ritmista da Imperatriz há sete anos. Para ele, a fantasia era um pouco quente, mas uma das melhores nos últimos anos e tranquila para tocar ao longo da Passarela do Samba.

Imperatriz03 3“A fantasia veio super rica. Não tem como não ser algo quente, mas é uma coisa rica. Tem muitos adereços e muita cor. Está super tranquila e conseguimos ter muito movimento. Aliás, é uma das melhores fantasias dos últimos anos”, disse o ritmista da Rainha de Ramos.

Para ele, os bateristas apenas colocaram em prática o que fizeram ao longo do ano. “A gente vai fazer o que a gente aprendeu e ensaiou. Sofremos e suamos para fazer um bom carnaval e representar a nossa escola que está precisando”, falou.

Filipe Lázaro, estudante de educação física de 27 anos, a fantasia estava ótima e os adereços completam a beleza dela. Ele também falou sobre a bateria vir representando o principal nome do enredo da Imperatriz Leopoldinense.

Imperatriz01 3“A fantasia está muito bonita. Óculos para completar. Está perfeita. Ela está tranquila, não está me apertando e tem um espaço para entrar vento, que é o mais importante. É muito interessante estar representando o homenageado, porque eu gosto muito das histórias do Lampião. O pessoal do nordeste tem umas histórias bem interessantes, e traremos essa aqui. Vai ser divertido e bem legal de fazer. Estamos ensaiando desde o meio do ano – com carro de som, ensaio de rua e etc”, disse o ritmista da escola.

Neste ano, o samba da Imperatriz Leopoldinense conquistou até mesmo os estrangeiros. Estadunidense, Courtney Danley, de 47 anos, desfilou na bateria da escola de samba tocando repique. Ela contou que a energia e o carinho da comunidade da escola encantou ela.

“Esse é o meu primeiro ano desfilando aqui na Imperatriz. Quando eu cheguei eles me abraçaram, é uma comunidade muito forte, muito linda e eles cantam muito. É um grande privilégio para mim poder desfilar aqui com eles”, disse a ritmista Courtney.

A estadunidense disse conhecer a história de Lampião. Ela destacou que o personagem do enredo é visto por algumas pessoas como alguém bom e por outras, mau. Entretanto, é um grande personagem da história popular brasileira.

“Lampião é uma figura muito complicada. Algumas pessoas pensam que ele é bom, outras pensam que ele é mau. Mas todo mundo é um pouco disso, não tem nenhuma pessoa completamente boa. É muito interessante para nós poder representar Lampião, que tem muito significado aqui no Brasil. É uma coisa muito interessante”, disse Courtney Danley.

Estreando na Swing da Leopoldina, Weverson Veríssimo, psicólogo de 34 anos, disse que é um máximo desfilar vestido de Lampião. Segundo ele, a fantasia estava legal para impactar o público.

“Eu acho que é o máximo. É estar realmente dentro da história do enredo e podendo compartilhar isso com a Avenida. A fantasia está tranquila, são muitas camadas, mas é bem bacana e tem um visual bem bonito para a gente conseguir tocar e fazer a nossa arte na Sapucaí. Aliás, a escola inteira está com um visual bem legal para impactar a Avenida”, contou.

Ala 13 da Beija-Flor denunciou medida racista de embranquecimento da população

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Beija Flor02 1A azul e branca da baixada fez uma crítica, nesta segunda-feira feira, à imigração europeia na história do país. A medida foi uma medida racista da época como uma tentativa de embranquecimento da população. Na 13° ala, a Beija-Flor levou o tema “Cota Para Branco”, a escola mostrou que enquanto os negros sofriam com medidas proibitivas, europeus recebiam privilégios do governo brasileiro.

“O Brasil é um país historicamente castigado. […] É importante a Beija-Flor levantar essa bandeira e mostrar para a sociedade brasileira que a gente precisa falar de cotas e de tudo que a população negra sofreu. Brancos tem privilégios e os negros sofrem todos os dias,” disse Andrielly Santos, advogada, desfila há 5 anos pela escola.

A ala veio fantasiada com uma blusa branca e uma calça preta. Os componentes usavam malas brancas e sacos dourados escrito branco. Na cabeça, um chapéu preto com detalhes dourados e o rosto com uma tinta branca. Nas costas, uma capa em forma de circulo com pontas espetadas brancas e verdes.

Beija Flor03 1“A crítica é muito importante, é necessária. O grito dos excluídos vem como uma forma de fazer a sociedade mudar. Acho que deveriam existir mais políticas públicas pra gente, porque o país ainda é muito desigual”, disse Diogo de Castro, designer, desfila na Beija-Flor há 3 anos.

Luciana Castro, responsável pela harmonia na escola, explicou que o rosto pintado de branco e a mala branca representa os privilégios dos brancos. “Representa o poder que brancos tem e os negros nunca tiveram. É a diferença e a desigualdade.

A Beija-Flor foi a penúltima escola a apresentar nesse segundo dia de desfile. A azul e branca deu voz aos excluídos em seu desfile nesta segunda.

Fotos: desfile da Beija-Flor no Carnaval 2023

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Freddy Ferreira analisa a bateria da Imperatriz no desfile

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A bateria da Imperatriz Leopoldinense de mestre Lolo fez um desfile exemplar. Uma musicalidade pautada pela nordestinidade, que vinculou o ritmo da “Swing da Leopoldina” ao enredo e a obra da Imperatriz. Uma conjunção sonora impecável foi exibida, com a plena fluência entre todos os naipes.

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A parte de trás do ritmo apresentou um trabalho de raro valor sonoro. Surdos de primeira e segunda foram eficazes, educados e precisos. Já as terceiras deram um balanço consistente ao ritmo da Imperatriz. Repiques coesos integraram o toque com caixas de guerra extremamente ressonante, com uma batida pautada por um misto de segurança e limpeza.

A cabeça da bateria exibiu naipes tecnicamente diferenciados. Uma ala de cuícas deu virtude musical ao ritmo, inclusive participando de paradinhas. Um naipe de chocalhos de qualidade inegável tocou de forma entrelaçada com uma ala de tamborins que executou um desenho rítmico simples e funcional, de forma chapada, adicionando valor sonoro à “Swing da Leopoldina”.

Uma nuance rítmica evidenciada nos surdos, na primeira do samba, proporcionou um balanço único para o ritmo. Após o verso “Deus nos ajuda, todo povo aperreado”, o ritmo se consolida com primeira e segunda intercalando as batidas, demonstrando dinamismo sonoro e versatilidade musical.

Já no refrão do meio, os surdos de terceira fazem um desenho rítmico simplesmente fabuloso e cativante, propiciando um molho envolvente que faz jus ao apelido da bateria, “Swing da Leopoldina”. Foi possível presenciar ritmistas mexendo o corpo embalados pelo toque genuíno e intimamente integrado à música da Rainha de Ramos.

A bossa do refrão do meio exibiu complexidade, com misto de ritmo e pressão provocada pelos surdos. O impacto musical foi considerável. Aproveitou contratempos para a conclusão sublime, que fazia alusão musical ao “estouro do pipocou”, totalmente conectada ao que o samba da Imperatriz solicitava.

No refrão que antecedeu o principal, era realizada a paradinha mais musical da bateria. Primeiro foi exibido ritmo de Xote, seguido de Xaxado. Um arranjo dançante e perfeito para o componente cantar e dançar, unindo molho do ritmo com zabumbas e triângulos fazendo solo, dando ao samba-enredo exatamente o que ele pedia. Desafiadora e com nível impressionante de detalhes, foi possível notar a participação inclusive de cuícas. As subidas dos repiques retomando o ritmo e dando molho após esse movimento, como se repetisse o toque utilizado na chamada. Uma bossa que se aproveitou da nordestinidade do enredo, para consolidar o ritmo da bateria da Imperatriz atrelando à canção da escola.

Todas as apresentações em módulos foram fabulosas, deixando julgadores com sorriso de encantamento na face, sem contar o delírio do público com uma exibições seguras e potentes. Uma merecida nota máxima em bateria parece estar a caminho de Ramos, mais uma vez. Mestre Lolo, diretores e ritmistas estão de parabéns pelo desfile grandioso e impressionante da bateria da Imperatriz Leopoldinense.

Nilopolitanos abraçam enredo político e mostram a força da independência

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Beija Flor05Quinta escola de samba a pisar na Sapucaí nesta segunda-feira, 19 de fevereiro, a Beija-Flor deu voz aos excluídos e oprimidos na Avenida. Determinada a contar uma história diferente da explicada em livros, a agremiação redefiniu o conceito de independência do Brasil.

Representando minorias como as verdadeiras responsáveis pela luta e liberdade do país, o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência” foi assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues.

Beija Flor06Desde a decisão do enredo e, posteriormente, do samba, tornou-se evidente que a Azul e Branca apresentou o tema mais político do carnaval 2023. Apesar da possibilidade de um receio ser sentido por alguns sambistas, a comunidade nilopolitana se mostrou mais do que pronta para defender o pavilhão.

“Sei que é um enredo polêmico, até porque a escola vai contar aquilo que as mais tradicionais não contam. É a retomada que o povo tem da terra. Indígenas e negros construíram essa nação, e contar a narrativa a partir da nossa ótica é maravilhoso”, comentou Ana Paula Arruda, de 35 anos.

Para Kaio Phelippe, de 28 anos, a Beija-Flor nunca esteve tão alinhada com a atualidade como agora: “É evidente que a era do racismo no Brasil não acabou, então buscamos levar isso para as pessoas entenderem que não toleramos mais”.

Beija Flor02Lohayne de Camillo, também de 28 anos, aproveitou a oportunidade para enaltecer a escolha do enredo. “As escolas de samba nasceram em periferias, e quando estamos diante de uma sociedade completamente elitizada, ainda mais no maior evento cultural do país, é importante trazer visibilidade para histórias renegadas”, afirmou.

Com altas expectativas e a confiança da comunidade, André Rodrigues faz sua estreia como carnavalesco da Beija-Flor

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Beija Flor01A Beija-Flor de Nilópolis, quinta escola do Grupo Especial a desfilar na Sapucaí nesta segunda-feira, 19 de fevereiro, apresentou o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência”.

Num grande ato político-carnavalesco, o intuito da agremiação era enaltecer a verdadeira independência do Brasil, feita por minorias e distante dos colonizadores.

Após conquistarem o vice-campeonato em 2022, com o carnavalesco Alexandre Louzada, a Azul e Branca contratou André Rodrigues, que já fazia parte da direção artística da escola, para assinar o desfile em dupla com Louzada.

A estreia do jovem carnavalesco no Grupo Especial está sendo muito aguardada e rodeada de expectativas, principalmente pela própria comunidade nilopolitana. Camila Diniz, de 25 anos, comentou sobre o impacto sentido quando visualizou o conjunto de alegorias e fantasias pela primeira vez: “Fiquei emocionada quando vi, por ter certeza da vontade da Beija-Flor de brigar pelo título. Achei a escola muito bonita e rica”.

Beija Flor03Alyson Trindade, de 29 anos, é um dos integrantes da comissão de frente e também mencionou sua primeira impressão: “Tanto eu, quanto as outras pessoas da comissão, ficamos encantados com as alegorias, pela forma como projetaram as esculturas”. O rapaz as definiu como verdadeiras obras de arte. “Retrataram temas delicados com muita graciosidade”, complementou.

Um apaixonado desfilante da agremiação, Ruan Montes, de 30 anos, enalteceu o trabalho de André: “Desde o ano passado, ele vem entregando coisas maravilhosas”. Após o primeiro contato com o conjunto de adereços, teve certeza de que a Beija-Flor está em boas mãos. “Está melhor do que imaginávamos e estamos prontos para arrasar”, finalizou.

Perto da glória! Imperatriz faz desfile exuberante e entra na briga pelo título do Grupo Especial

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No retorno de Leandro Vieira à Imperatriz, a Rainha de Ramos levou para Sapucaí um desfile primoroso na questão estética, com fácil e divertida leitura do enredo e com o samba funcionando muito bem em um excelente estreia também do intérprete Pitty de Menezes. No mais foi bonito ver o resgate que vem acontecendo por esta diretoria com a comunidade que respondeu na Avenida cantando com muita garra e se divertindo no trajeto até a Praça da Apoteose. A comissão de frente retratou o enredo de forma divertida e delirante e o samba também teve uma boa resposta do público. Quarta escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial com o enredo “O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida”, a Imperatriz Leopoldinense encerrou seu desfile com 68 minutos. * VEJA FOTOS DO DESFILE

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Comissão de Frente

A comissão “Pelos cantos do sertão ” coreografada por Marcelo Misailidis sintetizou o enredo com humor e picardia através de uma espécie de teatro mambembe que dançava ambientado em uma paisagem que remeteu a um pedaço de terra localizado no sertão nordestino. A comissão fez bom uso do elemento cênico, apresentando surpresas que eram pertinentes a apresentação.Era uma casa em meio a um varal de lençóis.Nela, Lampião e seu bando fugiam em uma perseguição.

LEIA MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
Segundo carro da Imperatriz, “Rebuliço no olho do mamulengo”, representou a morte do bando de Lampião
‘Espero poder fazer história’, diz Pitty de Menezes após estreia arrebatadora na Imperatriz
Cangaceiras e leopoldinenses, as baianas da Imperatriz vieram com a força de Maria Bonita na busca pelo título
“Virgulino no comando!”: Abre-alas da Imperatriz representou a invasão de Lampião ao sertão nordestino

Coordenado por um típico morador do sertão, a comissão trazia no teatro hora a ideia de o cangaceiro ir ao inferno buscar guarida, quando um grande rosto demoníaco surgia por debaixo do lençóis engolindo o apresentador da comissão e depois surgia no alto da casa, uma espécie de campanário em que Parte Ciço não permitia a entrada do cangaceiro, jogando o chapéu dele inclusive para a plateia.E no final todos dançavam xaxado, o Lampião com o apresentado inclusive.a comissão misturou muita dança com toque certos de humor, acima de tudo divertiu o público. Um apêndice da apresentação era um integrante fantasiado daqueles cachorros caramelos, magro, que ia sumindo e aparecendo pela casinha.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, vestiam o figurino “Lampião e Maria Bonita” representando o rei do cangaço e sua rainha, eterna companheira e parceira enamorada do líder dos bandoleiros. O traje em tons alaranjados apresentou os contornos estilísticos da roupa de um cangaceiro principalmente no chapéu e na parte de cima.

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Na saia da roupa de Rafaela uma bonita e rica plumagem completou o modelito. Fantasia primorosa. Rafaela se adequou bem ao ritmo mais explosivo de Phelipe que procura passos mais intensos. A porta-bandeira foi intensa nos rodopios. O vento forte atrapalhou um pouco em todos os módulos, mas a Rafaela manteve o pavilhão desfraldado, ainda que em alguns poucos momentos ele não ficasse tão aberto. Uma apresentação com dificuldades por conta do vento, mas sem apresentar falhas aparentes.

Harmonia

A comunidade leopoldinense teve um alto rendimento no canto do samba, mantendo a regularidade e intensidade de canto em todos os módulos, de forma homogênea entre as alas, com alegria e em alguns momentos transbordando garra. Importante destacar o trabalho dos diretores de harmonia da escola que a todo momento incentivavam seus componentes, assim como os diretores de ala. Nem o fato de algumas fantasias serem um pouco mais pesadas atrapalhou o canto da escola.

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É possível citar diversas alas que tiveram destaque no canto. No segundo setor, ala “cordelistas”, “carpideiras”. No terceiro setor “O cordel de José Pacheco” e “tropa de expulsão” , e no final “ala vagueia na poesia”. Fazendo sua estreia pela Verde e Branca de Ramos, Pitty de Menezes também teve um excelente desempenho no comando do carro de som. O intérprete não deixou cair o canto em nenhum momento, fazendo o bom samba da Imperatriz crescer ainda mais e incentivando os componentes sem exagerar nos cacos, todos dentro da música.

Enredo

O enredo se baseou na literatura de cordel para mesclar fatos históricos com uma pesquisa iconográfica baseada na estética regional sertaneja. A partir do conteúdo lúdico presente nos cordéis que vislumbravam o destino pós-morte de Lampião, o desfile mergulhou nas múltiplas possibilidades narrativas e visuais características da cultura nordestina e brasilidade. O carnaval da Imperatriz se debruçou sobre a poesia épica para contar esta história mesclando fatos históricos com eventos imaginários e fantásticos. Durante o desfile, a aparição de Lampião acontece o tempo todo.

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O místico cangaceiro foi visto em todos os setores em uma trajetória que percorreu a história de sua morte, a tentativa de entrar no inferno e no céu, assim como seu renascimento no imaginário popular brasileiro. A ideia de um enredo que trouxesse picardia e delírio para o desfile foi realizada de forma satisfatória. As alegorias e fantasias tinham leitura, e a sequência narrativa estava bastante clara no visual, além do samba ser bastante eficiente neste papel de contar a história.

Evolução

A Imperatriz passou pela Sapucaí de uma forma quase perfeita, a não ser por um pequena dificuldade de deslocamento do abre-alas já na saída da pista, que gerou um pequeno buraco até a ala, rapidamente consertado. A evolução dos componentes no geral se deu de forma espontânea, com alegria, mesmo com algumas fantasias pesadas, demonstrado no cansaço de alguns desfilantes já no final da Marquês de Sapucaí.

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A garra dos componentes e o apuro para não prejudicar a escola de forma alguma, presente também nos diretores, foi louvável. Algumas alas eram coreografadas de forma pertinente ao enredo como “tropa de expulsão” que brincava com a fantasia que dava a ideia de chamas. A evolução foi cadenciada, mas de maneira nenhuma lenta, com fluência, apresentando o desfile com a atenção que o público merece. A bateria entrou no recuo com 47 minutos e saiu com uma hora de desfile de forma tranquila e com fluência, sem gerar problemas.

Samba-Enredo

A obra de Me Leva e companhia tem uma letra que expressou com bastante eficiência o enredo desenvolvido pela Imperatriz. Se você fechar os olhos e ouvir o samba, a letra te traz as imagens de todos os setores da história narrada sobre Lampião, na forma pensada pelo carnavalesco Leandro Vieira. Em termos de melodia o samba apresentou uma musicalidade muito voltada para a região nordeste seguindo uma linha de canções típicas do xote e do forró, sem perder suas características de samba-enredo.

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A presença da sanfona no carro de som ajudou bastante essa musicalidade nordestina que ajuda a caracterizar o enredo. Um dos pontos altos, o refrão principal é um exemplo desta musicalidade sem perder a força de ataque do samba que impulsiona o componente explodindo no “Leopoldinense, cangaceira minha escola”. A solução utilizada de colocar um bis logo no início funcionou e o bis antes do refrão principal” pelos cantos do sertão”, em termos de melodia, foi um dos ponto altos da obra, assim como “o jagunço implorou um lugar no céu/ toda santaria se fez de Bedel”.

Fantasias

Inicialmente a escola apostou em figurinos que vieram trazendo um pouco do sertão para a Sapucaí. Baianas em tom pastel e coloração de palha já caracterizavam o enredo até a chegada do abre-alas. Primeiros setores fizeram uso de uma estética mais rústica, do sertão , porém bem trabalhada e de bom acabamento. Cores de palha em contraste de detalhes em cores mais fortes e muitos acessórios de mão até entrar no segundo setor. A paleta de cores encontra tons mais quentes e rubros a partir do terceiro setor que fala do submundo.Destaque para as maquiagens de rosto mais desenvolvidas em todo o desfile, mas principalmente neste setor.

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A partir do quarto setor nova mudança nas cores e figurinos, tons mais claros e prateados em contraste com azul ajudam a contar o momento que retrata a chegada do cangaceiro ao céu. Dourado também compõe o quarto setor. No último setor que vai valorizar o sertão, o homem sertanejo, os tons voltam para cores quentes. Outro fato a se destacar, foi que Leandro apostou em óculos estilizados com lentes coloridas para compor algumas fantasias como a da bateria, um efeito excelente. No geral, as fantasias foram de um apuro espetacular, volumosas, criativas e a paleta de cores esteve bem casada tanto esteticamente quanto com cada setorização do enredo.

Alegorias e Adereços

Pode-se dizer que este foi o maior conjunto alegórico de Leandro Vieira em tamanho. Carros grandes, mas com o já conhecido traço do artista, esculturas bem detalhadas, ótimo trabalho de cores, e excelente acabamento. Hora o trabalho mais rústico que a temática pedia, hora a criatividade, mas sempre com beleza e excelência de materiais.O conjunto alegórico da Imperatriz para este desfile se constituiu de cinco alegorias e dois elementos cenográficos, sem contar o elemento da comissão de frente.

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O carro abre-alas “Virgulino no Comando” que materializou em seu visual uma invasão praticada pelo bando de Lampião em meio a uma paisagem sertaneja. Dividido em dois chassis e ambientado no semiárido, a alegoria apresentou o verde da caatinga nos adereços que representam a vegetação do mandacaru, enquanto o tom alaranjado do sertão se contratava com esculturas em artigos dourados. Já a segunda alegoria “Dia 28: rebuliço no olhar do mamulengo” retratou a morte do rei do cangaço e como essa notícia se espalhou pelo nordeste.

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O terceiro carro “nos confins do submundo” , uma das melhores que passou nas duas noites e desse conjunto específico, com soluções criativas e bem fidedignas visualmente, apresentou a epopeia de Lampião ao reino das trevas. A quarta alegoria deste carnaval “Um lugar do céu “, apresentando muita da assinatura do carnavalesco Leandro Vieira, com balões coloridos presos ao elemento, e um monomotor retratando o céu, morada dos santos, e a tentativa de impedir o cangaceiro de entrar na morada do santíssimo. Por fim, a última alegoria “o destino do valente” em tons dourados trouxe a coroa da Imperatriz e o rosto do cangaceiro, também enraizado na aparência e vestimenta de Luiz Gonzaga , finalizando o desfile através de signos que celebram Lampião como entidade que habita no imaginário de brasilidades. Nesta alegoria há referências a arte de mestre Vitalino, a musicalidade de Luiz Gonzaga e a literatura de cordel.

Outros destaques

As baianas pisaram na Sapucaí vestidas como típicas cangaceiras. Já a ala de passistas “malícia fogosa” representou a visão do capitão aos confins do submundo, simbolizando o inferno com paródia, algazarra e festividade. A Swing da Leopoldina de mestre Lolo “um diabinho nordestino” apresentou em sua fantasia toda a fama de temido por seus feitos sanguinários que Lampião carregava, em uma fantasia vermelha e espalhafatosa como se caracteriza a moda do cangaço.

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A bateria trouxe uma ala de zabumba e triângulo. Essa ala, junto com a sanfona do carro de som, mestre Lolo e o intérprete Pitty ficaram à frente da bateria junto na bossa de xote e xaxado, nos módulos de julgamento, se destacando na apresentação . A rainha Maria Mariá , em sua estreia à frente dos ritmistas, vestiu o figurino “a diaba quem me dera”. Antes do desfile, João Drumond falou aos componentes que é o melhor carnaval da escola dos últimos 20 anos. Já a presidente Cátia Drummond se esbaldou na frente da escola dançando e cantando muito o samba da escola. O carnavalesco Leandro Vieira, após coordenar a operação de entrada da agremiação na concentração, veio à frente do quarto carro.

Fotos: desfile da Imperatriz no Carnaval 2023