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Passistas da Vila Isabel foram noivos e noivas em celebração a Santo Antônio

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Vila Isabel05 3Não tem como falar das festas religiosas e populares do Brasil sem mencionar a festa junina. Coube aos passistas da Vila Isabel interpretarem o “Casamento na Roça”, em homenagem à santidade junina Santo Antônio. As integrantes femininas da ala usaram representaram noivas com véu e sutiã de pérolas e muitos babados no braço e na saia, enquanto os homens desfilaram como noivos em branco de chapéu, gravata azul e bandeirinhas de festa junina costuradas pelo traje.

Kátia Suzuki, de 53 anos, apoio da ala de passistas, comentou como os integrantes do segmento ensaiaram bastante e estavam preparados para pisar na Sapucaí. Para ela, a emoção de estar na festa junina é próxima da sensação de estar no Carnaval.

Vila Isabel03 3“A festa junina é uma das festas mais populares. Vamos dizer que festa junina e carnaval estão páreo-a-páreo. Eu fui quadrilheira durante 25 anos. É uma emoção tão grande quanto a do carnaval. A gente poder falar dos nossos ancestrais, porque a festa junina começou lá trás como uma simples festa de roça e agora se tornou um espetáculo tão quanto o carnaval”, afirmou Kátia.

Em seu 16º ano de Vila, Vagner Gaspar, de 40 anos, apontou o quão leve estava a fantasia de noivo. Além disso, comentou o efeito nostálgico que a roupa provocou.

Vila Isabel04 3“A fantasia está ótima, leve e dá para sambar. Fala da festa junina. Lembra o tempo de escola. Tem bastante nostalgia. A comida boa”, relembrou o passista.

Laura Micaela, de 24 anos, desfilou pela segunda vez na azul e branca e ressaltou que passistas precisam de roupas leves para sambar e dar o seu melhor. O objetivo foi alcançado com sucesso este ano.

“Eu gosto de ir para as festa de Arraiá, eu gosto para me divertir, nunca dancei nas festas juninas. Mas é uma festa muito bonita e muito enriquecida. É uma das nossas principais festas do Brasil”, opinou a componente, que vive o carnaval desde criança.

As passistas revelaram que não fariam nenhuma coreografia específica. A ideia principal é mostrar, de fato, o samba no pé. Mesmo assim, Carolina Fortes, de 25 anos, indicou que existem passos sincronizados que surgiram espontaneamente pela ala.

“Na verdade, a gente não tem uma performance específica coreografada, mas às vezes um passista ou outro faz um passo e a ala inteira pega e repete. A Vila tem muito disso. Nossa questão é o samba, mas a gente tem essa harmonia”, contou a integrante.

Problemas em evolução e alegorias afetam desfile emocionante do centenário da Portela

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Por Diogo Sampaio

Um sonho que virou pesadelo. Esta é uma forma que podemos definir o desfile da Portela, que deveria celebrar o seu centenário, mas que ficou marcado por uma série de erros em evolução e alegorias. Com uma abertura impactante e emocionante, a escola coloriu os céus com o nome de seus dois principais baluartes e despontou com um canto forte, que acabou afetado pelos problemas na pista. Além disso, quesitos como comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira cometeram “escorregadas” durante apresentações em cabines de jurados, podendo perder pontos preciosos para a agremiação. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Com o enredo “O Azul que Vem do Infinito”, assinado por Renato e Márcia Lage, a agremiação foi a segunda escola a passar pela Marquês de Sapucaí neste último dia do Grupo Especial. A azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira encerrou a sua apresentação com 69 minutos, um a menos que o tempo limite.

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LEIA ABAIXO MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* Quarto carro da portela faz referencia ao enredo campeão de 1980
* Baianas da Portela representaram Nossa Senhora da Conceição
* Portelenses se emocionam ao celebrar o centenário da escola
* Portela encerra desfile homenageando figuras históricas da agremiação
* Lendas vivas da escola, Vilma Nascimento e Jerônimo se emocionam no centenário da Portela
* Emocionados, componentes da Portela se encantam com águia do centenário

Comissão de Frente

Com o nome de “Como Tudo Começou”, a comissão de frente, assinada por Léo Senna e Kelly Siqueira, apresentou de forma poética os momentos de inspiração de Paulo, Caetano e Rufino que levaram ao surgimento da Portela e desenvolvimento de seus símbolos sagrados: o pavilhão e a Águia. Em um primeiro ato, os componentes vinham no chão, representando moradores de Oswaldo Cruz e Madureira, na época da fundação da escola. Na sequência, eles subiam em um elemento cenográfico que retratava um espaço de criação.

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Já neste local, a coreografia recriava os momentos de concepção dos símbolos, iniciando com a bandeira. O ápice da apresentação ocorria na hora em que era encenada a criação da Águia, com o componente representado Paulo Benjamin de Oliveira “voando” em cima de sua obra.

No entanto, apesar de criativa e da reposta positiva do público, a comissão deve perder pontos na segunda cabine de julgamento. Neste módulo, a apresentação não foi executada de maneira completa, uma vez que o integrante que representava Paulo da Portela não conseguiu subir na Águia.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon Lamar e Lucinha Nobre, vieram com a fantasia “A Nobreza que Desfila Humildade”. O figurino, dourado com penas em tons de laranja e marrom, era bastante luxuoso, mas uma falha na peruca de Lucinha deve acarretar na perda de décimos em dois módulos de julgamento.

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Na segunda cabine, a porta-bandeira teve de segurar o acessório durante toda a apresentação oficial para os jurados. Já no último módulo, Lucinha se apresentou sem a peruca, após ela se soltar na altura do setor 08 e não conseguirem ajeitar.

Mesmo com estes problemas na indumentária, a dança do casal foi pouco comprometida. Com movimentos velozes, os dois mesclaram bailado tradicional com passos coreografados, com boa interação entre eles e bastante sincronia. O giro completo do pavilhão por cima da cabeça, que já virou característico de Lucinha, arrancou aplausos do público.

Harmonia

Com um início promissor, a harmonia da Portela foi um dos quesitos comprometidos pelos problemas que ocorreram na pista. Quando o cronômetro foi disparado, o canto das primeiras alas da azul e branca podia ser ouvido a distância. Além disso, pessoas nas arquibancadas e frisas acompanhavam os componentes e entoavam com força os versos da obra composta por Wanderley Monteiro, Vinícius Ferreira, Rafael Gigante, Edmar Júnior, Bira, e Marcelão.

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Porém, conforme as falhas foram acontecendo, o canto da escola foi diminuindo, chegando a ficar tímido em alguns momentos. O intérprete Gilsinho, em uma noite de excelente performance, ainda tentou animar os desfilantes, no entanto sem muito efeito.

Evolução

Acostumada a ter nos chamados quesitos de chão o seu maior trunfo, a evolução foi o ponto mais problemático do desfile da Portela. A primeira falha ocorreu quando a terceira alegoria, intitulada “Carnavais de Guerra”, apresentou problemas de deslocamento e um clarão foi aberto em frente ao primeiro módulo de jurados. Enquanto tentava solucionar, este mesmo carro colidiu com uma frisa do setor 3, gerando um dos maiores momentos de tensão da noite.

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O acidente travou a escola e um buraco de proporções gigantescas foi aberto entre a terceira alegoria e a ala “Seis Datas Magnas”. Demorou quase dez minutos até que o carro fosse retirado das grades e voltasse a andar. Para recuperar o tempo perdido, uma correria foi iniciada.

No decorrer do restante da apresentação portelense, outras falhas surgiram, mas de menores proporções. Houve abertura de um buraco na altura do módulo um durante a passagem do quarto carro, chamado “A Brisa Me Levou”; além de outro entre a quinta alegoria, “O Céu de Madureira É Mais Bonito”, e a ala “Quem Nunca Sentiu o Corpo Arrepiar ao Ver Esse Rio Passar” na altura do segundo recuo da bateria, no campo de visão da última cabine de jurados.

Samba-Enredo

A obra composta por Wanderley Monteiro e companhia dividiu opiniões de sambistas, principalmente os portelenses, quando foi escolhida para embalar o desfile do centenário da Majestade do Samba. No entanto, com o crescimento do samba nos ensaios, ele foi se consolidando e provou sua força na abertura da apresentação oficial.

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Entretanto, assim como a harmonia, acabou impactado pelos problemas que ocorreram na Avenida. Apesar disso, o desempenho do carro de som, comandado por Gilsinho, não decepcionou e segurou o rendimento da obra até o final.

Enredo

Para o Carnaval de 2023, os carnavalescos Renato e Márcia Lage desenvolveram o enredo “O azul que vem do infinito”, em homenagem ao centenário da Portela, celebrado em abril deste ano. Com o intuito de condensar os cem anos de história em um desfile de até 70 minutos, os artistas escolheram cinco baluartes da agremiação para conduzir a narrativa: Paulo da Portela, Natal, Monarco, Tia Dodô e David Corrêa.

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Ao escolher tais figuras emblemáticas para nortear o enredo, a intenção dos carnavalescos era apelar para o emocional e atingir o coração dos torcedores, objetivo atingido com sucesso. A plástica de leitura clara e direta, em alegorias e fantasias, fez ainda que mesmo quem estivesse na Marquês de Sapucaí e, por um acaso do destino, não conhecesse a história da Portela, conseguisse compreender o enredo facilmente.

Alegorias e Adereços

A Portela levou para Marquês de Sapucaí um conjunto alegórico bonito, mas com problemas. Formado por três chassis, o abre-alas, intitulado “Deu Águia, a Majestade”, trouxe referências ao Carnaval de 1935, que rendeu o primeiro título da escola. A parte da frente do carro apresentou as “joias da coroa”, com membros da velha guarda, velha guarda show, artistas identificados com a agremiação e alguns dos portelenses mais representativos, como Noca e Tia Surica.

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Já a grande Águia, símbolo maior da Majestade do Samba, veio no segundo chassi. Dourada com detalhes em azul, ela veio com asas abertas para o alto e uma coroa na cabeça. Já a terceira e última parte do abre-alas trouxe um globo terrestre em destaque, no alto, remetendo à abertura do desfile campeão de 1935.

Com o nome de “Pelas bandas de Oswaldo Cruz”, a segunda alegoria destacou o tipo de vida rural que caracterizava o bairro no período da fundação da Portela e retrava uma estação ferroviária, com o trem partindo.

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Já o terceiro carro retratou, sob olhar da porta-bandeira Dodô, as vitórias portelenses nos carnavais realizados durante a Segunda Guerra Mundial, período no qual a Majestade do Samba conquistou sete campeonatos consecutivos. Na parte dianteira da alegoria, uma bomba veio cercada de composições denominadas “Guardiões da Democracia”, numa alusão ao conflito. Nas laterais, as esculturas reproduziram personagens carnavalescos.

Ainda neste terceira alegoria, no alto e ao centro, uma escultura do Rei Momo simbolizou o Carnaval do Rio reinando absoluto apesar da guerra. Além dos problemas de locomoção, esse carro teve falhas de acabamento em esculturas e os efeitos do fogo na parte da frente não funcionaram em alguns momentos do desfile.

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Em seguida, o tripé “Lenda e Mistérios da Amazônia” veio relembrando o título de 1970. Todo azul e com esculturas de animais, o elemento desfilou com erros graves de acabamento, como parte do forro se soltando na traseira.

Intitulada “A Brisa Me Levou”, a quarta alegoria homenageou o Carnaval de1980, “Hoje Tem Marmelada”. Com um grande palhaço na parte da dianteira, o carro tinha como destaque, no alto, um carrossel com trapezistas e equilibristas. Singelo e belo, ele também tinha um trabalho de iluminação, que falhou em diversos trechos da Avenida.

Fechando o desfile do centenário, o quinto carro, chamado de “O Céu de Madureira É Mais Bonito”, teve como grande atração uma enorme escultura de Águia. Prateada e estilizada, ela veio de asas abertas e foi inspirada na emblemática Águia Redentora, apresentada no Carnaval de 2015.

Fantasias

O conjunto de fantasias da Portela penou do mesmo mal das alegorias: bonito visual, porém com falhas de acabamento. Entre os principais problemas, a ala das baianas, chamada “Sobre a Tua Bandeira, Este Divino Manto”, que tinha um figurino predominante branco, com um pano da costa azul e detalhes em dourado, veio com a barra das saias se desfazendo na Avenida.

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Já a ala 03, de nome “Vai Como Pode”, sofreu com as cabeças das indumentárias que estavam soltas. Diversos componentes desta ala tiveram de atravessar o Sambódromo segurando elas para não caírem.

Outros Destaques

Mesmo com os problemas em vários quesitos, a Portela abriu o desfile em grande estilo. Por meio de 80 drones, a escola realizou um efeito nos céus, em que escreveu mensagens como “Portela 100 Anos” e os nomes de Natal e Paulo.

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Outro ponto de destaque foi a passagem de Vilma Nascimento e Jerônimo Patrocínio, que arrancou aplausos e gritos do público. Os dois vieram representando o Carnaval de 1964, no qual a Portela ganhou mais um título para sua coleção com o enredo “O Segundo Casamento de D. Pedro II”.

Carro da Vila celebra o Dia dos Mortos mexicano com muita cor e empolgação dos componentes

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O quinto carro da Vila Isabel a passar na Marquês de Sapucaí foi o representante da celebração mexicana Dia dos Mortos. A data é comemorada no dia 2 de novembro, no México, para homenagear e se sentir perto dos entes queridos que se foram. É costume levar alimentos, flores, velas e outros itens e esse festejo é conectado com tradições indígenas dos povos Astecas.

Para a Avenida, o carnavalesco Paulo Barros optou por trazer um visual bem colorido com referências ao filme do estúdio Pixar “Viva – A vida é uma festa”. O cachorro alado da animação vinha na frente da alegoria, enquanto, um pouco acima, a tradicional caveira pintada do Día de los Muertos. Nas laterais do carro, esqueletos pendurados e velas o decoravam. Os componentes vieram com o rosto pintado de caveira e performaram ao entrar e sair das cortinas que havia na lateral da composição.

“Eu achei o carro maravilhoso! Lindo, colorido, neon. A fantasia também é lindíssima, não precisei ajustar nada. Acredito que vai ter um efeito belíssimo na Avenida. Vamos fazer uma coreografia bem simples, mas perfeita para o carro”, disse Márcia Perri, de 51 anos, estreante na Vila Isabel.

Vila Isabel12Em seu segundo entre o povo de Noel, Marcos Rodrigues, de 36 anos, disse que a alegoria superou suas expectativas. Ele gostou da fantasia dos integrantes do carro em que homens usavam terno e mulheres, um vestido de babados, ambos em branco. A coreografia dos componentes foi feita em casal, mas também incluiu partes livres para sambar e pular.

Alguns desfilantes vieram com uma fantasia diferente, com uma capa colorida, chapéu com uma caveira colorida e a roupa preta com um esqueleto. Essas pessoas vieram nas plataformas que rodeavam o carro. Ana Carolina, de 27 anos, era uma dessas componentes.

“O carro é lindo, maravilhoso, perfeito! A fantasia é tudo. Toda ornamentação dele e as cores ficaram incríveis!”, elogiou a integrante.

O carro ganhou movimento na Avenida com a animação das pessoas que estavam nele se divertindo e performando. Eles fizeram uma verdadeira celebração ao ciclo da vida e ao renascimento.

Salve São Jorge! Festa do santo guerreiro é o tema do terceiro carro da Vila Isabel

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Inspirada em diferentes festas e comemorações, a Unidos de Vila Isabel foi a terceira agremiação a passar pela Sapucaí nesta segunda madrugada de desfiles do Grupo Especial do carnaval carioca. A Azul e Branco teve como enredo: “Nessa Festa, Eu Levo Fé” e literalmente foi recebida com festa pelo primeiro setor do sambódromo.

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O terceiro carro alegórico da escola veio representando as “Festas de São Jorge”, que é uma das mais populares comemorações religiosas no Rio de Janeiro. A alegoria continha uma imensa imagem vazada de São Jorge montado em seu cavalo, toda prateada, derrotando um dragão, que também foi produzido no mesmo estilo. No interior das esculturas, também na cor prata, estava o pessoal que dá movimento à alegoria, proporcionando um efeito muito interessante.
Um dos integrantes que desfilou dentro do São Jorge foi o Fábio Junior, de 17 anos, pela segunda vez na escola. Ele contou ao site CARNAVALESCO como foi a preparação para esse momento. “Foram mais de seis semanas de ensaios na Cidade do Samba. A gente lutou muito pra gente hoje vir desfilar aqui”.
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Gleice Souza, de 36 anos, é gari na cidade de Niterói e desfila na Vila desde o carnaval de 2012. Ela, que já foi apoio da escola, veio como composição do terceiro carro, simbolizando a força da fé em São Jorge. Gleice elogiou a plástica do conjunto de fantasias e alegorias deste ano. “Minha fantasia está belíssima. O carro também está lindo. Não só esse, como os outros carros. A escola toda está maravilhosa”.
Outra composição que saiu no terceiro carro foi Mariana Chaffim, de 29 anos, que hoje realizou o seu sonho de desfilar na Vila Isabel. Ela exprimiu o seu sentimento por São Jorge: “É muita devoção… Ainda mais no Brasil, que a gente tem que ser guerreiro mesmo, todos os dias”.
A vendedora Priscila Maranhão, de 36 anos, também veio como composição no carro do santo guerreiro; e falou um pouco sobre a sua fé. “Sou da umbanda, então São Jorge é nosso protetor. Nosso padroeiro. É ele quem me livra das demandas, faz vencer e abrir os caminhos”.
Aline Coelho, de 36 anos, fez sua estreia desfilando pela Vila e estava muito empolgada na concentração com o visual do carro alegórico em que desfilou. “Achei lindo o carro. Pra mim é o mais bonito de todo carnaval”.

Fotos: desfile da Vila Isabel no Carnaval 2023

Freddy Ferreira analisa a bateria da Portela no desfile

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A bateria da Portela fez um bom desfile, comandada por mestre Nilo Sérgio. Em seu centésimo desfile, a “Tabajara do Samba” exibiu um ritmo de classe e garbo, pautado por suas tradições, além de virtudes musicais. Arranjos de efeito sonoro notável foram realizados, sendo sempre alinhados de modo integral à melodia.

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Na cozinha da bateria, um trabalho de virtude sonora foi realizado por repiques, assim como as caixas de guerra da Majestade do Samba ecoaram de modo uníssono por toda a pista, dando uma base de sustentação musical sólida para todos os naipes do ritmo. Com uma afinação tradicionalmente mais grave, os marcadores de primeira e segunda foram firmes, além de precisos. Surdos de terceira foram sublimes, tanto no ritmo, quanto em paradinhas, com alto nível técnico sonoro.

Uma parte da frente do ritmo de qualidade musical contribuiu de forma evidente com a bateria da Portela. Uma ala de cuícas tecnicamente diferenciada auxiliou também nas constituições das bossas com detalhes musicais. Agogôs seguros integrando seu toque à partir da melodia do samba ajudaram na sonoridade das peças leves, inclusive na finalização da paradinha do refrão do meio. Um naipe de chocalhos profundamente diferenciado produziu um ritmo de inegável talento sonoro. Uma boa ala de tamborins exibiu um desenho rítmico consolidado através das nuances melódicas da obra portelense com precisão.

A paradinha do refrão do meio demonstrou elaboração musical plenamente integrada a canção portelense, se aproveitando de sua melodia dolente. Depois de um corte seco, diversos naipes dão tapas que ajudam na pressão, dando um envolvente balanço à “Tabajara”. O arranjo tinha frases rítmicas muito bem construídas, com uma sonoridade que propiciou swing, graças às marcações, que completadas por repiques e caixas consolidaram o ritmo com precisão.

A bossa ainda contou com um belo nível de detalhamento sonoro, com ar de refino, além do luxuoso auxílio das peças leves. Cuícas efetuando uma subidinha, chocalhos dando molho e agogôs tocando exatamente como a melodia no trecho “Deixa a Portela passar”. A conclusão fica à cargo das talentosas terceiras Portelenses, com um toque ousado sendo responsável pela chamada durante a retomada. As nuances melódicas ditaram a construção musical com profundidade, graças a uma conjunção sonora impecável durante a convenção.

A bossa do fim da segunda mostrou um arranjo conectado ao samba da Águia. Com esse alinhamento musical, mais uma vez houve a junção de balanço com pressão para consolidar o ritmo. Diversos naipes produzem uma sonoridade de destaque na convenção, que ainda conta com um telecoteco curto do tamborim no início do refrão principal, antes dos repiques chamarem para a retomada, dando valor sonoro à bateria da Portela.

A apresentação no último módulo de julgadores foi realizada de forma ligeira, por causa do tempo próximo do limite. Acabou sendo somente a bossa da segunda, que termina no refrão principal, em virtude disso. As demais exibições ocorreram com segurança. Um bom desfile da bateria “Tabajara do Samba”, regida por mestre Nilo Sérgio.

Última alegoria da Vila Isabel exalta o carnaval e traz o Rei Momo em veículo que descia até a pista

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Vila Isabel04 1Com o enredo “Nessa Festa, Eu Levo Fé”, a Unidos de Vila Isabel foi a terceira escola a desfilar nesta segunda noite do Grupo Especial do carnaval carioca. A ideia do carnavalesco Paulo Barros foi trazer para a avenida os mais diversos festejos populares que acontecem no planeta. A apresentação da Vila iniciou-se na Roma Antiga, com o culto a Baco, que é o deus do vinho.

Depois de passar pelas comemorações de diversas partes do mundo, a Vila Isabel encerrou o seu desfile com o setor “Carnaval, nessa festa eu levo fé”. O último carro da escola do bairro de Noel foi batizado de “Carnaval, a Alegria do Povo” e trazia uma grande rampa por onde descia e subia um veículo em estilo antigo que transportava o Rei Momo pela passarela, passando pelo meio das alas do último setor, que se abriam para a sua chegada. A performance foi ovacionada pelo público das arquibancadas.

Vila Isabel08No canto superior esquerdo do carro, estava a musa do carnaval paulistano Ivi Mesquita, que vinha com uma fantasia azul e rosa, representando toda a alegria presente na festa de Momo. Momentos antes de subir no queijo de destaque, ela confessou estar com a adrenalina à flor da pele. “Faz muitos anos que eu não saio no carro. Eu saio sempre no chão… Aí agora, depois de 20 anos, eu vou testar minha emoção, porque é muito alto”. Ela completa: “É sobre desafios… E esse carro vai ser um grande desafio. Vai ser um acontecimento, com uma grande surpresa”.

A alegoria era extremamente carnavalizada, bastante colorida, mas tinha a predominância das cores da Vila, além de trazer sete coroas, sendo três em cada lateral e uma maior, no centro. O carro trazia elementos típicos da folia, como esculturas de máscaras e arlequins, além das composições, que estavam fantasiadas de colombinas.

Vila Isabel02 1A costa-marfinense e francesa Mariam Cisse, de 24 anos, desfilou pelo quarto ano na Vila e estava se sentindo realizada com o seu figurino de colombina e com o carro alegórico em que desfilou. “A fantasia é muito linda, autêntica e nas cores da Vila Isabel… Gostei muito. O carro é também incrível”.

Outra colombina, vestida de dourado azul e branco, era Daniele da Silva, de 26 anos, que é designer e desfilou pela primeira vez no carnaval do Rio. Ela estava admirada com a beleza da alegoria na concentração. “Esse carro é bem bonito, todo colorido. Eu amei a minha roupa também. Estou bem ansiosa, mas vai dar tudo certo!”.

Baianas de Vila Isabel simbolizaram a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim

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Vila Isabel03A Unidos de Vila Isabel foi a terceira escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, com o enredo “Nessa Festa, Eu Levo Fé”, que é inspirado nas comemorações religiosas e populares ao redor de todo o mundo. As baianas do bairro de Noel vieram simbolizando a tradicional lavagem das escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, que é uma das manifestações religiosas mais populares da Bahia.

A luxuosa saia da fantasia da ala das baianas de Vila Isabel trazia as famosas fitinhas coloridas de Senhor do Bonfim, que geralmente são amarradas nas grades da Igreja por devotos que querem alcançar suas graças. A roupa das senhoras era predominantemente branca, com várias flores e pombas, além dos ricos detalhes e ornamentos em prata e dourado.

Vila Isabel05A filha de Martinho da Vila, Analimar Ventapane, de 58 anos, desfila na Azul e Branco desde os 9 anos e aprovou a roupa: “Está bem legal, leve e muito bonita. Vai dar para girar bem”. Analimar, que já esteve na lavagem do Bonfim mais de uma vez, ressaltou a importância da fé na vida das pessoas. “Se a gente não tem fé, a gente não vai em frente. Não é só a fé religiosa. É a fé no ser humano, a fé na vida”.

A costureira Ana de Carvalho, de 63 anos, desfila na Vila há 22 anos e ficou muito admirada com a roupa deste carnaval. “Não ajudei a fazer essa fantasia, fiz outras alas, mas essa aqui pra mim ficou uma maravilha. Meu corpo está certinho aqui dentro, confortável. Eu vou girar bastante na avenida”. Ela que é católica, todos os anos faz parte da lavagem da Sapucaí, esteve presente na avenida: “Caiu uma chuva imensa. Esse ano foi uma verdadeira lavagem mesmo”.

Vila Isabel04Cynthia Bauer, de 55 anos, fez a sua estreia como baiana de Vila Isabel, mas desfila na agremiação desde 2019. Ela contou ao site CARNAVALESCO que já visitou a Igreja de Senhor do Bonfim, em Salvador, mas não no dia da lavagem das escadarias. “Achei fantástico. É um clima sem igual. A positividade de lá é muito grande. E fiquei muito feliz quando soube que a Vila iria falar dessa religiosidade”.

Sônia da Conceição, de 67 anos, é aposentada e está em seu segundo ano desfilando pela Unidos de Vila Isabel. Ela é candomblecista e também costuma participar do ritual de lavagem na pista de desfiles. “Só neste ano que eu não participei porque foi justo no dia do ensaio técnico da Vila”.

Emocionados, componentes da Portela se encantam com águia do centenário

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Portela02 3Rumo aos 100 anos a serem completos no dia 11 de abril, a Portela abordou sua história na avenida, através do enredo “Azul que vem do infinito”. Sempre muito aguardada, a águia, no abre-alas da escola, veio vestida de dourado e azul e emocionou os componentes da Azul e Branca de Oswaldo Cruz e Madureira.

Em entrevista ao Site CARNAVALESCO, componentes da Portela comentaram sobre a águia do centenário e o sentimento de representar a escola em tal data. A portelense Vânia, há cinco carnavais na escola, se emociona ao falar sobre o maior símbolo da escola.

“Me arrepia a pele, isso aqui é coração puro, Portela é um orgulho nosso, a escola de samba que tem o maior número de títulos. Participar do centenário é pertencer a comunidade, pertencer a escola que é uma das fundadoras do carnaval do Rio de Janeiro”, afirmou.

Portela04 1A emoção de Vânia é compartilhada por Daniel Reis, que desfila na escola desde 2007. Segundo o portelense, que chega a chorar durante a entrevista, a águia é sempre bonita, independente da maneira como é feita e pensada.

“A águia, independente de como venha, me emociona porque a Portela é pioneira em tudo, graças a ela, temos o carnaval que conhecemos hoje. A águia está muito bonita, mas independente de como venha, sempre vai emocionar. É pelos portelenses que não estão aqui mais, é muito emocionante”, ressaltou.

Ritmista da escola, o carioca Ricardo Martins se encantou com a águia, que não consegui ver quando foi ao barracão da Portela. Segundo ele, os componentes da bateria tiveram alguns cuidados especiais para participar do desfile do centenário.

Portela01 4“A águia é um segredo, nós ritmistas não a vemos no barracão. Está muito bonita. Participar do centenário é uma responsabilidade muito grande. Os ritmistas não estão nem bebendo para poder participar do desfile, somente água”, revelou.

Por fim, o portelense Amilton Jorge também comentou sobre a águia do desfile de 2023. O carioca revela ter compartilhado a imagem da águia com membros da sua família. “Eu já tinha visto pelo grupo da minha ala, achei linda e maravilhosa e agora pessoalmente, está ainda mais bonita. Já tirei foto e já mandei para a família. Nós vamos disputar o título”, concluiu.

Fotos: desfile da Portela no Carnaval 2023

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